A MedWork é um ecossistema de ensino criado para formar e aprovar médicos na Prova de Título de Especialista em Medicina do Trabalho (ANAMT), com um padrão de didática e profundidade que respeita a complexidade real da especialidade.
Nossas apostilas são desenhadas para estudo físico e revisável, com foco em alta retenção: conceitos essenciais, quadros comparativos, tabelas de referência, pegadinhas clássicas de prova, além de questões comentadas com raciocínio objetivo — conectando teoria, normas e prática clínica ocupacional.
Este material faz parte da coleção MedWork Preparatório ANAMT 2026 e foi elaborado para ser utilizado em conjunto com as aulas, revisões e banco de questões do curso, servindo também como base de consulta rápida na rotina do médico do trabalho.

Dados Internos de Catalogação na Publicação
Biblioteca/Acervo responsável: MedWork Educação
Lazzarini, Ludmilla da Silva Batista
Apostila MedWork Preparatório ANAMT 2026 - Higiene, Toxicologia e Intoxicação Ocupacional. v1. 113p.

Coleção: MedWork Preparatório ANAMT 2026 — Apostilas Oficiais
MW-ID: MW-ANAMT-2026-HTI-01-R1
1. ed. — Higiene, Toxicologia e Intoxicação Ocupacional / MedWork. — 1. ed. — Brasil:
MedWork Educação, 2026.
MW-CRC: MW26-[2026]-[3333]-[AMWH26]
1. MedWork — Preparatório ANAMT. 2. Medicina do Trabalho —
Higiene. 3. Educação Médica. I. Título.
Edição 2026.1
113 páginas
Idioma: Português (Brasil)
Formato: Apostila didática (impresso e/ou digital)

Endereço MedWork:
Rua K, 90, Setor Oeste, Goiânia-GO. CEP 74120-040. medworkcurso@gmail.com
Telefone (62) 99988-2658

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Índice
Higiene, Toxicologia e Intoxicação Ocupacional Pág. 4
Higiene Ocupacional Pág. 5
Hierarquia de Controles Pág. 6
Perigo x Risco Pág. 8
Reconhecimento de Riscos Pág. 9
Limites de Exposição (TLV-TWA, STEL, Ceiling) Pág. 12
Agentes Físicos (Calor, Frio, Radiações) Pág. 18
Toxicologia Ocupacional Pág. 33
Toxicocinética (ADME) x Toxicodinâmica Pág. 34
Vias de Exposição Pág. 37
Conceitos Essenciais (Toxicidade, DL50, IDLH) Pág. 40
Monitoramento Biológico (IBE/BEI, NR-07) Pág. 47
Intoxicações Ocupacionais Pág. 58
Agrotóxicos (Organofosforados, Carbamatos, Piretróides) Pág. 59
Metais Tóxicos (Chumbo, Mercúrio, Manganês, Cromo, Cádmio, Berílio) Pág. 70
Solventes (Benzeno, Metanol) Pág. 91
Gases Asfixiantes (Simples e Químicos, Cianeto, Monóxido de Carbono) Pág. 103

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Higiene, Toxicologia e Intoxicação Ocupacional
Bem-vindo(a) a este material de estudo focado nos pilares essenciais da Medicina do Trabalho: Higiene Ocupacional, Toxicologia Ocupacional e Intoxicações Ocupacionais. Este guia foi meticulosamente elaborado para médicos do trabalho que se preparam para o exigente exame de certificação da ANAMT. Além de conceitos teóricos fundamentais e aplicações práticas, você encontrará questões de exames anteriores da ANAMT, proporcionando uma preparação completa e estratégica para o seu sucesso profissional.
Como estudar esta apostila (em 3 passos)
01
Leia a teoria do tópico e marque termos-chave
Comece pela fundamentação teórica de cada tema. Durante a leitura, destaque conceitos essenciais, definições e informações que aparecem com frequência nas questões.
02
Resolva as questões do tópico e revise os erros
Após estudar a teoria, pratique com as questões de provas anteriores. Analise cuidadosamente os erros - eles revelam suas lacunas de conhecimento e os padrões da banca examinadora.
03
Faça revisão rápida das tabelas e boxes de pegadinhas
Antes da prova, revise as tabelas comparativas, alertas e dicas técnicas. Esses resumos concentram informações de alto rendimento para fixação final.
Higiene e Toxicologia Ocupacional
Higiene Ocupacional e Toxicologia Ocupacional são pilares fundamentais e complementares da saúde ocupacional. Para o exame da ANAMT, é crucial compreender a interconexão dessas disciplinas na prevenção de doenças e acidentes de trabalho.
Higiene Ocupacional
Higiene Ocupacional
Ciência e arte dedicada à antecipação, reconhecimento, avaliação e controle de fatores de risco ambientais no trabalho, protegendo a saúde do trabalhador.
Agentes de Risco: Físicos (ruído, calor), Químicos (gases, poeiras), Biológicos (vírus, bactérias).
Metodologia de Ação (Ciclo):
  1. Antecipação: Identificar riscos antes da introdução.
  1. Reconhecimento: Caracterizar riscos existentes.
  1. Avaliação: Medir a exposição e comparar com limites.
  1. Controle: Implementar medidas para reduzir exposição.
Regulamentação: NR-09 (PGR) foca na gestão de riscos; NR-15 estabelece limites de tolerância.
Hierarquia de Controles:
  1. Eliminação
  1. Substituição
  1. Controles de Engenharia
  1. Controles Administrativos
  1. EPI (Equipamentos de Proteção Individual)
Toxicologia Ocupacional
Toxicologia Ocupacional
Ramo da toxicologia que estuda os efeitos adversos de substâncias químicas sobre a saúde dos trabalhadores, incluindo relações dose-resposta e mecanismos de ação.
Conceitos Chave:
  • Toxicocinética: O que o corpo faz com o tóxico (Absorção, Distribuição, Metabolismo, Excreção - ADME).
  • Toxicodinâmica: O que o tóxico faz com o corpo (mecanismos de ação, órgãos-alvo, efeitos biológicos).
Efeitos: Agudos (rápida manifestação) e Crônicos (exposições prolongadas).
Limites de Exposição: TLVs (Threshold Limit Values), com TWA (Média Ponderada pelo Tempo), STEL (Limite de Exposição para Curto Período) e Ceiling (Concentração Máxima).
Monitoramento Biológico (NR-07):
  • IBE (Indicadores Biológicos de Exposição): Medem o agente ou metabólito no trabalhador.
  • VRB (Valores de Referência Biológica): Limites para IBE sem efeitos adversos.
Em suma, a Higiene Ocupacional foca na identificação e medição de perigos ambientais, enquanto a Toxicologia Ocupacional aprofunda a compreensão dos efeitos biológicos e estabelece níveis seguros. Ambas são indispensáveis para programas de saúde ocupacional eficazes.

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Hierarquia de Controles na Higiene Ocupacional
(Do mais eficaz ao menos eficaz)
1. Eliminação
Remover o perigo na origem.
2. Substituição
Trocar por agente/processo menos perigoso.
3. Controles de Engenharia
Isolar pessoas do perigo.
4. Controles Administrativos
Mudar a forma de trabalho das pessoas.
5. EPI (Equipamento de Proteção Individual)
Proteger o trabalhador com barreiras.
Exemplos
Eliminação: Usar um robô em vez de um soldador humano.
Substituição: Trocar tinta à base de solvente por tinta à base d'água.
Engenharia: Instalar exaustores e enclausuramento para gases tóxicos.
Administrativos: Pausas programadas, rodízio de tarefas, treinamento.
EPI: Luvas, óculos de segurança, protetor auricular.
A hierarquia de controles é a base para o gerenciamento de riscos ocupacionais, conforme o PGR da NR-01. O EPI deve ser a última opção, complementar às demais medidas, e nunca uma solução isolada.

💡 FRASE DE PROVA: EPI é a última barreira; priorize eliminação/substituição/engenharia e use EPI como complemento quando necessário.
⚠️ Pegadinhas da banca
  • Confundir ventilação local exaustora (engenharia) com rotação de turnos (administrativa)
  • Trocar substituição de produto químico (eliminação/substituição) com uso de máscara (EPI)
  • Considerar treinamento sobre uso de EPI como medida de engenharia (é administrativa)

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ANAMT 2021 - Questão
Na hierarquia das medidas de prevenção e controle de riscos presentes nos ambientes de trabalhos, constitui medida de última escolha:
  • A) Controles de engenharia;
  • B) Substituição do agente;
  • C) Eliminação do risco;
  • D) Alertas e/ou controles administrativos;
  • E) Utilização de equipamentos de proteção individual.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA E. Na hierarquia de controles, a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) é sempre a medida de última escolha e considerada uma barreira final. Ela deve ser aplicada somente após a priorização e esgotamento das outras medidas, como eliminação, substituição, controles de engenharia e administrativos. O EPI é uma solução complementar, dependendo da correta utilização pelo trabalhador e não eliminando o risco na sua origem, o que o torna menos eficaz que os controles aplicados na fonte.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Controles de engenharia são preferíveis aos EPIs, atuando na fonte do risco.
  • Alternativa B: INCORRETA. A substituição do agente por um menos perigoso é uma medida de controle mais eficaz que o uso de EPIs.
  • Alternativa C: INCORRETA. A eliminação do risco é a medida mais eficaz e prioritária na hierarquia de controles.
  • Alternativa D: INCORRETA. Controles administrativos, como procedimentos e treinamentos, ainda são preferíveis ao uso exclusivo de EPI.

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Perigo x Risco
Perigo
Perigo: É o potencial inerente de causar dano, ou seja, uma fonte ou situação com capacidade de provocar lesões, doenças ou morte, ou até mesmo danos à propriedade e ao meio ambiente. É uma característica intrínseca de uma substância, equipamento, método de trabalho ou condição ambiental, significando que o potencial de dano existe independentemente de haver alguém exposto a ele. Compreender a natureza intrínseca do perigo é fundamental, pois ele representa uma propriedade ou condição que sempre possui o potencial de dano, inerente e imutável.
Exemplos:
Uma substância tóxica em um tambor fechado.
Um maquinário com partes móveis sem proteção.
Trabalho em altura.
Eletricidade em um circuito energizado.
Uma superfície escorregadia.
Compreender e identificar os perigos é o primeiro e mais fundamental passo em qualquer processo de gestão de riscos. A sua correta identificação permite que as fases subsequentes de avaliação e controle sejam eficazmente planejadas e implementadas, estabelecendo a base para um ambiente de trabalho mais seguro.
Risco
Risco: É a combinação da probabilidade de que um perigo se materialize, causando dano, combinada com a gravidade desse dano. O risco envolve a exposição ao perigo e as circunstâncias específicas dessa exposição. Ele quantifica a chance de que o potencial de dano do perigo seja liberado e afete pessoas, bens ou o meio ambiente, considerando a frequência e duração da exposição, e a existência de controles.
Exemplos:
Exposição de um trabalhador a uma substância tóxica sem EPI.
Operar um maquinário com partes móveis sem proteção.
Trabalhador sem cinto de segurança em altura.
Um eletricista trabalhando em um circuito energizado sem os procedimentos de segurança adequados.
Caminhar sobre uma superfície escorregadia sem calçado adequado.
A avaliação do risco leva em conta fatores como a frequência e duração da exposição, o número de pessoas expostas, a natureza do trabalho e a eficácia das medidas de controle existentes. Um risco pode ser gerenciado, ao passo que o perigo muitas vezes não pode ser eliminado.
Este diagrama ilustra a distinção fundamental entre perigo e risco na segurança do trabalho.
Reconhecimento de Riscos
O reconhecimento de riscos é a primeira e mais crucial etapa na gestão da segurança e saúde ocupacional. É o processo de identificar e localizar todos os perigos potenciais no ambiente de trabalho, sejam eles físicos, químicos, biológicos, ergonômicos ou de acidentes. Essa fase é fundamental para que as medidas de prevenção e controle sejam eficazes, pois só é possível controlar aquilo que se conhece. Para o Médico do Trabalho e o profissional de Higiene Ocupacional, dominar o reconhecimento é a base para a proteção da saúde dos trabalhadores.
Elementos Chave para o Reconhecimento Efetivo
Identificação de Perigos
Envolve a busca ativa por tudo que possa causar dano. Isso inclui substâncias, equipamentos, processos, condições ambientais e métodos de trabalho. É essencial ir além do óbvio, considerando riscos potenciais e não apenas aqueles que já causaram acidentes.
Compreensão dos Processos de Trabalho
Entender como o trabalho é feito, as etapas envolvidas, os materiais utilizados, as ferramentas e máquinas operadas. Um mapeamento detalhado dos fluxos de trabalho ajuda a identificar pontos críticos de exposição e interação com perigos.
Observação do Ambiente e Entrevistas
Realizar visitas sistemáticas aos locais de trabalho, observando as condições, o comportamento dos trabalhadores e as práticas. Entrevistar os trabalhadores é vital, pois eles são as fontes primárias de informação sobre as rotinas e os perigos do dia a dia.
A realização de inspeções e caminhadas sistemáticas pelo local de trabalho (walkthroughs) é uma ferramenta indispensável. Essas visitas devem ser planejadas, com roteiros que garantam a cobertura de todas as áreas e processos, e devem ser conduzidas por profissionais capacitados. É a partir dessa observação direta que se detectam situações que podem não estar documentadas.
Todos os achados devem ser documentados preliminarmente, registrando os perigos identificados, sua localização, quem pode ser afetado e de que forma. Esta avaliação inicial servirá de base para as fases subsequentes de avaliação quantitativa, quando necessária, e para a implementação de medidas de controle.

Conexão com a Hierarquia de Controles: Um reconhecimento de riscos bem feito é o que permite aplicar efetivamente a Hierarquia de Controles, priorizando a eliminação e substituição, e recorrendo ao EPI apenas como última barreira, conforme discutido na seção anterior.
ANAMT 2024 - Perigo x Risco
“A possibilidade de um trabalhador adoecer pela exposição a um agente químico em um ambiente de trabalho é a preocupação primordial da Toxicologia Ocupacional. O estudo dos ambientes e dos processos produtivos dos trabalhadores deve ser cuidadoso visando sempre a reduzir esta possibilidade a um valor muito baixo.” (José Tarcísio Penteado Buschinelli)
O entendimento dos conceitos de “Perigo” e de “Risco” devem ser claros para o Médico do Trabalho, já que o reconhecimento desses irá permitir o profissional desenvolver as ações de vigilância ativa e passiva que irão compor o PCMSO. Sobre esses conceitos, marque o item INCORRETO:
  • A) Perigo pode ser definido como a propriedade inerente de um agente ter o potencial de causar efeitos adversos quando um organismo, sistema ou (sub)população é exposta a este agente.
  • B) Risco é a probabilidade de um efeito adverso ser causado a um organismo, sistema ou (sub)população sob circunstâncias de exposição a este agente.
  • C) Perigo pode ser qualquer coisa potencialmente causadora de danos, sejam materiais, equipamentos, métodos ou práticas de trabalho.
  • D) Risco é a possibilidade, elevada ou reduzida, de alguém sofrer danos provocados pelo perigo.
  • E) O Perigo é um conceito quantitativo, enquanto Risco é um conceito qualitativo.
Gabarito Comentado
  • Alternativa E: INCORRETA. O conceito correto é o inverso: perigo é um conceito qualitativo, pois se refere à natureza intrínseca de algo causar dano, enquanto risco é um conceito quantitativo, relacionado à probabilidade e à gravidade de um dano ocorrer sob determinadas condições de exposição. (Referência: José Tarcísio Penteado Buschinelli – Toxicologia Ocupacional).
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA. Essa é a definição aceita de perigo na toxicologia ocupacional.
  • Alternativa B: CORRETA. Define corretamente risco como a probabilidade de ocorrência de um efeito adverso.
  • Alternativa C: CORRETA. Perigo é tudo que tem o potencial de causar dano, abrangendo diversos contextos.
  • Alternativa D: CORRETA. Risco corresponde à chance de ocorrer um dano causado por um perigo.

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ANAMT 2008 - Questão
A fase de reconhecimento dos riscos aplicada à higiene ocupacional é importante porque:
  • A) Não permite conhecer os riscos dos processos produtivos.
  • B) Se um risco não for devidamente reconhecido é provável que nem seja avaliado.
  • C) Se o agente for bem reconhecido pode-se dispensar a fase de avaliação.
  • D) Permite identificar os trabalhadores que apresentam alteração no seu estado de saúde.
  • E) É ele que define quais os tipos de controle que deverão ser aplicados após a avaliação.
Gabarito Comentado
  • Alternativa B: CORRETA. O reconhecimento é uma etapa fundamental, pois só é possível avaliar, controlar e prevenir riscos quando estes foram corretamente identificados. Sem o reconhecimento adequado, um risco pode não ser incluído no planejamento de avaliação.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. A fase de reconhecimento permite, sim, conhecer os riscos dos processos produtivos.
  • Alternativa C: INCORRETA. Mesmo com o agente reconhecido, a avaliação de sua presença e intensidade no ambiente específico é indispensável.
  • Alternativa D: INCORRETA. A identificação de alterações na saúde dos trabalhadores é função da vigilância à saúde, não do reconhecimento de riscos.
  • Alternativa E: INCORRETA. O reconhecimento contribui para a definição dos controles, mas não os define de forma exclusiva e final.

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Limites de Exposição (ACGIH TLVs®) —
TWA, STEL e Ceiling
Os Limites de Exposição Ocupacional (ACGIH TLVs®), estabelecidos pela American Conference of Governmental Industrial Hygienists, são parâmetros cruciais para a prevenção e controle de riscos químicos e físicos no ambiente de trabalho. Entender seus diferentes parâmetros e como aplicá-los corretamente é fundamental para garantir a segurança, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores a longo prazo, protegendo-os contra os efeitos adversos de agentes químicos e físicos.
TWA
Média Ponderada no Tempo (Time-Weighted Average): Representa a concentração média à qual os trabalhadores podem ser expostos repetidamente, dia após dia, por uma jornada de trabalho normal de 8 horas diárias e 40 horas semanais, sem apresentar efeitos adversos à saúde.
STEL
Limite de Curta Duração (Short-Term Exposure Limit): É a concentração máxima à qual os trabalhadores podem ser expostos por um período contínuo de 15 minutos, no máximo quatro vezes ao dia. Entre uma exposição STEL e outra, deve haver um intervalo de pelo menos 60 minutos, e a exposição diária total deve ainda respeitar o TWA.
Ceiling
Valor Teto: Refere-se à concentração que não deve ser excedida em momento algum da jornada de trabalho. Para substâncias com efeitos irritantes imediatos ou que podem causar danos graves à saúde em exposições muito curtas, o valor Teto é o limite mais rigoroso.
Uso correto: A escolha e aplicação do parâmetro mais adequado depende intrinsecamente do efeito toxicológico esperado do agente (agudo versus crônico, irritante versus sistêmico) e da forma como os trabalhadores são expostos. É essencial considerar também frações de particulado (como inalável, torácico e respirável) para poeiras e aerossóis, e o ajuste por jornada de trabalho atípica (ex: turnos de 12 horas) para uma avaliação completa e precisa, que assegure a proteção da saúde ocupacional.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Higiene Ocupacional
Assunto: Limites de Exposição
Em relação à Norma Regulamentadora 7 (NR7), em seu Anexo I (Monitoração da Exposição Ocupacional a Agentes Químicos), temos os Indicadores Biológicos de Exposição Excessiva (IBE/EE) ou Indicadores de Exposição com Significado Clínico (IBE/SC), das substâncias químicas. Assinale abaixo a alternativa INCORRETA em relação às substancias e aos indicadores biológicos para o monitoramento.
A) Benzeno - Ácidos Fenilmercaptúrico (S- PMA) na urina.
B) Monóxido de carbono – Carboxihemoglobina no sangue.
C) Xilenos - Ácido Hipúrico na urina.
D) Chumbo e seus compostos inorgânicos - Ácido Delta Amino Levulínico na urina (ALA- U).
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA C.
  • INCORRETA: No Anexo I da NR-7, o indicador para xilenos é ácido metil-hipúrico urinário; “ácido hipúrico” é marcador clássico do tolueno.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA. Benzeno → S-fenilmercaptúrico (S-PMA) urinário (NR-7 Anexo I).
  • Assertiva B: CORRETA. Monóxido de carbono → carboxihemoglobina no sangue (NR-7 Anexo I).
  • Assertiva D: CORRETA. Chumbo inorgânico → ALA-U urinário (NR-7 Anexo I).
Referências: NR-7 (Redação dada pela Portaria SEPRT nº 6.734, de 10/03/2020) Anexo I – Monitoração da Exposição Ocupacional a Agentes Químicos; Buschinelli JTP, Toxicologia Ocupacional, Fundacentro, 2020.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Higiene Ocupacional
Assunto: NR - 07
O Anexo V da Norma Regulamentadora 7 (NR 7), estabelece diretrizes e parâmetros complementares no Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), para vigilância da saúde dos empregados expostos a substâncias químicas cancerígenas e a radiações ionizantes, de acordo com as informações fornecidas pelo Programa de Gerenciamento de Risco (PGR). Em relação ao tema, assinale abaixo a alternativa INCORRETA:
A) Os prontuários médicos dos empregados expostos a substâncias químicas cancerígenas devem ser mantidos por período mínimo de 40 (quarenta) anos após o desligamento do empregado.
B) As ações de vigilância da saúde dos empregados expostos a benzeno devem seguir o disposto na Instrução Normativa Nº 2, de 20 de dezembro de 1995, da Secretaria de Segurança e Saúde do Trabalho/Ministério do Trabalho, e na Portaria de Consolidação Nº 5, de 28 de setembro de 2017 do Ministério da Saúde.
C) A informação sobre aptidão ou inaptidão para exercer atividade com exposição à radiação ou material radioativo não é consignada no Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) do empregado.
D) No caso de exposição ocupacional acidental a níveis elevados de radiação ionizante, deve ser realizada nova avaliação médica, com coleta de hemograma completo imediatamente e, 24 horas após a exposição.
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA C.
  • INCORRETA: C). O Anexo V da NR-7 determina que o ASO deve consignar a aptidão/inaptidão para atividades com radiação ionizante/material radioativo; logo, dizer que “não é consignada” está errado.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA — o Anexo V exige guarda de prontuários por, no mínimo, 40 anos após o desligamento para expostos a agentes cancerígenos.
  • Assertiva B: CORRETA — a vigilância dos expostos a benzeno segue a IN nº 2/1995/MTb e a Portaria de Consolidação MS nº 5/2017, conforme citado.
  • Assertiva D: CORRETA — após exposição acidental a níveis elevados de radiação, realizar reavaliação médica e hemograma completo imediato e em 24 h (Anexo V).
Referência: Portaria nº 3.214/1978 – NR-7, Anexo V (vigilância de expostos a radiações ionizantes e a agentes cancerígenos).Referência: NR-7 (Redação dada pela Portaria SEPRT nº 6.734, de 10/03/2020 – Vigência 2022)

💡 DICA MEDWORK – ATUALIZAÇÃO 2025/2026 Na nova redação da NR-7, os indicadores para agentes químicos são divididos em:
1. IBE/EE (Exposição Excessiva): Indica apenas que o trabalhador absorveu o agente acima do limite, sem necessariamente haver doença (ex: TCA na urina para Tricloroetileno).
2. IBE/SC (Significado Clínico): Indica que já existe potencial dano à saúde ou disfunção orgânica (ex: Pb-S para chumbo inorgânico). O monitoramento do Benzeno segue regras estritas de vigilância devido ao seu potencial carcinogênico.

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ANAMT 2023 - Questão
A Conferência Americana de Higienistas Industriais Governamentais (ACGIH) é uma Organização não governamental que promove saúde ocupacional e ambiental. Publica anualmente um Guia de TLVs e BEIs (Limites de Exposição Ocupacional e Indicadores Biológicos de Exposição), muito utilizados como complemento de nossa Legislação trabalhista. De acordo com a publicação acima citada, identifique nas alternativas abaixo, o que é considerado Limite de Tolerância.
  • A) Valor médio ponderado.
  • B) Valor limite de exposição.
  • C) Valor máximo de exposição.
  • D) Valor mínimo de exposição.
  • E) Valor médio de risco.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B. Embora a palavra "Threshold" possa ser traduzida como "Limiar", a Associação Brasileira de Higiene Ocupacional (ABHO) padronizou a tradução de "Threshold Limit Value (TLV)" para "Valor Limite de Exposição". Esta é a terminologia oficialmente reconhecida e utilizada na prática da higiene ocupacional no Brasil.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. "Valor médio ponderado" (TWA - Time Weighted Average) é um tipo de TLV, mas não o termo geral que o engloba como "Limite de Tolerância" no contexto da questão.
  • Alternativa C: INCORRETA. "Valor máximo de exposição" não corresponde ao conceito geral de TLV, que inclui diferentes tipos de limites (TWA, STEL, Ceiling).
  • Alternativa D: INCORRETA. "Valor mínimo de exposição" não é um parâmetro oficial na toxicologia ocupacional.
  • Alternativa E: INCORRETA. "Valor médio de risco" não faz parte da terminologia oficial da ACGIH ou NR-15.

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ANAMT 2010 - Questão
O TLV-STEL (Threshold Value, Short Term Exposure Level da ACGIH):
  • A) Representa a concentração mínima de exposição durante a jornada de trabalho.
  • B) Refere-se a exposições de 8 horas por dia, 40 horas por semana.
  • C) É a concentração que nunca deve ser atingida por ser perigosa à saúde e à vida.
  • D) Pode ser excedida durante a jornada de trabalho.
  • E) Pode ser atingida até 4 vezes, durante a jornada de trabalho, obedecida a duração máxima de 15 minutos de cada vez e com intervalos de uma hora.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA E. O TLV-STEL (Short Term Exposure Limit) corresponde a uma concentração máxima de exposição que pode ser tolerada por até 15 minutos, no máximo 4 vezes ao dia, com intervalos de pelo menos 60 minutos entre cada exposição, sem causar efeitos adversos à saúde. (Referências: ACGIH – TLVs® and BEIs®, 2023; Fundacentro.)
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Não se refere a concentração mínima.
  • Alternativa B: INCORRETA. Corresponde ao TLV-TWA (média ponderada para 8h/dia, 40h/semana).
  • Alternativa C: INCORRETA. refere-se ao Ceiling (C), que nunca deve ser ultrapassado.
  • Alternativa D: INCORRETA. Não pode ser excedida além dos limites previstos.

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ANAMT 2009 - Questão
Os TLV – Ceiling (Valor Teto) são concentrações ambientais que:
  • A) Podem ser ultrapassadas apenas por 10 minutos em uma jornada de trabalho.
  • B) Podem ser ultrapassadas em 15 minutos a cada hora.
  • C) Podem ser ultrapassadas em metade da jornada de trabalho.
  • D) Podem ser ultrapassadas por 1 a 5 minutos 3 vezes ao dia.
  • E) Não podem ser ultrapassadas em momento algum da jornada de trabalho, devendo ser introduzidas medidas de controle imediatas que evitem essa exposição.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA E. Os TLV-C (Threshold Limit Value – Ceiling) da ACGIH referem-se ao valor limite que não pode ser ultrapassado em nenhum momento da jornada de trabalho, mesmo que brevemente. São definidos para substâncias cujos efeitos agudos podem ser imediatos e graves, como irritantes intensos ou asfixiantes.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Esse conceito se aproxima mais do STEL, e não do Ceiling.
  • Alternativa B: INCORRETA. Idem à alternativa anterior.
  • Alternativa C: INCORRETA. TLV-TWA poderia ser ultrapassado brevemente, mas não o TLV-C.
  • Alternativa D: INCORRETA. Descreve STEL ou outros limites com tolerância a picos, o que não se aplica ao Ceiling.

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Agentes Físicos
Os agentes físicos, no contexto da Higiene Ocupacional, são formas de energia que, quando presentes no ambiente de trabalho em níveis ou intensidades excessivas, ou por tempo de exposição inadequado, podem causar danos à saúde do trabalhador. A correta identificação, avaliação e controle desses agentes são fundamentais para a prevenção de doenças ocupacionais e a manutenção da saúde e segurança do trabalho.
A Norma Regulamentadora 15 (NR-15) do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil estabelece os limites de tolerância e as medidas de controle para a exposição a diversos agentes físicos, em seus anexos específicos.
Ruído
Sons indesejados e excessivos que podem levar à perda auditiva induzida por ruído (PAIR), zumbido, estresse e distúrbios do sono. Comum em indústrias metalúrgicas, construção civil, aeroportos e casas de máquinas.
Vibração
Movimentos oscilatórios transmitidos ao corpo, que podem ser localizados (mãos e braços) ou de corpo inteiro. Causam distúrbios osteomusculares (dor lombar, lesões na coluna) e vasculares (síndrome de Raynaud, ou "doença dos dedos brancos"). Encontrado em operadores de máquinas pesadas, ferramentas manuais vibratórias (britadeiras, motosserras).
Calor
Temperaturas elevadas que superam a capacidade de termorregulação do corpo. Podem causar desidratação, exaustão pelo calor, intermação (golpe de calor) e problemas circulatórios. Prevalente em fundições, siderurgias, fornos, cozinhas industriais e trabalho agrícola sob sol intenso.
Frio
Temperaturas extremamente baixas que podem levar à hipotermia, congelamento, lesões de extremidades e comprometimento da destreza. Comum em frigoríficos, câmaras frias, indústrias de alimentos congelados e em atividades ao ar livre em regiões frias.
Radiações Ionizantes
Emitem energia suficiente para ionizar átomos, como raios-X, gama, alfa, beta e nêutrons. Podem causar queimaduras, câncer, mutações genéticas e alterações hematológicas. Presente em radiografias industriais, medicina nuclear, usinas nucleares e laboratórios de pesquisa com materiais radioativos.
Radiações Não Ionizantes
Não possuem energia para ionizar, mas podem excitar átomos e moléculas, como ultravioleta (UV), infravermelho (IV), laser e radiofrequência (RF). Causam queimaduras na pele, lesões oculares (cataratas, conjuntivite), e potenciais efeitos térmicos. Encontrado em soldagem elétrica (UV), secagem industrial (IV), cirurgias a laser, telecomunicações (RF) e trabalho ao ar livre (UV solar).
Pressões Anormais
Variações significativas da pressão atmosférica. Inclui a pressão hiperbárica (elevada) e a pressão hipobárica (reduzida). Podem causar doença descompressiva (mal dos mergulhadores), barotrauma e mal de altitude. Atinge mergulhadores profissionais, trabalhadores em câmaras hiperbáricas, pilotos e tripulantes de aviação em altitudes elevadas, e alpinistas.
Umidade
Exposição a ambientes com umidade excessiva (muito alta ou muito baixa). Embora a NR-15 não estabeleça limites específicos para umidade como agente isolado, a umidade elevada, associada ao calor, pode agravar o estresse térmico, favorecer a proliferação de microrganismos e causar doenças respiratórias ou dermatites. Ambientes com umidade muito baixa podem causar ressecamento das mucosas e problemas respiratórios. Presente em lavanderias industriais, indústrias de papel e celulose, frigoríficos, ambientes climatizados artificialmente e certas atividades agrícolas.
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Questão Teórica
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Higiene Ocupacional
Assunto: Agentes Físicos
A vibração pode se tornar um grande risco para o sistema músculo esquelético, e, em frequências e acelerações críticas, se transformar em uma fonte importante de lesão, podendo inclusive estar associada ao equilíbrio. Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao assunto.
A) A vibração das mãos e dos braços por períodos de tempo prolongados, como nas operações de ferramentas elétricas pesadas, pode ser uma fonte de dor recorrente nas mãos, dormência, branqueamento de dedos ou síndrome da vibração de mãos e braços (SVMB).
B) O efeito da vibração está associado a aceleração, ao tempo de duração, a frequência e a direção (vertical ou lateral). Exposições com intensidades mais baixas, são toleradas por períodos mais longos de tempo.
C) De acordo com o Anexo 8 (oito), da Norma regulamentadora 15 (NR 15), as situações de exposição a Vibrações de Mãos e Braços (VMB) e Vibrações de Corpo Inteiro (VCI), superiores aos limites de exposição ocupacional, são caracterizadas como insalubres em grau médio.
D) A vibração de corpo inteiro resulta do trabalho realizado com ferramentas manuais energizadas, utilizadas nas mais diversas atividades, como furadeiras e motosserras.
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA D.
  • A vibração de corpo inteiro (VCI) está tipicamente associada à condução/ocupação de veículos e máquinas (tratores, empilhadeiras, caminhões, equipamentos de terraplenagem), transmitida ao corpo pelo assento/plataforma.
  • Ferramentas manuais energizadas (furadeiras, motosserras, esmeris etc.) geram, predominantemente, vibração de mãos e braços (VMB), relacionada a fenômenos como “dedo branco”, parestesias e dor.
  • A NR-15 Anexo 8 define limites e caracteriza insalubridade para VMB e VCI; textos de referência em medicina do trabalho descrevem os efeitos e fontes típicas de cada tipo de vibração.
Referências: NR-15, Anexo 8 – Vibrações; Ladou & Harrison, CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA. Ferramentas manuais vibráteis são a principal fonte de VMB e se associam a dor, parestesias e fenômeno de Raynaud ocupacional (SVMB), como descrito na literatura e na prática clínica (Ladou & Harrison).
  • Assertiva B: CORRETA. A resposta biológica à vibração depende de aceleração, frequência, direção e tempo; níveis menores permitem tempos maiores de exposição antes de atingir limites (princípio usado na NR-15 Anexo 8).
  • Assertiva C: CORRETA. O Anexo 8 da NR-15 estabelece limites de exposição para VMB e VCI e, quando excedidos, caracteriza a atividade como insalubre em grau médio.

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Questão Prática
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Higiene Ocupacional
Assunto: Agentes Físicos
As mudanças climáticas e as consequentes elevações da temperatura média da superfície terrestre têm gerado impacto nas atividades laborais no mundo todo. No Brasil, a preponderância de clima tropical e subtropical apresenta condições para a ocorrência de calor intenso, especialmente devido aos elevados valores de temperatura, umidade e radiação solar, os quais, entre outros, são parâmetros importantes na quantificação da exposição ocupacional ao calor. As principais normas de referência publicadas no Brasil em relação ao calor são NR 9 - Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, NR15 - Atividades e operações insalubres, e a Norma de Higiene Ocupacional (NHO) nº 06 que, entre outros aspectos, adotam o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) nas avaliações da exposição ocupacional ao calor.
Você é o Médico do Trabalho Responsável Técnico de uma empresa que planta cana-de-açúcar, que possui aproximadamente 500 empregados. A tarefa de corte de cana está entre as prioridades de sua atuação, tendo em vista a alta incidência de queixas dos trabalhadores e absenteísmo elevado. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, equiparou diversos direitos dos trabalhadores rurais aos urbanos, incluindo a redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
Tendo como base o relato acima, responda as questões a seguir.
Os impactos fisiológicos esperados da exposição ao calor a céu aberto levaram o Médico Coordenador a estabelecer padrões de avaliação nos exames ocupacionais. Assinale dentre as alternativas abaixo, a que NÃO se enquadra nestes critérios.
A) Avaliar mais profundamente a atividade metabólica das tarefas, o nível de aclimatização e as vestimentas utilizadas.
B) Avaliar idade, sexo e hábitos alimentares pois influenciam o controle da temperatura corporal.
C) A importante questão de uso de drogas e álcool associada a parâmetros ambientais (temperatura do ar, umidade relativa do ar, velocidade do ar e calor radiante) precisa ser levada em conta.
D) Episódios anteriores de choque hipertérmico ou repetidos episódios de exaustão térmica não são parâmetros a serem utilizados nas avaliações.
Gabarito Comentado
LETRA D
Para avaliação ocupacional do calor, as diretrizes técnicas (Fundacentro/NHO-06 e NR-15/Anexo 3) enfatizam: estimativa da taxa metabólica da tarefa, estado de aclimatização, isolamento térmico das vestimentas, e integração com os parâmetros ambientais (IBUTG composto por temperatura de bulbo úmido natural, de globo e de bulbo seco) bem como fatores individuais que modulam a termorregulação (idade/sexo/hábitos). Episódios prévios de insolação/exaustão são dados importantes de história clínica e para vigilância, porém não constituem parâmetros técnicos de avaliação/quantificação no protocolo pericial/ocupacional — por isso a alternativa (d) não se enquadra.
Referências: NR-15, Anexo 3; Fundacentro, Exposição ao calor em trabalhos a céu aberto – Guia de orientações gerais; NHO-06.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA — Taxa metabólica, aclimatização e vestimentas integram os critérios de avaliação e interpretação do IBUTG/NR-15 e NHO-06.
  • Assertiva B: CORRETA — Características individuais (idade/sexo) e hábitos alimentares influenciam hidratação e respostas térmicas, devendo ser considerados na anamnese ocupacional.
  • Assertiva C: CORRETA — Uso de álcool/drogas altera a termorregulação; já os parâmetros ambientais (temperatura do ar, umidade, velocidade do ar e radiação) compõem a determinação do IBUTG.
  • Assertiva D: INCORRETA (GABARITO) — Eventos prévios de insolação/exaustão são achados de história, não parâmetros técnicos padronizados na avaliação pericial (não entram no cálculo/critério do IBUTG).

⚠️ ATENÇÃO – CÁLCULO DO IBUTG AJUSTADO (NHO 06 / NR-9)
Para fins preventivos e de gestão de riscos (PGR), o valor do IBUTG medido deve ser somado ao fator de ajuste da vestimenta.
  • Roupa de trabalho comum: +0
  • Vestimenta com capuz (ex: corte de cana): +1 °C
  • Macacão impermeável: +10 °C
Episódios prévios de insolação são dados clínicos e não entram no cálculo matemático do IBUTG

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Questão Teórica
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Higiene Ocupacional
Assunto: Agentes Físicos
Os danos causados ao trabalhador pelo frio podem ser sistêmicos ou localizados e congelantes ou não congelantes. Dentre os fatores que influenciam o risco de causar esses danos, estão a temperatura do ar ou da água, umidade, velocidade do vento, duração da exposição, tipo de equipamento ou roupas protetoras, tipo de trabalho que está sendo realizado e gasto de energia a ele associado, idade e condição de saúde do trabalhador. Assinale a alternativa CORRETA em relação ao tema:
A) Em casos de hipotermia branda (temperatura retal > 33°C), nos pacientes jovens e normalmente saudáveis, a conduta é expectante, não necessitando de tratamentos imediatos.
B) A maioria das arritmias não se reverte espontaneamente ao ritmo sinusal normal, necessitando da administração de agentes antiarrítmicos preexistentes.
C) O risco de hipotermia aumenta com a idade e também, será maior se o empregado estiver intoxicado com drogas ou álcool, e estiver usando medicamentos como barbitúricos.
D) Os fatores de risco para as geladuras incluem, não estão relacionados a lesões anteriores pelo frio, tabagismo, fenômeno de Raynaud e doenças do colágeno e vasculares.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA C.
O risco de hipotermia aumenta com idade avançada, álcool/drogas e sedativos (p.ex., barbitúricos), por reduzir a termogênese e a resposta comportamental. Em hipotermia branda, recomenda-se reaquecimento e monitorização; muitas arritmias revertem com o reaquecimento; e lesões prévias pelo frio, tabagismo, Fenômeno de Raynaud e colagenoses/vasculares são fatores de risco para geladuras.
Referências: Ladou & Harrison, CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental; Couto
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Em casos de hipotermia branda, a conduta não é apenas expectante. O reaquecimento ativo, monitorização e identificação de fatores precipitantes são essenciais, mesmo em pacientes jovens e saudáveis, para prevenir o agravamento (Ladou & Harrison).
  • Assertiva B: ERRADA. Contrário ao que afirma a alternativa, muitas arritmias associadas à hipotermia, especialmente as bradiarritmias e fibrilação atrial, podem reverter espontaneamente ao ritmo sinusal normal com o reaquecimento do paciente, sem a necessidade imediata de agentes antiarrítmicos (Couto).
  • Assertiva D: ERRADA. A afirmação de que os fatores de risco não estão relacionados a lesões anteriores pelo frio, tabagismo, Fenômeno de Raynaud e doenças do colágeno e vasculares está incorreta. Pelo contrário, esses são todos fatores de risco conhecidos e importantes para o desenvolvimento de geladuras (Ladou & Harrison).

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Estresse Térmico: Calor e Frio
O estresse térmico ocorre quando o corpo humano é exposto a temperaturas extremas que dificultam a manutenção da temperatura corporal ideal. Exposição prolongada ou inadequada pode levar a sérios problemas de saúde, impactando o bem-estar e a produtividade. A compreensão e prevenção são cruciais para a higiene ocupacional.
Estresse Térmico por Calor
A exposição a ambientes quentes pode causar desidratação, exaustão, cãibras e, em casos graves, intermação (golpe de calor) – uma emergência médica. O corpo tenta dissipar calor via vasodilatação e sudorese; porém, umidade ou falta de ventilação podem dificultar a evaporação, elevando a temperatura interna. Sintomas variam de fadiga e tontura a confusão mental e perda de consciência.
  • Setores de risco: Siderúrgicas, fundições, padarias, lavanderias industriais, agricultura e construção civil. Trabalhadores com tarefas pesadas ou vestimentas que dificultam a dissipação de calor são de alto risco.
  • Valores IBUTG: A NR-15, Anexo 3, estabelece limites de tolerância para exposição ao calor com base no Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG). Limites variam conforme atividade (e.g., 30.0°C IBUTG para atividades leves contínuas). A monitorização do IBUTG e da taxa metabólica é essencial.
  • Protocolos de Prevenção: Incluem pausas em áreas frescas, hidratação constante, uso de vestimentas leves e claras, e programas de aclimatização gradual.
  • Vigilância Médica: Monitoramento de sinais vitais e histórico de doenças (cardiovasculares, diabetes, obesidade). Exames para avaliar função renal e eletrólitos são importantes.
A gestão eficaz do estresse térmico por calor envolve engenharia, controle administrativo e EPIs para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.
Trabalhadores em uma fundição, ambiente de alto risco para estresse térmico por calor.
Estresse Térmico por Frio
Temperaturas extremamente baixas podem causar hipotermia (queda da temperatura corporal), congelamento, perda de sensibilidade e destreza, aumentando o risco de acidentes. O corpo reage com vasoconstrição periférica e tremores para gerar calor. Umidade e vento (efeito wind chill) agravam os efeitos. Sintomas progridem de dormência e dor para desorientação e perda de coordenação, podendo levar à inconsciência.
  • Setores de risco: Frigoríficos, câmaras de congelamento, indústrias de pescados, trabalho ao ar livre em regiões frias e mergulho. A NR-29 (Trabalho Portuário) aborda riscos de baixas temperaturas.
  • Limiares de Temperatura: A NR-15 não estabelece um limite direto para o frio, mas exige avaliação e controle de riscos. Exposição abaixo de 10°C, ou mesmo acima com umidade/vento, requer medidas de proteção.
  • Protocolos de Prevenção: Incluem uso de vestimentas em camadas (técnica "cebola"), ingestão de bebidas quentes, pausas para aquecimento e adequação de ciclos trabalho-descanso. Proteção de extremidades (luvas, gorros, meias térmicas) é fundamental.
  • Vigilância Médica: Acompanhamento de condições pré-existentes como doenças circulatórias, diabetes e tireoide, que podem agravar os riscos. Avaliações dermatológicas previnem e identificam lesões por frio.
A proteção contra o estresse térmico por frio é vital para evitar lesões graves e manter a capacidade de trabalho em ambientes adversos, com educação e fornecimento de EPIs adequados sendo componentes-chave.
Equipe trabalhando em uma câmara frigorífica, protegida contra baixas temperaturas.
Higiene Ocupacional para ANAMT:
O Essencial
Este "resumão" condensa os pontos-chave da Higiene Ocupacional, focando no que o médico do trabalho precisa dominar para o exame ANAMT e a prática clínica.
Fundamentos e Processo
Perigo vs. Risco: Perigo é a fonte potencial de dano (inerente). Risco é a probabilidade e severidade da exposição.
Fluxo da HO (R-A-C):
  1. Reconhecimento: Identificar agentes e fatores de risco.
  1. Avaliação: Quantificar exposição (intensidade/duração).
  1. Controle: Implementar medidas para mitigar riscos.
Hierarquia de Controles (OSH):
  1. Eliminação
  1. Substituição
  1. Controles de Engenharia
  1. Controles Administrativos
  1. EPIs
Limites de Exposição Ocupacional (ACGIH/NR-15)
Os TLVs (Threshold Limit Values) são os limites para agentes químicos e físicos. O TWA (Time-Weighted Average) refere-se à média ponderada no tempo (8h/dia, 40h/sem) para efeitos crônicos. O STEL (Short-Term Exposure Limit) permite uma exposição de 15 minutos, no máximo 4 vezes por turno, com intervalo mínimo de 60 minutos, para efeitos agudos. O Ceiling (TLV-C) indica a concentração máxima que NUNCA deve ser excedida, para agentes de ação imediata grave. O IBUTG é o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo para calor, conforme a NR-15, Anexo 3. A Toxicidade Comparativa estabelece que um LT numericamente menor indica maior toxicidade.
Agentes Físicos: Impactos e Controles
O Calor pode causar desidratação, exaustão e intermação (uma emergência médica). As medidas de controle incluem hidratação, pausas, vestimentas leves e aclimatização (Ref. NR-15).
O Frio pode levar à hipotermia, congelamento e perda de destreza. As medidas preventivas envolvem vestimenta em camadas, pausas aquecidas e proteção de extremidades (Ref. NR-29 para portuários; para frio geral, avaliação de risco é essencial).
O Ruído é associado à PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído), com limite de 85 dB(A) para 8 horas (NR-15). O controle é feito por enclausuramento, barreiras e uso de protetor auditivo.
A Vibração pode causar LER/DORT (segmentar/corpo inteiro). O controle envolve ergonomia, uso de ferramentas antivibratórias e pausas.
As Radiações são divididas em:
Ionizantes: Como Raio X e Gama, são comuns na Saúde. Apresentam efeitos estocásticos (probabilísticos, sem limiar) e determinísticos (com limiar). O controle é baseado em Tempo, Distância e Blindagem.
Não Ionizantes: Incluem UV, Micro-ondas e Laser. O controle é feito por blindagem e EPIs (filtros, óculos).

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Higiene Ocupacional para ANAMT:
O Essencial
Agentes Químicos e Biológicos
Os Contaminantes do Ar incluem diversas formas. As Partículas podem ser inaláv
eis (<100µm), torácicas (<25µm) e respiráveis (<10µm, representando maior risco). Os PNOS são particulados sem TLV específico. Gases permanecem gasosos em temperatura/pressão ambiente, enquanto Vapores são a fase gasosa de substâncias líquidas/sólidas nas mesmas condições. Aerossóis são a dispersão de partículas (poeiras, fumos, névoas) em um gás.
Os Agentes Biológicos incluem bactérias, vírus, fungos e parasitas, classificados em riscos de 1 a 4. As medidas de controle abrangem vacinação, higiene, barreiras, desinfecção e descarte adequado (Ref. NR-32).
Monitoramento Biológico
O IBMP (Índice Biológico Máximo Permitido) avalia a exposição ou efeito de agentes químicos através de amostras biológicas (sangue, urina).
Seu Objetivo é complementar o monitoramento ambiental, indicando a carga corporal absorvida e a eficácia dos controles.
Exemplos incluem Chumbo (Pb urinário/sanguíneo), Benzeno (Ácido trans-mucônico urinário) e Solventes (metabolitos na urina).
Relação com LT: O IBMP complementa o Limite de Tolerância (LT) ambiental, fornecendo uma visão individualizada da exposição.
Aplicação no PCMSO/PGR
O PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), articulado com o PGR, define exames médicos e complementares com base nos riscos, sendo de responsabilidade do Médico do Trabalho.
O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos - NR-01) substituiu o PPRA e é um documento abrangente de gestão de riscos ocupacionais, cobrindo identificação, avaliação e controle.
O Acompanhamento envolve o monitoramento da saúde, detecção precoce de agravos, encaminhamento e gestão de afastamentos.
A Educação em Saúde é realizada através de treinamentos sobre riscos e prevenção.
Integração: A Higiene Ocupacional fornece dados técnicos que fundamentam as ações do PCMSO e as estratégias de controle do PGR, protegendo a saúde do trabalhador.

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Questão Prática
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Higiene Ocupacional
Assunto: Agentes Físicos
As mudanças climáticas e as consequentes elevações da temperatura média da superfície terrestre têm gerado impacto nas atividades laborais no mundo todo. No Brasil, a preponderância de clima tropical e subtropical apresenta condições para a ocorrência de calor intenso, especialmente devido aos elevados valores de temperatura, umidade e radiação solar, os quais, entre outros, são parâmetros importantes na quantificação da exposição ocupacional ao calor. As principais normas de referência publicadas no Brasil em relação ao calor são NR 9 - Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, NR15 - Atividades e operações insalubres, e a Norma de Higiene Ocupacional (NHO) nº 06 que, entre outros aspectos, adotam o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) nas avaliações da exposição ocupacional ao calor.
Você é o Médico do Trabalho Responsável Técnico de uma empresa que planta cana-de-açúcar, que possui aproximadamente 500 empregados. A tarefa de corte de cana está entre as prioridades de sua atuação, tendo em vista a alta incidência de queixas dos trabalhadores e absenteísmo elevado. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, equiparou diversos direitos dos trabalhadores rurais aos urbanos, incluindo a redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
Tendo como base o relato acima, responda as questões a seguir.
No atendimento a um trabalhador que estava realizando trabalho muscular intenso foi verificada a existência de urina marrom, cãibras e fraqueza.
A) Desidratação em grau elevado.
B) Insolação.
C) Rabdomiólise.
D) Choque hipertermico.
Gabarito Comentado
  • LETRA C: CORRETA
    Quadro típico de rabdomiólise induzida por esforço e calor: mialgia/cãibras, fraqueza e urina marrom por mioglobinúria; CK muito elevada, risco de lesão renal aguda. Fatores ocupacionais: trabalho muscular intenso sob calor/umidade. Condutas incluem hidratação vigorosa, correção hidroeletrolítica e afastamento até estabilização.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — Desidratação isolada explica cãibras/fadiga, mas não justifica urina marrom (mioglobinúria).
  • Assertiva B: INCORRETA — Insolação (golpe de calor) exige hipertermia central e disfunção neurológica; mioglobinúria não é achado obrigatório.
  • Assertiva C: CORRETA (GABARITO) — Sinais clássicos (urina escura, cãibras, fraqueza após esforço em calor) indicam rabdomiólise.
  • Assertiva D: INCORRETA — Choque hipertermico implica colapso circulatório com hipertermia e alteração do sensório; o achado-chave aqui é mioglobinúria pós-esforço apontando rabdomiólise.

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Questão Prática
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Higiene Ocupacional
Assunto: Agentes Físicos
As mudanças climáticas e as consequentes elevações da temperatura média da superfície terrestre têm gerado impacto nas atividades laborais no mundo todo. No Brasil, a preponderância de clima tropical e subtropical apresenta condições para a ocorrência de calor intenso, especialmente devido aos elevados valores de temperatura, umidade e radiação solar, os quais, entre outros, são parâmetros importantes na quantificação da exposição ocupacional ao calor. As principais normas de referência publicadas no Brasil em relação ao calor são NR 9 - Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, NR15 - Atividades e operações insalubres, e a Norma de Higiene Ocupacional (NHO) nº 06 que, entre outros aspectos, adotam o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) nas avaliações da exposição ocupacional ao calor.
Você é o Médico do Trabalho Responsável Técnico de uma empresa que planta cana-de-açúcar, que possui aproximadamente 500 empregados. A tarefa de corte de cana está entre as prioridades de sua atuação, tendo em vista a alta incidência de queixas dos trabalhadores e absenteísmo elevado. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, equiparou diversos direitos dos trabalhadores rurais aos urbanos, incluindo a redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
Tendo como base o relato acima, responda as questões a seguir.
Na elaboração de um treinamento de Primeiros Socorros relacionados à exposição ao calor para Supervisores e Médicos da empresa, existem tópicos que devem ser incluídos, conforme as orientações Gerais de Exposição ao Calor em Trabalhos a céu aberto. Assinale a alternativa CORRETA.
A) Rabdomiólise, insolação, hipernatremia.
B) Insolação, tonturas e cãimbras musculares.
C) Exaustão pelo calor, cãimbras e Insuficiência Renal Aguda.
D) Insuficiência respiratória, cãimbras e tonturas.
Gabarito Comentado
  • LETRA B: CORRETA
    Treinamentos de primeiros socorros para calor devem focar reconhecimento e manejo imediato dos quadros precoces e frequentes: insolação/estresse térmico, tonturas (pré-síncope) e cãimbras musculares por depleção hidroeletrolítica. Esses temas orientam medidas rápidas (retirada do calor, resfriamento, hidratação, reposição de sais) e prevenção de progressão para formas graves.
Referência: Fundacentro – Exposição ao calor em trabalhos a céu aberto: Guia de orientações gerais.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — rabdomiólise e hipernatremia são complicações avançadas e menos prevalentes como foco inicial do treinamento básico; a ênfase deve ser nos sinais precoces e comuns.
  • Assertiva B: CORRETA (GABARITO) — lista exatamente sinais e agravos típicos e precoces a serem abordados em primeiros socorros: insolação/estresse térmico, tonturas e cãimbras.
  • Assertiva C: INCORRETA — “Insuficiência Renal Aguda” é complicação tardia; não é conteúdo nuclear de primeiros socorros imediato.
  • Assertiva D: INCORRETA — insuficiência respiratória não é agravo típico primário de exposição ao calor; a ênfase deve ser nos sinais neuromusculares e sistêmicos iniciais.

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Questão Prática
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Higiene Ocupacional
Assunto: Agentes Físicos
As mudanças climáticas e as consequentes elevações da temperatura média da superfície terrestre têm gerado impacto nas atividades laborais no mundo todo. No Brasil, a preponderância de clima tropical e subtropical apresenta condições para a ocorrência de calor intenso, especialmente devido aos elevados valores de temperatura, umidade e radiação solar, os quais, entre outros, são parâmetros importantes na quantificação da exposição ocupacional ao calor. As principais normas de referência publicadas no Brasil em relação ao calor são NR 9 - Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, NR15 - Atividades e operações insalubres, e a Norma de Higiene Ocupacional (NHO) nº 06 que, entre outros aspectos, adotam o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) nas avaliações da exposição ocupacional ao calor.
Você é o Médico do Trabalho Responsável Técnico de uma empresa que planta cana-de-açúcar, que possui aproximadamente 500 empregados. A tarefa de corte de cana está entre as prioridades de sua atuação, tendo em vista a alta incidência de queixas dos trabalhadores e absenteísmo elevado. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, equiparou diversos direitos dos trabalhadores rurais aos urbanos, incluindo a redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
Tendo como base o relato acima, responda as questões a seguir.
Trabalhador cortador de cana-de-açúcar, 40 anos de idade, foi encontrado desmaiado no canavial e sinais de vômito. O Médico do trabalho foi chamado para este atendimento. Ao examinar o empregado, constatou sudorese intensa, pele pálida e fria, frequência cardíaca sustentada de 130 bpm, com pulso rápido e fraco. Assinale dentre as alternativas abaixo, a CORRETA em relação à conduta imediata.
A) Retirar o trabalhador do calor e colocar em um local com sombra e ventilação.
B) Iniciar procedimento de primeiros socorros devido a hiponatremia.
C) Observar o trabalhador, pois existe um parâmetro fisiológico esperado para sua idade.
D) Envolver o trabalhador com manta isolante térmica.
Gabarito Comentado
  • LETRA A: CORRETA
    Quadro clínico típico de estresse térmico/exaustão pelo calor (sudorese intensa, pele fria e pálida, taquicardia, síncope). A conduta imediata prioritária é retirar da fonte de calor, levar à sombra e ventilação, iniciar resfriamento e hidratação conforme protocolo, e monitorar sinais vitais para evitar progressão para formas graves.
Referência: Fundacentro – Exposição ao calor em trabalhos a céu aberto: Guia de orientações gerais.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA (GABARITO) — remoção do calor + sombra/ventilação é a primeira medida, permitindo resfriamento e estabilização.
  • Assertiva B: INCORRETA — hiponatremia não pode ser presumida; abordagem deve focar resfriamento e avaliação, não protocolos específicos sem confirmação laboratorial.
  • Assertiva C: INCORRETA — os achados não são “esperados para a idade”; indicam agravo agudo que exige intervenção imediata.
  • Assertiva D: INCORRETA — manta isolante retém calor e piora a hipertermia; o indicado é resfriar e ventilar.

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ANAMT 2024 - Questão
O Stress Térmico ocorre quando de alguma forma, as condições do ambiente, as vestimentas e os esforços físicos interagem para produzir um aumento da temperatura corporal. Assinale dentre as alternativas abaixo, a INCORRETA em relação ao tema:
  • A) A tensão térmica é a resposta fisiológica ao estresse térmico que tenta transferir o calor armazenado de volta ao meio ambiente.
  • B) Para cada um por cento da massa corporal perdida por desidratação, há um aumento concomitante na temperatura corporal central de 0,22°C (0,4°F).
  • C) Dor de cabeça, náusea, vertigem, fraqueza, sede, sudorese intensa, irritabilidade e diminuição da produção de urina são comuns tanto à exaustão pelo calor quanto ao estágio inicial da insolação.
  • D) Dentre as medidas de controle a serem adotadas para minimizar o stress térmico, constam a realização de revezamento de tarefas pesadas com leves ou de mais quentes com mais amenas e as pausas.
  • E) A Rabdomiólise não tem relação com o stress térmico.
Gabarito Comentado
A alternativa E está INCORRETA. A rabdomiólise pode ocorrer como consequência do estresse térmico extremo, especialmente quando há exaustão grave e falência dos mecanismos termorregulatórios. A literatura médica reconhece a rabdomiólise como uma complicação potencial do golpe de calor (heat stroke).
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA. A “tensão térmica” representa o esforço do organismo para dissipar calor acumulado.
  • Alternativa B: CORRETA. O dado sobre desidratação e aumento da temperatura corporal central é fisiologicamente preciso.
  • Alternativa C: CORRETA. Os sintomas listados são comuns tanto à exaustão pelo calor quanto à insolação inicial.
  • Alternativa D: CORRETA. Medidas como pausas e revezamentos de tarefas são práticas eficazes de controle do estresse térmico ocupacional.

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ANAMT 2024 - Questão
O calor é um agente físico frequentemente encontrado em diversos postos de trabalho. Entre os tipos de trabalho em risco, podemos citar metalúrgicos, trabalhos em pecuária, construção civil, entre outros. Dentre os distúrbios médicos resultantes da exposição excessiva ao calor, avalie as afirmações abaixo:
  • I) A INTERMAÇÃO (hipertermia) é uma emergência médica potencialmente fatal, resulta da falha na regulação térmica, apresentando alteração de estado mental, hiperpirexia, alterações de sinais vitais, pele quente e seca.
  • II) A ACGIH desenvolveu um índice de valores limite de limiar de exposição ao calor em ambientes de trabalho chamado índice de Exaustão ao Calor que são medidas que consideram os efeitos causados pelo calor radiante, velocidade do ar, umidade relativa e temperatura ambiente.
  • III) Na INTERMAÇÃO podem ocorrer delírios, convulsões e inconsciência.
  • IV) Trabalhadores expostos ao calor deverão ser treinados para reconhecer sinais e sintomas precoces dos distúrbios do calor e serem informados da importância do vestuário adequado.
Podemos dizer que são afirmações FALSAS:
  • A) I e IV.
  • B) Apenas a III.
  • C) Apenas a IV.
  • D) I e II.
  • E) Apenas a II.
GABARITO: LETRA E
Pois APENAS a afirmação II está INCORRETA . A ACGIH não utiliza um "índice de exaustão ao calor", mas sim o IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo), que é o índice aceito para avaliação de exposição ao calor, considerando temperatura do ar, umidade relativa, radiação térmica e velocidade do ar. (ACGIH, Ladou et al.).
  • Alternativa A: INCORRETA. A afirmativa I está correta quanto às características da intermação, e a IV está correta quanto à necessidade de treinamento.
  • Alternativa B: INCORRETA. A afirmativa III está correta, já que delírios e convulsões são sinais esperados em casos graves de hipertermia.
  • Alternativa C: INCORRETA. A afirmativa IV é verdadeira e coerente com as diretrizes de prevenção.
  • Alternativa D: INCORRETA. A afirmativa I está correta, a II é a única incorreta.

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ANAMT 2024 - Questão
Metalúrgico, 40 anos, forneiro, chega ao trabalho pela manhã, e na conversa com os colegas, diz que estava se recuperando de uma noite bem agitada, com ingestão de bebida alcoólica inclusive, comemorando a vitória de seu time de futebol. O dia estava nublado, com umidade de 80%, e temperatura de bulbo seco de 30°C. Colocou seus equipamentos de trabalho, macacão aluminizado e balaclava em couro, pois iria furar o forno. Houve uma intercorrência e, a tarefa demorou mais que o previsto para ser concluída. Após 01h30min, o trabalhador iniciou um quadro de cefaleia, tontura e síncope seguida de convulsão. Tendo como base o quadro clínico acima descrito, assinale dentre as alternativas abaixo, o diagnóstico provável.
  • A) Intermação (heatstroke).
  • B) Uso de drogas ilícitas.
  • C) Epilepsia.
  • D) Aneurisma cerebral.
  • E) Hipoglicemia.
Gabarito Comentado
A alternativa A está CORRETA. O quadro descrito caracteriza intermação (golpe de calor), com fatores predisponentes como uso de vestimentas que impedem a troca de calor, atividade física intensa, ambiente quente e úmido, e histórico de consumo alcoólico. Sinais clínicos como cefaleia, tontura, síncope e convulsões são típicos da condição.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. Não há elementos no caso clínico que confirmem o uso de drogas ilícitas como causa.
  • Alternativa C: INCORRETA. Embora haja convulsão, não há histórico de epilepsia ou outros elementos clínicos que a sustentem.
  • Alternativa D: INCORRETA. Aneurisma cerebral não é o diagnóstico mais provável nesse contexto ocupacional com exposição ao calor.
  • Alternativa E: INCORRETA. Apesar da hipoglicemia poder causar sintomas neurológicos, o quadro é mais compatível com síndrome de estresse térmico grave.

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ANAMT 2024 - Questão
O frio é um dos agentes físicos presentes em diversos setores produtivos, levando a preocupações em relação à proteção de trabalhadores expostos ao mesmo. Analise as assertivas abaixo em relação à exposição ao frio:
  • I) Acredita-se que a maioria dos trabalhadores possa estar repetidamente exposta ao frio sem sofrer efeitos adversos;
  • II) O objetivo dos TLV é impedir que a temperatura interna do corpo caia a menos de 36º C;
  • III) O TLV visa prevenir lesões pelo frio nas extremidades do corpo;
  • IV) Para trabalhos de precisão com as mãos descobertas por mais de 10 a 20 minutos, em um ambiente com temperaturas abaixo de 16º C, devem ser adotadas medidas para manter as mãos dos trabalhadores aquecidas. Jatos de ar quente e aquecedores não podem ser usados devido ao risco do choque térmico.
Assinale a alternativa correta:
  • A) Apenas a III.
  • B) I, II e III.
  • C) I, III e IV.
  • D) Apenas I e IV.
  • E) Apenas III e IV.
A alternativa B está CORRETA. Segundo a ACGIH (edição 2024), os TLVs para exposição ao frio visam evitar lesões nas extremidades e impedir que a temperatura interna corporal caia abaixo de 36 °C. Também é reconhecido que a maioria dos trabalhadores tolera repetidas exposições ao frio sem efeitos adversos, desde que estejam adequadamente protegidos.
  • Alternativa A: INCORRETA. Embora a afirmativa III esteja correta, a alternativa omite as assertivas I e II, que também são verdadeiras.
  • Alternativa C: INCORRETA. A assertiva IV está equivocada ao afirmar que jatos de ar quente e aquecedores não podem ser usados — esses recursos são recomendados para prevenir danos por frio, com devidos cuidados.
  • Alternativa D: INCORRETA. A assertiva II também está correta e foi omitida nesta alternativa.
  • Alternativa E: INCORRETA. I e II também estão corretas, e a assertiva IV está tecnicamente errada em parte do seu conteúdo.

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ANAMT 2023 - Questão
A Legislação Trabalhista Brasileira prevê a avaliação de riscos ocupacionais para Radiações Ionizantes e Não Ionizantes. As Radiações Ionizantes são particularmente encontradas em Serviços de Saúde e as Radiações Não Ionizantes compreendem microondas, ultravioletas, dentre outras. Assinale a alternativa CORRETA em relação às radiações.
  • A) Os trabalhadores ocupacionalmente expostos às radiações ionizantes estão submetidos a limites de doses, que no Brasil, são estabelecidos pela FUNDACENTRO (Fundação Jorge Duprat Figueiredo).
  • B) Na irradiação, o indivíduo situado no campo de exposição de uma fonte, recebe uma dose de irradiação, não entrando em contato físico direto com o material radioativo da fonte que está irradiando.
  • C) A irradiação pode ser de corpo inteiro ou localizada, sendo os efeitos clínicos de uma e de outra semelhantes.
  • D) Na Contaminação Radiológica, há contato físico com material radioativo (fonte aberta). A contaminação poderá ser externa ou interna. Na contaminação externa, por exemplo, o material radioativo encontra-se disperso no ar e o indivíduo inala o material em suspensão.
  • E) Diferentemente de outras atividades críticas com Espaços Confinados e Trabalhos em Altura, os trabalhadores expostos a Radiações ionizantes não precisam apresentar aptidão consignada no Atestado de Saúde Ocupacional em nenhum momento.
A alternativa B está CORRETA. Na irradiação, há exposição à radiação sem contato direto com a fonte radioativa. A energia é transferida à distância, sendo o indivíduo irradiado sem se tornar radioativo, o que descreve precisamente o fenômeno. (Referência: FUNDACENTRO. Manual de Higiene Ocupacional, 2023).
  • Alternativa A: INCORRETA. Os limites de dose para radiações ionizantes no Brasil são estabelecidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), e não pela FUNDACENTRO.
  • Alternativa C: INCORRETA. Os efeitos clínicos da irradiação variam significativamente conforme a dose recebida e a extensão do corpo exposto (total ou localizada), não sendo necessariamente semelhantes.
  • Alternativa D: INCORRETA. Embora a descrição da Contaminação Radiológica seja conceitualmente correta, a alternativa B é mais precisa e completa em relação ao conceito de irradiação, que é o objeto da pergunta.
  • Alternativa E: INCORRETA. Trabalhadores expostos a radiações ionizantes devem ter aptidão consignada no Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), conforme exigência legal para atividades de risco.

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Toxicologia Ocupacional
A Toxicologia Ocupacional é a ciência que estuda os efeitos adversos de agentes químicos, físicos e biológicos sobre os trabalhadores expostos no ambiente laboral. Para o exame da ANAMT, é essencial dominar os conceitos de toxicocinética (ADME: Absorção, Distribuição, Metabolização e Excreção) e toxicodinâmica (mecanismo de ação tóxica), além de compreender as vias de exposição (respiratória, dérmica e digestiva), os limites de exposição ocupacional e o monitoramento biológico. O médico do trabalho deve ser capaz de reconhecer precocemente os sinais e sintomas de intoxicações ocupacionais, estabelecer o nexo causal com a atividade laboral e implementar medidas de prevenção e controle baseadas na hierarquia de controles.

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Toxicocinética (ADME) × Toxicodinâmica
A toxicocinética descreve o que o corpo faz com a substância tóxica, enquanto a toxicodinâmica explica o que a substância tóxica faz ao corpo.
Este diagrama ilustra a jornada de uma substância tóxica no corpo e os efeitos que ela provoca, conceitos essenciais para o diagnóstico e a prevenção em saúde ocupacional.
Toxicocinética
Processo de Absorção, Distribuição, Biotransformação e Eliminação (ADME) de um tóxico no organismo:
  • Absorção: Via inalatória, dérmica e digestiva são as principais portas de entrada no ambiente de trabalho.
  • Distribuição: O tóxico é transportado para tecidos-alvo, atravessando barreiras biológicas como a hematoencefálica.
  • Biotransformação: Fases I (oxidação, redução, hidrólise) e II (conjugação) transformam o tóxico, podendo ativá-lo ou desintoxicá-lo.
  • Eliminação: Excreção do tóxico e seus metabólitos, principalmente via renal, biliar e pulmonar.
  • Fatores Relevantes: Trabalho pesado e alta lipossolubilidade de um agente podem aumentar significativamente a dose interna.
Toxicodinâmica
Estudo dos efeitos das substâncias tóxicas nos sistemas biológicos:
  • Interação com Alvos Biológicos: Ocorre em nível molecular com receptores, enzimas ou DNA, alterando funções celulares.
  • Mecanismos de Ação: Pode ser genotóxico (danos ao DNA) ou não genotóxico (outros mecanismos, como irritação ou disfunção orgânica).
  • Relação Dose-Resposta: Determinada por indicadores como DL50 (dose letal 50%), CL50 (concentração letal 50%) e IDLH (imediatamente perigoso à vida ou à saúde), especialmente em exposições agudas.
  • Desfechos Clínicos: Irritação de vias aéreas, neurotoxicidade, carcinogênese, entre outros.
  • Vias Críticas e Órgãos-Alvo: Identificação dos caminhos de maior impacto e dos órgãos mais afetados, essenciais para prevenção.
Ambos os conceitos são fundamentais para o entendimento e o controle das exposições ocupacionais, com especial atenção às vias inalatória e dérmica, as mais relevantes no ambiente de trabalho.

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ANAMT 2012 - Questão
O que é toxicocinética?
  • A) É o processo de introdução do tóxico.
  • B) É a absorção do tóxico pelo organismo.
  • C) É o processo de transformação, absorção e distribuição do tóxico no organismo.
  • D) É a natureza da ação do tóxico.
  • E) É o efeito nocivo do tóxico.
A alternativa C está CORRETA. A toxicocinética estuda os processos de absorção, distribuição, biotransformação e eliminação de um agente tóxico no organismo, ou seja, o caminho percorrido pelo tóxico desde sua entrada até sua saída. (Referências: Casarett & Doull – Toxicologia, 2021; NR-07, Fundacentro.)
  • Alternativa A: INCORRETA. A introdução do tóxico é apenas a parte inicial do processo, não a definição completa da toxicocinética.
  • Alternativa B: INCORRETA. A absorção é apenas uma das etapas da toxicocinética, que envolve múltiplos processos.
  • Alternativa D: INCORRETA. A natureza da ação do tóxico, ou seja, como ele causa seus efeitos, é objeto de estudo da toxicodinâmica, não da toxicocinética.
  • Alternativa E: INCORRETA. O efeito nocivo é uma consequência da ação do tóxico, não o processo que descreve seu percurso no organismo.

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ANAMT 2022 - Questão
Em relação à toxicologia, assinale a resposta correta para o significado de fase toxicodinâmica:
  • A) Corresponde à ação do agente tóxico no organismo.
  • B) Corresponde ao contato do agente tóxico com o organismo.
  • C) Consiste no movimento do agente tóxico no organismo.
  • D) Corresponde à manifestação clínica dos efeitos da ação tóxica.
A alternativa A está CORRETA. A fase toxicodinâmica corresponde à ação do agente tóxico sobre o organismo, ou seja, como o tóxico interage com os alvos biológicos e desencadeia efeitos adversos. É o que o tóxico faz no corpo. Diferencia-se da toxicocinética, que trata do percurso do tóxico (absorção, distribuição, metabolismo e excreção) no organismo.
  • Alternativa B: INCORRETA. Refere-se apenas ao momento de exposição ou contato inicial do agente tóxico, não à sua ação subsequente.
  • Alternativa C: INCORRETA. Descreve a toxicocinética, que estuda o movimento do tóxico no corpo.
  • Alternativa D: INCORRETA. A manifestação clínica é o resultado da ação tóxica, e não o conceito da fase toxicodinâmica em si.

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Vias de Exposição em Toxicologia Ocupacional
Compreender as principais vias pelas quais os agentes tóxicos podem entrar no organismo é fundamental para a prevenção e controle de riscos no ambiente de trabalho.
Via Inalatória
  • Rota mais comum e perigosa em ambientes ocupacionais.
  • Inalação de gases, vapores, névoas, fumaças e poeiras.
  • Rápida absorção pelos pulmões.
Via Dérmica
  • Contato direto da pele com substâncias químicas.
  • Absorção através da barreira cutânea.
  • Taxa varia conforme a substância e integridade da pele.
Via Digestória
  • Ingestão de agentes tóxicos.
  • Geralmente por mãos contaminadas, alimentos ou água.
  • Absorção pelo trato gastrointestinal.
Via Parenteral
  • Menos comum, mas grave.
  • Ocorre por injeção acidental, cortes ou feridas.
  • Absorção direta e rápida na corrente sanguínea.
A identificação e o controle dessas vias são cruciais para a segurança do trabalhador, sendo a via inalatória e a dérmica as mais relevantes para a higiene ocupacional.

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NR-07: Indicadores Biológicos de Exposição (IBE)

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NR-07: Indicadores Biológicos de Exposição (IBE) Continuação

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Toxicologia Ocupacional:
Conceitos Essenciais
Para a avaliação e gestão de riscos em Higiene Ocupacional, é fundamental entender os termos-chave que definem a interação de agentes químicos com o organismo.
1
Toxicidade
Capacidade inerente de uma substância química produzir efeitos nocivos em um organismo vivo. Varia significativamente entre diferentes substâncias e organismos.
2
Dose
A quantidade de uma substância que é absorvida ou entra em contato com o organismo. É um fator crítico para determinar a ocorrência e a gravidade dos efeitos tóxicos.
3
Resposta
O efeito biológico ou clínico resultante da exposição a uma dose de uma substância tóxica. Pode ser desde alterações bioquímicas sutis até a morte.
4
DL50 (Dose Letal 50%)
A dose única de uma substância que se estima ser letal para 50% de uma população de animais testados. Expressa em mg de substância por kg de peso corporal. DL50: Dose média que leva à morte 50% dos animais de laboratório expostos.
5
CL50 (Concentração Letal 50%)
A concentração de uma substância em um meio (geralmente ar ou água) que causa a morte de 50% de uma população de animais testados, em um determinado período de exposição.
6
IDLH (Immediately Dangerous to Life or Health)
Concentração máxima de uma substância no ar da qual uma pessoa pode escapar em 30 minutos sem sofrer efeitos irreversíveis à saúde ou sintomas que impeçam a fuga. Usado para seleção de equipamentos de proteção respiratória.
A compreensão desses conceitos permite classificar substâncias, prever riscos e estabelecer medidas de controle adequadas no ambiente de trabalho.

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ANAMT 2014 - Questão
Com relação à absorção dos agentes tóxicos, assinale a alternativa CORRETA:
  • A) A via digestiva é a principal via de absorção
  • B) A via cutânea é a de maior importância em virtude de estar em contato direto com o meio externo
  • C) A absorção cutânea adquire maior importância no caso de exposição a agentes químicos lipossolúveis
  • D) O trabalho físico pesado tem pouca importância para uma maior absorção de agentes tóxicos
A alternativa C está CORRETA. A absorção cutânea é particularmente importante em exposições ocupacionais a substâncias lipossolúveis, que penetram facilmente pela pele, principalmente quando há exposição extensa. (Referências: Klaassen CD. Casarett & Doull’s Toxicology, 9th ed.; Fundacentro – Toxicologia Ocupacional, 2018.)
  • Alternativa A: INCORRETA. A principal via de absorção de agentes tóxicos em geral é a respiratória, não a digestiva.
  • Alternativa B: INCORRETA. Apesar de estar em contato com o meio externo, a via cutânea só se torna relevante em substâncias lipossolúveis.
  • Alternativa D: INCORRETA. O trabalho físico pesado aumenta, e não diminui, a absorção de agentes tóxicos (pela maior circulação sanguínea e ventilação pulmonar).

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ANAMT 2023 - Questão
Um trabalhador de uma fábrica de produtos químicos apresentou quadro clínico compatível com exposição aguda a substâncias químicas. Na investigação diagnóstica, devemos levar em consideração as vias de exposição a produtos químicos no ambiente de trabalho. Identifique nas alternativas abaixo, a afirmação CORRETA em relação às principais vias de exposição a substâncias químicas no ambiente laboral.
  • A) Ingestão acidental e a exposição dérmica.
  • B) Inalação de vapores tóxicos e o contato com os olhos.
  • C) Inalação de vapores tóxicos e o contato dérmico.
  • D) Ingestão e o contato com os olhos.
  • E) Nenhuma das alternativas anteriores
A alternativa C está CORRETA. As principais vias de exposição ocupacional a produtos químicos são a inalação e o contato dérmico. Essas rotas são especialmente relevantes em ambientes industriais com solventes, ácidos, vapores e agentes voláteis. (Referências: Fundacentro; Higiene Ocupacional aplicada – MS, 2022.)
  • Alternativa A: INCORRETA. A ingestão acidental ocorre raramente e não é considerada uma via principal de exposição ocupacional.
  • Alternativa B: INCORRETA. O contato ocular não é uma via primária de absorção sistêmica, embora seja importante como via de lesão local e irritação.
  • Alternativa D: INCORRETA. Conforme mencionado, a ingestão acidental e o contato com os olhos, embora relevantes para a saúde e segurança, não são as principais vias de absorção sistêmica no ambiente de trabalho.
  • Alternativa E: INCORRETA. A alternativa C é verdadeira e representa corretamente as principais vias de exposição.

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ANAMT 2010 - Questão
Pode-se dizer que “Capacidade inerente a uma substância de produzir efeito deletério sobre o organismo” é a definição de:
  • A) Dose letal média;
  • B) Hipersensibilidade;
  • C) Absorção;
  • D) Toxicidade;
  • E) Periculosidade.
A alternativa D está CORRETA. Toxicidade é a capacidade intrínseca de uma substância causar dano a um organismo vivo, independentemente da dose. É um conceito fundamental em toxicologia, que descreve a qualidade nociva de uma substância.
  • Alternativa A: INCORRETA. Dose letal média (DL50) é uma medida quantitativa da toxicidade, indicando a dose necessária para causar morte em 50% de uma população testada, e não a definição do conceito em si.
  • Alternativa B: INCORRETA. Hipersensibilidade refere-se a uma resposta imunológica exagerada do organismo a uma substância específica, e não à capacidade da substância de ser tóxica.
  • Alternativa C: INCORRETA. Absorção é o processo pelo qual uma substância entra no organismo, e não sua capacidade de causar danos.
  • Alternativa E: INCORRETA. Periculosidade é um conceito legal relacionado ao risco de acidentes devido a condições de trabalho, não à capacidade tóxica inerente de uma substância.

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ANAMT 2018 - Questão
Em relação aos parâmetros utilizados em toxicologia, assinale a INCORRETA:
  • A) Um dos parâmetros indicativos da relação dose x resposta para efeitos crônicos são: DL 50, CL 50 e IDLH.
  • B) Dose letal (DL 50) é a dose de uma substância que leva à morte de metade (50%) de uma determinada espécie.
  • C) Concentração letal (CL 50) é semelhante a DL 50, mas é definido para substâncias dispersas no ar e administradas por inalação.
  • D) O IDLH (imediatamente perigoso a vida ou saúde) é a concentração da substância no ar ambiente a partir da qual há risco evidente de morte, ou causar efeito permanente a saúde.
A alternativa A está INCORRETA. DL50, CL50 e IDLH são parâmetros relacionados a toxicidade aguda, não a efeitos crônicos. A avaliação de efeitos crônicos exige parâmetros de exposição de longo prazo.
  • Alternativa B: CORRETA. DL50 é a dose que causa a morte de 50% de uma população de animais de teste.
  • Alternativa C: CORRETA. CL50 é análoga à DL50, mas se refere à concentração de uma substância no ar que, por inalação, causa a morte de 50% dos animais de teste.
  • Alternativa D: CORRETA. IDLH (Immediately Dangerous to Life or Health) é a concentração máxima à qual um trabalhador pode ser exposto por 30 minutos sem que ocorra óbito, danos irreversíveis ou incapacidade de fuga.

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ANAMT 2023 - Questão
Um Médico do Trabalho está realizando uma revisão sobre informações de prontuário, relacionadas a efeitos danosos de substâncias químicas entre os Trabalhadores de uma Indústria. Para tal, é necessário utilizar o conceito de "Dose Letal Média" (DL50). Identifique nas alternativas abaixo, o significado CORRETO de DL50 em toxicologia ocupacional?
  • A) A dose mínima de uma substância tóxica que pode causar uma resposta adversa em 50% dos trabalhadores expostos.
  • B) A concentração máxima de um agente químico que pode ser detectada em uma amostra de ar no ambiente de trabalho.
  • C) A dose média de um agente tóxico que leva à morte de 50% dos animais de laboratório expostos.
  • D) O tempo médio que um trabalhador pode ser exposto a uma substância química antes de apresentar sintomas de intoxicação.
  • E) A quantidade máxima de uma substância tóxica que um trabalhador pode ingerir acidentalmente sem causar efeitos adversos.
A alternativa C está CORRETA. DL50 representa a dose média de uma substância que causa morte em 50% dos animais de laboratório expostos, sendo um importante indicador de toxicidade aguda.
  • Alternativa A: INCORRETA. DL50 não mede resposta adversa, mas sim morte.
  • Alternativa B: INCORRETA. Descreve concentração ambiental, não dose letal.
  • Alternativa D: INCORRETA. Descreve tempo de exposição, não dose letal.
  • Alternativa E: INCORRETA. Refere-se à dose sem efeito adverso, conceito diferente.

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ANAMT 2023 - Questão
A avaliação de toxicidade de uma substância visa caracterizar o potencial perigo que determinado agente representa, quando o trabalhador entra em contato com a mesma. Para avaliar a toxicidade, são realizados estudos de toxicidade aguda, subaguda, crônica, teratogênica e embriotoxicidade. Sobre estudos de mutagênese e carcinogênese, transmissíveis no material genético das células, assinale a alternativa INCORRETA:
  • A) A mutagênese é um processo em que há alteração do material genético da célula, gerando uma mutação. Essa pode acontecer de forma espontânea ou por um agente externo.
  • B) Os Genotóxicos são os agentes internos que reparam o DNA modificado na mutagênese.
  • C) Os Carcinogênicos são agentes aos quais a exposição pode causar câncer. Podem ser químicos, físicos ou biológicos.
  • D) A carcinogênese pode ser consequência de Modos de Ação (MOAs) diversos que podem envolver primariamente ou não a mutação do DNA.
  • E) O MOA de um carcinogênico pode ser não genotóxico ou genotóxico.
A alternativa B está INCORRETA. Os agentes genotóxicos não reparam o DNA, mas sim provocam danos ao material genético. A reparação é função de sistemas enzimáticos da própria célula, não dos agentes tóxicos.
  • Alternativa A: CORRETA. Mutagênese é a alteração do material genético que pode ser espontânea ou induzida.
  • Alternativa C: CORRETA. Carcinogênicos são agentes que podem causar câncer, incluindo tipos químicos, físicos e biológicos.
  • Alternativa D: CORRETA. A carcinogênese pode ocorrer por diferentes Modos de Ação (MOAs), com ou sem mutação primária do DNA.
  • Alternativa E: CORRETA. O MOA de um carcinogênico pode ser tanto genotóxico quanto não genotóxico.

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Monitoramento Biológico (BEIs/NR-07)
O Monitoramento Biológico, através dos Indicadores Biológicos de Exposição (IBE) e dos Valores de Referência Biológica (VRB), conforme a NR-07, é crucial para a saúde ocupacional:
Finalidade: Medir a dose interna ou o efeito biológico precoce para prevenir a exposição excessiva a agentes químicos, complementando o monitoramento ambiental.
Meios biológicos: A coleta pode ser realizada em diversas matrizes, dependendo do agente, incluindo urina, sangue e ar exalado.
Fatores de interferência: Resultados podem ser alterados por tabagismo (ex: aumenta COHb e tiocianato), dieta, medicamentos e doenças preexistentes.
Momento de coleta: É fundamental para a correta interpretação do resultado, devendo ser padronizado (ex: fim da jornada ou fim da semana de trabalho, conforme Quadro I da NR-07).
Exemplos Clássicos de Agentes e Biomarcadores

Importante: BEI não é diagnóstico de doença. Valores acima do índice indicam maior absorção e exigem investigação no PGR/PCMSO, mas não comprovam excesso ambiental.

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Toxicologia Ocupacional — Resumão
Revisão rápida dos conceitos-chave e sua aplicação prática no PCMSO/NR-07 para médicos do trabalho.
1
Bases & Conceitos
2
Toxicidade: Capacidade inerente de uma substância de produzir dano.
3
Toxicocinética (ADME): Absorção, Distribuição, Metabolismo, Eliminação.
  • Vias de Absorção: Inalatória (principal), Dérmica (lipossolúveis/área), Digestiva (eventual), Ocular.
4
Toxicodinâmica: "O que o tóxico faz" — mecanismos de ação no alvo biológico.
5
Dose–Resposta:
  • DL50 (dose letal em animais)
  • CL50 (concentração letal por inalação)
  • IDLH (Imediatamente Perigoso à Vida ou Saúde)
6
Carcinogênese/Mutagênese/Genotoxicidade: Genotóxicos danificam o DNA; MOA carcinogênico pode ser genotóxico ou não.
1
Monitoração & Aplicação
2
Indicadores Biológicos (IBE/BEI): Medem dose interna ou efeito biológico precoce. Exigem relação com exposição, especificidade e janela adequada.
3
Fatores Individuais: Tabagismo (↑ COHb e tiocianato), idade, comorbidades, indução enzimática impactam resultados.
4
Ar Exalado: Exemplos incluem CO expirado e tetracloroetileno.
5
NR-07 (Quadro I): Define o momento da coleta (fim de jornada/semana). Essencial estabelecer atividade basal (ex: colinesterases).
Parâmetros de Dose–Resposta
BEIs / Exemplos Práticos

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ANAMT 2025
Questão Prática
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Toxicologia Ocupacional
Assunto: NR-07
Você foi contratado como Médico do Trabalho em um curtume de couro de animais. Durante seu atendimento, recebeu um trabalhador para realização de exame médico ocupacional - periódico. Identificação: J. P. S, 58 anos, masculino. Função: Estriador de Couro. Durante o atendimento, trabalhador relatou que estava apresentando tosse e falta de ar progressiva, há pelo menos dois anos. A tosse era persistente e não produtiva, havia dispnéia progressiva aos esforços, perda de peso não intencional (em torno de 8 kg nos últimos 6 meses) e dor torácica inespecífica. Hábitos de Vida investigados: Nega tabagismo, nega etilismo. Não realizava atividade física. Alimentação rica em carboidratos e fibras, porém pobre em proteínas. Histórico Patológico Pregresso (HPP): nega cirurgias prévias; relata ter tido varicela na infância e COVID-19 em 2020. Histórico Psicossocial: Mora com esposa e dois filhos do sexo masculino em casa de tijolos. Em horários de lazer assiste televisão e vai à igreja católica. História ocupacional pregressa: dos 20 aos 28 anos trabalhou de maneira informal como vendedor ambulante de pipoca na praça da igreja. História Ocupacional e Exposição a Agentes de Risco na Empresa Atual: J.P.S. trabalha há 30 anos no curtume. A empresa é de médio porte. Ele labora diretamente na etapa de estriamento de couro. Durante sua jornada profissional, está exposto a diversos agentes químicos, físicos e ergonômicos, a saber: Cromo Hexavalente (Cr), Solventes Orgânicos (Tolueno, Tricloroetileno, Hexano, Acetona), Corantes com Metais Pesados (Anilinas e Azocorantes), corantes que liberam benzdina, Poeira de Couro, Ruído Ocupacional (> 90 dB), Posturas Inadequadas e Movimentos Repetitivos de Membros Superiores. Tendo como base o caso descrito acima, responda a questão a seguir:
A NR-07 prevê o monitoramento biológico dos trabalhadores para determinados agentes químicos por meio de seu quadro I. Conforme a exposição apresentada por J.P.S., quais exames complementares são obrigatórios para monitoramento destas substâncias? Marque a alternativa CORRETA.
A) O ácido tricloroacético na urina é um indicador biológico para monitoramento de exposição ao tricloroetileno. Trata-se de um indicador biológico de exposição excessiva. Deve ser realizado semestralmente.
B) 2,5-hexanodiona é o indicador biológico de exposição excessiva para monitoramento de exposição a acetona. Deve ser realizado semestralmente.
C) Orto-cresol urinário é o indicador biológico de significado clínico para monitoramento de exposição a Tolueno.Deve ser realizado semestralmente.
D) P-amino-fenolurinário ou metahemoglobina sanguínea são indicadores biológicos de significado clínico para monitoramento de exposição a anilina. Deve ser realizado semestralmente.
Gabarito Comentado
LETRA A: CORRETA
O ácido tricloroacético urinário (TCA) é o indicador de exposição excessiva previsto no Quadro I do Anexo I da NR-07 para o tricloroetileno; por ser “obrigatório”, a norma lista os indicadores de exposição excessiva e sua periodicidade (semestral). Já 2,5-hexanodiona é indicador para n-hexano, não para acetona; orto-cresol urinário (tolueno) e p-aminofenol urinário/meta-hemoglobina (anilina) são indicadores de significado clínico (não obrigatórios como de exposição excessiva). Referências: NR-07, Anexo I (Quadro de Indicadores Biológicos).

Fique atento: O monitoramento do Tricloroetileno via Ácido Tricloroacético (TCA) urinário é classificado pela NR-7 como IBE/EE (Exposição Excessiva), indicando absorção acima do limite, mas sem significado clínico imediato.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA (GABARITO) — corresponde exatamente ao indicador de exposição excessiva para tricloroetileno (TCA urinário) com periodicidade semestral, conforme NR-07 Anexo I.
  • Assertiva B: ERRADA — 2,5-hexanodiona é marcador de exposição ao n-hexano, não à acetona; logo não atende ao cenário descrito nem ao Quadro I para acetona.
  • Assertiva C: ERRADA — orto-cresol urinário para tolueno é indicador de significado clínico na NR-07, não listado como obrigatório de exposição excessiva.
  • Assertiva D: ERRADA — p-aminofenol urinário e/ou meta-hemoglobina sanguínea (anilina) também são indicadores de significado clínico, não de exposição excessiva obrigatória.

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ANAMT 2022 - Questão
O Monitoramento Biológico de Exposição permite:
  • A) Avaliar o grau de contaminação do ambiente do trabalho
  • B) Planejar e/ou indicar métodos de controle
  • C) Avaliar o grau de exposição e/ou do efeito biológico de exposição a substâncias químicas
  • D) Estudar a relação concentração ambiental x efeito e estimar a ocorrência de intoxicações ocupacionais
A alternativa C está CORRETA, pois o monitoramento biológico tem como objetivo principal avaliar o grau de exposição individual a substâncias químicas e/ou o efeito biológico resultante dessa exposição, conforme preconizado pela ACGIH (BEIs) e pela NR-07.
  • Alternativa A: INCORRETA. Avaliar a contaminação do ambiente é função da avaliação ambiental, não do monitoramento biológico.
  • Alternativa B: INCORRETA. O planejamento de métodos de controle faz parte do programa de gestão de riscos, não do monitoramento biológico em si.
  • Alternativa D: INCORRETA. Esta ação é mais abrangente e tipicamente se refere a estudos toxicológicos experimentais, não ao monitoramento aplicado na prática ocupacional.

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ANAMT 2016 - Questão
Em relação ao indicador biológico de exposição (Ibex) ou dose interna, pode-se afirmar:
  • A) Os limites biológicos de exposição ou dose interna não avaliam a absorção da substância
  • B) Representa a dose interna, ou seja, relaciona-se com a quantidade de agente químico que penetrou no organismo e foi efetivamente absorvida
  • C) O indicador de exposição não tem relação com a concentração ambiental a que o trabalhador está exposto por via respiratória
  • D) Não é condição básica para um indicador biológico que a sua concentração em meio biológico tenha relação com a concentração ambiental da substância
A alternativa B está CORRETA. O indicador biológico de exposição (IBE) representa a dose interna do agente químico, refletindo a quantidade que foi absorvida pelo organismo, seja por via respiratória, cutânea ou digestiva. É uma medida direta da carga interna.
  • Alternativa A: INCORRETA. Os limites biológicos de exposição refletem sim a absorção da substância.
  • Alternativa C: INCORRETA. Os indicadores biológicos geralmente têm correlação com a exposição ambiental.
  • Alternativa D: INCORRETA. A relação entre concentração ambiental e biológica é condição fundamental para a validade do biomarcador.

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ANAMT 2016 - Questão
Assinale a alternativa com a resposta correta: quanto ao indicador biológico de exposição, podemos afirmar que:
  • I. Geralmente, indica uma concentração abaixo da qual, nenhum trabalhador deverá experimentar efeitos adversos à saúde.
  • II. Valores acima do índice biológico de exposição confirmam a existência de concentrações ambientais, acima dos limites de exposição para o agente avaliado.
  • III. O determinante do indicador biológico de exposição é sempre uma alteração bioquímica reversível, característica e induzida pela substância química avaliada.
  • IV. Na maioria dos casos, a amostra usada para detecção do indicador biológico de exposição, é a urina, o sangue ou o ar expirado.
  • A) I, II e III
  • B) III e IV
  • C) I e IV
  • D) I, II, III e IV
A alternativa C está CORRETA. Os indicadores biológicos de exposição (Ibex/BEIs) refletem a dose interna, e:
  • (I) está correta: definem concentrações associadas à ausência de efeitos adversos relevantes.
  • (IV) está correta: os principais meios biológicos usados para detecção são urina, sangue e ar expirado.
  • (II) está INCORRETA: valores acima do índice biológico não confirmam necessariamente a superação dos limites ambientais, mas sim uma maior absorção individual.
  • (III) está INCORRETA: os determinantes não são sempre alterações bioquímicas reversíveis; podem ser metabólitos específicos ou adutos.
  • Alternativas A, B e D: INCORRETAS por incluírem as afirmações II e/ou III, que são inválidas.

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ANAMT 2023 - Questão
Assinale a alternativa FALSA:
  • A) Enclausuramento do processo de produção é um dos métodos usuais para controle de risco na fonte de exposição.
  • B) Indicador biológico de dose interna é agente químico inalterado ou seu produto de biotransformação presentes em fluidos biológicos.
  • C) O ácido metilhipúrico é o biomarcador de exposição ao solvente orgânico tolueno.
  • D) A monitorização biológica tem por finalidade prevenir a exposição excessiva aos agentes químicos que podem provocar efeitos nocivos nos trabalhadores expostos.
  • E) O xileno é um agente tóxico de reconhecida neurotoxicidade.
GABARITO:
A alternativa C está FALSA. O biomarcador urinário de exposição ao tolueno é o ácido hipúrico, e não o ácido metilhipúrico. O ácido metilhipúrico é marcador de exposição a solventes do grupo dos xileno isômeros.
  • Alternativa A: CORRETA. Enclausuramento é uma medida de controle eficaz na fonte de exposição.
  • Alternativa B: CORRETA. Define corretamente o indicador biológico de dose interna como o agente químico inalterado ou seu metabólito presente em fluidos biológicos.
  • Alternativa D: CORRETA. Descreve corretamente a finalidade primordial da monitorização biológica.
  • Alternativa E: CORRETA. O xileno é amplamente reconhecido como um agente neurotóxico.

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ANAMT 2016 - Questão
Assinale a alternativa com a resposta correta: possuem indicadores biológicos de exposição no ar exalado:
  • I. Acetona
  • II. Monóxido de Carbono.
  • III. Tetracloroetileno.
  • IV. Tolueno.
A) II, III e IV
B) I, II e III
C) II e III
D) I, II, III e IV
A alternativa C está CORRETA. Os indicadores biológicos que podem ser monitorados no ar exalado incluem o monóxido de carbono (CO) e o tetracloroetileno, ambos amplamente utilizados como parâmetros de exposição ocupacional.
  • (II) CORRETA: O monóxido de carbono pode ser avaliado por sua concentração no ar exalado (CO expirado).
  • (III) CORRETA: O tetracloroetileno pode ser determinado no ar exalado.
  • (I) INCORRETA: A acetona é monitorada preferencialmente em urina, não em ar exalado.
  • (IV) INCORRETA: O tolueno é monitorado em sangue e urina, não em ar exalado.
As alternativas A, B e D estão INCORRETAS por incluírem as afirmações I e/ou IV, que são inválidas para monitoramento no ar exalado.

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ANAMT 2020 - Questão
Assinale a alternativa incorreta:
  • A) Os biomarcadores só podem ser considerados se existir correlação com a intensidade da exposição e/ou o efeito biológico da substância.
  • B) A avaliação da exposição aos agentes químicos constitui um importante aspecto para a saúde pública, tendo em vista a possibilidade de se prevenir ou minimizar a incidência de mortes ou doenças decorrentes da interação das substâncias químicas com o organismo humano.
  • C) A avaliação da exposição, associada aos conhecimentos relativos aos efeitos na saúde e os limites considerados seguros, permite estabelecer as prioridades e as formas de intervenção efetiva para proteger uma população dos riscos químicos.
  • D) A dosagem do manganês em meio biológico pode ser utilizada como um bom biomarcador de exposição.
  • E) A detecção precoce de uma exposição perigosa pode diminuir significativamente a ocorrência de efeitos adversos na saúde.
GABARITO
A alternativa D está INCORRETA. A dosagem de manganês em meio biológico não é considerada um biomarcador confiável. Sua baixa especificidade e grande variabilidade individual dificultam a correlação entre exposição e efeito, tornando-o inadequado para monitoramento biológico efetivo.
As alternativas A, B, C e E estão CORRETAS.
  • A: Biomarcadores são válidos quando correlacionados com a intensidade da exposição ou o efeito biológico.
  • B: A avaliação da exposição é crucial para prevenir ou minimizar doenças e mortes ocupacionais.
  • C: A combinação de avaliação de exposição, efeitos na saúde e limites seguros orienta intervenções eficazes.
  • E: A detecção precoce de exposições perigosas é uma ferramenta preventiva vital.

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ANAMT 2024 - Questão
Em relação à Monitoração da Exposição Ocupacional a Agentes Químicos, é INCORRETO afirmar:
  • A) Os Indicadores de Exposição Excessiva (EE), não tem caráter diagnóstico ou significado clínico. Eles avaliam a absorção do agente por toda a via de exposição, e apontam para a possibilidade de exposição acima dos limites de exposição ocupacional.
  • B) Indicadores Biológicos com significado clínico (IBE/SC), evidenciam disfunções orgânicas e efeitos adversos à saúde.
  • C) Mulheres em idade fértil, com valores alterados de Chumbo no sangue (PbS) devem ser afastadas da exposição ao agente.
  • D) Xileno tem como indicador biológico, a presença de Ácido Hipúrico na Urina. O momento da coleta deverá ser no final da jornada de trabalho (FJ).
  • E) Atividade basal é a atividade enzimática pré-ocupacional e deve ser estabelecida com o empregado afastado por pelo menos 30 (trinta) dias da exposição a inseticidas inibidores da colinesterase.
GABARITO
A alternativa D está INCORRETA.
  • O ácido hipúrico é um biomarcador para tolueno, não para xileno.
  • Além disso, o ácido hipúrico é considerado um indicador pouco específico, influenciado por fontes dietéticas (ácido benzoico).
  • Para xileno, os indicadores são os ácidos metilhipúricos.
As alternativas A, B, C e E estão CORRETAS.
  • A: Indicadores de Exposição Excessiva avaliam a absorção total, sem caráter diagnóstico clínico.
  • B: Indicadores Biológicos com significado clínico revelam disfunções e efeitos adversos à saúde.
  • C: Afastamento de mulheres férteis com PbS alterado é uma medida protetiva essencial.
  • E: A atividade basal enzimática pré-ocupacional é um padrão para monitotamento de exposição a inibidores da colinesterase.

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ANAMT 2024 - Questão
Os Indicadores Biológicos de Exposição com Significado Clínico evidenciam disfunções orgânicas e efeitos adversos à saúde, trazendo elementos para a abordagem médica e correção da exposição ao agente. Assinale dentre as alternativas abaixo, a INCORRETA, em relação à substância química, seu indicador e o momento da coleta, respectivamente.
  • A) Cádmio e seus compostos inorgânicos – Cádmio na urina – pode ser colhido a qualquer momento, desde que o trabalhador esteja em atividade.
  • B) Inseticidas inibidores da Colinesterase – Atividade da butilcolinesterase no plasma ou soro – no início da jornada.
  • C) Chumbo e seus compostos inorgânicos – Ácido Delta Amino Levulínico na urina (ALAU) – pode ser colhido a qualquer momento, desde que o trabalhador esteja em atividade.
  • D) Inseticidas inibidores da Colinesterase – Atividade da acetilcolinesterase eritrocitária – no final da jornada.
  • E) Flúor, ácido fluorídrico e fluoretos inorgânicos – Fluoreto urinário – Antes da jornada, com no mínimo 48 horas sem exposição.
GABARITO
A alternativa B está INCORRETA.
  • A atividade da butilcolinesterase no plasma ou soro, para monitoramento de inseticidas inibidores da Colinesterase, deve ser medida no final da jornada de trabalho, e não no início.
  • Isso ocorre para capturar o efeito acumulado da exposição ocupacional ao longo do dia.
  • Conforme o Anexo I da NR-7, cada agente químico possui um momento específico de coleta que garante a validade do indicador biológico.
As alternativas A, C, D e E estão CORRETAS.
  • A: A coleta de cádmio urinário pode ser feita a qualquer momento, desde que o trabalhador esteja ativo, pois reflete a carga corporal.
  • C: O Ácido Delta Amino Levulínico na urina (ALAU) é um indicador válido para chumbo e pode ser colhido a qualquer momento com o trabalhador ativo.
  • D: A atividade da acetilcolinesterase eritrocitária, para inseticidas inibidores da Colinesterase, é coletada no final da jornada, conforme a NR-7.
  • E: Para flúor e seus compostos, o fluoreto urinário exige a coleta antes da jornada, com no mínimo 48 horas sem exposição, para refletir a exposição crônica.

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Intoxicação Ocupacional
A intoxicação ocupacional ocorre quando trabalhadores são expostos a substâncias tóxicas no ambiente de trabalho em níveis que causam efeitos adversos à saúde. É uma condição prevenível que requer reconhecimento precoce, diagnóstico adequado e manejo apropriado.
Para médicos do trabalho que se preparam para a ANAMT, compreender a toxicologia é essencial para identificar riscos de exposição, interpretar resultados de monitoramento biológico e implementar medidas preventivas eficazes.
As intoxicações podem ser agudas (resultantes de uma única exposição elevada) ou crônicas (resultantes de exposições repetidas e de menor intensidade ao longo do tempo). O diagnóstico preciso requer uma anamnese ocupacional detalhada, avaliação clínica cuidadosa e, frequentemente, o apoio de monitoramento biológico ou testes específicos. A prevenção, por meio da aplicação da hierarquia de controles, é sempre a abordagem mais eficaz e preferível ao tratamento.
Tipos de Agentes Tóxicos
Vias de Exposição
Prevenção
Diagnóstico
Tratamento
Vigilância em Saúde do Trabalhador

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Intoxicação Ocupacional por Agrotóxico
Este guia detalhado oferece informações cruciais para a proteção e o bem-estar dos trabalhadores do setor agrícola. Ele explora os riscos intrínsecos à exposição a agrotóxicos, apresenta as melhores práticas para a sua manipulação segura, e descreve medidas preventivas fundamentais para garantir um ambiente de trabalho mais seguro e promover a saúde ocupacional contínua.

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Organofosforados: O que são e onde estão
Os organofosforados (OP) são uma classe de inseticidas amplamente utilizada na agricultura, controle de pragas em saúde pública e produtos domissanitários. Sua alta lipossolubilidade é uma característica chave que influencia significativamente sua toxicocinética.
Vias de Exposição e Absorção Dérmica
A via dérmica é a principal em ambientes ocupacionais, mas a inalatória e a digestiva também são relevantes. A absorção dérmica é influenciada por afinidade lipídica do OP, área exposta, tempo de contato, oclusão, umidade e calor.
Cenários Ocupacionais
Incluem o preparo e aplicação de caldas, reentrada em áreas tratadas, manutenção de equipamentos contaminados e lavagem de EPI/roupas sujas.
Prevenção: Hierarquia de Controles
Eliminação/Substituição
Remover o agente ou substituí-lo por um menos tóxico.
Engenharia
Uso de capelas de exaustão, sistemas de ventilação e automação.
Administrativas
Capacitação contínua, protocolos de reentrada e rodízio de tarefas.
EPI
Luvas, avental, proteção ocular e respiratória adequados ao risco.

Perlas de prova: A alta lipossolubilidade dos organofosforados aumenta significativamente a penetração dérmica, tornando a pele uma via de exposição crítica no ambiente de trabalho.
Os OPs são altamente absorvidos pela pele e o risco ocupacional depende tanto da substância quanto da tarefa e das condições ambientais. A prevenção eficaz é multifacetada.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: MedWork – Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Intoxicação Ocupacional
Assunto: Intoxicação por Agrotóxicos
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do planeta, com 720 mil toneladas de pesticidas para uso agrícola, de acordo com os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Os trabalhadores rurais envolvidos na aplicação de pesticidas estão expostos a diversas substâncias químicas que podem comprometer sua saúde. Sobre os efeitos dos pesticidas, assinale a CORRETA.
A) Os pesticidas organofosforados e carbamatos podem inibir a enzima acetilcolinesterase, causando sintomas de intoxicação como salivação excessiva, sudorese e tremores musculares.
B) A exposição ocupacional a pesticidas não apresenta riscos para o sistema nervoso central, afetando apenas a pele e o trato respiratório.
C) O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) elimina completamente os riscos à saúde dos trabalhadores expostos a pesticidas.
D) Os efeitos dos pesticidas são exclusivamente agudos, não havendo risco de desenvolvimento de doenças crônicas, como câncer e distúrbios endócrinos.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA A.
  • Organofosforados (inibidores irreversíveis) e carbamatos (inibição reversível) bloqueiam a acetilcolinesterase, o que resulta no acúmulo de acetilcolina nas sinapses. Isso produz um quadro colinérgico típico, que inclui sintomas como sialorreia (salivação excessiva), sudorese, fasciculações ou tremores musculares, broncorreia e miose (contração das pupilas), além de cólicas.
Referências: BUSCHINELLI, J.T.P., Toxicologia Ocupacional, Fundacentro, 2020; diretrizes de intoxicação por OP/carbamatos do MS.
Outras Alternativas
  • Assertiva B: INCORRETA. Os pesticidas podem, sim, atingir e lesar o Sistema Nervoso Central (SNC). Por exemplo, os organofosforados atravessam a barreira hematoencefálica e podem causar neurotoxicidade aguda e efeitos neurocomportamentais. Portanto, a afirmação de que não apresentam riscos para o SNC está errada.
  • Assertiva C: INCORRETA. O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) reduz significativamente a exposição a pesticidas, mas não elimina completamente os riscos. Isso se deve a fatores como falhas na seleção ou ajuste dos EPIs, permeação cutânea de algumas substâncias, exposição a vapores ou aerossóis e a redução da adesão ao uso dos EPIs devido ao desconforto, especialmente em ambientes quentes.
  • Assertiva D: INCORRETA. Os efeitos dos pesticidas não são exclusivamente agudos. Há uma vasta documentação sobre efeitos crônicos associados à exposição a esses produtos, incluindo o desenvolvimento de neoplasias (câncer) em certas exposições, distúrbios endócrinos, neuropatias periféricas e efeitos reprodutivos. Assim, a afirmação de que não há risco de doenças crônicas é falsa.

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ANAMT 2011 - Pergunta de Prova
São inseticidas orgânicos potencialmente tóxicos para o organismo humano:
  • A) Fosfatos, nitrogenados, pentaclorofenalatos
  • B) NPK (nitrogênio, fósforo e potássio)
  • C) Clorados, fosforados, carbamatos
  • D) Arsenicais, mercuriais, calcáreos
  • E) Iodados, sulfonados, carbamatos
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. Os inseticidas organoclorados, organofosforados e carbamatos são conhecidos por sua toxicidade significativa ao organismo humano, atuando principalmente sobre o sistema nervoso. Sua ação como inibidores da colinesterase os torna perigosos em caso de exposição ocupacional.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Fosfatos e nitrogenados não são classificados como os principais inseticidas orgânicos tóxicos.
  • Alternativa B: INCORRETA – NPK é um tipo de adubo (fertilizante) e não um inseticida tóxico.
  • Alternativa D: INCORRETA – Embora mercuriais e arsenicais apresentem toxicidade, não são os principais inseticidas orgânicos mencionados neste contexto.
  • Alternativa E: INCORRETA – Iodados e sulfonados não constituem as categorias principais de inseticidas orgânicos com a toxicidade destacada.

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Como os OP agem: inibição irreversível da AChE
01
Fosforilação da AChE
Os organofosforados (OP) se ligam e fosforilam a acetilcolinesterase (AChE), inativando-a.
02
Acúmulo de ACh
Com a AChE inativada, a acetilcolina (ACh) se acumula na fenda sináptica, sem ser degradada.
03
Hiperestimulação Colinérgica
O excesso de ACh provoca a hiperestimulação contínua dos receptores muscarínicos, nicotínicos e centrais.
04
O Fenômeno do "Aging"
Após a fosforilação, o complexo OP-AChE sofre "envelhecimento" (aging), um processo de estabilização irreversível que reduz a eficácia das oximas.
Distrações Comuns para Evitar:
  • Os OP NÃO atuam em canais de sódio (essa é a ação dos piretróides).
  • Carbamatos causam inibição reversível da AChE, diferente dos OP.
Biomarcadores Chave:
AChE eritrocitária: O verdadeiro alvo dos OP, reflete a inibição da enzima nos glóbulos vermelhos.
Butirilcolinesterase plasmática (BChE): Usada para triagem e monitoramento da exposição, pois é mais sensível a pequenas exposições.

Takeaway: Organofosforados são inibidores irreversíveis da AChE. Quanto maior o tempo entre a exposição e o tratamento, maior o "aging" e menor a resposta às oximas.

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ANAMT 2022 - Pergunta de Prova
Os agentes fosforados orgânicos são bastante utilizados. Com relação ao mecanismo de ação destes defensivos, assinale a alternativa CORRETA:
  • A) Interagem com os canais de sódio da membrana da célula nervosa.
  • B) O quadro clínico da intoxicação aguda por essas substâncias é caracterizado pela ausência de atividade colinérgica.
  • C) Atuam como inibidores reversíveis da colinesterase.
  • D) Agem sobre o sistema nervoso central através de mecanismo desconhecidos.
  • E) Todas as afirmativas estão incorretas.
Gabarito Comentado
Alternativa E: CORRETA. Os organofosforados agem como inibidores IRREVERSÍVEIS da colinesterase, levando ao acúmulo de acetilcolina e consequente crise colinérgica. Portanto, todas as alternativas apresentadas (A, B, C, D) contêm informações incorretas sobre o mecanismo de ação ou os efeitos da intoxicação por fosforados orgânicos.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Eles não atuam nos canais de sódio.
  • Alternativa B: INCORRETA – O efeito é de EXCESSO de atividade colinérgica, não ausência.
  • Alternativa C: INCORRETA – São inibidores irreversíveis da colinesterase, não reversíveis.
  • Alternativa D: INCORRETA – O mecanismo de ação é bem conhecido: inibição da acetilcolinesterase.

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Toxidroma Colinérgico: Reconhecer é Tratar
O reconhecimento rápido da síndrome colinérgica é crucial para o tratamento eficaz e a prevenção de desfechos graves.
Manifestações Clínicas
Síndromes Temporais
Aguda
Minutos a horas após a exposição.
Síndrome Intermediária
24-96 horas: Fraqueza proximal e respiratória.
Neuropatia Periférica Retardada (OPIDN)
Semanas: Neuropatia axonal e paralisia flácida.
Diagnósticos Diferenciais
É importante diferenciar a intoxicação por organofosforados de outras condições com sintomas semelhantes:
  • Piretróides: Causam tremores e parestesias, mas sem a hipersecreção colinérgica.
  • Paraquat: Principalmente fibrose pulmonar, sem o quadro colinérgico clássico.

Takeaway: A tríade miose + hipersecreções (como broncorreia) + fasciculações aponta fortemente para intoxicação por Organofosforados.

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ANAMT 2022 - Pergunta de Prova
W.C.V., masculino, 40 anos, morador de área rural, dá entrada na Unidade de Emergência Referenciada com quadro de fraqueza, cólicas abdominais, vômitos, espasmos musculares, hipersecreção pulmonar, sialorreia e sudorese profusa. Qual seria sua hipótese diagnóstica?
  • A) Intoxicação aguda por Organoclorados
  • B) Intoxicação aguda por Organofosforados
  • C) Intoxicação aguda por Paraquat
  • D) Intoxicação aguda por Piretróides
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. O quadro clínico descrito é típico da intoxicação aguda por organofosforados. Estes agrotóxicos inibem a acetilcolinesterase, levando ao acúmulo de acetilcolina e resultando em uma crise colinérgica, caracterizada por sintomas como sialorreia, sudorese profusa, vômitos, cólicas abdominais, hipersecreção pulmonar e espasmos musculares.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Organoclorados são conhecidos por causar efeitos neurotóxicos crônicos e convulsões, mas não uma crise colinérgica aguda como a descrita.
  • Alternativa C: INCORRETA – A intoxicação por Paraquat é classicamente associada a lesões pulmonares graves, como fibrose, e insuficiência renal, sem o quadro colinérgico.
  • Alternativa D: INCORRETA – Piretróides atuam nos canais de sódio, e os sintomas de intoxicação são predominantemente neurológicos, como tremores e convulsões, sem os sinais de hipersecreção.

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Manejo da Intoxicação por Organofosforados: Um Guia Passo a Passo
Ações rápidas e coordenadas são absolutamente essenciais para reverter eficazmente o quadro de intoxicação por organofosforados, garantindo a segurança e o bem-estar tanto do paciente quanto da equipe de saúde. Este guia detalhado apresenta a lógica fundamental por trás do tratamento.
Erros Comuns e Cruciais a Evitar na Prática Clínica e em Provas:
  • Não usar atropina: Constitui um erro clínico grave, uma vez que a atropina é vital para a neutralização dos efeitos muscarínicos excessivos, que podem ser fatais.
  • Usar apenas oxima: O tratamento adequado é sempre combinado (atropina + oxima). Ambos são cruciais, atuando em mecanismos fisiopatológicos distintos para reverter a intoxicação de forma abrangente.
  • Confundir com Paraquat e evitar O₂: Para a intoxicação por organofosforados, a suplementação de oxigênio é geralmente indicada conforme a necessidade e o quadro respiratório do paciente, ao contrário da intoxicação por Paraquat, onde o oxigênio pode ser rigorosamente contraindicado devido ao risco de piora da lesão pulmonar.

Takeaway Essencial: O tratamento da intoxicação por organofosforados é combinado (atropina + oxima), devendo ser sempre precoce, individualizado e titulável. A descontaminação inicial e correta do paciente não só salva vidas, mas também protege toda a equipe médica envolvida.

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ANAMT 2012 - Pergunta de Prova
No atendimento de um intoxicado por organofosforados, pode-se afirmar:
  • A) Não há indicação de usar atropina, pois só atua com efeito sintomático.
  • B) O uso de carvão ativado é inócuo, pois é indicado somente nas intoxicações por carbamatos.
  • C) O atendimento inicial deve estar voltado à descontaminação.
  • D) Usa-se apenas pralidoxima (Contrathion), sendo medicação de eleição, além do suporte básico de vida.
  • E) Deve-se usar pralidoxima e atropina pois atuam sinergicamente.
Gabarito Comentado
Alternativa E: CORRETA. O tratamento correto da intoxicação por organofosforados inclui o uso de atropina (para antagonizar os efeitos muscarínicos da acetilcolina) e pralidoxima (reativador da acetilcolinesterase), além da descontaminação e suporte de vida. Ambas as drogas são utilizadas em conjunto, atuando de forma sinérgica para reverter os efeitos tóxicos.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – A atropina é fundamental no tratamento, não apenas sintomática, pois antagoniza diretamente os efeitos muscarínicos do excesso de acetilcolina.
  • Alternativa B: INCORRETA – O carvão ativado pode ser usado para reduzir a absorção gastrointestinal, embora sua eficácia dependa do tempo de ingestão e do tipo de organofosforado. Não é inócuo nem exclusivo para carbamatos.
  • Alternativa C: INCORRETA – O atendimento inicial deve, sim, incluir a descontaminação, mas esta não é a resposta mais completa sobre o tratamento medicamentoso que a questão busca.
  • Alternativa D: INCORRETA – Usa-se atropina e pralidoxima em conjunto. A pralidoxima sozinha não é suficiente, pois atua reativando a colinesterase, mas a atropina é essencial para bloquear os receptores muscarínicos e aliviar a crise colinérgica.

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Diferenciando Intoxicações
Para evitar pegadinhas em provas e garantir o manejo correto, é crucial entender as diferenças chave entre Carbamatos, Piretróides e Paraquat.
Perlas express:
OP = AChE irreversível + atropina + oxima
Carbamato = AChE reversível
Piretróide = Na⁺ channel
Paraquat = pulmão/ROS, O₂ com cautela (situação típica de prova)

Takeaway: Diferenciar o mecanismo e a síndrome clínica específica de cada agente é fundamental para evitar erros diagnósticos e terapêuticos, especialmente em contextos de emergência e avaliações.

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Intoxicação Ocupacional por Chumbo (Saturnismo)
Aprofunde-se nos riscos significativos, nos métodos de diagnóstico precisos e nas estratégias eficazes de manejo para o saturnismo. Esta condição, uma intoxicação ocupacional por chumbo com raízes milenares, infelizmente ainda persiste e afeta uma vasta gama de trabalhadores em indústrias como reciclagem de baterias, mineração, construção, fundição e fabricação de cerâmica em todo o mundo. Os impactos do chumbo podem variar de problemas neurológicos e renais a disfunções hematológicas e reprodutivas. Compreender seus detalhes, desde a identificação das fontes de exposição até as intervenções terapêuticas, é fundamental para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, visando proteger a saúde e a segurança ocupacional.

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Chumbo no Trabalho: do risco à clínica
A intoxicação por chumbo, ou saturnismo, é um desafio persistente na saúde ocupacional. Compreender sua origem, como age no corpo e seus sinais é vital para o diagnóstico e prevenção.
Quadro Clínico Chave: A Tríade do Saturnismo
1. Anemia
Inibição da síntese do heme, levando à anemia por deficiência de ferro (sideroblástica) e hemólise.
2. Neuropatia Periférica
Acomete axônios motores, causando fraqueza e, classicamente, a "mão pendente" ou "pé caído".
3. Cólica Saturnina
Dor abdominal intensa, de difícil localização, sem alterações evidentes em exames de imagem.
  • Outros Achados: Nefropatia túbulo-intersticial, encefalopatia (grave em crianças), infertilidade masculina.
  • Raciocínio de Nexo: Sintomas compatíveis + exposição típica + plausibilidade toxicológica (via/solubilidade/depósito) fortalecem o nexo ocupacional.

BBB do Chumbo: Baterias, Bone (osso), Belly pain (cólica).
Trinca "A-N-C": Anemia - Neuropatia - Cólica.
Evite estes erros nas provas!
  • "Dérmica relevante" para inorgânicos: FALSO.
    A inalação é a principal via. "Meia-vida curta no osso compacto": FALSO.
    A meia-vida óssea é muito longa. "Chumbo não afeta fertilidade": FALSO. Pode causar infertilidade masculina.

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ANAMT 2023 - Pergunta de Prova
Sobre a epidemiologia da exposição a compostos de chumbo, podemos afirmar que:
  • A) No Brasil, o risco de contaminação ambiental a partir de queima de combustível (gasolina) contendo chumbo tetra-etila, deve ser sempre considerado.
  • B) Ocupações de maior risco relacionam-se aos setores de esmaltagem de cerâmica; produção, reforma e reciclagem de acumuladores elétricos.
  • C) Crianças, em geral, estão isentas de risco de contaminação, pois não participam da força de trabalho.
  • D) “Hobbies” envolvendo manipulação de chumbo devem ser descartados da análise de risco, pois a dose inalada é sempre muito baixa.
  • E) Nenhuma das afirmativas é correta.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. A exposição ocupacional ao chumbo ocorre principalmente em atividades como fundição, reciclagem de baterias, fabricação de tintas e cerâmica, especialmente em processos que envolvem esmaltação. A alternativa B traz exatamente esses contextos, conforme descrito em manuais de toxicologia ocupacional e pela Organização Mundial da Saúde. O chumbo é amplamente estudado e suas fontes ocupacionais estão bem caracterizadas.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – O chumbo tetra-etila foi banido da gasolina no Brasil desde a década de 1990, deixando de representar risco ambiental atual.
  • Alternativa C: INCORRETA – Crianças podem ser fortemente impactadas por exposição ambiental e domiciliar ao chumbo, mesmo sem vínculo com trabalho formal.
  • Alternativa D: INCORRETA – Hobbies como fundição de metais ou tiro esportivo podem causar exposições significativas e não devem ser descartados da análise de risco.
  • Alternativa E: INCORRETA – Há afirmativa correta entre as anteriores (letra B), portanto essa está errada.

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ANAMT 2024 - Pergunta de Prova
A toxicologia do chumbo difere muito em função do composto ser inorgânico ou orgânico, assim como em vários metais. Em relação a sua toxicinética, identifique dentre as alternativas abaixo, a INCORRETA.
  • A) A exposição ocupacional ao chumbo pode causar absorção de fumos e poeiras pela via respiratória, a depender, principalmente, do tamanho da partícula e da solubilidade do composto.
  • B) Em relação à absorção dérmica, ela não ocorre no caso de exposição a compostos inorgânicos de chumbo.
  • C) Os óxidos de chumbo são mais absorvidos por serem mais solúveis em água, enquanto os compostos insolúveis, como sulfeto de chumbo (PbS, CAS 1314-87-0), são pouco absorvidos, razão pela qual são considerados menos perigosos.
  • D) Nos ossos compactos e nos dentes, a meia-vida do chumbo é curta, sendo que nos ossos trabeculares é bem maior.
  • E) A excreção de chumbo é realizada principalmente pela urina na forma de íon livre e difusível.
Gabarito Comentado
Alternativa D: INCORRETA. Na realidade, a meia-vida do chumbo é mais longa nos ossos compactos e nos dentes, e mais curta nos ossos trabeculares, devido à maior troca metabólica nesses tecidos. Essa afirmativa apresenta o oposto do que ocorre, sendo a resposta que o enunciado solicita.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA – A toxicocinética do chumbo realmente considera a absorção respiratória, que é altamente dependente do tamanho e da solubilidade das partículas.
  • Alternativa B: CORRETA – A absorção dérmica de compostos inorgânicos de chumbo é geralmente muito baixa ou inexistente, diferentemente dos compostos orgânicos.
  • Alternativa C: CORRETA – Compostos de chumbo mais solúveis, como os óxidos, são mais facilmente absorvidos pelo organismo, o que os torna mais biodisponíveis e perigosos.
  • Alternativa E: CORRETA – A principal via de excreção do chumbo é renal, onde é eliminado na forma iônica livre e difusível.

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ANAMT 2012 - Pergunta de Prova
O quadro clínico ocupacional do saturnismo é caracterizado por:
  • A) Hiperglobulia, Dispneia e Hipoacusia
  • B) Anemia, Neuropatia e Cólicas Abdominais
  • C) Neuropatia, Arterioesclerose e Anemia
  • D) Otaxia, Irritação Conjuntival e Dispneia
  • E) Encefalopatia, Anemia e Dispneia
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. O saturnismo apresenta quadro clínico clássico caracterizado por anemia (frequentemente do tipo normocítica normocrômica com punção de medula mostrando pontilhados basofílicos), neuropatia periférica (geralmente motora, afetando extensores do punho – “mão pendente”) e cólicas abdominais intensas. Esses sinais são amplamente descritos em toxicologia ocupacional, especialmente em exposições crônicas.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Hiperglobulia não é característica do saturnismo, tampouco dispneia ou hipoacusia.
  • Alternativa C: INCORRETA. Arteriosclerose não é achado típico da intoxicação por chumbo.
  • Alternativa D: INCORRETA. Otaxia e irritação conjuntival não são sintomas predominantes do saturnismo.
  • Alternativa E: INCORRETA. Encefalopatia pode ocorrer em intoxicações graves, mas não é componente primário do quadro típico ocupacional crônico.

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Intoxicação por Mercúrio
A intoxicação por mercúrio, também conhecida como hidrargirismo, representa uma séria ameaça à saúde, especialmente em ambientes ocupacionais onde a exposição a esse metal pesado é comum. Este cartão explora detalhadamente os variados riscos associados à exposição ao mercúrio, que pode ocorrer por inalação, ingestão ou contato dérmico, e as diversas manifestações clínicas que podem surgir de sua acumulação no corpo, abrangendo desde sintomas neurológicos e renais até problemas dermatológicos e gastrointestinais, essenciais para o diagnóstico precoce e a prevenção eficaz em trabalhadores de indústrias como mineração, odontologia e fabricação de lâmpadas.

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Intoxicação por Mercúrio no Trabalho: formas, clínica, diagnóstico, tratamento e prevenção
Formas & Fontes
Metálico (Hg⁰): Principal no trabalho (lâmpadas, garimpo). Alta volatilidade.
Inorgânicos (sais): Menos comum, baixa absorção dérmica.
Orgânicos (metilmercúrio): Mais ambiental, alta neurotoxicidade.
Vias de Exposição: Inalação (principal para Hg⁰), ingestão (menos comum), cutânea (orgânicos).
Toxicocinética Essencial
Hg⁰: Lipossolúvel, cruza barreira hematoencefálica, oxida a formas inorgânicas no SNC (retenção).
Metil-Hg: Alta neurotoxicidade.
Eliminação: Urinária (inorgânico/metálico), sangue/cabelo (metil-Hg).
Pearl: Biomarcador normal não exclui exposição pretérita crônica; clínica é chave.
Clínica
Aguda (vapores Hg⁰): Tosse, dispneia, bronquite química, edema pulmonar, febre.
Crônica (Mercurialismo): Tremor (fino), eretismo (irritabilidade, ansiedade, insônia), cefaleia, gengivite, sialorreia, gosto metálico, perda cognitiva.
Histórico: "Loucura dos Chapeleiros" (eretismo).
Diagnóstico
História Ocupacional: Detalhada (tarefas, derramamentos, ventilação, EPI).
Biomarcadores: Urina (Hg urinário, para Hg⁰/inorgânico recente), Sangue/Cabelo (metil-Hg).
Funcional: Testes neuropsicológicos, neurológicos; Rx/TC (lesão pulmonar).
Mensagem-chave: Resultado isolado não define; clínica + exposição guiam.
Conduta & Prevenção
Imediato (Agudo): Afastar, suporte respiratório, quelação (DMSA/DMPS), descontaminação ambiental.
Crônico: Afastar/realocar, monitorar, quelação (se indicado), acompanhamento multiprofissional.
Prevenção: Substituição, sistemas fechados, exaustão, spill kit, higiene, EPI adequado, vigilância médica, educação.
Takeaways: Inalação de Hg metálico é a via crítica no trabalho. Agudo = pulmonar grave; crônico = neuropsiquiátricos + gengivite. Diagnóstico é clínico-ocupacional, com biomarcadores como auxiliares. Quelação pode ser necessária. Prevenção segue hierarquia de controles: engenharia > administrativos > EPI, com plano para derramamentos.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Intoxicação Ocupacional
Assunto: Intoxicação por Mercúrio
O mercúrio é um metal pesado, de cor prata, que permanece no estado líquido à temperatura ambiente. A alta pressão do vapor de mercúrio resulta na sua liberação contínua na atmosfera, um fator importante que contribui para a exposição ocupacional e para a contaminação ambiental. W.S.B., 67 anos, solteiro, garimpeiro há 40 anos, foi encaminhado ao CEREST pelo médico da Unidade Básica e Saúde do bairro onde mora, para realização de nexo causal. Considerando o texto acima, avalie as afirmações a seguir:
I. Os indivíduos que trabalham como garimpeiros correm risco elevado de exposição ao vapor de mercúrio com absorção através da pele.
II. Os sintomas prováveis de W.S.B. são anorexia, vômitos, sangramento nas gengivas, estomatite, salivação, mau hálito.
III. Os indivíduos que trabalham como garimpeiros correm risco elevado de exposição ao vapor de mercúrio, os quais são aspirados.
IV. Os sintomas prováveis de W.S.B. são: mudanças frequentes do humor, alterações na memória, enxaqueca, tontura, delírios e alucinações.
É CORRETO apenas o que está descrito em:
A) I e III.
B) I e II.
C) II e III.
D) III e IV.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA D.
  • A exposição crônica típica de garimpeiros é pela inalação do vapor de mercúrio metálico.
  • O quadro clínico esperado é o eretismo mercurial, que se manifesta com labilidade emocional, irritabilidade, alterações de memória/concentração, cefaleia/tontura e, em casos graves, delírios e alucinações.
  • A absorção cutânea do mercúrio metálico é mínima nesse cenário, e sintomas digestivos/estomatite não caracterizam o quadro crônico por vapor.
Referências: Ladou & Harrison. CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental, 5ª ed.; Buschinelli J.T.P. Toxicologia Ocupacional, Fundacentro.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. A afirmação I é incorreta; para mercúrio metálico, a via relevante é inalatória, não cutânea.
  • Assertiva B: ERRADA. A afirmação I é incorreta. Além disso, a afirmação II descreve sinais menos típicos da intoxicação crônica por vapor de mercúrio.
  • Assertiva C: ERRADA. A afirmação II não descreve o quadro neuropsíquico característico do eretismo. Embora a afirmação III esteja correta, o conjunto não representa a resposta mais completa.
  • Assertiva D: CORRETA (GABARITO). A afirmação III (via inalatória) e a afirmação IV (sintomas neuropsíquicos clássicos do eretismo mercurial) refletem corretamente a intoxicação crônica por vapor de mercúrio.

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ANAMT 2023
O Mercúrio é um metal que pode se apresentar de várias formas e propriedades físico-químicas e toxicológicas totalmente diferentes entre si. Do ponto de vista ocupacional, a forma mais importante é a metálica, e os compostos inorgânicos, têm menor relevância ocupacional, por sua menor toxicidade, pouca absorção e por não causar a doença de Minamata. Em relação à exposição por mercúrio, assinale a alternativa INCORRETA.
  • A) É clássica a citação de que os fabricantes de chapéus de feltro, expostos ao mercúrio, utilizado no processo de feltração, desenvolviam tremores conhecidos como a "loucura dos chapeleiros".
  • B) O Mercúrio Metálico é volátil e seus vapores são absorvidos através da pele e pulmões, sendo esta última a via de maior importância.
  • C) O Cloreto Mercuroso ou Calomelano, foi utilizado no passado como laxante e desinfetante.
  • D) A terapia Quelante para Mercúrio não deve ser indicada nas exposições agudas.
  • E) A exposição aguda a concentrações elevadas de Mercúrio metálico, é extremamente lesiva aos pulmões.
Gabarito Comentado
Alternativa D: INCORRETA. As intoxicações agudas por mercúrio metálico ou seus vapores requerem tratamento adequado, incluindo terapia quelante (como dimercaprol ou DMSA) quando indicada. Portanto, a afirmação de que a terapia não deve ser utilizada em exposições agudas é incorreta. A terapia quelante é uma intervenção crucial para reduzir a carga de mercúrio no corpo e mitigar seus efeitos tóxicos.
  • Alternativa A: CORRETA – A "loucura dos chapeleiros" é uma manifestação clássica da intoxicação crônica por mercúrio, frequentemente observada em trabalhadores que usavam mercúrio na produção de feltro.
  • Alternativa B: CORRETA – O mercúrio metálico é volátil, e a inalação de seus vapores é a via de absorção mais significativa e perigosa em exposições ocupacionais, embora também possa haver alguma absorção dérmica.
  • Alternativa C: CORRETA – O calomelano (cloreto mercuroso) foi historicamente empregado como laxante e desinfetante devido às suas propriedades, embora seu uso tenha sido descontinuado por toxicidade.
  • Alternativa E: CORRETA – A exposição aguda a altas concentrações de vapores de mercúrio metálico pode causar danos pulmonares graves, incluindo pneumonite química e edema pulmonar agudo.

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ANAMT 2022 - Pergunta de Prova
Paciente com antecedente de exercer atividades laborais por aproximadamente 6 anos em montagem e manutenção de aparelhos de pressão (e lâmpadas), alguns meses após a demissão apresentou queixas de tontura, alteração de memória, tensão, irritabilidade, tremores, insônia (dorme cerca de 3 horas/dia), cansaço, salivação, sangramento gengival, diminuição de acuidade visual, cefaleia e dificuldade nos estudos para concluir um curso técnico. Considerando a ocupação e os sintomas do paciente:
  • A) Os antecedentes ocupacionais devem ser interrogados para investigar a possibilidade de saturnismo.
  • B) A intoxicação por mercúrio deve ser investigada e a realização de testes neuropsicológicos é um instrumento importante para avaliação do paciente.
  • C) Devem ser pesquisadas causas não ocupacionais para estas alterações, pois o paciente começou a ter sintomas após sua demissão.
  • D) A dosagem de mercúrio urinário dentro dos limites da normalidade exclui a possibilidade de intoxicação por mercúrio.
  • E) Os antecedentes ocupacionais devem ser interrogados para investigar a possibilidade de intoxicação por manganês.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. O caso descrito é clássico de mercurialismo crônico em trabalhador exposto na indústria de lâmpadas e aparelhos de pressão. Os sintomas neuropsicológicos (irritabilidade, insônia, alterações de memória), associados a tremores, gengivite e cefaleia, indicam intoxicação por mercúrio. A realização de testes neuropsicológicos auxilia na avaliação do dano funcional.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Saturnismo é causado por chumbo e não corresponde ao quadro descrito.
  • Alternativa C: INCORRETA. Embora a manifestação tenha ocorrido após a demissão, a exposição prolongada anterior é suficiente para explicar os sintomas.
  • Alternativa D: INCORRETA. A dosagem de mercúrio urinário pode não refletir exposições passadas, não excluindo intoxicação crônica.
  • Alternativa E: INCORRETA. O manganês pode causar parkinsonismo, mas o quadro descrito é típico de mercúrio.

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Intoxicação por Metais Tóxicos
Este cartão oferece uma abordagem mais aprofundada e contextualizada aos riscos ocupacionais e às diversas manifestações clínicas associadas à exposição a metais tóxicos específicos, como Cromo, Cádmio, Alumínio, Arsênico e Berílio. Compreender os perigos inerentes a estas substâncias é de suma importância para a prevenção, diagnóstico precoce e manejo eficaz de doenças relacionadas ao ambiente de trabalho e à saúde pública em geral.

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Metais Tóxicos em Saúde Ocupacional
Uma visão prática e comparativa sobre como a forma química e a via de exposição dos metais tóxicos (Al, As, Be, Cd, Cr⁶⁺) determinam sua toxicocinética e quadros clínicos, focando em achados importantes para a prevenção e avaliações de prova.
Conceitos-Base de Toxicocinética
A forma química (sais, óxidos, solúveis/lipofílicos) e o tamanho da partícula são cruciais para a absorção e biodisponibilidade. A via respiratória é dominante para aerossóis e fumos. Muitos são excretados via urina, mas com meias-vidas teciduais longas.
Alumínio (Al)
Principalmente por diálise com água contaminada, causando encefalopatia dialítica (neurotoxicidade central). Excreção urinária predomina; insuficiência renal aumenta retenção. Foco em monitoramento da água em serviços de diálise.
Arsênico (As) - Crônico
A pele atua como "alarme" com hiper/hipopigmentação e ceratoses palmo-plantares. É multissistêmico (neuropatia, CV) e carcinogênico. Vigilância com história ocupacional, exame de pele e biomarcadores.
Berílio (Be)
Inalação de poeiras/fumos. Pode causar pneumonite química aguda ou doença de hipersensibilidade crônica (beriliose), com formação de granulomas. Prevenção por contenção, exaustão e vigilância respiratória.
Cádmio (Cd)
Inalação intensa aguda causa pneumonite química (pulmões, não rins!). Exposição crônica leva a nefropatia túbulo-intersticial e osteopatia. Setores como fundição e baterias são críticos; controle de poeiras é essencial.
Cromo Hexavalente (Cr⁶⁺)
Tríade clássica: úlcera dérmica, perfuração de septo nasal e câncer de pulmão (exposição crônica). Presente em galvanoplastia, solda de ligas Cr. Controle na fonte (substituição, enclausuramento) e proteção respiratória são prioritários.

ATENÇÃO: Cádmio Agudo = Pulmão! O dano renal é causado pela exposição crônica. E a tríade do Cromo VI é: úlcera dérmica, septo perfurado e câncer de pulmão.
Para Fixar:
Qual é o principal efeito agudo do cádmio por inalação?
Resposta: Pneumonite química/irritação respiratória grave, não dano renal (este é crônico).

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Questão Teórica
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Intoxicação Ocupacional
Assunto: Intoxicação por Metais Tóxicos (Cromo)
A Toxicologia Ocupacional é eminentemente preventiva, sendo-lhe fundamental a correta avaliação do risco a que o trabalhador está exposto. A toxicidade de uma substância química refere-se à sua capacidade de causar dano em um órgão determinado, alterar os processos bioquímicos ou alterar um sistema enzimático. Em um setor de uma indústria de produção de aço inoxidável, dois trabalhadores procuraram o Médico do Trabalho, com queixa de sangramentos nasal. Na rinoscopia anterior, o médico observa lesão em septo nasal. Os trabalhadores foram encaminhados ao especialista para a conduta específica. Diante do exposto, e considerando a ocupação do trabalhador, dentre outras hipóteses, é possível suspeitar de exposição a qual substância química no ambiente de trabalho? Assinale a alternativa CORRETA:
A) Chumbo.
B) Níquel.
C) Molibdênio.
D) Cromo.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a letra LETRA D.
  • Lesão ulcerativa/erosiva em septo nasal com epistaxe em trabalhadores de aço inoxidável é clássica de exposição a cromo, especialmente cromo hexavalente (Cr VI), agente cáustico para mucosas, associado a rinite ulcerativa e perfuração de septo.
Referência: Buschinelli JTP. Toxicologia Ocupacional. Fundacentro, 2020.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Chumbo inorgânico cursa com anemia, dor abdominal, neuropatia e nefropatia; não é típico de ulceração/perfuração septal (Buschinelli, 2020).
  • Assertiva B: ERRADA. Níquel relaciona-se mais a dermatite de contato e asma/rinite alérgica; não é o agente clássico de ulceração septal (Buschinelli, 2020).
  • Assertiva C: ERRADA. Molibdênio pode causar irritação respiratória inespecífica; não há vínculo clássico com lesão ulcerativa de septo (Buschinelli, 2020).
  • Assertiva D: CORRETA (GABARITO). Cr(VI) é irritante/corrosivo de mucosas nasais, podendo levar a rinite ulcerativa e perfuração de septo em expostos, como em processos com aço inox (soldagem, cromagem) (Buschinelli, 2020).

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Questão Teórica
Módulo: Higiene e Toxicologia Ocupacional
Disciplina: Intoxicação Ocupacional
Assunto: Intoxicação por Metais Tóxicos (Cromo)
O sistema respiratório é um sitio importante de lesão oriunda das exposições ocupacionais. Materiais potencialmente tóxicos presentes no ambiente ocupacional representam um risco para as vias respiratórias e parênquima pulmonar. Analise as afirmativas abaixo.
I. A doença crônica do berílio é um distúrbio inflamatório granulomatoso que é muito semelhante à sarcoidose, com diversos graus de fibrose intersticial.
II. A inalação de concentrações relativamente altas de fumos de cádmio, cromo ou níquel ou de fumo de mercúrio pode causar Pneumonite Tóxica.
III. A mácula do carvão da Pneumoconiose dos trabalhadores do carvão aparece e se desenvolve quando a doença se encontra na fase fibrótica progressiva ou complicada.
IV. Os sinais e sintomas persistentes da Rinite, após uma única exposição de alto nível à substância irritante, têm sido chamados de Síndrome de Disfunção Reativa das vias respiratórias superiores.
V. A diferenciação entre os processos restritivo e obstrutivo geralmente requer a avaliação de volumes pulmonares estáticos. Razão entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e a capacidade vital (relação VEF1/CV) é importante para o diagnóstico de um distúrbio restritivo.
Estão INCORRETAS as alternativas:
A) II e V.
B) III e V.
C) II e IV.
D) I e V.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
  • III - INCORRETA: A mácula do carvão é achado da pneumoconiose simples; na fase fibrótica progressiva/complicada predomina fibrose maciça progressiva com opacidades grandes, não “máculas”.
  • V INCORRETA: Diferenciar restrição x obstrução requer volumes estáticos (TLC); a relação VEF1/CV serve para obstrução (reduzida), não para confirmar restrição (onde costuma estar normal/aumentada).
Outras Alternativas
A, C e D VERDADEIRAS

I - VERDADEIRA: Doença crônica do berílio é granulomatosa tipo sarcoidose, com fibrose intersticial variável.
II - VERDADEIRA: Fumaças/vapores de cádmio, cromo, níquel e mercúrio podem causar pneumonite tóxica.
IV - VERDADEIRA: Verdadeira: quadro pós-exposição única irritante pode ser denominado Síndrome de Disfunção Reativa das VAS superiores (análoga ao RADS).
Referências: Santos, U.P. Pneumologia Ocupacional (Atheneu, 2013); Torloni, M.; Vieira, A.V. Manual de Proteção Respiratória (2ª ed., 2019); diretrizes ATS/ERS de espirometria (suporte para VEF1/CV e TLC).

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ANAMT 2024 - Pergunta de Prova
Na natureza, a maioria dos metais é encontrada na forma iônica (sais e óxidos), normalmente aparecendo como compostos pouco solúveis e por isso pouco biodisponíveis. As formas metálicas são obtidas nos processos metalúrgicos. Em forma metálica, os metais podem ser utilizados puros ou em ligas metálicas, sendo estas constituídas de dois ou mais elementos e com características diferentes dos elementos formadores. Em relação aos metais, assinale a alternativa INCORRETA:
  • A) Somente cerca de 2% do Alumínio absorvido permanecem no organismo e mais 95% são eliminados através da urina, o que explica a grande susceptibilidade à toxicidade sistêmica do metal pelos indivíduos que possuem insuficiência renal.
  • B) A neurotoxicidade central do Alumínio é clara quando grandes concentrações do metal em forma iônica livre atingem o cérebro. A mais clássica é a encefalopatia dialítica, que resulta do uso de água de diálise contaminada com grandes concentrações de alumínio (>200 µg/L).
  • C) A intoxicação crônica pelo Arsênico, atinge múltiplos órgãos e sistemas e seus sinais mais precoces aparecem na pele. Entre seis meses e três anos de exposição, pode aparecer hiper e hipopigmentação difusa ou em forma de manchas.
  • D) Os compostos de Berílio praticamente não são absorvidos pelo trato gastrointestinal, sendo a principal via de absorção a respiratória por meio de fumos e poeiras, que têm sua absorção e deposição em função do tamanho das partículas e da solubilidade do composto.
  • E) O efeito agudo mais importante do Cádmio, é o dano renal, causado por exposição extremamente elevada a poeiras contendo o metal, por ocasião de moagem e empacotamento de compostos inorgânicos do metal.
Gabarito Comentado
Alternativa E: INCORRETA. O principal efeito agudo do cádmio não é o dano renal, mas sim a irritação respiratória grave e a pneumonite química, enquanto o dano renal é um efeito subcrônico ou crônico. O texto da alternativa confunde o tempo de exposição e o tipo de toxicidade.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA. A taxa de excreção renal do alumínio é alta, e a retenção é maior em indivíduos com insuficiência renal, justificando sua toxicidade aumentada.
  • Alternativa B: CORRETA. A encefalopatia dialítica causada por alumínio é bem documentada e relacionada ao uso de água de diálise contaminada.
  • Alternativa C: CORRETA. Os sinais cutâneos são característicos e precoces na exposição crônica ao arsênico.
  • Alternativa D: CORRETA. A principal via de absorção do berílio é respiratória, e sua toxicocinética depende do tamanho das partículas inaladas.

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ANAMT 2014 - Pergunta de Prova
A exposição ocupacional a névoas de ácido crômico pode causar:
  • A) Perfuração de septo nasal, Câncer de Bexiga e Linhas de Burton
  • B) Encefalopatia, Cólicas Abdominais e Anemia
  • C) Úlceras Dérmicas, Perfuração de Septo Nasal e Câncer de Pulmão
  • D) Colite Ulcerativa, Encefalopatia e Perfuração de Septo Nasal
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. O cromo hexavalente é altamente tóxico e está relacionado a lesões de mucosa nasal com perfuração de septo, úlceras cutâneas (dermatite ulcerada crômica) e câncer de pulmão em exposições crônicas. Essa tríade é típica da exposição ocupacional ao cromo.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Perfuração de septo nasal é compatível, mas câncer de bexiga e linha de Burton são associados ao chumbo, não ao cromo.
  • Alternativa B: INCORRETA. Esses achados são compatíveis com intoxicação por chumbo, não com cromo.
  • Alternativa D: INCORRETA. Colite ulcerativa e encefalopatia não são características da exposição ao cromo.

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ANAMT 2012 - Pergunta de Prova
Empregado em uma metalúrgica, apresentando quadro agudo de tosse, escarro hemoptóico, dor retroesternal, fadiga e dispneia progressiva acompanhada de cianose. Apresenta ainda rinite, faringite e dermatite de contato alérgica. Após a solicitação de RX de tórax, observa-se infiltração miliar difusa. Pode-se pensar no diagnóstico de:
  • A) Intoxicação por manganês
  • B) Intoxicação por cromo
  • C) Intoxicação por berílio
  • D) Intoxicação por cádmio
  • E) Intoxicação por chumbo
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. O berílio pode causar beriliose aguda, caracterizada por quadro de pneumonite química com tosse, dispneia, hemoptise e infiltrado miliar difuso no RX. Frequentemente, é associado a manifestações de hipersensibilidade cutânea e de vias aéreas superiores, como rinite, faringite e dermatite de contato alérgica, conforme o caso descrito.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. O manganês causa quadro neurológico crônico (parkinsonismo), não um quadro respiratório agudo com as características apresentadas.
  • Alternativa B: INCORRETA. O cromo está associado a câncer de pulmão e irritação nasal, mas não a uma infiltração miliar aguda difusa como no RX do paciente.
  • Alternativa D: INCORRETA. A intoxicação por cádmio cursa primariamente com doença renal e osteopatia, não com um infiltrado pulmonar agudo.
  • Alternativa E: INCORRETA. O chumbo causa anemia, encefalopatia e neuropatia periférica, não um quadro pulmonar difuso agudo.

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Intoxicação por Manganês
A intoxicação por manganês, ou manganismo, é uma condição relevante na Medicina do Trabalho, caracterizada principalmente por seus impactos neurológicos. Essencial em pequenas quantidades, o manganês é tóxico em excesso e tem vastas aplicações industriais, incluindo ligas metálicas, aditivos, baterias, cerâmicas e fertilizantes.
A principal via de exposição ocupacional é a inalação de fumos e poeiras de manganês. Trabalhadores de soldagem, mineração, fabricação de baterias, fundições e indústrias químicas estão particularmente em risco. A absorção pulmonar permite que o metal atinja a corrente sanguínea e se acumule nos gânglios da base do cérebro.
O manganismo manifesta-se como uma síndrome parkinsoniana, com sintomas como tremores, bradicinesia, rigidez muscular, distúrbios da marcha e postura, além de alterações neuropsiquiátricas. Diferencia-se do Parkinson idiopático pela falta de resposta à levodopa e pelo padrão de lesão cerebral.
A prevenção e o reconhecimento precoce são cruciais, pois lesões neurológicas avançadas podem ser irreversíveis. Desafios incluem a dificuldade em estabelecer biomarcadores de exposição e a implementação de medidas rigorosas de controle de engenharia para proteger a saúde dos trabalhadores.

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Intoxicação por Manganês (Mn) em Saúde Ocupacional
A intoxicação por manganês (Mn), ou manganismo, é um desafio na saúde ocupacional. Essencial em pequenas doses, o Mn é neurotóxico em exposição excessiva. A exposição ocorre principalmente por inalação de fumos e poeiras em ambientes como soldagem, mineração, produção de baterias e fundições.
O Mn acumula-se nos gânglios da base cerebral, causando uma síndrome parkinsoniana com distúrbios motores, comportamentais e cognitivos. Diferente da Doença de Parkinson idiopática, o manganismo responde mal à levodopa. Biomarcadores atuais (Mn-S e Mn-U) são limitados na correlação com a exposição acumulada e carga no SNC. A detecção precoce e o afastamento são cruciais, pois os danos neurológicos podem ser irreversíveis. A neuroimagem (RM) auxilia no diagnóstico, mostrando hiperintensidade nos gânglios da base. O manejo foca em vigilância, controle ambiental e acompanhamento neurológico.
Aspectos Chave da Intoxicação por Manganês
Fontes de Risco
  • Soldagem (eletrodos)
  • Mineração e processamento
  • Produção de baterias
  • Indústria siderúrgica/fundições
  • Fabricação de ligas metálicas
  • Via principal: inalação
Quadro Clínico
  • Fase inicial: astenia, apatia, sono
  • Fase intermediária: tremores, rigidez, bradicinesia
  • Fase avançada: distúrbios da marcha ("passo de bailarina"), distonia, disartria, instabilidade postural
  • Alterações cognitivas e psiquiátricas
Monitoramento
  • Biomarcadores (Mn-S, Mn-U): baixa correlação com exposição acumulada e carga SNC.
  • Não refletem carga tóxica no SNC
  • Neuroimagem (RM): hiperintensidade em T1 nos gânglios da base.
  • Avaliação neurológica clínica é fundamental.
Diferenças do Parkinson
  • Início mais precoce, progressão rápida
  • Responde mal à levodopa
  • Menos tremor de repouso
  • Rigidez axial e distonia predominam
  • Marcha "passo de bailarina" típica
  • Acúmulo de Mn no globo pálido.
Aplicar Controles e Condutas
1
Prevenção
  • Controle na fonte (ventilação, processos úmidos)
  • Afastamento imediato da exposição
  • Substituição de processos
  • EPI adequado (respiradores)
2
Manejo
  • Vigilância médica e avaliação neurológica
  • Tratamento sintomático
  • Quelação (eficácia limitada)
  • Neuroimagem para avaliação/acompanhamento
  • Reabilitação neurológica
  • Notificação de doença ocupacional

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ANAMT 2023 - Pergunta de Prova
Em relação aos metais pesados pode-se afirmar que:
  • A) O “passo de bailarina” é característico do manganismo.
  • B) O chumbo é um dos poucos metais pesados que não causa transtorno mental.
  • C) O hidrargirismo é a intoxicação pelo chumbo.
  • D) A síndrome de Korsakoff é característica da intoxicação pelo mercúrio.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. O “passo de bailarina” é uma alteração motora típica do manganismo, intoxicação crônica por manganês, caracterizada por uma marcha peculiar com dificuldade em levantar os pés, semelhante a passos de dança. O manganês causa sintomas parkinsonianos devido à neurotoxicidade, afetando principalmente os gânglios da base.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. O chumbo é um neurotóxico conhecido que pode causar encefalopatia, alterações de humor e redução do QI, ou seja, causa transtornos mentais.
  • Alternativa C: INCORRETA. O termo hidrargirismo refere-se à intoxicação por mercúrio, que se manifesta com tremores, eretismo e problemas renais, e não por chumbo.
  • Alternativa D: INCORRETA. A síndrome de Korsakoff está associada ao alcoolismo crônico e à deficiência de tiamina (vitamina B1), com sintomas como amnésia e confabulação, e não à intoxicação por mercúrio.

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ANAMT 2020 - Pergunta de Prova
Assinale a alternativa incorreta:
  • A) Os parâmetros biológicos mais utilizados no controle da exposição ao manganês são a manganemia e a manganúria.
  • B) O monitoramento do manganês no sangue e na urina auxilia na confirmação da exposição recente ao metal.
  • C) Amostras de sangue ou urina de pessoas com sinais e sintomas de intoxicação por manganês normalmente não revelam altos níveis de manganês.
  • D) A dosagem do manganês em meio biológico pode ser utilizada como um bom biomarcador de exposição.
Gabarito Comentado
Alternativa D: INCORRETA. A intoxicação por manganês (manganismo) apresenta grande dificuldade diagnóstica, pois os níveis biológicos de manganês (sangue e urina) não refletem bem a exposição acumulada ou o risco de neurotoxicidade. Portanto, a dosagem de manganês não é considerada um bom biomarcador de exposição crônica, o que torna a alternativa D a incorreta.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA. A manganemia e a manganúria são parâmetros utilizados, ainda que limitados, no monitoramento da exposição.
  • Alternativa B: CORRETA. O monitoramento pode ajudar a identificar exposição recente, mas não avalia bem a carga corporal total.
  • Alternativa C: CORRETA. Frequentemente, os sintomas de manganismo aparecem sem que haja níveis elevados de manganês nos exames biológicos, o que reforça a dificuldade diagnóstica.

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Intoxicação por Metanol
A intoxicação por metanol (álcool metílico) representa um desafio significativo tanto na medicina ocupacional quanto na saúde pública brasileira. No contexto ocupacional, trabalhadores de indústrias químicas, petroquímicas, fabricação de solventes, produção de biodiesel, laboratórios e setores de limpeza industrial estão particularmente expostos a esse agente tóxico através da inalação de vapores ou contato dérmico.
O metanol é amplamente utilizado como solvente industrial, matéria-prima para síntese química, combustível e agente de limpeza. Sua toxicidade decorre principalmente da metabolização hepática pela álcool desidrogenase, gerando metabólitos altamente tóxicos: formaldeído e ácido fórmico. Estes metabólitos são responsáveis pela acidose metabólica grave e pela toxicidade ocular característica, que pode levar à cegueira irreversível.
Recentemente, o Brasil enfrentou tragédias relacionadas ao metanol que evidenciam a importância do conhecimento sobre esta intoxicação. Em 2024, ocorreram surtos de intoxicação em massa no Ceará e em São Paulo, com dezenas de vítimas fatais após consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. Embora esses casos não sejam ocupacionais, eles destacam a gravidade da exposição ao metanol e a necessidade de vigilância rigorosa.
No ambiente de trabalho, a exposição pode ocorrer de forma aguda (acidentes, vazamentos) ou crônica (exposição repetida a baixas concentrações). O médico do trabalho deve estar atento aos riscos ocupacionais, implementar medidas de controle adequadas conforme a hierarquia de controles, garantir o uso correto de EPIs (especialmente proteção respiratória e luvas impermeáveis), realizar monitoramento ambiental e biológico quando indicado, e estar preparado para reconhecer precocemente os sinais e sintomas de intoxicação.
Prevenção Primária
Através da substituição por solventes menos tóxicos quando possível, controles de engenharia eficazes e treinamento adequado dos trabalhadores, é fundamental.
Reconhecimento e Tratamento
O reconhecimento precoce e o tratamento imediato com antídotos específicos (etanol ou fomepizol) podem salvar vidas e prevenir sequelas graves, especialmente a cegueira.

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Metanol (Álcool Metílico) em Toxicologia Ocupacional
Guia didático para a prova da ANAMT sobre os aspectos cruciais da intoxicação por metanol no ambiente de trabalho.
Toxicocinética do Metanol: Da Absorção aos Efeitos Tóxicos
Absorção Rápida
Por vias inalatória, dérmica e oral. Facilmente distribuído pelo corpo, atravessando a barreira hematoencefálica.
Metabolização Hepática
No fígado, metanol é oxidado pela Álcool Desidrogenase (ADH) a formaldeído.
Formação do Ácido Fórmico
Formaldeído é oxidado pela Aldeído Desidrogenase a ácido fórmico.
Toxidade Ocular e Acidose
Ácido fórmico é o metabólito principal responsável pela acidose metabólica grave e toxicidade ocular (cegueira).
Eliminação e Meia-Vida
Metanol não metabolizado é excretado via renal/pulmonar. Meia-vida: 12-20h (prolongada com tratamento).
Quadro Clínico da Intoxicação:
1
Período de Latência
12 a 24 horas pós-exposição. Crucial para diagnóstico diferencial.
2
Fase Inicial (Inespecífica)
Cefaleia, náuseas, vômitos, tontura, embriaguez leve. Frequentemente subestimada.
3
Fase Tardia (Acúmulo de Metabólitos)
Acidose Metabólica Grave: Anion gap aumentado.
Toxicidade Ocular: Visão turva, fotofobia, escotomas, cegueira permanente.
Neurológicos: Confusão, letargia, convulsões, coma.
Gastrointestinais: Dor abdominal intensa, pancreatite.
Diagnóstico Laboratorial
Metanol sérico:
Níveis >20 mg/dL indicam intoxicação.
Gasometria arterial:
Acidose metabólica (pH <7.3, Bicarbonato baixo).
Ânion gap:
Aumentado (>16 mEq/L).
Osmolalidade sérica:
Aumentada (gap osmolar >10 mOsm/kg).
Lactato:
Elevado por hipoperfusão.
Exame oftalmológico:
Edema de papila, hiperemia do disco óptico.
Prevenção no Ambiente Ocupacional
Substituição
Priorizar solventes menos tóxicos quando viável.
Controles de Engenharia
Ventilação local exaustora eficaz, sistemas fechados.
EPIs
Respiradores (filtros orgânicos), luvas impermeáveis (nitrílica/butílica).
Treinamento
Sobre riscos, prevenção e primeiros socorros.
Monitoramento
Ambiental (concentrações no ar) e biológico (se indicado).
Rotulagem e Armazenamento
Adequada de recipientes, armazenamento seguro.
Restrições
Proibição de consumo de alimentos/fumo em áreas de risco.
Vigilância em Saúde do Trabalhador
Aspectos Chave
  • Exames periódicos: Avaliação oftalmológica, monitoramento renal e hepático.
  • Investigação de casos: Anamnese ocupacional detalhada em suspeitas.
Ações Essenciais
  • Notificação compulsória: Todas as intoxicações ocupacionais por metanol.
  • Análise de acidentes: Para implementar medidas corretivas.

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ANAMT 2014 - Pergunta de Prova
O médico do trabalho atende um caso de exposição respiratória aguda a grande volume e concentração de Metanol. No monitoramento de efeitos é obrigatória a investigação clínica ou laboratorial de:
  • A) Comprometimento neurológico de pares cranianos (IIº e VIIº)
  • B) Comprometimento de função e excreção hepática
  • C) Teste seriado de tempo de sangramento ou de coagulação
  • D) Investigação de acidose metabólica por aldeídos
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. O metanol, após metabolização hepática, forma formaldeído e ácido fórmico, que causam acidose metabólica grave e toxicidade ocular. O monitoramento clínico e laboratorial deve priorizar a investigação da acidose metabólica, que é o principal risco agudo e potencialmente fatal.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. O comprometimento neurológico de pares cranianos (IIº e VIIº) pode ocorrer, especialmente o nervo óptico (IIº) causando cegueira, mas a investigação da acidose metabólica é a prioridade no monitoramento agudo devido ao risco de vida.
  • Alternativa B: INCORRETA. Embora o fígado metabolize o metanol, o dano agudo crítico e imediato não é hepático, mas sim metabólico (acidose) e ocular.
  • Alternativa C: INCORRETA. Alterações de coagulação não são manifestações típicas ou prioritárias no monitoramento agudo da intoxicação por metanol.

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ANAMT 2012 - Pergunta de Prova
Emprega-se como antídoto para a ingestão acidental de Álcool Metílico (METANOL):
  • A) Álcool etílico
  • B) Agentes quelantes
  • C) Agentes metahemoglobinizantes por via inalatória
  • D) Agentes metahemoglobinizantes por via venosa
  • E) Alfa-mercapto-purinol sódico
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. O etanol atua como antídoto competitivo do metanol, pois ocupa a enzima álcool desidrogenase, impedindo a metabolização do metanol em formaldeído e ácido fórmico, responsáveis pela toxicidade ocular e sistêmica. (Referências: Barceloux DG et al., 2002; Brent J., 2017.)
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. Agentes quelantes são usados para intoxicações por metais pesados.
  • Alternativa C: INCORRETA. Agentes metahemoglobinizantes (via inalatória ou venosa) não são indicados para intoxicação por metanol.
  • Alternativa D: INCORRETA. Conforme a alternativa C.
  • Alternativa E: INCORRETA. Alfa-mercapto-purinol sódico não é antídoto para metanol.

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Intoxicação por Cianeto
Guia essencial sobre intoxicação por cianeto na medicina do trabalho, focado em preparação para ANAMT e Higiene/Toxicologia Ocupacional.
Exposição Ocupacional ao Cianeto
Cianeto é um potente tóxico. A exposição ocupacional ocorre em indústrias como:
  • Galvanoplastia
  • Extração de ouro e prata
  • Fumigação
  • Fabricação de plásticos e borracha
  • Laboratórios químicos
  • Produção fotográfica
Mecanismo de Ação
  • O cianeto liga-se à citocromo c oxidase (citocromo a3) na cadeia respiratória mitocondrial.
  • Essa ligação inibe a enzima, bloqueando a respiração celular (hipóxia citotóxica/histotóxica).
  • As células não utilizam oxigênio, apesar dos níveis sanguíneos normais.
  • Interrompe a produção de ATP, causando falência energética celular e disfunção de múltiplos órgãos.
Quadro Clínico
Sintomas de intoxicação aguda por cianeto são rápidos e graves:
  • Fase inicial: Dor de cabeça, tontura, confusão mental, náuseas, vômitos, taquipneia.
  • Fase grave: Convulsões, perda de consciência, coma, arritmias, parada respiratória e cardíaca.
  • Sinal clássico: Odor de amêndoas amargas (nem todos detectam).
  • Coloração da pele: Vermelho-cereja (sangue venoso oxigenado, não consumido pelas células).
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico e baseado em:
  • Histórico de exposição ao cianeto.
  • Progressão rápida dos sintomas.
  • Saturação de oxigênio venoso elevada.
  • Acidose lática.
  • Níveis sanguíneos de cianeto (não atrasar tratamento).
Tratamento de Emergência
  1. Remoção da exposição: Afastar vítima da fonte e garantir segurança do socorrista.
  1. Oxigenoterapia: Oxigênio a 100%.
  1. Antídotos específicos:
  • Hidroxocobalamina (Vitamina B12a): Primeira escolha. Liga-se ao cianeto formando cianocobalamina (não tóxico), excretada.
  • Tiosulfato de sódio: Doa enxofre para rodanase, convertendo cianeto em tiocianato (menos tóxico), excretado.
  • Nitrito de sódio (uso restrito): Induz metahemoglobina que se liga ao cianeto, mas com risco de metahemoglobinemia.
  1. Medidas de suporte: Manutenção de vias aéreas, ventilação e circulação.
Prevenção
A prevenção é crucial:
  • Ventilação adequada: Sistemas de exaustão em áreas de risco.
  • Equipamento de Proteção Individual (EPI): Respiradores em áreas de alta concentração.
  • Protocolos de emergência: Planos de ação claros e antídotos no local.
  • Treinamento: Capacitação dos trabalhadores sobre riscos, sintomas e emergências.
  • Evitar misturas perigosas: Nunca misturar cianeto com ácidos (libera gás cianídrico - HCN).
ANAMT 2022
Com relação às intoxicações por agentes asfixiantes, assinale a alternativa INCORRETA:
  • A) A vitamina B12 pode ser usada como antídoto na intoxicação por cianeto, pois forma um complexo químico estável com o íon CN-, formando a cianocobalamina que é eliminada pela urina devido à sua alta hidrossolubilidade.
  • B) A inalação de cianeto produz sintomas em poucos segundos e pode levar à morte por parada respiratória em poucos minutos.
  • C) Os primeiros sinais e sintomas de casos leves por qualquer via de exposição por cianeto incluem cefaleia, náusea, vertigem, tonturas e ansiedade, seguida por confusão, sonolência, taquicardia, palpitações, estado mental alterado, taquipneia e hipertensão arterial.
  • D) A cianose é muitas vezes um sinal tardio nestes casos e pode não ocorrer, mesmo em pacientes com colapso cardiovascular.
Gabarito Comentado
Alternativa D: INCORRETA. A cianose pode de fato não ser proeminente devido à rápida evolução da intoxicação por cianeto (pelo efeito no transporte de oxigênio a nível celular, e não na oxigenação do sangue), mas a descrição de que é "muitas vezes um sinal tardio" ou "pode não ocorrer" induz a erro ao não contextualizar a fisiopatologia. Em muitos casos graves, a pele pode até apresentar coloração rósea (cherry-red skin) devido à hemoglobina oxigenada que não é utilizada pelos tecidos. (Referências: Hall AH, Rumack BH. Clinical toxicology of cyanide. Ann Emerg Med. 1986; Nelson LS et al. Goldfrank’s Toxicologic Emergencies. 11th ed. 2019.)
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA – A hidroxocobalamina (vitamina B12) é um dos antídotos recomendados para intoxicação por cianeto. Ela se liga diretamente ao cianeto para formar cianocobalamina, que é atóxica e eliminada pela urina.
  • Alternativa B: CORRETA – O cianeto inalado é rapidamente absorvido e pode causar sintomas severos em segundos, levando à morte por falência respiratória em poucos minutos devido à inibição da citocromo oxidase e bloqueio da respiração celular.
  • Alternativa C: CORRETA – A descrição clínica apresenta os sinais e sintomas iniciais clássicos de intoxicação por cianeto, que afetam primariamente o sistema nervoso central e o sistema cardiovascular.

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ANAMT 2010 - Pergunta de Prova
O encarregado de uma galvanoplastia de cromo decorativo pede ao ajudante que faça uma recarga de cianeto no tanque com solução de cobre alcalino. Como nesta empresa os tanques não têm identificação, o ajudante equivoca-se e adiciona o cianeto em outro tanque, gerando um gás muito tóxico e provocando um acidente de graves proporções. Indique qual foi o gás gerado e como ele foi produzido:
  • A) Ácido clorídrico, muito irritante, produzindo pela reação do cianeto com a solução ácida;
  • B) Ácido sulfúrico, pois a solução ficou muito concentrada, liberando este gás;
  • C) Ácido cianídrico, pois a solução estava com a temperatura muito elevada;
  • D) Ácido cianídrico, pois o ajudante equivocadamente colocou o cianeto muito rápido, não dando tempo para o produto ser diluído na solução alcalina;
  • E) Ácido cianídrico, pois o ajudante equivocadamente colocou o cianeto no tanque com solução ácida, incompatível com o cianeto.
Gabarito Comentado
Alternativa E: CORRETA. O acidente descrito é característico da liberação de ácido cianídrico (HCN), um gás extremamente tóxico. Ele é produzido quando sais de cianeto (como o cianeto adicionado) entram em contato com uma solução ácida, gerando uma reação química que libera o HCN. Este gás causa hipoxia tecidual por inibição da citocromo oxidase mitocondrial, podendo levar rapidamente à morte.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. O ácido clorídrico não é o gás liberado nesta reação específica.
  • Alternativa B: INCORRETA. O ácido sulfúrico não é o produto da reação entre cianeto e uma solução ácida.
  • Alternativa C: INCORRETA. Embora a temperatura possa influenciar, o mecanismo principal para a liberação de HCN é a reação com a acidez da solução, não a temperatura elevada por si só.
  • Alternativa D: INCORRETA. A velocidade de adição do cianeto não é o fator determinante para a liberação do HCN; a incompatibilidade química entre o cianeto e a solução ácida é a causa raiz.

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Intoxicação por Benzeno
O benzeno é um solvente orgânico amplamente utilizado na indústria, representando um sério risco à saúde ocupacional devido à sua alta toxicidade. É classificado como carcinógeno humano e mutagênico, sendo uma preocupação fundamental na medicina do trabalho.
As principais fontes de exposição profissional incluem a indústria petroquímica, produção de coque, fabricação de produtos químicos, laboratórios e postos de combustíveis. Trabalhadores desses setores estão sob constante vigilância para prevenir a intoxicação.
A exposição ocorre primariamente por inalação de vapores, mas também pode haver absorção dérmica significativa. Sua toxicidade se manifesta de forma aguda, com efeitos imediatos, ou crônica, desenvolvendo-se após longos períodos de exposição contínua.
O sistema hematopoiético é o principal alvo do benzeno. A exposição aguda pode causar efeitos no sistema nervoso central, como tontura, cefaleia e náuseas. Já a exposição crônica leva à depressão da medula óssea, resultando em condições como anemia aplástica, leucopenia e, mais gravemente, leucemias, especialmente a mieloide aguda.
O monitoramento biológico é crucial para a detecção precoce dos efeitos da exposição. Medidas de prevenção, incluindo controle de engenharia, ventilação adequada e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), são essenciais para proteger os trabalhadores.
No Brasil, a segurança contra o benzeno é rigidamente regulamentada pelas Normas Regulamentadoras (NRs) 07 e 09, que estabelecem os limites de tolerância e a obrigatoriedade de programas específicos de controle e monitoramento, como o PCMSO e o PPRA.

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Benzeno em Saúde Ocupacional
A intoxicação por benzeno representa um risco significativo na saúde ocupacional, com efeitos que variam de agudos e neurológicos a crônicos e devastadores sobre o sistema hematopoiético.
1
Exposição & Toxicocinética
Fontes: Coquerias/siderurgia, refinarias, petroquímica, impressão, combustíveis/solvente.
Via: Principalmente inalatória. Rápida distribuição e biotransformação hepática, com metabólitos reativos que atingem a medula óssea.
2
Quadro Clínico
Agudo (altas concentrações): Euforia, cefaleia, tontura, náuseas, vômitos, ataxia, depressão do SNC e risco de insuficiência respiratória.
Crônico (baixas/moderadas): Hematotoxicidade (anemia, leucopenia, plaquetopenia), podendo evoluir para anemia aplástica e aumentar o risco de leucemias. Neuropatia periférica (desmielinização) também é possível.
3
Vigilância e Diagnóstico
Hemograma seriado para rastrear citopenias. Correlação com histórico ocupacional. Biomarcadores como tt-MA e SPMA são úteis quando disponíveis.
Dica de Prova: "Linha de Burton" é do chumbo, não do benzeno.
4
Prevenção
Hierarquia de Controles: Eliminação/substituição, enclausuramento, exaustão localizada, gestão de emissões. EPIs são último recurso.
Emergências: Remoção imediata da área e suporte respiratório.
Ponto de Atenção
"Citopenia inexplicada em trabalhador de coqueria? Pensar em benzeno."

🔥 ALERTA DE PROVA – ATUALIZAÇÃO ACGIH 2024/2025
O limite (TLV-TWA) do Benzeno foi reduzido de 0,5 ppm para 0,02 ppm (uma redução drástica para prevenir leucemias e mielodisplasias).
  • O limite de curta duração (STEL) foi ELIMINADO.
  • O agente agora possui Notação de Pele (Skin), confirmando a absorção dérmica como via relevante.
ANAMT 2023 - Pergunta de Prova
Um trabalhador de uma Indústria Química foi diagnosticado com Neuropatia Periférica. Alguns Solventes Orgânicos Industriais são associados à esta patologia. Identifique nas alternativas abaixo, a que apresenta associação CORRETA entre o solvente e a neuropatia.
  • A) Os solventes orgânicos associados à Neuropatia Periférica são água e álcool, que causam desidratação dos nervos periféricos.
  • B) Os solventes orgânicos associados à Neuropatia Periférica são acetona e metanol, que causam destruição dos neurônios periféricos.
  • C) Os solventes orgânicos associados à Neuropatia Periférica são benzeno e tolueno, que causam danos à mielina dos nervos periféricos.
  • D) Os principais solventes orgânicos associados à neuropatia periférica são éter e clorofórmio, que causam inflamação dos nervos periféricos.
  • E) Os principais solventes orgânicos associados à neuropatia periférica são gasolina e diesel, que causam danos aos axônios dos nervos periféricos.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. Entre os solventes orgânicos, o benzeno e o tolueno são classicamente associados a neuropatia periférica, principalmente por danos à mielina e disfunção neurotóxica progressiva. Essa associação está bem documentada em toxicologia ocupacional.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Água e álcool não são classificados como principais agentes causadores de neuropatia periférica de origem ocupacional.
  • Alternativa B: INCORRETA. Acetona e metanol estão relacionados a outros efeitos neurotóxicos (como neuropatia óptica no caso do metanol), mas não são os principais responsáveis por neuropatia periférica típica.
  • Alternativa D: INCORRETA. Éter e clorofórmio não são reconhecidos como agentes principais na etiologia de neuropatias ocupacionais em comparação com benzeno e tolueno.
  • Alternativa E: INCORRETA. Gasolina e diesel podem causar diversos riscos químicos, mas não são classicamente associados à neuropatia periférica da mesma forma que benzeno e tolueno.

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ANAMT 2014 - Pergunta de Prova
Um trabalhador procura o serviço médico de uma empresa siderúrgica integrada apresentando os seguintes sinais e sintomas: cefaleia, náuseas, vertigem e tremores. Ele trabalha no setor de coqueria há 2 anos. Solicitado hemograma completo concluiu-se que o paciente apresentava anemia, plaquetopenia e leucopenia com particular diminuição de neutrófilos. Frente ao quadro encontrado e à história ocupacional do paciente, o médico deve suspeitar de intoxicação por:
  • A) Naftaleno
  • B) Pentaclorofenol
  • C) Anidrido sulfuroso
  • D) Benzeno
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. O benzeno é um agente hematotóxico reconhecido. O quadro clínico e hematológico descrito (anemia, plaquetopenia e leucopenia, com neutropenia) associado à exposição em coqueria é altamente sugestivo de intoxicação por benzeno. A exposição crônica ao benzeno pode levar à discrasia sanguínea, incluindo anemia aplástica e leucemias.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. O naftaleno pode causar hemólise em casos de deficiência de G6PD, mas não um quadro de pancitopenia.
  • Alternativa B: INCORRETA. O pentaclorofenol é associado principalmente a efeitos irritantes, neurotóxicos e carcinogênicos, não à toxicidade hematológica evidenciada.
  • Alternativa C: INCORRETA. O anidrido sulfuroso é um irritante respiratório severo, com efeitos no sistema respiratório e ocular, não hematológicos.

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ANAMT 2011 - Pergunta de Prova
Em relação à exposição ao benzeno, está incorreto afirmar:
  • A) A intoxicação aguda acidental, provoca euforia, cefaleia, vômitos, podendo provocar a morte por insuficiência respiratória, se não for retirado o trabalhador da exposição.
  • B) Destaca-se entre os agentes químicos industriais, por exercer seu efeito principal sobre a medula óssea.
  • C) A consequência mais temida é o desenvolvimento de anemia aplástica.
  • D) É fundamental que todos os expostos submetam-se a exames hematológicos regulares.
  • E) Uma linha azul sobre a gengiva pode ocorrer ocasionalmente, devido à exposição a este agente.
Gabarito Comentado
Alternativa E: INCORRETA. O benzeno é um agente hematotóxico conhecido, com efeitos predominantes sobre a medula óssea. A linha azul sobre a gengiva (linha de Burton) é característica da intoxicação por chumbo, não por benzeno, o que torna a alternativa E incorreta.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA. A intoxicação aguda por benzeno pode provocar efeitos neurológicos centrais e respiratórios.
  • Alternativa B: CORRETA. O benzeno é mielotóxico e afeta primariamente a medula óssea.
  • Alternativa C: CORRETA. A anemia aplástica é uma das manifestações mais graves da exposição crônica ao benzeno.
  • Alternativa D: CORRETA. A vigilância hematológica periódica é essencial nos trabalhadores expostos ao benzeno.

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Intoxicação por
Gases Asfixiantes
Na medicina ocupacional, a exposição a gases asfixiantes representa um risco invisível, mas potencialmente fatal. Estes gases são substâncias que podem levar à asfixia, privando o corpo de oxigênio essencial para a vida, e são uma preocupação constante em ambientes industriais e laborais específicos.
A distinção fundamental reside entre gases asfixiantes simples e químicos. Os asfixiantes simples, como o nitrogênio ou metano, agem deslocando o oxigênio do ar ambiente, reduzindo sua concentração a níveis perigosos. Já os asfixiantes químicos, como o monóxido de carbono ou o cianeto, permitem que o oxigênio seja respirado, mas interferem na sua utilização pelo organismo a nível celular, impedindo que as células produzam energia.
Compreender essa diferença é crítico para a segurança no local de trabalho, pois as estratégias de prevenção, monitoramento e resposta a emergências variam significativamente. A avaliação do risco e a implementação de medidas de controle eficazes dependem da identificação correta do tipo de asfixiante.
Trabalhadores em espaços confinados, indústrias químicas, saneamento básico, e processos que envolvem fermentação ou combustão incompleta são frequentemente expostos a cenários onde a presença de gases asfixiantes é uma ameaça constante.

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Gases Asfixiantes: Simples x Químicos
Definições
Asfixiantes Simples
Deslocam o oxigênio (O₂) do ar, causando hipóxia sem lesão tóxica direta ao nível celular. Atuam por redução da pressão parcial de O₂ no ambiente.
Exemplos: Nitrogênio (N₂), Argônio (Ar), Hélio (He), Metano (CH₄), Dióxido de Carbono (CO₂ - em alta concentração), vapores inertes.
Asfixiantes Químicos
Impedem o uso ou transporte de O₂ por reatividade biológica, interferindo nos processos celulares ou na capacidade do sangue de carregar oxigênio.
Exemplos: Monóxido de Carbono (CO), Cianeto (HCN), Sulfeto de Hidrogênio (H₂S), Amônia (NH₃), Cloro (Cl₂).
Mecanismo Resumido
Asfixiantes Simples
Redução do O₂ ambiente (↓FiO₂) causa hipóxia tecidual. Sem odor ou aviso, a ação é rápida.
Monóxido de Carbono (CO)
Liga-se à hemoglobina (Hb) com afinidade 200-250x maior que o O₂, formando carboxiemoglobina (COHb) e comprometendo o transporte de O₂.
Cianeto (HCN) / Sulfeto de Hidrogênio (H₂S)
Bloqueiam a citocromo oxidase mitocondrial, inibindo a respiração celular (hipóxia "histotóxica").
Sinais e Sintomas
Leves:
Cefaleia, tontura, náuseas, confusão.
Moderados:
Dispneia, taquicardia, ataxia, agitação.
Graves:
Convulsões, coma, Parada Cardiorrespiratória (PCR).

A cianose pode estar ausente ou ser um sinal tardio em intoxicações por CO e HCN, pois a oxigenação do sangue pode parecer normal ou a pele pode ter coloração rósea ("cherry-red skin").
Cenários Ocupacionais Típicos
Asfixiantes Simples
Espaços confinados (silos, tanques, poços), purga de sistemas com nitrogênio, atmosferas inertizadas.
Monóxido de Carbono (CO)
Garagens subterrâneas, fornos, combustão incompleta de materiais, empilhadeiras movidas a GLP, aquecedores a gás defeituosos.
Cianeto (HCN)
Galvanoplastia (reação de cianeto com ácido), incêndios de materiais plásticos (espuma de poliuretano, nylon), produção de metais.
Sulfeto de Hidrogênio (H₂S)
Exploração e Produção (E&P) de petróleo e gás, esgotos, estações de tratamento de efluentes, digestores anaeróbicos.
Amônia (NH₃) / Cloro (Cl₂)
Sistemas de refrigeração industrial (NH₃), tratamento de água e esgoto (Cl₂), limpeza química em grande escala.

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Conduta, Prevenção e Armadilhas: Gases Asfixiantes
Conduta
Segurança da Equipe
Utilize Equipamento de Proteção Respiratória (EPR) adequado. NUNCA entre em área suspeita sem monitoramento atmosférico e resgate de prontidão.
Remoção e Oxigenação
Remoção imediata da fonte de exposição e O₂ a 100% (alto fluxo) para todos os casos.
Manejo Específico (CO)
O₂ a 100% é fundamental. Considere oxigenoterapia hiperbárica para gestantes, alteração do nível de consciência, COHb elevada ou sintomas neurológicos graves.
Manejo Específico (HCN)
Administração de hidroxocobalamina IV. Se não disponível, seguir protocolo local para tiossulfato/nitritos.
Manejo Específico (H₂S)
O₂ a 100% e suporte avançado. O uso de nitritos é controverso, seguir protocolo institucional.
Manejo Específico (NH₃/Cl₂)
Remoção da exposição, irrigação abundante de pele e mucosas (olhos), e suporte respiratório. Não há antídoto específico.
Prevenção
1
Eliminação / Substituição
Priorizar a eliminação do agente ou substituição por um menos tóxico.
2
Controles de Engenharia
Ventilação exaustora, inertização controlada, sistemas de alarme para detecção de O₂, CO, H₂S.
3
Procedimentos e Permissões
Elaboração e cumprimento de Procedimentos de Trabalho (PT), especialmente para espaços confinados e resgate.
4
Equipamento de Proteção Individual (EPI)
Uso de EPR adequado, treinamentos regulares sobre riscos e medidas de controle.
5
Monitoramento Contínuo
Monitoramento atmosférico contínuo (O₂, CO, H₂S) e treinamento constante dos trabalhadores.
Armadilhas de Prova
⚠️ "Ar limpo, sem cheiro" não é seguro!
Gases como o nitrogênio (N₂) são inodoros, incolores e insípidos, mas podem asfixiar rapidamente.
⚠️ CO não causa cianose confiável; HCN pode matar em minutos.
Lembre-se da ausência de cianose em CO e da extrema rapidez da intoxicação por HCN.
⚠️ HCN em galvanoplastia
Cianeto + ácido = liberação de HCN! É um clássico cenário de acidente.
⚠️ EPI não substitui ventilação/engenharia.
EPI é a última barreira na hierarquia de controle. Priorize as medidas de engenharia e administrativas.

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Gases Asfixiantes Simples x Químicos

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Higiene e Toxicololgia Ocupacional
Disciplina: Intoxicação Ocupacional
Assunto: Gases Asfixiantes Simples (Propano)
A toxicologia médica tem o foco no diagnóstico, tratamento e prevenção do envenenamento e outros efeitos adversos à saúde, causados por fármacos, substâncias tóxicas ambientais e ocupacionais e agentes biológicos. Analise as assertivas abaixo sobre o assunto.
  • I. Os asfixiantes simples (gases inertes, como o dióxido de carbono) atuam deslocando o oxigênio nos tecidos sem causar outros efeitos tóxicos.
  • II. A biodisponibilidade de uma substância tóxica indica a extensão em que o agente alcança seu local de ação.
  • III. A taxa de absorção não tem relação com a concentração e a solubilidade do agente tóxico.
  • IV. Gases nocivos de baixa hidrossolubilidade, como o dióxido de nitrogênio, que não desencadeiam alertas precoces, podem atingir os brônquios e os alvéolos e causar lesão tardia.
  • V. Grande parte das substâncias tóxicas, penetra na corrente sanguínea e é distribuída para tecido intersticial e celular. O padrão de distribuição não tem relação com as propriedades fisiológicas e físico-químicas do material.
Estão INCORRETAS as afirmações:
A) II e V.
B) III e V.
C) II e III.
D) I e V.
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA B.
  • As assertivas III e V são incorretas.
  • A taxa de absorção de um agente tóxico está diretamente relacionada ao gradiente de concentração e à solubilidade da substância, entre outros fatores. Portanto, a afirmação III, que diz não haver relação, é falsa.
  • O padrão de distribuição sistêmica das substâncias tóxicas é significativamente influenciado por suas propriedades físico-químicas (como lipossolubilidade, pH/pKa, ligação a proteínas plasmáticas) e por características fisiológicas do organismo (como fluxo sanguíneo e barreiras biológicas). Logo, a afirmação V, que nega essa relação, é também falsa.
  • As demais afirmações (I, II e IV) estão corretas:
  • I. Asfixiantes simples, como o dióxido de carbono e outros gases inertes, atuam por diluição do oxigênio no ambiente e nos tecidos, causando hipóxia.
  • II. Biodisponibilidade refere-se à fração do agente tóxico que atinge a circulação sistêmica e está disponível para exercer seu efeito no local de ação.
  • IV. Gases com baixa hidrossolubilidade, como o dióxido de nitrogênio (NO₂), podem penetrar profundamente nas vias aéreas inferiores (brônquios e alvéolos) sem causar irritação imediata e provocar lesões pulmonares tardias e graves.
Referência: Ladou & Harrison. CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental; Buschinelli J.T.P. Toxicologia Ocupacional, Fundacentro, 2020.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA. A afirmação II está correta, não sendo uma das incorretas solicitadas.
  • Assertiva B: INCORRETA (GABARITO). As afirmações III e V são de fato incorretas.
  • Assertiva C: CORRETA. A afirmação II está correta, não sendo uma das incorretas solicitadas.
  • Assertiva D: CORRETA. A afirmação I está correta, não sendo uma das incorretas solicitadas.

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ANAMT 2022 - Pergunta de Prova
Os gases asfixiantes são classificados, de acordo com seu mecanismo de ação tóxica, em asfixiantes simples e asfixiantes químicos. Assinale a afirmativa VERDADEIRA:
  • A) Asfixiantes simples são gases inertes, porém em altas concentrações nos ambientes confinados, ocupam o lugar do oxigênio na árvore brônquica, como por exemplo, os gases nobres, o dióxido de carbono (CO₂), o metano, o butano e o propano.
  • B) Asfixiantes simples são um grupo heterogêneo de gases que, em altas concentrações nos ambientes confinados, ocupam o lugar do oxigênio na árvore brônquica, como por exemplo, os gases nobres, o dióxido de carbono (CO₂), o metano, o butano e o propano.
  • C) Asfixiantes simples são gases que, em altas concentrações nos ambientes confinados, ocupam o lugar do oxigênio na árvore brônquica, ou interferem no transporte de oxigênio quando convertem hemoglobina em metemoglobina, como por exemplo, os gases nobres, o dióxido de carbono (CO₂), o monóxido de carbono (CO).
  • D) Asfixiantes simples são gases inertes, porém em altas concentrações nos ambientes confinados, ocupam o lugar do oxigênio na árvore brônquica, como por exemplo, os gases nobres, o dióxido de carbono (CO₂), o monóxido de carbono (CO), o metano, o butano e o propano.
  • E) Asfixiantes simples são gases que, em altas concentrações nos ambientes confinados, ocupam o lugar do oxigênio na árvore brônquica, como por exemplo, os gases nobres, as azidas, o dióxido de carbono (CO₂), o metano, o butano e o propano.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. Define corretamente os asfixiantes simples.
Asfixiantes simples não interferem no transporte do oxigênio, apenas deslocam o oxigênio no ambiente (como CO₂, metano, butano, propano e gases nobres). Já os asfixiantes químicos, como monóxido de carbono e cianeto, interferem no transporte ou na utilização celular do oxigênio.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. O termo “heterogêneo” poderia confundir, mas a descrição mistura características de diferentes tipos de asfixiantes.
  • Alternativa C: INCORRETA. A descrição mistura mecanismos de asfixiantes químicos (como o CO que causa metemoglobinemia).
  • Alternativa D: INCORRETA. Inclui CO, que é um asfixiante químico, não simples, pois interfere diretamente no transporte de oxigênio pela hemoglobina.
  • Alternativa E: INCORRETA. Inclui azidas, que são tóxicas por inibição enzimática, e não se classificam como asfixiantes simples.

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ANAMT 2022 - Pergunta de Prova
O Butano é considerado um asfixiante simples. Na asfixia por ele produzida, a concentração do oxigênio estará:
  • A) Alta no ar atmosférico, baixa no sangue e baixa nas células
  • B) Alta no ar atmosférico, alta no sangue e baixa nas células
  • C) Alta no ar atmosférico, baixa no sangue e normal nas células
  • D) Baixa no ar atmosférico, baixa no sangue e normal nas células
  • E) Baixa no ar atmosférico, baixa no sangue e baixa nas células
Gabarito Comentado
Alternativa E: CORRETA. A falta de oxigênio ocorre no ar, no sangue e nas células.
O butano é um gás asfixiante simples. Ele não interfere diretamente no metabolismo celular, mas desloca o oxigênio no ar atmosférico, reduzindo sua concentração. Consequentemente, ocorre baixa concentração de oxigênio no ar, no sangue e nos tecidos, levando à hipóxia generalizada.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Se o oxigênio atmosférico está baixo, não pode estar normal ou alto no sangue.
  • Alternativa B: INCORRETA. O sangue não terá alta concentração de oxigênio se no ar houver baixa.
  • Alternativa C: INCORRETA. A concentração celular também cai junto com o sangue.
  • Alternativa D: INCORRETA. As células também sofrem queda de oxigênio, não permanecem normais.

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ANAMT 2022 - Pergunta de Prova
Um agrônomo entrou em um silo (depósito de produtos agrícolas) que se encontrava lacrado há vários meses para inspecioná-lo. Pouco depois, refere ter sentido o ambiente muito abafado, teve tosse e sensação de falta de ar. Saiu assim que pôde respirando ar, tendo melhorado gradualmente. Cerca de 7 horas depois, retornaram os sintomas, com intensa dispneia, sendo internado com diagnóstico de “edema agudo de pulmão”. A ocorrência trata-se de:
  • A) Um erro diagnóstico dos médicos do Hospital
  • B) Uma história típica de intoxicação por óxidos nitrosos
  • C) Um quadro de intoxicação por pesticidas clorados que, em pacientes alérgicos, cursa sempre com manifestações tipo asmáticas, produzindo grande estertoração pulmonar
  • D) Um paciente portador de cardiopatia que, ao expor a condições agressivas, apresentou quadro sistêmico descompensado (edema agudo de pulmão)
  • E) Um paciente quadro apresentou sintomas imediatos de asfixia simples, mas, 9 horas depois, as manifestações próprias de intoxicação por conservantes clorados usados em vegetais em armazenamento.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. O quadro descrito é típico da “doença dos enchedores de silos” (silo-filler’s disease), causada pela inalação de óxidos nitrosos presentes em silos fechados. A intoxicação cursa com melhora inicial, mas sintomas graves de dispneia e edema agudo de pulmão surgem horas depois.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Não se trata de erro diagnóstico, e sim de intoxicação específica.
  • Alternativa C: INCORRETA. Pesticidas clorados não causam este quadro de edema pulmonar tardio.
  • Alternativa D: INCORRETA. Não há evidências de cardiopatia, o quadro foi desencadeado por exposição ocupacional.
  • Alternativa E: INCORRETA. Conservantes clorados não causam esse padrão clínico com latência de horas.

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ANAMT 2008 - Pergunta de Prova
Assinale a alternativa correta quanto à intoxicação por monóxido de carbono:
  • A) A meia-vida da COHb (carboxi-hemoglobina) com administração de oxigênio a 21% é de cerca de 3 a 4 horas
  • B) Os fumantes são mais tolerantes a níveis mais elevados de COHb, não necessitando de tratamento imediato nas intoxicações agudas
  • C) Níveis de COHb ao redor de 2% requerem afastamento da exposição
  • D) O tratamento baseia-se na administração de nitrito de amila, nitrato de sódio e oxigenioterapia
  • E) O azul de metileno só está indicado em casos com COHb acima de 35%
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. A meia-vida da carboxi-hemoglobina no ar ambiente (21% O₂) é de 3 a 4 horas; com oxigênio a 100% reduz para cerca de 1 hora e em oxigenoterapia hiperbárica para 20 minutos.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. Fumantes não são “protegidos”; continuam em risco e requerem tratamento adequado.
  • Alternativa C: INCORRETA. Níveis de COHb ao redor de 2% são fisiológicos e não indicam afastamento da exposição.
  • Alternativa D: INCORRETA. Nitrito de amila e nitrato de sódio não são tratamentos para intoxicação por monóxido de carbono; a base do tratamento é a oxigenioterapia.
  • Alternativa E: INCORRETA. O azul de metileno é utilizado no tratamento da meta-hemoglobinemia, e não para intoxicação por COHb.

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Sobre a Autora
Médica do Trabalho, aprovada na prova de Título de Especialista da ANAMT. É referência na área de Saúde Ocupacional no estado de Goiás.
Pós-graduada em Medicina do Trabalho pela Polis, atua como médica do trabalho do SESI-GO e coordena programas de saúde, segurança e promoção da qualidade de vida em grandes organizações.
Idealizadora e professora responsável pelo MedWork, curso preparatório premium para a prova de Título de Especialista em Medicina do Trabalho da ANAMT, dedica-se a transformar a experiência de aprendizado em uma jornada estruturada, didática e eficiente.
Aliando vivência prática, profundidade acadêmica e didática diferenciada, Dra. Ludmilla tem ajudado centenas de médicos a alcançarem aprovação, conciliando rigor técnico com clareza e acessibilidade.
Na MedWork, sua missão é clara: formar especialistas altamente preparados, capazes de atuar com excelência, ética e protagonismo na Medicina do Trabalho.
Dra. Ludmilla da Silva Batista Lazzarini
CRM-GO 23364 | RQE 19435

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