A MedWork é um ecossistema de ensino criado para formar e aprovar médicos na Prova de Título de Especialista em Medicina do Trabalho (ANAMT), com um padrão de didática e profundidade que respeita a complexidade real da especialidade.
Nossas apostilas são desenhadas para estudo físico e revisável, com foco em alta retenção: conceitos essenciais, quadros comparativos, tabelas de referência, pegadinhas clássicas de prova, além de questões comentadas com raciocínio objetivo — conectando teoria, normas e prática clínica ocupacional.
Este material faz parte da coleção MedWork Preparatório ANAMT 2026 e foi elaborado para ser utilizado em conjunto com as aulas, revisões e banco de questões do curso, servindo também como base de consulta rápida na rotina do médico do trabalho.

Dados Internos de Catalogação na Publicação
Biblioteca/Acervo responsável: MedWork Educação
Lazzarini, Ludmilla da Silva Batista
Apostila MedWork Preparatório ANAMT 2026 - Miscelânea e Temas Importantes. v1. 60p.

Coleção: MedWork Preparatório ANAMT 2026 — Apostilas Oficiais
MW-ID: MW-ANAMT-2026-HTI-01-R1
1. ed. — Miscelânea e Temas Importantes / MedWork. — 1. ed. — Brasil:
MedWork Educação, 2026.
MW-CRC: MW26-[2026]-[4444]-[AMWM26]
1. MedWork — Preparatório ANAMT. 2. Medicina do Trabalho —
Miscelânea. 3. Educação Médica. I. Título.
Edição 2026.1
60 páginas
Idioma: Português (Brasil)
Formato: Apostila didática (impresso e/ou digital)

Endereço MedWork:
Rua K, 90, Setor Oeste, Goiânia-GO. CEP 74120-040. medworkcurso@gmail.com
Telefone (62) 99988-2658

Preparatório ANAMT 202

2

MedWorkedu

Índice
1. Bioética Médica Ocupacional ........................... 5
- Bioética na prática ................................................ 6
- Códigos e Resoluções .......................................... 7
- Questões ANAMT ................................................ 8
2. Vacinação Ocupacional ................................... 13
- Planejamento e Execução ................................... 14
- Calendário SBIm ................................................ 15
- Questões ANAMT ................................................ 16
- NR-32 e NR-7 .................................................. 20
- Pós-vacina Hepatite B ....................................... 22
- Febre Amarela ................................................... 23
3. Pessoas com Deficiência (PCD) ...................... 24
- Conceitos Essenciais ........................................ 25
- Critérios de Enquadramento .............................. 26
- Questões ANAMT ................................................ 27
4. Epidemiologia Ocupacional ............................. 31
- Prevalência x Incidência ................................... 33
- Estudos Transversais ....................................... 35
- Desenhos de Estudo ......................................... 40
- Risco Relativo (RR) .......................................... 44
- VPP/VPN ........................................................ 46
- Questões ANAMT ........................................... 47
5. Doenças Infectocontagiosas ............................ 48
- Hanseníase ..................................................... 49
- Tuberculose ....................................................... 51
- Brucelose .......................................................... 53
- Dengue ............................................................... 55
- Leptospirose ................................................... 58
6. Sobre a Autora ............................................. 59

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

Miscelânea e Temas Importantes
Bem-vindo(a) a este material de estudo focado em Miscelânea e Temas Importantes, que são recorrentes no exigente exame de certificação da ANAMT. Este guia foi meticulosamente elaborado para médicos do trabalho que se preparam para o exame, oferecendo desde conceitos teóricos fundamentais e aplicações práticas até questões de exames anteriores da ANAMT, proporcionando uma preparação completa e estratégica para o seu sucesso profissional.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

Bioética Médica Ocupacional
Navegando pelos desafios éticos na promoção da saúde e segurança dos trabalhadores, equilibrando deveres médicos e interesses corporativos.
A prática da medicina do trabalho exige uma constante reflexão sobre os princípios da beneficência, não maleficência, autonomia e justiça, especialmente ao lidar com dados sensíveis de saúde.
É fundamental que o médico ocupacional atue como um defensor da saúde do trabalhador, garantindo a confidencialidade das informações e a imparcialidade nas avaliações.
Os dilemas surgem frequentemente na interface entre as exigências do empregador e os direitos individuais dos empregados, demandando uma abordagem ética rigorosa.
A compreensão das normativas e códigos de ética específicos da área é crucial para a tomada de decisões que protejam tanto a saúde do indivíduo quanto o ambiente de trabalho.
O consentimento informado, a privacidade e a gestão de conflitos de interesse são pilares essenciais para uma atuação bioética na saúde ocupacional.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

Bioética na prática do Médico do Trabalho: agir, registrar, informar e decidir
Guia prático para o Médico do Trabalho, abordando deveres éticos, registro documental, consentimento e autonomia, conforme CEM/CFM 2.183/2018.
Dever de Agir
Notifique riscos à gestão. Se houver inação, reporte às autoridades competentes e ao CRM. É sua responsabilidade ética proteger o trabalhador.
Prontuário Completo
Registre hipóteses, achados, condutas, orientações e nexo. Garanta sigilo e rastreabilidade. O paciente é o titular dos dados.
Consentimento (TCLE)
Obrigatório para procedimentos e pesquisa. Exceção: risco iminente de morte. Esclareça riscos e benefícios antes de qualquer intervenção.
Autonomia Técnica
É seu direito discordar de atestados externos, desde que com exame próprio, justificativa escrita e assunção de responsabilidade.
Fluxo prático de decisão:
1
Identifique o Risco
Avalie e reconheça potenciais perigos no ambiente de trabalho.
2
Registre Evidências
Documente achados clínicos e dados técnicos.
3
Comunique à Gestão
Formalize a comunicação técnica sobre o risco identificado.
4
Acione Autoridades/CRM
Se houver omissão da empresa, notifique os órgãos competentes.
5
Documente Tudo
Mantenha registros detalhados de todas as etapas no prontuário.
Caso 1: Risco grave não tratado
Ação: Notifique gestão; se inerte, autoridades/CRM.
Caso 2: Atestado externo divergente
Ação: Examine, fundamente a discordância e assuma responsabilidade.
Caso 3: Pesquisa interna com questionários
Ação: Projeto + TCLE + instrumentos + autorização institucional (CEP/CNS 466/12).
Caso 4: Pedido de cópia do prontuário
Ação: Direito do paciente; entregue conforme norma, preservando sigilo de terceiros.
Erros a evitar:
Tratar gestação como inaptidão por si só.
Prontuário sem hipóteses diagnósticas ou condutas.
Divulgar dados sem consentimento.
Aceitar/recusar atestado sem exame próprio e justificativa.

Checklist de Bolso
  • Risco comunicado e registrado?
  • Prontuário completo (hipóteses + condutas)?
  • TCLE quando aplicável?
  • Decisão técnica justificada?
  • Sigilo preservado?

Preparatório ANAMT 202

6

MedWorkedu

Códigos e Resoluções: Fundamentos Éticos na Saúde Ocupacional
A prática da Medicina do Trabalho é balizada por um arcabouço ético e legal complexo, que visa proteger a saúde e os direitos dos trabalhadores. Compreender as principais resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) e os códigos de ética é fundamental para a atuação do médico ocupacional.
CFM
Resolução CFM nº 2.323/2022
Esta resolução regulamenta e orienta a atuação do médico do trabalho no Brasil, reforçando a prioridade da saúde do trabalhador. Entre seus pontos cruciais, destaca-se a proibição de atuar simultaneamente como perito da empresa e do trabalhador, garantindo imparcialidade. O documento também detalha a responsabilidade do médico pela guarda do prontuário, a confidencialidade das informações e a necessidade de preservar a autonomia profissional frente a quaisquer pressões. É um guia essencial para a elaboração de PCMSO, emissão de laudos e atestados.
CEM
Código de Ética Médica (2018)
O CEM é a pedra angular da conduta médica. Para o médico do trabalho, capítulos como os referentes ao sigilo profissional (Capítulo IX), à relação médico-paciente e à autonomia do paciente (Capítulo IV) são de aplicação direta. Ele veda a divulgação de informações sem consentimento e exige que o médico atue em benefício do paciente, resguardando sua saúde e direitos. Embora a edição atual não tenha um artigo específico para o médico do trabalho como a anterior, os princípios gerais de defesa da vida e da saúde do indivíduo prevalecem, e são complementados pela Resolução CFM 2.323/2022.
ICOH
Código Internacional de Ética
Elaborado pela ICOH (International Commission on Occupational Health), este código oferece diretrizes globais. Ele enfatiza a independência e imparcialidade do profissional de saúde do trabalho, a primazia da prevenção primária e a advocacia pela saúde do trabalhador. A confidencialidade, a competência profissional e a educação continuada são pilares. Este código orienta a prática em um contexto internacional, reforçando a responsabilidade de evitar conflitos de interesse e sempre promover o bem-estar dos trabalhadores.
A observância desses códigos e resoluções não é apenas uma obrigação legal e ética, mas a base para uma prática médica ocupacional que promove efetivamente a saúde, a segurança e a justiça no ambiente de trabalho.

Preparatório ANAMT 202

7

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Bioética Médica
Assunto: Ética
Sobre a Resolução Nº 2.217/2018 do Conselho Federal de Medicina, que aprova o Código de Ética Médica, assinale a alternativa CORRETA:
A) Faz parte dos Princípios fundamentais: sempre que participar de pesquisas envolvendo seres humanos ou qualquer animal, o médico respeitará as normas éticas nacionais, bem como protegerá a vulnerabilidade dos sujeitos da pesquisa.
B) Faz parte dos deveres do Médico, requerer desagravo público ao Conselho Regional de Medicina quando atingido no exercício de sua profissão.
C) É caracterizada como imprudência a omissão do médico em uma situação na qual o paciente necessite de intervenção imediata.
D) O médico portador de doença incapacitante para o exercício profissional, apurada pelo Conselho Regional de Medicina em procedimento administrativo com perícia médica, terá seu registro suspenso definitivamente.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA A.
  • O Código de Ética Médica (CEM/CFM Res. nº 2.217/2018) estabelece, entre os Princípios Fundamentais, que o médico, ao participar de pesquisas com seres humanos ou animais, deve respeitar as normas éticas nacionais e proteger a vulnerabilidade dos sujeitos. Isso reflete a proteção integral do participante e a observância de normas como a Res. CNS.
Referência: CFM, CEM – Res. nº 2.217/2018 (com atualizações).
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA (GABARITO). Reproduz princípio fundamental do CEM: respeito às normas éticas e proteção dos sujeitos de pesquisa.
  • Assertiva B: ERRADA. “Desagravo público” não é dever do médico no CEM; trata-se de prerrogativa/ato institucional das entidades/Conselhos, não um dever ético listado no Código.
  • Assertiva C: ERRADA. Omissão caracteriza, em regra, negligência (não imprudência). Imprudência é agir de forma temerária; imperícia é agir sem habilidade técnica.
  • Assertiva D: ERRADA. Afastamentos/suspensões têm caráter temporário e seguem rito legal/ético (interdição cautelar, processo ético-profissional). “Suspensão definitivamente” do registro não consta como consequência automática no CEM.

Preparatório ANAMT 202

8

MedWorkedu

Bioética Médica Ocupacional
ANAMT 2023 - O Conselho Federal de Medicina define normas específicas para Médicos que atendem ao trabalhador. Em relação ao tema, assinale a alternativa correta:
  • A) Consta no Código de Ética Médica que, em caso de falhas em normas, contratos ou práticas internas da instituição onde atue, que sejam prejudiciais aos trabalhadores, o médico do trabalho nunca deve comunicar essas falhas a instituições externas, mesmo quando as suas recomendações não sejam acatadas.
  • B) Embora o Código de Ética Médica não contenha nenhuma recomendação voltada à medicina do trabalho, é dever do médico do trabalho adaptar e interpretar os seus conteúdos para que possam fundamentar as suas ações profissionais.
  • C) O Código de Ética Médica recomenda aos médicos do trabalho que eles se abstenham de interferir no exercício das atividades laborais dos trabalhadores, limitando a sua atuação ao tratamento de trabalhadores que eventualmente tenham sofrido acidente laboral e às funções relativas a exames médicos admissionais e demissionais.
  • D) Segundo o Código de Ética Médica, quando o Médico comunicar ao empregador situação de risco e nada for feito, ele deve comunicar o ocorrido às autoridades competentes e ao Conselho Regional de Medicina.
  • E) Nenhuma das alternativas está correta.
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. O Código de Ética Médica determina que, diante de risco iminente à saúde dos trabalhadores, o médico tem o dever de comunicar às autoridades competentes e ao CRM caso as medidas indicadas não sejam implementadas. Os Artigos 11 e 23 da Resolução CFM nº 2.183/2018 reforçam este compromisso ético.
Referência: Resolução CFM nº 2.183/2018 – Código de Ética Médica.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: A: INCORRETA – O médico do trabalho tem o dever de relatar falhas que impactem negativamente os trabalhadores a órgãos externos, se necessário. O silêncio não é ético.
  • Alternativa B: INCORRETA – O Código de Ética Médica se aplica integralmente à atuação do médico do trabalho.
  • Alternativa C: INCORRETA – A atuação do médico do trabalho inclui promoção, prevenção e vigilância em saúde, não se restringindo a exames ou tratamento.
  • Alternativa E: INCORRETA – A alternativa D está correta, invalidando esta opção.

Preparatório ANAMT 202

9

MedWorkedu

Bioética Médica Ocupacional
ANAMT 2023 - O exame ocupacional é o principal instrumento da prática da medicina do trabalho. Dele se obtêm dados que geram conhecimento sobre as condições de trabalho e seu impacto na saúde. Iniciando com uma anamnese e exame físico minuciosos, e com registro detalhado no prontuário, ele pode levar à solicitação de exames obrigatórios e outros. Sobre o exame ocupacional e seu registro em prontuário, assinale a alternativa correta:
  • A) O prontuário só pode estar guardado no SAME, pois esse é um departamento que está sob a fiscalização do CFM.
  • B) As informações sobre prognóstico e sequelas são exemplos de itens opcionais no registro do prontuário.
  • C) As hipóteses diagnósticas são informações básicas do prontuário, pois a identificação das possíveis doenças irá direcionar o diagnóstico diferencial e os exames complementares.
  • D) A identidade do médico não deve constar nos atendimentos, sendo recomendável que informações sigilosas sejam levadas a litígio em ações judiciais.
  • E) Nenhuma das alternativas está correta.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. As hipóteses diagnósticas são componentes fundamentais do prontuário médico, conforme a Resolução CFM nº 1.638/2002. Elas guiam o raciocínio clínico e a solicitação de exames e condutas, inclusive em exames ocupacionais.
Referência: CFM 1.638/2002 e CFM 2.217/2018 (Código de Ética Médica).
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – O prontuário pode ser armazenado em outros sistemas ou locais, desde que sigiloso e acessível legalmente.
  • Alternativa B: INCORRETA – Prognóstico e sequelas são componentes obrigatórios quando relevantes ao caso.
  • Alternativa D: INCORRETA – A identidade do médico deve constar no prontuário, e o sigilo não impede o registro documental.
  • Alternativa E: INCORRETA – A alternativa C está correta.

Preparatório ANAMT 202

10

MedWorkedu

Bioética Médica Ocupacional
ANAMT 2020 - Em relação ao Código de Ética Médica, assinale a alternativa que apresenta uma conduta vedada ao médico, conforme as normas do CFM:
  • A) É vedado ao médico deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte.
  • B) Desrespeitar o direito do paciente ou de seu representante legal de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente risco de morte.
  • C) Deixar de usar todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento, cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do paciente.
  • D) Deixar de atender paciente que procure seus cuidados profissionais em casos de urgência ou emergência, quando não houver outro médico ou serviço médico em condições de fazê-lo.
  • E) Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento, salvo quando essa comunicação direta possa lhe provocar dano, devendo, nesse caso, ser feita a comunicação a seu representante legal.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. Esta alternativa está em total conformidade com o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018, Art. 22), que estabelece a obrigatoriedade do consentimento livre e esclarecido do paciente ou seu representante legal antes de qualquer procedimento, exceto em situações de risco iminente de morte, quando a intervenção imediata é prioritária para salvar a vida. O consentimento informado é um pilar da autonomia do paciente.
Referência: Código de Ética Médica, Capítulo III – Responsabilidade Profissional, Art. 22 e Resolução CFM nº 2.217/2018.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA – Embora o conteúdo seja uma conduta vedada (desrespeitar o direito de decisão do paciente), a forma como a alternativa foi redigida no comando da questão ("É correto afirmar:") não se encaixa na questão, que pede a afirmação correta da vedação.
  • Alternativa C: INCORRETA – Deixar de usar todos os meios disponíveis é, de fato, uma vedação ética. Contudo, a redação da questão buscava uma afirmação direta sobre a vedação, e esta alternativa está apresentada como uma ação, não uma afirmação sobre o "é vedado".
  • Alternativa D: INCORRETA – A recusa de atendimento em urgência/emergência sem substituto é uma infração grave. No entanto, a alternativa está formulada como uma declaração de fato, não como a afirmação de uma proibição explícita.
  • Alternativa E: INCORRETA – Não informar sobre o diagnóstico e tratamento é uma vedação. Assim como as anteriores, a formulação da alternativa não atende ao comando que pedia a afirmação correta da conduta vedada. A alternativa A é a única que reflete corretamente a proibição conforme o Código de Ética.

Preparatório ANAMT 202

11

MedWorkedu

Bioética Médica Ocupacional
ANAMT 2020 - Na rotina de ambulatório de saúde ocupacional, no ato do exame demissional, frequentemente o Médico do Trabalho se depara com esta situação: o trabalhador recém desligado, comparece à consulta e apresenta atestado e relatório médico, emitido por médico assistente e com data posterior à comunicação de seu desligamento. O relatório do médico assistente aponta nexo de causalidade entre a doença e o trabalho. Após examinar minuciosamente o trabalhador, sua conclusão vai em desacordo ao que está descrito no relatório médico apresentado, onde se concluiu pela aptidão e prosseguimento da demissão. Além do estresse da situação, o médico do trabalho se vê em uma situação de vulnerabilidade, pois sua decisão certamente será questionada pelas partes interessadas. Com base no código de ética médica e na resolução CFM Nº 2183/2018, é correto afirmar que:
  • A) O Médico do Trabalho não pode contestar o atestado e divergir do colega, baseado na sua própria opinião clínica, o atestado do médico não pode ser questionado, total ou parcialmente e a recomendação ali contida não pode ser alterada.
  • B) O Médico do Trabalho pode contestar o atestado e a responsabilidade sobre o exame fica a cargo do médico assistente. Nada impede que haja discordância apenas sobre o tempo de afastamento do trabalho indicado pelo colega, emissor do atestado e concordância a respeito da terapia, que vier a ser instituída.
  • C) O Médico do Trabalho pode discordar dos termos do atestado do médico emitido por outro médico, desde que justifique a discordância, após o devido exame clínico do trabalhador, assumindo a responsabilidade pelas consequências do seu ato. Neste caso o médico do trabalho atuou adequadamente ao concluir pela aptidão à demissão.
  • D) O Médico do Trabalho não pode reduzir o número de dias de afastamento concedido por outro médico, apenas aumentar a quantidade de dias se o tempo for insuficiente para a resolução do quadro de incapacidade, cabendo assim ao o Médico do Trabalho pode prorrogá-lo.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. O Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.183/2018, Art. 32) permite ao médico discordar do atestado de outro profissional, desde que realize o exame clínico do trabalhador, fundamente tecnicamente sua decisão e assuma a responsabilidade pelos seus atos. A aptidão demissional deve se basear em avaliação atual e objetiva.
Referência: CFM 2.183/18, Art. 32 e 114.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Contraria o Código de Ética Médica, que não proíbe o médico de discordar de outro, desde que atue com base técnica e ética.
  • Alternativa B: INCORRETA – A responsabilidade pela decisão é do médico do trabalho, não do médico assistente. A autonomia médica não implica ausência de responsabilidade.
  • Alternativa D: INCORRETA – O médico do trabalho pode tanto reduzir quanto aumentar os dias de afastamento, desde que clinicamente justificado e assumindo a responsabilidade.

Preparatório ANAMT 202

12

MedWorkedu

Vacinação Ocupacional
A vacinação ocupacional representa uma estratégia fundamental de prevenção primária na saúde do trabalhador, integrando-se ao PCMSO conforme a NR-7. Diferentemente do calendário populacional, a imunização no contexto laboral é determinada pela análise de riscos biológicos específicos de cada função, considerando exposições ocupacionais e não apenas critérios etários. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) complementam o Programa Nacional de Imunizações (PNI), oferecendo recomendações ampliadas para trabalhadores expostos. A NR-32 estabelece obrigatoriedades específicas para profissionais de saúde, tornando a vacinação um pilar essencial da vigilância em saúde ocupacional.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

Vacinação Ocupacional: Planejamento e Execução
A vacinação ocupacional é uma medida essencial de prevenção primária, integrada ao PCMSO (NR-7), guiada pelo risco biológico específico de cada função e exposição, não apenas pela idade.
1. Avaliação do Risco
Identificar função, tarefa, local e agentes manipulados pelo trabalhador.
2. Agentes Biológicos
Definir contra quais agentes o trabalhador está plausivelmente exposto.
3. Protocolo Vacinal
Escolher a vacina disponível, esquema, reforços e sorologias necessárias.
4. Comprovação e Registro
Verificar carteira, laudo sorológico e registrar no prontuário.
Vacinas Essenciais por Risco Ocupacional
Além do pacote básico, certas profissões exigem proteção específica:
Gestão Prática e Alertas Importantes
Gestão da Vacinação
  • Matriz de risco por cargo.
  • Cadeia de frio (2–8 °C).
  • Consentimento e registro em prontuário.
  • Cobertura-alvo ≥90% e busca ativa.
Contraindicações & Erros Comuns
  • Vacinas vivas: Contraindicadas em imunossuprimidos/gestação.
  • Intervalo: ≥4 semanas entre vivas não coadministradas.
  • Erros: Indicar por "cargo genérico"; esquecer sorologia pós-Hep. B em alto risco.

Preparatório ANAMT 202

14

MedWorkedu

Vacinação Ocupacional segundo a SBIm: o que todo serviço precisa saber
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) oferece um framework essencial:
  • Diretrizes abrangentes para a vacinação de trabalhadores.
  • Complementa o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
  • Personaliza recomendações com base em riscos e situações específicas.
  • Fundamental para a proteção eficaz da força de trabalho.
Calendários Adaptados
A SBIm elabora calendários específicos por faixa etária, e por área de atuação (ex: saúde, limpeza urbana, laboratoristas), personalizando a proteção.
Integração e Ampliação
Integra as recomendações do PNI e amplia indicações por risco ocupacional e comorbidades, garantindo uma cobertura mais robusta.
Influenza Anual
Para a maioria dos trabalhadores, a vacinação contra Influenza é indicada em dose única anual, protegendo contra as cepas circulantes.
HPV para Grupos de Risco
A vacina contra HPV é especialmente indicada para grupos de risco, como profissionais do sexo, conforme avaliação individual.
Farmacovigilância Essencial
Eventos adversos pós-vacinação devem ser notificados aos órgãos competentes, contribuindo para a segurança e monitoramento contínuo das vacinas.
Obrigações Legais: Empregador e Trabalhador
O empregador tem a obrigação de oferecer gratuitamente as vacinas indicadas pelo PCMSO, conforme os riscos ocupacionais identificados, garantindo acesso durante o horário de trabalho. Já o trabalhador possui o direito de recusar a vacinação, exceto quando houver risco de disseminação de doenças graves à coletividade ou quando a imunização for condição essencial para o exercício da função. A recusa injustificada pode caracterizar ato faltoso, mas deve ser documentada e respeitada a autonomia do trabalhador, conforme princípios bioéticos.

Preparatório ANAMT 202

15

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Prática
Módulo: Miscelânea e Temas Impostantes
Disciplina: Vacinação Ocupacional
Assunto: Calendário da SBIm
ID: A.W.S, 50 anos, masculino, pardo, casado, natural de Goiás, mora e trabalha na periferia de Goiânia. Ensino médio incompleto, pedreiro, católico não praticante.
QP: palpitações e cansaço há um mês.
HDA: trabalhador relata que há aproximadamente um mês vem apresentando episódios esporádicos de palpitações e cansaço, não relacionados a esforço físico intenso. Refere que há quatro dias os sintomas se intensificaram com fadiga acentuada, piorando após a ingestão irrestrita de bebidas alcoólicas, durante reunião familiar no dia anterior à consulta. Referiu ainda lombalgia recorrente, o que o faz utilizar anti-inflamatórios não esteroidais de forma indiscriminada, sem prescrição médica. Apresenta tosse produtiva matinal frequente, associada à secreção mucosa, e não refere febre. Já apresentou cansaço em outras ocasiões, sem melhora significativa, mesmo em repouso.
Trabalha com o uso frequente de britadeira, manipulando cimento, exposto a ruído intenso e a radiação solar direta.
Em seu histórico constava que, no último exame médico periódico, foi orientado a atualizar a vacinação e recebeu orientações gerais de saúde, inclusive de retorno caso necessário, pois na ocasião havia mencionado fadiga. Como houve melhora temporária, não seguiu as recomendações médicas e, não retornou para reavaliação.
História Patológica Pregressa: refere varicela e sarampo na infância. Nega patologias respiratórias prévias. Nega hepatite, diabetes, alergias, cirurgias ou transfusões sanguíneas. É portador de hipertensão arterial sistêmica há cerca de 10 anos, em tratamento com Captopril 25 mg, 3 vezes ao dia.
Histórico familiar: Desconhece.
Hábitos de vida: Etilista de uma lata de cerveja diariamente. Tabagista de 01 maço/dia há 30 anos. Mora em casa com boas instalações sanitárias, com esposa e quatro filhos. Refere alimentar-se à base de carboidratos, e com pouca carne devido à precária condição financeira.
Exame físico: Regular estado geral, sem alterações neurológicas focais, hipocorado +++/4+, desidratado +/4+, afebril, acianótico, anictérico, enchimento capilar normal. Escala de Glasgow = 15, Sat %O2 = 99%. PA = 130 X 90 mmHg. FC = 88 bpm. FR = 20 irpm Tax = 36,2ºC. Orofaringe sem alterações. Ausculta Pulmonar: Murmúrios Vesiculares Universais presentes, presença de roncos esparsos em bases pulmonares. Ap. cardiovascular: RCR em 2t, sopro sistólico, intensidade 3+/6+ de Levine, pancardíaco. Abdome flácido, doloroso à palpação profunda em região epigástrica, sem irritação peritoneal. Sem visceromegalias ou massas palpáveis. Peristalse presente e fisiológica. Membros inferiores com edema 1+/4+ perimaleolar, pulsos periféricos palpáveis; panturrilhas sem sinais de empastamento.
H. Ocupacional: Pedreiro e auxiliar de pedreiro desde os 14 anos até os dias atuais, alternando trabalhos informais com carteira assinada.
Tendo como base o caso clínico apresentado acima, responda as questões a seguir.
Considerando o calendário de Vacinação Ocupacional recomendado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e os riscos previstos para as atividades de A.W.S. (radiação solar, ruído, vibração de corpo inteiro, umidade, cimento, poeira respirável e micro-organismos provenientes da rede de esgoto), assinale a alternativa em que consta o esquema vacinal CORRETO para este trabalhador.
A) Hepatite A e Hepatite B; Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola); dTpa-VIP; Dupla adulto – dT (difteria e tétano); Influenza (gripe) – dose anual.
B) Hepatite A e Hepatite B; Dupla adulto – dT (difteria e tétano); Influenza (gripe) – dose anual; Febre tifóide.
C) Febre amarela; Hepatite A e Hepatite B; dTpa-VIP; Dupla adulto – dT (difteria e tétano); Influenza (gripe) – dose anual.
D) Febre amarela; Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola); Hepatite A e Hepatite B; Dupla adulto – dT (difteria e tétano); Influenza (gripe) – dose anual.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
Contempla Hepatite A e B, dT (reforços) e Influenza anual; além disso, Febre tifóide é indicada para manipuladores/trabalhadores expostos a esgoto/águas contaminadas.
Referências: SBIm – Calendário de Vacinação Ocupacional (versão ocupacional).
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA — inclui Tríplice viral e dTpa-VIP (pertussis/pólio) que não são exigências ocupacionais rotineiras para esse perfil; faltou Febre tifóide, recomendada ao exposto a esgoto.
  • Assertiva C: ERRADA — adiciona Febre amarela e dTpa-VIP sem indicação ocupacional clara; mantém excessos e não corrige o foco para tifóide.
  • Assertiva D: ERRADA — inclui Febre amarela e Tríplice viral sem indicação ocupacional específica; ausência de Febre tifóide torna o esquema incompleto para exposição a esgoto.

Preparatório ANAMT 202

16

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Vacinação Ocupacional
Assunto: Calendário da SBIm
A cobertura vacinal, essencial para a eliminação ou controle de doenças imunopreveníveis, reflete o percentual da população devidamente vacinada. Um marco histórico dessa estratégia é a erradicação da varíola em 1980, resultado de um esforço global de vacinação. No contexto da vacinação ocupacional e do calendário da SBIm, analise as afirmações abaixo e identifique as INCORRETAS:
I. Sobre as vacinas para Hepatites A, B ou A e B, é recomendada a realização de Sorologia 30 a 60 dias após a terceira dose da vacina para profissionais da Saúde, imunodeprimidos e renais crônicos. Considera-se imunizado o indivíduo que apresentar título anti-HBs ≥ 10 UI/ml.
II. Para adultos com esquema completo de tríplice viral, a terceira dose como rotina faz parte do esquema vacinal.
III. Para profissionais que trabalham com crianças menores de 12 meses e idosos (professores, cuidadores e outros), a vacina contra coqueluche (dTpa) está especialmente indicada.
IV. Em relação à vacinação de profissionais lotados em serviços de saúde, a vacina contra hepatite A está especialmente indicada para profissionais da lavanderia, da cozinha e manipuladores de alimentos.
V. A Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) recomenda dose única para a vacina de Febre Amarela.
A) I, II e IV.
B) II e V.
C) IV e V.
D) I, III e IV.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
II e V. Esta alternativa reúne corretamente as duas proposições incorretas. A afirmativa II está errada porque o esquema padrão da vacina tríplice viral para adultos consiste em duas doses, não havendo recomendação de uma terceira dose de rotina para quem já completou o esquema. A afirmativa V também está incorreta, pois, embora a OMS reconheça a dose única para imunidade prolongada contra febre amarela, a SBIm adota um esquema com reforço após 10 anos em diversas situações e ocupações, não sendo a dose única uma recomendação geral. As afirmativas I, III e IV estão corretas conforme as diretrizes de vacinação ocupacional.
Referências: Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – Calendário de Vacinação do Adulto/Trabalhador e Vacinação Ocupacional; Ministério da Saúde – manuais de imunização.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — Agrupa proposições I (correta), II (incorreta) e IV (correta), portanto não representa o conjunto de INCORRETAS.
  • Assertiva C: INCORRETA — A proposição IV é correta (vacina de Hepatite A indicada para manipuladores de alimentos/lavanderia/cozinha), invalidando este par como o conjunto exclusivo de incorretas.
  • Assertiva D: INCORRETA — Contém as proposições I, III e IV, todas elas corretas, falhando em identificar as incorretas.

Preparatório ANAMT 202

17

MedWorkedu

Vacinação Ocupacional: Questão ANAMT 2023
ANAMT 2023 - O Calendário Básico de Vacinação Brasileira é definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), e corresponde ao conjunto de vacinas de interesse prioritário à Saúde Pública do País. O Calendário de Vacinação Ocupacional, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), tem as seguintes algumas características. Assinale a alternativa INCORRETA.
  • A) Propõe indicações especiais para profissionais por área de atuação.
  • B) Não prevê recomendações para pacientes portadores de comorbidades ou outras situações especiais.
  • C) Propõe vacinação para Influenza em dose única anual.
  • D) Os eventos adversos devem ser notificados às autoridades competentes.
  • E) A Vacina para HPV é indicada para Profissionais do sexo.
Gabarito Comentado
Alternativa B: INCORRETA. O calendário da SBIm prevê, sim, recomendações específicas para grupos com comorbidades ou situações especiais, incluindo imunodeprimidos e profissionais com risco ampliado. Essa alternativa contraria uma diretriz clara da SBIm.
Referência: SBIm – Sociedade Brasileira de Imunizações, Calendário de Vacinação do Adulto e do Trabalhador, 2024.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA – A SBIm propõe esquemas vacinais diferenciados conforme a área de atuação do trabalhador (ex: saúde, limpeza urbana).
  • Alternativa C: CORRETA – A vacinação contra Influenza é anualmente recomendada em dose única.
  • Alternativa D: CORRETA – A notificação de eventos adversos é obrigatória e vital para a farmacovigilância.
  • Alternativa E: CORRETA – Profissionais do sexo são um dos grupos prioritários para a vacinação contra HPV.

Preparatório ANAMT 202

18

MedWorkedu

Vacinação nos serviços de saúde: o que a NR-32 e a NR-7 exigem
A compreensão e aplicação correta das Normas Regulamentadoras 32 e 7 são cruciais para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores da área da saúde, além de assegurar a conformidade legal e ética da empresa.
Oferta Gratuita e Obrigatória
A empresa deve oferecer gratuitamente vacinas como Tétano/Difteria, Hepatite B e outras definidas no PCMSO, conforme os riscos da função.
Informação e Comprovação (NR-32)
É imperativo informar os trabalhadores sobre os benefícios, riscos e consequências da recusa da vacinação, guardando a comprovação de que essa informação foi prestada.
Registro Detalhado (NR-7/PCMSO)
Todas as doses administradas e as recusas formais devem ser rigorosamente registradas no prontuário clínico individual do trabalhador, conforme exigido pela NR-7.
Recusa Informada: Não Penalizar
Em caso de recusa, não há penalidade. Deve-se registrar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) de Recusa e reforçar outras medidas de proteção.
Fluxo Simplificado da Vacinação Ocupacional
Indicação
Avaliar o risco ocupacional do trabalhador e indicar as vacinas necessárias.
Informação
Prestar todos os esclarecimentos sobre a importância e os impactos da vacinação.
Aplicação ou Recusa
Realizar a vacinação ou documentar a recusa formal do trabalhador.
Registro
Registrar detalhadamente no prontuário clínico e em sistemas de gestão.
Monitoramento
Acompanhar a cobertura vacinal e a ocorrência de eventos adversos.

Armadilhas e Erros Comuns:
Não caia na ideia de que "recusa = punição" ou que o registro da vacinação não se aplica à NR-7. Ambas as normas são claras sobre os procedimentos e a necessidade de documentação completa.
Ação Imediata: Revise seu modelo de prontuário e garanta que há campos específicos para registro de vacinação e recusa, em conformidade com a NR-32 e NR-7.

Preparatório ANAMT 202

19

MedWorkedu

Vacinação Ocupacional: Questão NR 32
ANAMT 2023 - De acordo com a Norma Regulamentadora 32, a vacinação dos Trabalhadores:
I. Deverá ser fornecida a todo trabalhador dos serviços de saúde, gratuitamente, dentro do programa de imunização ativa contra tétano, difteria, hepatite B e os estabelecidos no PCMSO.
II. Não registrar em prontuário clínico individual do trabalhador, pois não está previsto na NR-07.
III. O empregador deve assegurar que os trabalhadores sejam informados das vantagens e dos efeitos colaterais, assim como dos riscos a que estarão expostos por falta ou recusa de vacinação, devendo, nestes casos, guardar documento comprobatório e mantê-lo disponível à inspeção do trabalho.
Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas CORRETAS:
  • A) I e II.
  • B) II e III.
  • C) I e III.
  • D) Apenas a III é correta.
  • E) Apenas a I é correta.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. As afirmativas I e III estão em conformidade com a NR-32, que obriga a oferta gratuita de vacinas para trabalhadores da saúde (I) e a responsabilidade do empregador em informar e documentar a vacinação ou recusa (III).
Referência: NR-32, item 32.2.4.16; NR-07.
Outras Alternativas
  • Alternativas A, B, D e E: INCORRETAS – A afirmativa II está incorreta, pois o registro da vacinação é obrigatório no prontuário clínico do trabalhador, conforme previsto no PCMSO e para rastreabilidade das ações.

Preparatório ANAMT 202

20

MedWorkedu

Pós-vacina de Hepatite B: qual exame pedir (e quando)?
Compreender o momento e o marcador correto para avaliar a resposta vacinal contra Hepatite B é crucial para garantir a proteção e a saúde dos trabalhadores.
Eficácia da Vacina
A vacina para Hepatite B tem uma eficácia de 90–95% em indivíduos imunocompetentes.
Quando Dosar o Exame?
Realize a dosagem de 30 a 60 dias após a 3ª dose da vacina.
O que Pedir: Anti-HBs
O marcador de resposta é o anti-HBs. Um resultado ≥ 10 mUI/mL indica que o trabalhador é respondedor.
O que NÃO Pedir: HBsAg
O HBsAg pós-vacina NÃO avalia a resposta imune. Ele é um marcador de infecção ativa, e não de proteção vacinal.
Exemplo Prático
Se o esquema vacinal (0-1-6 meses) foi completado, peça o anti-HBs em 1–2 meses após a última dose.

Armadilhas Comuns:
Evite trocar o pedido de anti-HBs por HBsAg para avaliação de resposta. Além disso, coletar o anti-HBs muito cedo (antes de 30 dias pós-dose) pode gerar um falso negativo.
Ação Imediata: Padronize no seu PCMSO a seguinte diretriz: 'Vacinação para Hepatite B → anti-HBs 30–60 dias pós 3ª dose do esquema completo'.

Preparatório ANAMT 202

21

MedWorkedu

Vacinação Ocupacional: Febre Amarela em Contexto Ocupacional
A vacinação contra a Febre Amarela (FA) é um pilar fundamental da saúde ocupacional, especialmente para trabalhadores expostos a áreas endêmicas ou de risco. A correta gestão dessa imunização é crucial para proteger a força de trabalho e garantir a conformidade com as diretrizes de saúde pública e ocupacional.
1
Trabalhadores em Áreas Endêmicas
Para trabalhadores que residem ou atuam em áreas consideradas de risco, a vacinação é fortemente recomendada. Deve-se considerar a continuidade do risco e, em alguns casos, a necessidade de doses de reforço conforme a avaliação do Médico do Trabalho e as diretrizes do Ministério da Saúde.
2
Trabalhadores Viajantes
Indivíduos que viajam a trabalho para zonas com circulação do vírus da FA, seja nacional ou internacionalmente, devem ser vacinados. Uma dose única da vacina é, na maioria dos casos, suficiente para conferir imunidade por toda a vida, conforme a recomendação atual da OMS e do MS. O Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP) pode ser exigido para viagens internacionais.
3
Casos de Exceção e Contraindicações
A vacina contra Febre Amarela é contraindicada para gestantes, mulheres amamentando bebês menores de 6 meses, imunossuprimidos e pessoas com alergia grave a componentes da vacina (ovo). Nesses casos, o Médico do Trabalho deve realizar uma análise de risco-benefício individualizada e propor medidas alternativas de proteção, como o uso de repelentes e roupas que cubram a maior parte do corpo, além de evitar deslocamentos desnecessários para áreas de alto risco.
4
Recomendações Atuais e Documentação
É responsabilidade do empregador oferecer a vacina gratuitamente e registrar a informação no prontuário do trabalhador. A avaliação do esquema vacinal deve seguir as notas técnicas e manuais mais recentes do Ministério da Saúde e da SBIm. A conscientização sobre os riscos e a importância da vacinação é vital.

Armadilhas e Erros Comuns:
Não assuma que uma dose é automaticamente vitalícia em todas as situações de risco. Para trabalhadores com exposição contínua e prolongada, a dose de reforço pode ser considerada. Além disso, sempre verifique as contraindicações antes de indicar a vacina, especialmente em gestantes e imunossuprimidos.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

Vacinação Ocupacional: Questão ANAMT 2018
Um empregado realizou todas as 3 doses da vacina de hepatite B, e após 60 dias realizou a sorologia, mas não apresentou resposta sorológica. O que é necessário se fazer?
  • A) Realizar uma dose de vacina e se não responder, enquadrar como não respondedor e retirar do risco biológico.
  • B) Repetir as 3 doses e se não responder enquadrar como não respondedor.
  • C) Retirar do risco biológico e realizar readaptação profissional já que não responde à vacinação.
  • D) Repetir o ciclo de vacina até o empregado responder, pois é necessário que o mesmo tenha resposta sorológica para estar apto a trabalhar com risco biológico, visando sua saúde e segurança.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. Conforme os protocolos do Ministério da Saúde e o Manual do PCMSO/Fundacentro, em casos de ausência de resposta sorológica após o esquema inicial completo de 3 doses da vacina de hepatite B, recomenda-se repetir o esquema com mais 3 doses. Após isso, se ainda assim não houver resposta, o indivíduo será considerado não respondedor.
Referência: Manual de Imunização do Ministério da Saúde (2022), NR-07, Fundacentro – PCMSO.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – A conduta não é aplicar apenas 1 dose adicional. O protocolo é repetir o esquema completo com 3 doses.
  • Alternativa C: INCORRETA – O afastamento imediato e readaptação não são a conduta indicada nessa fase, pois ainda há protocolo de revacinação a ser seguido.
  • Alternativa D: INCORRETA – Repetir sucessivamente até haver resposta não é indicado. Após duas séries completas sem resposta, o indivíduo é considerado não respondedor, e devem ser adotadas medidas administrativas e de proteção.

Preparatório ANAMT 202

23

MedWorkedu

Pessoas com Deficiência (PCD) no Trabalho
Promover a inclusão e garantir um ambiente de trabalho acessível e equitativo para Pessoas com Deficiência (PCD) é fundamental para o desenvolvimento social e econômico das organizações. Esta disciplina abordará os principais aspectos da inserção de PCDs no ambiente laboral, desde a legislação até as melhores práticas de acolhimento e desenvolvimento.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

PCD no Trabalho
Os conceitos essenciais sobre Pessoas com Deficiência (PCD) na Medicina do Trabalho, desde a legislação até as nuances do diagnóstico e da prática diária:
Conceito Legal (LBI/Lei 13.146)
PCD é quem tem impedimento de longo prazo (físico, mental, intelectual ou sensorial) que, em interação com barreiras, restringe sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições.
Foco no impacto e nas barreiras, não apenas no diagnóstico.
Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF/OMS)
Descreve funcionalidade e incapacidade (funções/estruturas, atividades, participação) e fatores contextuais (ambientais/pessoais), auxiliando na compreensão das limitações e barreiras para propor ajustes.
Adaptação Razoável & Acessibilidade
Ajustes necessários e adequados, sem ônus desproporcional, que garantem à PCD o pleno exercício de seus direitos e liberdades. A recusa em adaptar é considerada discriminação.
Adaptação Razoável ≠ favor: é direito!
Lei de Cotas (Lei 8.213/91, Art. 93)
Obrigação de empresas com 100 ou mais empregados a preencher parte de seus cargos com PCD ou reabilitados do INSS.
Em caso de dispensa de PCD com contrato indeterminado, exige-se a substituição por outro PCD ou reabilitado.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

Critérios Objetivos de Enquadramento
Auditiva
Perda bilateral ≥ 41 dB nas médias de 500, 1000, 2000 e 3000 Hz (audiograma).
Exemplo: perda unilateral de 45 dB NÃO enquadra.
Visual
Cegueira: acuidade ≤ 0,05 (20/400) no melhor olho com melhor correção, ou campo visual ≤ 10°.
Baixa Visão: acuidade entre 0,3 e 0,05 no melhor olho com melhor correção, ou campo visual < 60°.
Exemplo: campo visual somado > 60° NÃO enquadra.
Física
Alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo que acarreta comprometimento da função física (p. ex., ostomias permanentes, amputações).
Intelectual e Múltipla
Intelectual: início antes dos 18 anos, com limitações significativas em habilidades adaptativas.
Múltipla: associação de duas ou mais deficiências.
Papel do Médico do Trabalho (NR-7/PCMSO & Ética)
No exame admissional/periódico: foco na funcionalidade e compatibilidade com ou sem ajustes.
Sigilo e não discriminação são princípios éticos fundamentais.
Documentação de laudos/diagnósticos pertinentes, resumo da CIF e condutas.
Reabilitados do INSS contam para a cota de PCD.
Garantir orientação e registro, mas não penalizar por recusa de intervenções clínicas não obrigatórias.

Erros Clássicos em Provas:
  • Confundir HBsAg com anti-HBs na avaliação pós-vacina.
  • Incluir aprendizes no denominador da cota de PCD.
  • Exigir mesmo tipo/grau de deficiência para substituir vaga reservada.
  • Usar frequências 4–8 kHz para deficiência auditiva legal (não são as do decreto).

Preparatório ANAMT 202

26

MedWorkedu

Pessoas com Deficiência (PCD) no Trabalho: Questão ANAMT 2023
ANAMT 2023 - A inclusão da pessoa com deficiência no trabalho deve proporcionar a colocação competitiva, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, nos termos da legislação trabalhista e previdenciária. Analise atentamente as afirmações abaixo:
  1. Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
  1. A Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência (PCD) estabelece que empresas que tenham entre 100 e 200 empregados devem reservar 2% das vagas para PCD, indo até 5% em empresas com mais de mil empregados.
  1. Adaptação razoável significa as modificações e os ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional ou indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam gozar ou exercer, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e liberdades fundamentais. A recusa em adotar estas adaptações é considerada uma forma de discriminação.
Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas CORRETAS:
  • A) I, II e III.
  • B) I e III.
  • C) II e III.
  • D) Apenas a II.
  • E) I e III.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. Todas as afirmativas estão corretas:
  • I — corresponde à definição de pessoa com deficiência conforme a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ratificada pelo Brasil).
  • II — reflete os percentuais estabelecidos pela Lei nº 8.213/91 (Lei de Cotas) para a reserva de vagas.
  • III — o conceito de adaptação razoável é compatível com a Convenção e com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI).
Referência: Lei nº 8.213/91; Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015).
Outras Alternativas
  • Alternativas B, C, D, E: INCORRETAS – Todas as outras alternativas estão incorretas por omitirem ou considerarem apenas parcialmente as afirmativas corretas. As três afirmativas (I, II e III) estão em plena conformidade com a legislação e conceitos vigentes sobre inclusão de PCD no trabalho.

Preparatório ANAMT 202

27

MedWorkedu

Pessoas com Deficiência (PCD) no Trabalho: Questão ANAMT 2024
ANAMT 2024 - A Lei n.º 13.146/2015, denominada Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência ou mesmo Estatuto da Pessoa com Deficiência, define que se considera pessoa com deficiência, aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. As ações afirmativas são medidas que visam promover a inclusão de grupos notoriamente e historicamente discriminados, viabilizando o acesso aos espaços sociais e o gozo de direitos fundamentais. Em relação a este tema, dentre as alternativas abaixo, assinale a alternativa CORRETA:
A) As pessoas reabilitadas pelo INSS, não estão inseridas no contexto das ações afirmativas, e, portanto, não estão inseridas nas cotas e nas ações afirmativas.
B) Para cálculo da cota de empregados com deficiência, utiliza-se o número de empregados da totalidade de estabelecimentos da empresa no Brasil, inclusive, os empregados com deficiência, excluindo-se do cálculo os aprendizes e os que estão com contrato suspenso por aposentadoria por invalidez.
C) Poderá haver a sobreposição das cotas de aprendiz e deficiência, mesmo cada uma delas tendo finalidades e condições próprias.
D) Na dispensa imotivada em contrato por prazo indeterminado, não há a obrigatoriedade de contratação de outro trabalhador com deficiência ou beneficiário reabilitado da Previdência Social.
E) A Lei n.º 8.213/1991, em seu art. 93, estabelece que a empresa com 400 empregados esteja obrigada a preencher de 4% (quatro por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. Conforme a Lei 8.213/91, art. 93, e o Manual de Acessibilidade da Previdência, o cálculo da cota de PCD considera a totalidade de empregados da empresa no Brasil. Excluem-se do cálculo os aprendizes e empregados com contrato suspenso por aposentadoria por invalidez.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – A Lei 8.213/91 inclui expressamente os reabilitados do INSS como beneficiários das ações afirmativas e cotas.
  • Alternativa C: INCORRETA – As cotas de aprendiz e de deficiência não se sobrepõem, pois possuem finalidades e regulamentações distintas.
  • Alternativa D: INCORRETA – A dispensa imotivada de trabalhador com deficiência exige substituição por outro em condição semelhante, conforme o §1º do art. 93 da Lei 8.213/91.
  • Alternativa E: INCORRETA – Para empresas com 400 empregados, a porcentagem correta de cotas é de 3%, e não 4%, de acordo com a Lei 8.213/91.

Preparatório ANAMT 202

28

MedWorkedu

Pessoas com Deficiência (PCD) no Trabalho: Questão ANAMT 2022
ANAMT 2022 - Assinale a alternativa que contempla os critérios do Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, na categoria de Deficiente Auditivo, para uma candidata ao cargo de assistente administrativa:
A) Perda auditiva bilateral, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, nas médias aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.
B) Perda auditiva unilateral, de trinta decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 250Hz, 500Hz, 1.000Hz e 2.000Hz.
C) Perda auditiva bilateral, de cinquenta decibéis (dB) ou mais, aferida apenas nas frequências de 500Hz e 1.000Hz.
D) Perda auditiva bilateral, de trinta e cinco decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz, 3.000Hz e 4.000Hz.
E) Perda auditiva bilateral, de quarenta e cinco decibéis (dB) ou mais, nas médias aferida por audiograma apenas nas frequências de 2.000Hz e 3.000Hz.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA.
  • Corresponde exatamente à definição legal do Decreto nº 5.296/2004, que estabelece deficiência auditiva como perda bilateral, parcial ou total, de 41 dB ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.
Referência: Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA – Perda unilateral não se enquadra nos critérios legais de deficiência auditiva.
  • Alternativa C: INCORRETA – Considera apenas duas frequências, não atendendo ao critério legal completo.
  • Alternativa D: INCORRETA – Utiliza limiar menor (35 dB) e inclui uma frequência (4.000Hz) não prevista no decreto para a definição.
  • Alternativa E: INCORRETA – Considera limiar diferente (45 dB) e apenas duas frequências, divergindo do estabelecido.

Preparatório ANAMT 202

29

MedWorkedu

Pessoas com Deficiência (PCD) no Trabalho: Questão ANAMT 2015
ANAMT 2015 - Para fins de caracterização de pessoa deficiente visual, considera-se como Baixa Visão quando a Acuidade Visual encontra-se entre:
A) 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica.
B) 0,5 e 0,3 no melhor olho, independente da correção óptica.
C) 0,5 e 0,05 no melhor olho, independente da correção óptica.
D) 0,3 e 0,5 no melhor olho, com a melhor correção óptica.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA.
  • A definição de baixa visão, conforme o Decreto nº 5.296/2004, estabelece acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica possível. Este é o critério legal para enquadramento como pessoa com deficiência visual.
Referência: Decreto nº 5.296/2004, Anexo, inciso II.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA – Os valores estão fora da faixa legal e desconsideram a necessidade de melhor correção óptica.
  • Alternativa C: INCORRETA – Também apresenta valores fora dos limites e ignora o critério de correção óptica.
  • Alternativa D: INCORRETA – Os valores de acuidade visual estão invertidos e incorretos em relação à faixa legal definida pelo Decreto.

Preparatório ANAMT 202

30

MedWorkedu

Epidemiologia Ocupacional
Desvendando padrões e fatores de risco para a saúde e segurança no ambiente de trabalho através da análise de dados, a epidemiologia ocupacional investiga sistematicamente a distribuição e os determinantes de doenças e lesões em populações trabalhadoras. Este campo vital contribui diretamente para a prevenção de enfermidades e acidentes, bem como para a formulação de políticas eficazes de saúde e segurança no trabalho.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Epidemiologia Ocupacional
Assunto: Promoção da saúde
A Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) traz em sua base o conceito ampliado de saúde e o referencial teórico da promoção da saúde como um conjunto de estratégias e formas de produzir saúde, no âmbito individual e coletivo. Assinale a alternativa INCORRETA sobre os objetivos específicos da PNPS.
A) Estabelecer estratégias de comunicação social e mídia direcionadas ao fortalecimento dos princípios e ações em promoção da saúde e à defesa de políticas públicas saudáveis.
B) O respeito às diversidades, que reconhece, respeita e explicita as diferenças entre sujeitos e coletivos, abrangendo as diversidades étnicas, etárias, de capacidade, de gênero, de orientação sexual, entre territórios e regiões geográficas, dentre outras formas e tipos de diferenças que influenciam ou interferem nas condições e determinações da saúde.
C) Promover a cultura da paz em comunidades, territórios e Municípios.
D) Promover processos de educação, formação profissional e capacitação específicas em promoção da saúde, de acordo com os princípios e valores expressos nesta Portaria, para trabalhadores, gestores e cidadãos.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
  • A PNPS (Portaria GM nº 2.446/2014) define objetivos específicos que incluem: comunicação social pró-saúde e defesa de políticas públicas saudáveis; promoção da cultura de paz; e processos de educação/capacitação em promoção da saúde, entre outros.
  • “respeito às diversidades” constitui princípio/valor transversal da PNPS (fundamento ético e diretriz), não um objetivo específico. Por isso, a alternativa b está INCORRETA, enquanto a, c e d expressam objetivos/ações previstos.
Referência: Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM nº 2.446, de 11/11/2014 – Redefine a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS).
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA (como objetivo). A PNPS prevê estratégias de comunicação e defesa de políticas públicas saudáveis.
  • Assertiva B: INCORRETA (GABARITO). “Respeito às diversidades” é princípio/valor norteador da PNPS, não objetivo específico.
  • Assertiva C: CORRETA(como objetivo). Promover a cultura da paz é objetivo/ação da PNPS.
  • Assertiva D: CORRETA (como objetivo). A PNPS prevê educação, formação e capacitação em promoção da saúde para trabalhadores, gestores e cidadãos.

Preparatório ANAMT 202

32

MedWorkedu

Prevalência x Incidência: o que mede cada uma?
Para compreender a dinâmica das doenças e condições de saúde no ambiente de trabalho, é fundamental distinguir entre prevalência e incidência.
Prevalência
Representa o total de casos (novos + antigos) de uma doença ou condição presente em uma população definida, em um determinado momento ou período. É uma medida de "quantos existem".
Uso típico: Avaliar a carga de uma doença na população e planejar recursos de saúde.
Incidência
Refere-se ao número de casos novos de uma doença que surgem em uma população sob risco, durante um intervalo de tempo específico. É uma medida de "quantos surgem".
Uso típico: Estudar a velocidade de ocorrência de novas doenças e identificar fatores de risco.
Mini-Exemplo
1
Cálculo de Prevalência
Em uma empresa com 1.000 trabalhadores em 01/07, se 120 apresentaram lombalgia naquele dia, a prevalência pontual de lombalgia é de:
120 casos / 1.000 trabalhadores = 12%
2
Cálculo de Incidência
Considerando os 880 trabalhadores sem lombalgia em 01/07, se 40 novos casos de lombalgia surgiram entre 01/07 e 31/12, a incidência é de:
40 casos novos / 880 trabalhadores sob risco = ~4,5%

Atenção: Não confunda a porcentagem de casos ao longo de um ano com incidência. Para a incidência, sempre verifique o tempo de acompanhamento e se são exclusivamente casos novos em uma população sob risco.
Epidemiologia Ocupacional
ANAMT 2022 - Em epidemiologia, o termo PREVALÊNCIA refere-se ao número de casos:
  • A) Mede o número de casos novos, episódios ou eventos, que ocorrem dentro de um período definido de tempo.
  • B) Refere-se ao número de novos eventos ou casos novos que ocorrem em uma população de indivíduos em risco durante um determinado período de tempo.
  • C) Prevalência é a medida do número total de casos existentes de uma doença em um ponto ou período de tempo e em uma população determinada, distinguindo se são casos novos ou não.
  • D) A prevalência não é um indicador da magnitude da presença de uma doença ou outro evento de saúde na população.
  • E) Número de casos novos, mais os casos já existentes de uma determinada doença, num determinado tempo, num determinado local.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. A prevalência mede o total de casos (novos e antigos) de uma doença ou condição em uma população em um ponto ou período de tempo. É crucial para estimar a carga de doenças crônicas e o planejamento de recursos em saúde.
Referência: Rothman KJ, Epidemiology: An Introduction, 2nd ed., 2012; Medronho et al., 2009.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Descreve a definição de incidência (casos novos).
  • Alternativa B: INCORRETA – Também descreve a incidência, não a prevalência.
  • Alternativa D: INCORRETA – A prevalência é, sim, um indicador essencial da magnitude da doença na população.
  • Alternativa E: INCORRETA – A formulação é imprecisa, não refletindo a definição técnica clara de prevalência como na alternativa C.

Preparatório ANAMT 202

34

MedWorkedu

Como Calcular a Prevalência em um Estudo Transversal
Estudos transversais capturam uma "foto" da população em um momento. São ideais para medir a prevalência de doenças e condições de saúde.
A fórmula para o cálculo da prevalência é direta:
Prevalência = \frac{\text{Número de casos existentes}}{\text{População total avaliada}}
Veja um exemplo prático:
23.3%
Silicose
Em um estudo com 1.500 trabalhadores expostos, 350 apresentaram diagnóstico de silicose. A prevalência é de 350/1500 = 23,3%.
Atenção: Estudos transversais não permitem inferir a incidência, pois não há seguimento temporal da população, apenas um panorama estático.

Exemplo Prático: Calculando a Prevalência
Em uma empresa metalúrgica com 800 trabalhadores, foi realizado um estudo transversal para avaliar a prevalência de perda auditiva ocupacional. Todos os trabalhadores foram submetidos a audiometria no mesmo período (março de 2024). Os resultados mostraram que 160 trabalhadores apresentavam perda auditiva compatível com PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído).
Questão: Qual a prevalência de PAIR nesta população?
  • a) 10%
  • b) 15%
  • c) 20%
  • d) 25%
  • e) 30%
Resolução:
Prevalência = (Número de casos existentes / População total) × 100
Prevalência = (160 / 800) × 100 = 20%
Resposta correta: c) 20%
Este é um estudo transversal típico: todos foram avaliados no mesmo momento, permitindo calcular a prevalência (casos existentes) da condição na população trabalhadora.

Preparatório ANAMT 202

35

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Epidemiologia Ocupacional
Assunto: Prevalência x Incidência x Letalidade
Em epidemiologia, alguns conceitos são importantes, principalmente quando estão relacionados Medidas de Frequência de Doenças. Assinale abaixo, a alternativa CORRETA sobre o cálculo do Coeficiente de Letalidade:
A) É calculado dividindo-se o número de óbitos por determinada doença em uma localidade, pelo total da população daquele lugar.
B) É calculado dividindo-se o número de óbitos de uma determinada doença em um local, pelo número de casos da doença no mesmo local e período.
C) É calculado dividindo-se o número de óbitos por determinada doença em um local, pelo número de casos novos da mesma doença no mesmo local.
D) É calculado dividindo-se o número de óbitos por determinada doença em um local, pelo número de sobreviventes da doença naquela população.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
B é Correta: O coeficiente de letalidade (case-fatality ratio/proportion) expressa a gravidade da doença entre os doentes: número de óbitos entre os casos dividido pelo número total de casos da doença no mesmo local e período (×100). Distingue-se de taxa de mortalidade (óbitos/população total) e não usa “sobreviventes” no denominador.
Referência: Fletcher R, Fletcher S, Fletcher G. Epidemiologia Clínica: Elementos Essenciais.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Define mortalidade (óbitos/população), não letalidade (Fletcher).
  • Assertiva C: ERRADA. Restringe indevidamente o denominador a casos novos; a letalidade considera todos os casos pertinentes ao período/coorte analisado (Fletcher).
  • Assertiva D: ERRADA. “Óbitos/sobreviventes” não é medida padrão e distorce a interpretação de gravidade (Fletcher).

Preparatório ANAMT 202

36

MedWorkedu

Epidemiologia Ocupacional
ANAMT 2015 - Estudo transversal realizado com um grupo de 1.500 trabalhadores expostos à sílica livre em atividade de lapidação de pedras semipreciosas, por mais de cinco anos, revelou que 350 trabalhadores apresentam alterações compatíveis com quadro de Silicose, ao exame radiológico realizado segundo o padrão OIT. Entre as afirmativas a seguir, assinale a alternativa correta:
  • A) A incidência de Silicose nesse grupo é de 23,3%.
  • B) A prevalência de Silicose nesse grupo é de 23,3%.
  • C) Não é possível estimar a prevalência nem a incidência da doença.
  • D) A incidência e a prevalência da doença são idênticas.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. Em estudos transversais, como o descrito no enunciado, mede-se a prevalência, pois a informação é coletada em um único ponto no tempo, sem acompanhamento longitudinal. Como 350 de 1.500 trabalhadores apresentaram silicose, a prevalência é de 23,3%.
Referência: Medronho et al., Epidemiologia, 2ª ed., 2009.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Incidência requer acompanhamento no tempo e identificação de casos novos, o que não ocorre em estudos transversais.
  • Alternativa C: INCORRETA – É possível estimar a prevalência em estudos transversais, como neste caso.
  • Alternativa D: INCORRETA – A incidência e a prevalência raramente são idênticas e representam conceitos diferentes.

Preparatório ANAMT 202

37

MedWorkedu

Observacionais x Intervenção + o Erro Comum da Coorte "Retrospectiva"
A escolha do desenho de estudo é fundamental para a validade dos resultados em epidemiologia ocupacional. Compreender as diferenças evita interpretações equivocadas e garante a correta aplicação dos achados.
Estudos Observacionais
O pesquisador observa e analisa relações entre exposição e desfecho sem intervir diretamente. Essenciais para identificar padrões e gerar hipóteses.
  • Transversal
  • Caso-Controle
  • Coorte
Estudos de Intervenção
O pesquisador introduz uma intervenção (ex: um novo tratamento ou programa) e avalia seus efeitos. Visam estabelecer causalidade.
  • Ensaio Clínico Randomizado
  • Ensaio Quase-Experimental
O ensaio clínico (especialmente randomizado e cego) é o padrão-ouro para causalidade de intervenções.
A Armadilha da Coorte "Retrospectiva"
A coorte retrospectiva, muitas vezes mal compreendida, utiliza dados históricos já registrados (ex: prontuários, registros de admissão) para acompanhar a evolução de grupos expostos e não expostos ao longo do tempo. Apesar de usar dados "passados", a lógica de investigação ainda parte da exposição para o desfecho, como em uma coorte prospectiva, e não do desfecho para a exposição (como em um caso-controle).
Quadro-Resumo dos Desenhos de Estudo
Transversal
Registra exposição e desfecho no mesmo momento. Como uma "foto" da população.
Caso-Controle
Parte do desfecho (doentes vs. não-doentes) e busca exposições pregressas. "Olha para trás".
Coorte
Parte da exposição (expostos vs. não-expostos) e observa o desenvolvimento do desfecho ao longo do tempo. "Olha para frente".

Preparatório ANAMT 202

38

MedWorkedu

Epidemiologia Ocupacional
ANAMT 2024 - O delineamento de um estudo clínico é um tópico complexo. É fundamental que se escolha entre desempenhar um papel passivo, simplesmente fazendo aferições nos sujeitos do estudo, ou aplicar uma intervenção e examinar seus efeitos. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA:
  • A) Quando se realiza aferições nos sujeitos de um estudo, trata-se de um estudo observacional.
  • B) O estudo de coorte e o estudo transversal são estudos observacionais.
  • C) O estudo de coorte retrospectivos inicia no presente e seguem os sujeitos no tempo.
  • D) No estudo do tipo caso-controle, dois grupos são selecionados a partir da presença ou ausência de um desfecho.
  • E) O ensaio clínico randomizado cego, é considerado o padrão-ouro para estabelecer causalidade e efetividade de intervenções.
Gabarito Comentado
C: INCORRETA. Estudos de coorte retrospectivos utilizam dados já existentes para analisar a exposição passada e seus desfechos, não iniciando no presente para seguir os sujeitos adiante. Esse último cenário descreve um estudo de coorte prospectivo.
Referência: Delineando a Pesquisa Clínica, 4ª ed., 2015.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA – A afirmativa está correta. Estudos observacionais, como o próprio nome indica, observam e coletam dados sem qualquer intervenção ativa por parte do pesquisador.
  • Alternativa B: CORRETA – A afirmativa está correta. Tanto estudos de coorte (sejam retrospectivos ou prospectivos) quanto estudos transversais são classificações de estudos observacionais, pois não há manipulação de variáveis ou intervenção.
  • Alternativa D: CORRETA – A afirmativa está correta. Estudos caso-controle são delineamentos observacionais que selecionam indivíduos com uma condição (casos) e sem a condição (controles) para investigar retrospectivamente suas exposições a fatores de risco.
  • Alternativa E: CORRETA – A afirmativa está correta. O ensaio clínico randomizado e cego é amplamente considerado o padrão-ouro em pesquisa clínica para avaliar a eficácia e segurança de intervenções devido ao seu alto controle sobre vieses.

Preparatório ANAMT 202

39

MedWorkedu

É transversal, caso-controle ou coorte?
Treinar a identificação do tipo de estudo epidemiológico pelo jeito de coletar os dados é crucial para a prática.
Caso-Exemplo: Coqueria vs. Administrativo
Em um estudo, dois grupos de trabalhadores (da coqueria e do setor administrativo) foram avaliados em um único momento para medir a ocorrência de leucopenia. Este é um exemplo de Estudo Transversal, pois a coleta de dados sobre exposição e desfecho ocorreu simultaneamente.
Checklist Rápido para Identificação
Foto Única no Tempo?
Se a exposição e o desfecho são medidos em um só momento, como um "instantâneo" da população, trata-se de um Estudo Transversal.
Começa do Desfecho (Doente/Não Doente)?
Quando o estudo parte de indivíduos com o desfecho (casos) e sem o desfecho (controles) para investigar exposições passadas, é um Estudo Caso-Controle.
Acompanha no Tempo a Partir da Exposição?
Se o estudo seleciona grupos com e sem a exposição e os segue ao longo do tempo para observar o desenvolvimento do desfecho, é um Estudo de Coorte.
Exercício Relâmpago (ANAMT 2018)
Em um estudo realizado em uma siderúrgica, foi avaliada a prevalência de doenças respiratórias em seus funcionários no ano de 2017. Que tipo de estudo foi conduzido?

Resposta: Estudo Transversal. Pois avalia a situação em um ponto específico no tempo.

Preparatório ANAMT 202

40

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Epidemiologia Ocupacional
Assunto: Desenhos de estudo clínico
A ciência clínica depende de aferições quantitativas. Os desfechos clínicos como a ocorrência de doença, morte, sintomas ou deficiência funcional, podem ser contados e expressos em números. Para a condução de uma pesquisa clínica, alguns conceitos são necessários. Observe a figura abaixo e identifique os conceitos CORRETOS em um estudo epidemiológico.
A) “A” se refere à Amostragem e “B” à população do estudo.
B) “A se refere à amostra e “B” ao censo.
C) “A” se refere à população do estudo e “B” a amostra.
D) “A” se refere ao censo e “B” a população do estudo.
Gabarito Comentado
A alternativa correta é a LETRA C .
C é Correta: Em estudos epidemiológicos, população do estudo é o conjunto-alvo de interesse; amostra é o subconjunto selecionado dessa população; amostragem é o processo de seleção e censo envolve toda a população. Logo, “A” (população) e “B” (amostra) é a associação correta.
Referências: Fletcher RH, Fletcher SW, Fletcher GS. Epidemiologia Clínica: Elementos Essenciais.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Confunde amostragem (processo) com população (conjunto); “A” não é amostragem e “B” não é população.
  • Assertiva B: ERRADA. “A” não é amostra e “B” não é censo; censo implica incluir toda a população, não apenas “B”.
  • Assertiva D: ERRADA. Inverte os conceitos: censo ≠ “A” e população ≠ “B”; no censo, avalia-se toda a população.

Preparatório ANAMT 202

41

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Epidemiologia Ocupacional
Assunto: Desenhos de estudo clínico
Em estudos observacionais, é possível existir uma diferença sistemática entre os indivíduos selecionados para os grupos de exposição (coorte) ou desfecho (caso-controle) e para o controle, ou, ainda, se essas diferenças estiverem relacionadas a quem participa e quem não participa do estudo, podendo afetar a comparabilidade entre os grupos e a generalização. Assinale abaixo, a alternativa CORRETA em relação a este conceito em epidemiologia.
A) Vieses de aferição.
B) Vieses de informação.
C) Vieses de confusão.
D) Vieses de seleção.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA D.
Vieses de seleção são erros sistemáticos na forma como participantes são incluídos/permaneçam no estudo, produzindo grupos não comparáveis e prejudicando validade interna e externa (generalização). Exemplos: “volunteer bias”, “healthy worker effect”, perdas diferenciais no seguimento. Em Fletcher & Fletcher, são distinguidos de vieses de informação (erros na mensuração) e de confusão (mistura do efeito de um fator extranho). Referência: Fletcher R, Fletcher S, Fletcher G. Epidemiologia Clínica: Elementos Essenciais.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Vieses de aferição/informação referem-se a erro sistemático de medida (classificação/mensuração) de exposição/desfecho, não à seleção dos participantes (Fletcher).
  • Assertiva B: ERRADA. Sinônimo de viés de aferição; não descreve a diferença sistemática na inclusão/participação (Fletcher).
  • Assertiva C: ERRADA. Confusão ocorre quando um terceiro fator se associa à exposição e ao desfecho distorcendo a associação; não é problema de seleção de participantes (Fletcher).

Preparatório ANAMT 202

42

MedWorkedu

Epidemiologia Ocupacional
ANAMT 2018 - Dois grupos de funcionários de uma siderúrgica, sendo um deles de trabalhadores de coqueria e outro de trabalhadores de setor administrativo, foram submetidos a exames clínicos e laboratoriais, sendo constatados casos de leucopenia entre os primeiros em uma razão 10 (dez) vezes maior que entre os do segundo grupo. Trata-se de um estudo:
  • A) De caso-controle, prospectivo
  • B) De caso-controle, retrospectivo
  • C) Transversal
  • D) De coorte, retrospectivo
  • E) De coorte, prospectivo
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. Estudos transversais avaliam simultaneamente a exposição e o desfecho em uma população, como ocorre neste caso, onde os trabalhadores foram examinados em um único ponto no tempo, sem acompanhamento longitudinal. A identificação de leucopenia nos trabalhadores da coqueria e a comparação com o grupo administrativo em um dado momento caracteriza este tipo de estudo.
Referência: Bonita, R., Beaglehole, R., Kjellström, T. Basic Epidemiology, 2nd ed., 2006.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Estudos de caso-controle são retrospectivos e partem do desfecho para a exposição.
  • Alternativa B: INCORRETA – Embora retrospectivo, o estudo não investiga a exposição a partir de um desfecho já conhecido.
  • Alternativa D: INCORRETA – Estudos de coorte envolvem seguimento ao longo do tempo, o que não foi descrito.
  • Alternativa E: INCORRETA – Estudos de coorte prospectivos acompanham os indivíduos para observar o surgimento de desfechos, o que não é o caso aqui.

Preparatório ANAMT 202

43

MedWorkedu

Risco Relativo (RR): Quantas Vezes o Risco Muda?
Compreender e interpretar o Risco Relativo (RR) é fundamental para avaliar a força da associação entre uma exposição e um desfecho, indicando a probabilidade de um evento em grupos expostos versus não expostos.
A Fórmula do Risco Relativo (RR)
O Risco Relativo é calculado pela divisão da incidência nos expostos pela incidência nos não expostos:
RR = Incidência nos Expostos / Incidência nos Não Expostos
Como Interpretar o RR
RR = 1
Não há associação entre a exposição e o desfecho. O risco é o mesmo para ambos os grupos.
RR > 1
A exposição é um fator de risco. Por exemplo, RR = 2,0 significa que os expostos têm o dobro do risco de desenvolver o desfecho.
RR < 1
A exposição tem um efeito protetor. Por exemplo, RR = 0,5 significa que os expostos têm metade do risco de desenvolver o desfecho.
Mini-Exemplo Prático
Considere um estudo onde:
  • Incidência em expostos: 30 casos em 300 pessoas (30/300 = 0,10)
  • Incidência em não expostos: 10 casos em 400 pessoas (10/400 = 0,025)
RR = 0,10 / 0,025 = 4,0
Neste caso, os expostos têm 4 vezes mais risco de desenvolver o desfecho em comparação com os não expostos.
Pegadinhas Comuns
Incidência, Não Prevalência
O RR sempre utiliza medidas de incidência, que avaliam novos casos em um período de tempo, e não prevalência (casos existentes).
Diferença de Risco (Risco Atribuível)
Não confunda RR com Risco Atribuível (RA), que é a diferença de incidência (Iexpostos - Inão expostos). O RR é uma razão, enquanto o RA é uma diferença.

Preparatório ANAMT 202

44

MedWorkedu

Epidemiologia Ocupacional
ANAMT 2022 – Com relação à Epidemiologia Ocupacional, é correto afirmar:
  • A) RISCO ATRIBUÍVEL (RA) É a soma entre a incidência nos expostos e a incidência nos não expostos
  • B) O risco absoluto mostra quantos casos da doença tem no grupo em um dado período.
  • C) O RISCO RELATIVO (RR): Informa quantas vezes o risco é menor em um grupo, quando comparado a outro
  • D) O risco relativo (RR) é a razão entre a incidência da doença entre expostos e entre não expostos a determinado risco
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. O risco relativo (RR) é a razão entre a incidência de um evento (ex.: doença) no grupo exposto e no grupo não exposto. Ele expressa quantas vezes o risco é maior (ou menor) nos expostos, sendo fundamental para a inferência de associação entre causa e efeito.
Referência: Medronho et al., Epidemiologia, 2ª ed., 2009.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – O risco atribuível é a diferença entre a incidência nos expostos e a nos não expostos, e não a soma.
  • Alternativa B: INCORRETA – A definição está vaga e imprecisa; o termo “risco absoluto” é raramente usado formalmente na epidemiologia.
  • Alternativa C: INCORRETA – O RR informa quantas vezes o risco é maior ou menor entre os grupos, e não apenas quando é menor.

Preparatório ANAMT 202

45

MedWorkedu

VPP/VPN: por que mudam conforme a população?
Os valores preditivos de um teste diagnóstico são cruciais para a prática médica, mas sua interpretação exige a compreensão de como a prevalência da doença na população estudada influencia diretamente esses valores. Testes que parecem excelentes em uma população podem ter desempenho muito diferente em outra.
Valor Preditivo Positivo (VPP)
O VPP representa a probabilidade de que um indivíduo realmente tenha a doença, dado que seu resultado de teste foi positivo. É a proporção de verdadeiros positivos entre todos os resultados positivos.
Valor Preditivo Negativo (VPN)
O VPN representa a probabilidade de que um indivíduo realmente não tenha a doença, dado que seu resultado de teste foi negativo. É a proporção de verdadeiros negativos entre todos os resultados negativos.
Enquanto a sensibilidade (capacidade de detectar doentes) e a especificidade (capacidade de identificar não doentes) de um teste são características inerentes ao próprio teste e, portanto, fixas, o VPP e o VPN variam drasticamente conforme a prevalência da doença na população testada. Em populações com baixa prevalência, mesmo testes com alta especificidade podem apresentar um VPP relativamente baixo.
O Impacto da Prevalência nos Valores Preditivos
A seguir, um exemplo simplificado de como o VPP de um teste com sensibilidade e especificidade fixas (90% cada) pode mudar em populações com diferentes prevalências.
Neste exemplo, um teste com 90% de sensibilidade e 90% de especificidade tem um VPP de apenas 8.3% em uma população com 1% de prevalência (População A), mas sobe para 50% em uma população com 10% de prevalência (População B). Isso demonstra a importância de considerar a prevalência ao interpretar os resultados dos testes.
Pegadinhas Comuns
Não confundir VPP com Sensibilidade
A sensibilidade mede a capacidade do teste em identificar corretamente os verdadeiros doentes, enquanto o VPP é a probabilidade de ter a doença dado um teste positivo. São conceitos distintos, embora relacionados.
Não usar VPP de outra população
Um VPP calculado em uma população com alta prevalência não pode ser diretamente aplicado a uma população com baixa prevalência sem ajustes. A prevalência local é essencial para uma interpretação correta.
Exercício Relâmpago (ANAMT 2023)
Em um contexto de uso de testes diagnósticos em saúde ocupacional, a "estimativa por faixas de prevalência" refere-se a qual conceito?

Resposta: Valores Preditivos. A estimativa por faixas de prevalência é utilizada para ajustar e interpretar os Valores Preditivos (VPP e VPN) de um teste, reconhecendo sua dependência da prevalência da doença na população.

Preparatório ANAMT 202

46

MedWorkedu

Epidemiologia Ocupacional
ANAMT 2023 – O processo de identificar problemas e fazer diagnósticos médicos passa por etapas de raciocínio clínico que podem ser listadas através da identificação de achados anormais, localização anatômica dos achados, interpretação dos achados em termos do provável processo, formulação de hipóteses e definição de um diagnóstico. O Médico do Trabalho utiliza, em sua prática diária, os exames de rastreamento. Os trabalhadores que não apresentam queixas específicas se submetem a intervenções para identificar e modificar os fatores de risco, para evitar doenças ou para descobri-las em sua fase inicial. Em relação a Teste diagnóstico e de rastreamento, a estimativa da validade deve ser calculada por faixas de prevalência. A isso se denomina:
  • A) Valor preditivo
  • B) Probabilidade pré-teste
  • C) Especificidade
  • D) Razão
  • E) Sensibilidade
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. O valor preditivo (positivo ou negativo) está diretamente relacionado à prevalência da doença na população avaliada. Portanto, a estimativa da validade de um teste, segundo faixas de prevalência, refere-se ao valor preditivo, que indica a probabilidade de um resultado de teste ser verdadeiro, considerando a incidência da doença na população.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA – A probabilidade pré-teste refere-se à chance estimada de um paciente ter a doença antes da realização do teste, não à validade do teste em si em diferentes prevalências.
  • Alternativa C: INCORRETA – A especificidade mede a capacidade do teste em identificar corretamente os não doentes. É uma característica intrínseca do teste e não varia diretamente com a prevalência.
  • Alternativa D: INCORRETA – "Razão" é um termo muito genérico em estatística e não se refere especificamente à validade de testes diagnóstico/rastreamento em faixas de prevalência.
  • Alternativa E: INCORRETA – A sensibilidade mede a capacidade de um teste em identificar corretamente os doentes. Assim como a especificidade, é uma característica intrínseca do teste e não é calculada por faixas de prevalência.

Preparatório ANAMT 202

47

MedWorkedu

Doenças Infectocontagiosas
As doenças infectocontagiosas representam um desafio significativo na saúde ocupacional, exigindo uma abordagem estratégica para a proteção dos trabalhadores. A transmissão dessas doenças no ambiente de trabalho pode ocorrer por diversas vias, incluindo contato direto, aerossóis, gotículas e vetores, variando conforme o agente etiológico e as características da ocupação. A prevenção é multifacetada, englobando medidas de controle de engenharia, como ventilação adequada, controles administrativos, como protocolos de higiene e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), e a vacinação, quando disponível e aplicável. A vigilância epidemiológica contínua é crucial para identificar surtos, monitorar a incidência de doenças e avaliar a eficácia das intervenções. A medicina do trabalho desempenha um papel central na gestão de riscos de doenças infecciosas, desde a avaliação pré-ocupacional e periódica até a implementação de programas de prevenção, treinamento e resposta a emergências, assegurando um ambiente de trabalho seguro e saudável.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

Hanseníase: Aspectos Fundamentais e Relevância Ocupacional
A hanseníase, também conhecida como doença de Hansen, é uma infecção crônica causada pelo Mycobacterium leprae. Apesar de ser curável, ainda representa um desafio significativo de saúde pública em diversas regiões, incluindo o Brasil. A compreensão de seus aspectos fundamentais é crucial, especialmente na Medicina Ocupacional, para o diagnóstico precoce e a prevenção de incapacidades em trabalhadores expostos ou em áreas endêmicas.
O Agente e suas características
O Mycobacterium leprae é um bacilo álcool-ácido resistente de crescimento lento, não cultivável in vitro. Essa particularidade dificulta o diagnóstico laboratorial direto e sublinha a importância da clínica e epidemiologia.
Alvos primários da Doença
Ao contrário do que algumas concepções errôneas podem indicar, o M. leprae tem um tropismo marcante pela pele e pelos nervos periféricos. O comprometimento neurológico é a principal causa das incapacidades.
Espectro clínico e Resposta Imune
As manifestações clínicas da hanseníase são amplamente variáveis e dependem diretamente da resposta imune do indivíduo. Isso classifica a doença em formas paucibacilares (imunidade mais robusta) ou multibacilares (imunidade menos eficaz).
Objetivos essenciais do Tratamento
Os principais objetivos do tratamento da hanseníase são a cura da infecção, a prevenção da incapacidade física e a proteção da função neurológica, evitando sequelas permanentes.
Hanseníase na Medicina Ocupacional
Para o Médico do Trabalho, é vital estar atento à hanseníase em populações de risco, especialmente em áreas endêmicas. O diagnóstico precoce e o encaminhamento para tratamento são cruciais para a manutenção da capacidade laborativa e a prevenção da transmissão no ambiente de trabalho.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Doenças Infectocontagiosas
Assunto: Hanseníase
A Hanseníase é uma doença infecciosa de evolução crônica que, embora curável, ainda permanece endêmica em várias regiões do mundo, principalmente na Índia, no Brasil e na Indonésia. No Brasil, ainda é considerada um importante desafio em saúde pública. É causada pelo Mycobacterium leprae (M. leprae), um bacilo álcool-ácido resistente, de multiplicação lenta e não cultivável in vitro. Em relação ao tema, identifique dentre as assertivas abaixo, a que se encontra CORRETA.
A) O bacilo não afeta os nervos periféricos e a pele; acomete primariamente a mucosa do trato respiratório superior, olhos, linfonodos, testículos e órgãos internos.
B) Os objetivos primordiais do tratamento da hanseníase são a cura da infecção e a prevenção da incapacidade física, como também do comprometimento da função neurológica.
C) Os indivíduos que desenvolvem a hanseníase, apresentam manifestações clínicas muito variáveis, o que independe da interação entre a mycobacteira e o sistema imune.
D) A Hanseníase Multibacilar (MB) caracteriza-se pela presença de uma a cinco lesões cutâneas e baciloscopia obrigatoriamente negativa.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
  • O tratamento visa curar a infecção (poliquimioterapia) e prevenir incapacidades pela detecção e manejo de neuropatia/reações hansênicas, protegendo a função neurológica.
  • As demais assertivas estão incorretas: (a) a hanseníase tem tropismo por pele e nervos periféricos; (c) o espectro clínico depende fortemente da resposta imune do hospedeiro (classificação de Ridley–Jopling/operacional PB×MB); (d) a definição operacional MB é >5 lesões e, com frequência, baciloscopia positiva; PB é 1–5 lesões com baciloscopia geralmente negativa.
Referências: Ladou & Harrison. CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental, 5ª ed., AMGH, 2016; Ministério da Saúde – Diretrizes de vigilância, atenção e eliminação da hanseníase (classificação operacional PB/MB).
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA. Contradiz a fisiopatologia – o alvo principal é pele e nervos periféricos (espessamento neural, perda sensitiva).
  • Assertiva B: CORRETA (GABARITO). Alvos do tratamento são cura e prevenção de incapacidades neurológicas por detecção/tratamento precoce.
  • Assertiva C: INCORRETA. O quadro varia conforme a resposta imune (paucibacilar multibacilar; Ridley–Jopling).
  • Assertiva D: INCORRETA. Descreve critérios de PB (1–5 lesões, baciloscopia negativa); MB é >5 lesões e pode ter baciloscopia positiva.

Preparatório ANAMT 202

50

MedWorkedu

Tuberculose Ocupacional: Diagnóstico e Prevenção para Profissionais de Saúde
A Tuberculose (TB) permanece um desafio global de saúde pública, com especial preocupação no ambiente ocupacional, particularmente para os profissionais de saúde e trabalhadores em contato com populações de risco. A natureza da transmissão aérea do Mycobacterium tuberculosis torna a exposição ocupacional um fator crítico, exigindo estratégias robustas de prevenção e diagnóstico precoce para proteger a força de trabalho e controlar a disseminação da doença.
Riscos de Transmissão Ocupacional
Profissionais de saúde, trabalhadores de laboratórios e de ambientes de alta prevalência (prisões, abrigos) são grupos de alto risco. A transmissão ocorre pela inalação de aerossóis contendo bacilos viáveis, gerados ao tossir, espirrar ou falar.
Rastreamento e Diagnóstico da ILTB
A Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) é rastreada para identificar infectados antes da doença ativa, permitindo tratamento preventivo. A avaliação é realizada em exames admissionais, anualmente, no retorno ao trabalho, mudança de risco e demissão. Inclui docentes, estudantes e estagiários.
Interpretação da Prova Tuberculínica (PT)
Para profissionais de saúde, a PT é positiva com enduração ≥ 10mm. Exceções: ≥ 5mm para indivíduos com alto risco (HIV, imunobiológicos, diabetes). Conversão da PT (≥ 10mm com incremento de ≥ 6mm) indica infecção recente, com tratamento da ILTB fortemente recomendado após exclusão de TB ativa.
A adesão a essas diretrizes é crucial para proteger os profissionais de saúde, garantir a continuidade dos serviços e contribuir para a eliminação da TB no Brasil.
ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Infectocontagiosas
Assunto: Tuberculose
A Tuberculose (TB) é uma doença de transmissão aérea que se configura como um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo. O adoecimento de trabalhadores e profissionais de saúde é especialmente preocupante, pois, além das questões individuais de saúde, pode reduzir os recursos humanos disponíveis, comprometendo a qualidade e o potencial de resposta dos serviços de vigilância, além de favorecer a transmissibilidade da doença. Leia atentamente as afirmativas abaixo em relação à prevenção e diagnóstico da tuberculose em profissionais de saúde:
I. Os trabalhadores e profissionais de saúde envolvidos no atendimento e cuidado às pessoas com suspeita e diagnóstico confirmado de TB devem ser avaliados para infecção latente pelo durante o exame admissional e de forma periódica (anual), bem como nas situações de retorno ao trabalho, de mudança de riscos ocupacionais e de demissão.
II. Docentes, estudantes e estagiários, antes e durante o desenvolvimento de atividades em serviços de saúde, bem como em ambientes com risco de infecção e adoecimento por TB, não realizam o rastreamento.
III. A investigação da Infecção Latente da Turberculose (ILTB) com a Prova Tuberculínica (PT) deve ser realizada nos exames admissionais, de retorno ao trabalho e de mudança de riscos ocupacionais, além de periodicamente (anual) e em situação demissional.
IV. Para profissionais de saúde, considera-se o resultado da PT positivo quando a enduração for maior ou igual a 10mm, exceto quando houver outras comorbidades que impliquem um maior risco de TB, como HIV, diabetes e uso de imunobiológicos, dentre outras.
V. A conversão da PT, ou seja, o resultado superior a 10mm, com incremento de pelo menos 6mm em relação ao resultado encontrado no primeiro teste realizado (admissional), é considerado positivo e representa infecção (ILTB) recente. Nessa situação, o tratamento não é recomendado.
Estão CORRETAS as alternativas:
A) I, IV e V.
B) I, III e IV.
C) Apenas II e III.
D) I, II e V.
Gabarito Comentado
A alternativa correta é a LETRA B.
b) I, III e IV estão corretas.
I) Correta: Em serviços de saúde, é essencial o rastreamento de ILTB (Infecção Latente por Tuberculose) para trabalhadores e profissionais da saúde em contato com casos suspeitos ou confirmados. Isso inclui avaliação no exame admissional, periodicamente (anual), no retorno ao trabalho, em casos de mudança de riscos ocupacionais e no desligamento, conforme diretrizes para prevenção e controle da TB em serviços de saúde.
III) Correta: A investigação da ILTB utilizando a Prova Tuberculínica (PT) é recomendada nas etapas mencionadas (exames admissionais, retorno ao trabalho, mudança de riscos e periodicamente/anual, além do demissional) para identificar a infecção.
IV) Correta: Para profissionais de saúde sem imunossupressão ou outras comorbidades de risco, o resultado da PT é considerado positivo quando a enduração é maior ou igual a 10mm. Em indivíduos com alto risco de TB (como HIV positivos, diabéticos ou em uso de imunobiológicos), o ponto de corte para positividade pode ser menor (geralmente ≥ 5mm), o que é uma exceção à regra geral de 10mm.
Referências: Santos UP. Pneumologia Ocupacional. Atheneu, 2013; Torloni M; Vieira AV. Manual de Proteção Respiratória. 2ª ed., 2019.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — Inclui a afirmativa V como correta, mas a afirmativa V está incorreta, pois a conversão da PT indica infecção recente e há recomendação de tratar a ILTB após excluir a TB ativa, não o contrário.
  • Assertiva C: INCORRETA — A afirmativa II é falsa, pois docentes, estudantes e estagiários em ambientes com risco de infecção por TB devem ser rastreados para ILTB, não estão isentos. A afirmativa III é verdadeira.
  • Assertiva D: INCORRETA — Inclui as afirmativas II e V como corretas, mas ambas são falsas, conforme explicado anteriormente.

Preparatório ANAMT 202

52

MedWorkedu

Brucelose Ocupacional: Aspectos Essenciais
A brucelose é uma zoonose bacteriana sistêmica com importante relevância ocupacional, especialmente para profissionais da agropecuária, frigoríficos e laboratórios, devido ao contato direto ou indireto com animais ou produtos de origem animal infectados. Compreender sua transmissão, quadro clínico, diagnóstico e prevenção é crucial para a saúde ocupacional.
Transmissão e Grupos de Risco
Ocorre por contato com animais infectados (bovinos, caprinos, ovinos, suínos) ou seus produtos/secreções contaminadas. Consumo de leite e derivados não pasteurizados também é uma via. Grupos de alto risco incluem veterinários, fazendeiros, abatedores, açougueiros e pesquisadores.
Quadro Clínico e Desafios
Sintomas inespecíficos dificultam o diagnóstico. O quadro clássico inclui febre ondulante, sudorese noturna, fadiga, dores musculares e articulares. Pode afetar diversos órgãos e sistemas. A alta suspeição clínica e epidemiológica é essencial.
Diagnóstico Laboratorial
A confirmação exige exames laboratoriais: testes sorológicos (Rosa Bengala, aglutinação em tubo de Wright, ELISA) para anticorpos, hemoculturas para isolamento da bactéria e testes moleculares (PCR). O isolamento do agente em cultura é o padrão ouro.
Medidas Preventivas e Controle
Baseia-se em higiene rigorosa, vacinação animal (onde aplicável) e, principalmente, uso adequado de EPIs (luvas, máscaras, óculos, aventais) ao manusear animais ou fluidos contaminados. Pasteurização de produtos lácteos e educação dos trabalhadores são cruciais.
Tratamento e Acompanhamento
O tratamento é feito com antibióticos (ex: doxiciclina e rifampicina) por período prolongado para evitar recidivas. O acompanhamento clínico de trabalhadores expostos é importante. Casos assintomáticos devem ser reavaliados. Notificação compulsória é vital para controle epidemiológico.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Infectocontagiosas
Assunto: Brucelose
A Brucelose é uma doença febril causada por bactéria intracelular facultativa do gênero Brucella. É uma doença de notificação compulsória em alguns estados do Brasil. Sobre o tema, analise as informações abaixo:
I. A confirmação do diagnóstico é feita apenas pela suspeita clínica e dados epidemiológicos, uma vez que não há exames para identificação do microrganismo.
II. A exposição do trabalhador pode ocorrer por meio de suas atividades laborais ou pela ingestão de alimentos contaminados, o que dificulta a identificação da fonte de exposição.
III. Em relação ao quadro clínico, sempre é assintomático, sendo diagnosticado apenas após exames sorológicos.
IV. A utilização adequada dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), é uma medida preventiva que apresenta eficácia comprovada.
V. Trabalhadores expostos devem passar por avaliação clínica. Os assintomáticos devem ser reavaliados em 30 dias, e recebem alta do acompanhamento se permanecerem nesta condição.
Estão CORRETAS as afirmativas:
A) I, II e III.
B) II, IV e V.
C) I, IV e V.
D) I, II, IV.
Gabarito Comentado
A alternativa correta é a LETRA B.
b) II, IV e V estão corretas.
II) Correta: A exposição pode ocorrer ocupacionalmente (ex.: manejo de animais, laboratórios) ou por ingestão de alimentos contaminados, o que dificulta a identificação da fonte de exposição.
IV) Correta: A utilização de EPI adequado (luvas, proteção ocular/respiratória em procedimentos com aerossóis) é uma medida preventiva que apresenta eficácia comprovada.
V) Correta: Para expostos assintomáticos, recomenda-se avaliação clínica e reavaliação em 30 dias, com alta do acompanhamento se permanecerem nesta condição.
Referências: Ladou & Harrison, CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental; Buschinelli J.T.P., Toxicologia Ocupacional, Fundacentro, 2020.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — Inclui I e III, que são falsas. A afirmativa I é falsa porque o diagnóstico não é apenas clínico/epidemiológico: há sorologia (Rose Bengal, Wright), hemoculturas, PCR e, em centros de referência, cultura do agente. A afirmativa III é falsa porque a brucelose costuma cursar com febre ondulante, sudorese, mal-estar, artralgias, não sendo “sempre assintomática”.
  • Assertiva C: INCORRETA — Contém I (falsa) junto com IV e V.
  • Assertiva D: INCORRETA — Inclui I (falsa); II e IV são verdadeiras, mas o conjunto não corresponde ao gabarito.

Preparatório ANAMT 202

54

MedWorkedu

Dengue em Contexto Ocupacional: Implicações para a Saúde do Trabalhador
A dengue, com sua endemicidade e sazonalidade marcantes no Brasil, representa um desafio significativo para a saúde pública e, consequentemente, para a saúde ocupacional. O médico do trabalho desempenha um papel crucial na prevenção, diagnóstico precoce e manejo adequado dos casos dentro do ambiente laboral, visando proteger a força de trabalho e minimizar o impacto nas atividades produtivas.
Fatores de Risco Ocupacionais
A endemicidade e sazonalidade da dengue no Brasil implicam riscos para trabalhadores expostos, como os que atuam em ambientes externos ou em regiões de alta incidência, exigindo atenção especial à sua proteção.
Manifestações Clínicas e Sinais de Alarme
O diagnóstico precoce e a identificação de sinais de alarme são cruciais. O médico do trabalho deve monitorar casos suspeitos, diferenciando-os de outras arboviroses ou síndromes febris, como a leptospirose.
Implicações no Ambiente de Trabalho
A dengue impacta a produtividade devido a afastamentos para recuperação. O médico deve gerir o retorno seguro ao trabalho, considerando sequelas e a natureza da atividade, minimizando impactos nas operações.
Medidas Preventivas Ocupacionais
A prevenção envolve a eliminação de focos do Aedes aegypti, uso de repelentes e campanhas de conscientização. A vigilância epidemiológica e a notificação compulsória são fundamentais para o controle da doença.

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

ANAMT 2024
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Doenças Infectocontagiosas
Assunto: Dengue
A dengue é endêmica no Brasil – com a ocorrência de casos durante todo o ano, e tem um padrão sazonal, coincidente com períodos quentes e chuvosos, quando são observados o aumento do número de casos e um risco maior para epidemias. Do ponto de vista clínico, um grande desafio está na suspeita adequada e precoce para abordagem do paciente com dengue, aspecto importante para sua evolução favorável. Assinale a alternativa CORRETA em relação à Dengue.
A) O exantema é a primeira manifestação do quadro clínico, sendo predominantemente do tipo maculopapular, atingindo face, tronco e membros de forma aditiva, incluindo plantas de pés e palmas de mãos.
B) A maioria dos sinais de alarme é resultante da diminuição da permeabilidade vascular, que marca o início da deterioração clínica do paciente e sua possível evolução para o choque por extravasamento plasmático.
C) A leptospirose mesmo sendo uma Síndrome Hemorrágica febril, não faz parte do diagnóstico diferencial.
D) Paciente com sangramento espontâneo de pele ou induzido, faz parte do Grupo A no estadiamento clínico.
E) A primeira manifestação é a febre, que tem duração de dois a sete dias, geralmente alta (39ºC a 40ºC). É de início abrupto, associada a cefaleia, adinamia, mialgias, artralgias e à dor retro-orbitária.
Gabarito Comentado
A alternativa correta é a LETRA E.
E) A primeira manifestação é a febre, que tem duração de dois a sete dias, geralmente alta (39ºC a 40ºC). É de início abrupto, associada a cefaleia, adinamia, mialgias, artralgias e à dor retro-orbitária.
A alternativa E está correta, pois descreve adequadamente o início do quadro clínico da dengue, com febre alta de início súbito e sintomas típicos como cefaleia, mialgia, artralgia e dor retro-orbitária.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — O exantema não é a primeira manifestação da dengue.
  • Assertiva B: INCORRETA — A diminuição da permeabilidade vascular está associada à fase crítica, não à maioria dos sinais de alarme.
  • Assertiva C: INCORRETA — Leptospirose deve ser considerada no diagnóstico diferencial das síndromes febris hemorrágicas.
  • Assertiva D: INCORRETA — Sangramento espontâneo classifica o paciente como Grupo B, e não A.

Preparatório ANAMT 202

56

MedWorkedu

ANAMT 2024
Questão Teórica
Módulo: Miscelânea e Temas Importantes
Disciplina: Doenças Infectocontagiosas
Assunto: Leptospirose
A Leptospirose é doença febril aguda, causada pela Leptospira interrogans, transmitida para o homem, através do contato com a água contaminada pela urina dos animais infectados, principalmente os ratos. Em relação a esta patologia, identifique abaixo, a afirmativa INCORRETA.
A) A Leptospira pode sobreviver no meio ambiente por até 180 dias.
B) As manifestações clínicas dependem do sorotipo implicado e de fatores do hospedeiro.
C) A Síndrome de Weil pode estar presente em casos graves.
D) Por ser sorotipo específico, a imunidade gerada não permite outros episódios à pessoa acometida.
E) Em alguns grupos de trabalhadores, o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI), é uma medida de controle da exposição.
Gabarito Comentado
LETRA D.
Por ser sorotipo específico, a imunidade gerada não permite outros episódios à pessoa acometida.
A alternativa D está incorreta porque, embora a imunidade à leptospirose seja sorotipo específica, ela não impede completamente novos episódios, uma vez que há múltiplos sorotipos circulantes. A pessoa pode ter novos episódios se exposta a diferentes sorotipos. Fonte: Guia de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, 2024.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA — A Leptospira pode sobreviver em ambiente úmido e propício por até 180 dias, conforme evidências.
  • Assertiva B: CORRETA — A gravidade da leptospirose está relacionada tanto ao sorotipo quanto à resposta imunológica do hospedeiro.
  • Assertiva C: CORRETA — A Síndrome de Weil é uma forma grave e conhecida da doença, com icterícia, insuficiência renal e hemorragias.
  • Assertiva E: CORRETA — O uso de EPI (como botas, luvas) é medida de proteção recomendada a trabalhadores expostos a ambientes contaminados.

Preparatório ANAMT 202

57

MedWorkedu

Leptospirose: Entendendo o Contexto Ocupacional
A leptospirose é uma zoonose de grande importância para a saúde pública e ocupacional, causada pela bactéria Leptospira interrogans. A transmissão ocorre através do contato com água, solo ou alimentos contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. Em ambientes de trabalho, a exposição a esses agentes se torna um risco significativo para diversas profissões, exigindo atenção especial da Medicina do Trabalho.
Profissionais que atuam em áreas com saneamento precário, em contato direto com animais ou em ambientes úmidos e alagados, apresentam maior vulnerabilidade. A conscientização, a identificação dos grupos de risco e a implementação de medidas preventivas são cruciais para a proteção dos trabalhadores. É importante lembrar que, embora a imunidade seja sorotipo-específica, a reinfecção por diferentes sorotipos é possível, o que exige vigilância contínua.
Ocupações de Risco
  • Trabalhadores de saneamento
  • Agricultores e pecuaristas
  • Veterinários e tratadores de animais
  • Trabalhadores da construção civil
  • Militares e equipes de resgate em enchentes
Medidas Preventivas
  • Uso correto de EPIs (botas, luvas, vestimentas)
  • Controle de roedores no ambiente de trabalho
  • Saneamento adequado e higiene pessoal
  • Campanhas de vacinação animal (se aplicável)
  • Avaliação de risco e monitoramento de áreas alagadas
A atuação do médico do trabalho é fundamental na identificação de trabalhadores expostos, na educação sobre os riscos e na orientação sobre as práticas seguras, visando prevenir a doença e garantir a saúde da força de trabalho.

Preparatório ANAMT 202

58

MedWorkedu

Sobre a Autora
Médica do Trabalho, aprovada na prova de Título de Especialista da ANAMT. É referência na área de Saúde Ocupacional no estado de Goiás.
Pós-graduada em Medicina do Trabalho pela Polis, atua como médica do trabalho do SESI-GO e coordena programas de saúde, segurança e promoção da qualidade de vida em grandes organizações.
Idealizadora e professora responsável pelo MedWork, curso preparatório premium para a prova de Título de Especialista em Medicina do Trabalho da ANAMT, dedica-se a transformar a experiência de aprendizado em uma jornada estruturada, didática e eficiente.
Aliando vivência prática, profundidade acadêmica e didática diferenciada, Dra. Ludmilla tem ajudado centenas de médicos a alcançarem aprovação, conciliando rigor técnico com clareza e acessibilidade.
Na MedWork, sua missão é clara: formar especialistas altamente preparados, capazes de atuar com excelência, ética e protagonismo na Medicina do Trabalho.
Dra. Ludmilla da Silva Batista Lazzarini
CRM-GO 23364 | RQE 19435

Preparatório ANAMT 202

MedWorkedu

Preparatório ANAMT 2026
www.medworkedu.com.br
© 2026 MedWork. Todos os direitos reservados.