A MedWork é um ecossistema de ensino criado para formar e aprovar médicos na Prova de Título de Especialista em Medicina do Trabalho (ANAMT), com um padrão de didática e profundidade que respeita a complexidade real da especialidade.
Nossas apostilas são desenhadas para estudo físico e revisável, com foco em alta retenção: conceitos essenciais, quadros comparativos, tabelas de referência, pegadinhas clássicas de prova, além de questões comentadas com raciocínio objetivo — conectando teoria, normas e prática clínica ocupacional.
Este material faz parte da coleção MedWork Preparatório ANAMT 2026 e foi elaborado para ser utilizado em conjunto com as aulas, revisões e banco de questões do curso, servindo também como base de consulta rápida na rotina do médico do trabalho.

Dados Internos de Catalogação na Publicação
Biblioteca/Acervo responsável: MedWork Educação
Lazzarini, Ludmilla da Silva Batista
Apostila MedWork Preparatório ANAMT 2026 - Patologia Ocupacional.
MedWork Educação. v1. 167p.

Coleção: MedWork Preparatório ANAMT 2026 — Apostilas Oficiais
MW-ID: MW-ANAMT-2026-PAT-01-R1
1. ed. — Patologia Ocupacional / MedWork. — 1. ed. — Brasil:
MedWork Educação, 2026.
MW-CRC: MW26-[2026]-[1111]-[AMWP26]
1. MedWork — Preparatório ANAMT. 2. Medicina do Trabalho —
Patologia. 3. Educação Médica. I. Título.
Edição 2026.1
167 páginas
Idioma: Português (Brasil)
Formato: Apostila didática (impresso e/ou digital)

Endereço MedWork:
Rua K, 90, Setor Oeste, Goiânia-GO. CEP 74120-040. medworkcurso@gmail.com
Telefone (62) 99988-2658

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Índice
Patologia Geral e Conceitos
Pág. 4
  • Classificação de Schilling
  • Doença do Trabalho: Conceito Legal
Doenças Ortopédicas
Pág. 11
  • Situações Críticas para a Coluna
  • Lombalgia Ocupacional
  • Posturas Estáticas Prolongadas
  • Teste da Gaveta Anterior (LCA)
  • Manobra de Lasègue
  • Síndrome do Túnel do Carpo (STC)
  • Síndrome do Impacto do Ombro
  • Testes de Neer, Hawkins e Jobe
  • Teste de Yokum (Articulação Acromioclavicular)
  • LER/DORT: Plano Terapêutico
  • Testes Semiológicos Chave
  • "Popeye sign"
Doenças Pulmonares
Pág. 55
  • Asma Ocupacional
  • Fundamentos de Pneumoconioses
  • Sílica/Silicose
  • Asbesto/Asbestose
  • Antracose (Pneumoconiose do Carvão)
  • Pneumonite por Hipersensibilidade
Doenças Otorrinolaringológicas
Pág. 82
  • PAIR: Fisiopatologia e Prevenção
  • PAINPSE (NR-07/Anexo I)
  • DVRT (Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho)
Doenças Dermatológicas
Pág. 91
  • Dermatite de Contato: DCI x DAC
  • Agentes Clássicos: Cimento e Borracha
  • Úlcera de Cromo, Elaioconiose
  • Agentes Físicos: Frio e Radiações Ionizantes
Doenças Metabólicas e Crônicas
Pág. 103
  • DCNT no Trabalho
  • Diagnóstico de HAS
  • PA "Limítrofe"
  • Diabetes Mellitus tipo 2
  • ECG (Eletrocardiograma)
Doenças do Sistema Nervoso
Pág. 115
  • EEG (Eletroencefalograma)
Doenças Oftalmológicas
Pág. 118
  • Fundamentos Visuais no Trabalho
  • Agentes Físicos e Químicos
  • Catarata Ocupacional
  • Ceratoconjuntivites
Transtornos Mentais
Pág. 126
  • Transtornos Mentais Comuns (TMC)
  • Modelo Demanda-Controle (Karasek)
  • OMS 2022: Programas de Saúde Mental
  • Depressão: Origem Multifatorial
  • TEPT Ocupacional
  • Burnout e Síndrome Geral de Adaptação
  • Rastreamento de Problemas com Álcool
  • Retorno ao Trabalho Pós-Incapacidade
Neoplasias Ocupacionais
Pág. 148
  • Fundamentos de Câncer Relacionado ao Trabalho
  • Classificações e Nexo Causal (IARC/LINACH)
  • Leucemia Ocupacional
  • Câncer de Pele Ocupacional
  • Amianto (Asbesto)
Doenças Hematopoiéticas
Pág. 163
  • Fatores Críticos no Contexto Ocupacional
  • Anemia Ferropriva

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Patologia Ocupacional
Bem-vindo(a) à sua apostila de estudo! Este guia abrangente foi cuidadosamente elaborado para oferecer uma preparação completa e aprofundada em patologia ocupacional, cobrindo todos os aspectos cruciais da disciplina, desde a fisiopatologia das doenças relacionadas ao trabalho até as diretrizes de prevenção e diagnóstico mais recentes. Nosso principal objetivo é focar na sua aprovação no exigente exame de certificação da ANAMT, fornecendo-lhe o conhecimento sólido e a confiança inabalável necessários para se destacar tanto na prática clínica quanto na avaliação teórica. Com conteúdo profissional, constantemente atualizado com as mais recentes pesquisas e tendências, e uma abordagem inspiradora, você terá as ferramentas indispensáveis para dominar a matéria e, consequentemente, alcançar o sucesso tão desejado em sua jornada profissional, impactando positivamente a saúde dos trabalhadores.
Patologia Geral: Conceitos Principais
Esta seção aborda os fundamentos da patologia, a ciência que estuda a doença em todos os seus aspectos – desde suas causas (etiologia) e o desenvolvimento da doença (patogênese), até as alterações morfológicas e manifestações clínicas. Explora detalhadamente como as diversas condições patológicas afetam as células e os tecidos, analisando os processos de adaptação celular, como hipertrofia, hiperplasia, atrofia e metaplasia, e os diferentes padrões de lesão celular, sejam reversíveis ou irreversíveis, incluindo exemplos como a isquemia e a toxicidade química. Além disso, discute os mecanismos gerais de resposta do organismo a lesões e agressões, focando nos processos inflamatórios agudos e crônicos, e os subsequentes mecanismos de reparo tecidual, como a cicatrização. Compreender esses conceitos é crucial, pois forma a base para a interpretação de achados diagnósticos e é fundamental para o desenvolvimento de abordagens terapêuticas eficazes na prática clínica e na pesquisa médica.

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Classificação de Schilling: Nexo Causal Ocupacional
A Classificação de Schilling é uma ferramenta diagnóstica fundamental para o Médico do Trabalho, auxiliando na determinação do nexo causal entre a doença e a atividade profissional. Ela categoriza as patologias em três grupos principais, facilitando a identificação da responsabilidade ocupacional e a adoção de medidas preventivas e de acompanhamento da saúde do trabalhador, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro e saudável. Esta classificação é essencial para uma análise aprofundada das condições de saúde relacionadas ao ambiente de trabalho.
Grupo I: Doença Profissional
Definição: Neste grupo, o trabalho é considerado a causa necessária e exclusiva da doença, ou seja, a patologia não se manifestaria sem a exposição a agentes ou condições específicas do ambiente ocupacional. Não há outros fatores etiológicos significativos que por si só pudessem desencadear a condição.
Exemplos Clássicos:
  • Silicose (doença pulmonar irreversível causada pela inalação prolongada de poeira de sílica, comum em mineração, construção civil e indústrias de cerâmica).
  • Asbestose (fibrose pulmonar causada pela inalação de fibras de amianto, frequentemente encontrada em trabalhadores da construção naval, isolamento térmico e fabricação de telhas).
  • Intoxicações por metais pesados, como plumbismo (exposição a chumbo em indústrias de baterias ou tintas).
Grupo II: Doença do Trabalho
Definição: Aqui, o trabalho atua como um fator de risco contributivo ou desencadeante, mas não é a única ou necessária causa da doença. A patologia pode ter múltiplas origens, e as condições laborais apenas contribuem para seu surgimento ou agravamento, ou atuam como gatilho em indivíduos predispostos. Há uma interação entre fatores ocupacionais e não ocupacionais.
Exemplos Comuns:
  • Doença Coronariana (o estresse térmico, longas jornadas de trabalho ou exposição a certos agentes químicos no ambiente de trabalho podem agravar ou precipitar eventos cardiovasculares em indivíduos com fatores de risco preexistentes).
  • Alguns Cânceres Ocupacionais (quando há exposição a carcinógenos ocupacionais em conjunto com outros fatores de risco, como tabagismo, o trabalho contribui para o risco geral).
  • Lesões por Esforços Repetitivos (LER/DORT) em atividades que exigem movimentos repetitivos e posturas inadequadas, que podem ser agravadas por condições ergonômicas desfavoráveis no trabalho, embora outros fatores também possam influenciar.
Grupo III: Agravante de Preexistente
Definição: Neste grupo, o trabalho não é a causa da doença, mas atua como um fator desencadeante ou agravante de um distúrbio latente ou de uma doença preexistente. O ambiente ou a natureza da atividade profissional provoca a manifestação de uma condição que já existia de forma subclínica ou piora uma condição já diagnosticada.
Exemplos Relevantes:
  • Asma Ocupacional (o trabalho pode desencadear crises asmáticas em indivíduos com asma preexistente devido à exposição a irritantes respiratórios ou alérgenos no ambiente de trabalho).
  • Lombalgia (uma condição preexistente de dor lombar pode ser significativamente agravada por atividades que envolvem levantamento de peso, posturas forçadas ou vibração no ambiente de trabalho).
  • Distúrbios Psicológicos (condições como ansiedade ou depressão podem ser exacerbadas por ambientes de trabalho de alta pressão, assédio moral ou sobrecarga de tarefas).
Takeaway Essencial: O Grupo III da Classificação de Schilling abrange doenças alérgicas e condições multifatoriais, como a lombalgia e distúrbios psicológicos, que são frequentemente agravadas ou desencadeadas pelo ambiente de trabalho. Compreender esse grupo é crucial para o médico do trabalho, pois permite uma intervenção mais eficaz na prevenção de exacerbações e na promoção da qualidade de vida dos trabalhadores.

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Doença do Trabalho: Conceito Legal
O objetivo é diferenciar a "doença do trabalho" de outras classificações, auxiliando o Médico do Trabalho a estabelecer o nexo causal e a aplicar as regulamentações pertinentes. É crucial compreender as nuances legais para uma atuação precisa e eficaz.
A doença do trabalho, conforme o Decreto 3.048/99, art. 20, II, é aquela adquirida ou desencadeada por condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. Isso significa que o ambiente e a forma como a atividade laboral é executada são determinantes para o surgimento ou agravamento da enfermidade.
É importante ressaltar que não são consideradas doenças do trabalho:
  • Endemias ou epidemias sem nexo causal comprovado com a ocupação.
  • Doenças degenerativas, que são inerentes ao processo de envelhecimento natural do organismo.
  • Doenças inerentes à faixa etária ou à constituição orgânica individual.
Para clarear a distinção entre os tipos de doenças e o nexo causal, veja a seguir:
Doença Profissional
Também conhecida como tecnopatia ou ergopatia, é aquela peculiar a determinadas atividades ou profissões. É causada de forma direta e quase exclusiva pela exposição a agentes físicos, químicos ou biológicos, ou a condições inerentes a um trabalho específico, e geralmente está listada na legislação (ex: LER/DORT em certas atividades).
Doença do Trabalho
É a enfermidade adquirida ou desencadeada em função de condições especiais ou incomuns em que o trabalho é realizado, ou do modo como o trabalho é executado, atuando como fator contributivo ou desencadeante. Não é exclusiva de uma profissão, mas sim das circunstâncias em que o labor acontece, agravando ou provocando condições em indivíduos.
Nexo Ocupacional
Refere-se à relação de causa e efeito estabelecida entre a doença apresentada pelo trabalhador e as atividades ou o ambiente de trabalho. A comprovação do nexo é fundamental para a caracterização do agravo como doença profissional ou do trabalho, garantindo direitos previdenciários e assistenciais, além de direcionar medidas de prevenção.
Doenças Não Ocupacionais
São as condições de saúde que não possuem relação causal comprovada com a atividade profissional. Incluem endemias ou epidemias sem nexo, doenças degenerativas inerentes ao envelhecimento natural e condições ligadas à faixa etária ou constituição orgânica individual, que não foram agravadas pelo trabalho.
Takeaway Essencial: A doença do trabalho está intrinsecamente ligada às condições especiais do ambiente e da forma de execução do trabalho. Lembre-se de excluir as doenças degenerativas, as inerentes à faixa etária e as endemias sem nexo causal comprovado com a ocupação. Já a doença profissional decorre de agentes ou atividades específicas, listadas em legislação.

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ANAMT 2025
Questão Prática
Disciplina: MedWork – Patologia Geral
Assunto: Definições
ID: A.W.S, 50 anos, masculino, pardo, casado, natural de Goiás, mora e trabalha na periferia de Goiânia. Ensino médio incompleto, pedreiro, católico não praticante. QP: palpitações e cansaço há um mês. HDA: trabalhador relata que há aproximadamente um mês vem apresentando episódios esporádicos de palpitações e cansaço, não relacionados a esforço físico intenso. Refere que há quatro dias os sintomas se intensificaram com fadiga acentuada, piorando após a ingestão irrestrita de bebidas alcoólicas, durante reunião familiar no dia anterior à consulta. Referiu ainda lombalgia recorrente, o que o faz utilizar antiinflamatórios não esteroidais de forma indiscriminada, sem prescrição médica. Apresenta tosse produtiva matinal frequente, associada à secreção mucosa, e não refere febre. Já apresentou cansaço em outras ocasiões, sem melhora significativa, mesmo em repouso. Trabalha com o uso frequente de britadeira, manipulando cimento, exposto a ruído intenso e a radiação solar direta. Em seu histórico constava que, no último exame médico periódico, foi orientado a atualizar a vacinação e recebeu orientações gerais de saúde, inclusive de retorno caso necessário, pois na ocasião havia mencionado fadiga. Como houve melhora temporária, não seguiu as recomendações médicas e, não retornou para reavaliação.História Patológica Pregressa: refere varicela e sarampo na infância. Nega patologias respiratórias prévias. Nega hepatite, diabetes, alergias, cirurgias ou transfusões sanguíneas. É portador de hipertensão arterial sistêmica há cerca de 10 anos, em tratamento com Captopril 25 mg, 3 vezes ao dia.Histórico familiar: Desconhece. Hábitos de vida: Etilista de uma lata de cerveja diariamente. Tabagista de 01 maço/dia a 30 anos. Mora em casa com boas instalações sanitárias, com esposa e quatro filhos. Refere alimentar-se à base de carboidratos, e com pouca carne devido à precária condição financeira. Exame físico: Regular estado geral, sem alterações neurológicas focais, hipocorado +++/4+, desidratado +/4+, afebril, acianótico, anictérico, enchimento capilar normal. Escala de Glasgow = 15, Sat %O2 = 99%. PA = 130 X 90 mmHg. FC = 88 bpm. FR = 20 irpm Tax = 36,2°C. Orofaringe sem alterações. Ausculta Pulmonar: Murmúrios Vesiculares Universais presentes, presença de roncos esparsos em bases pulmonares. Ap. cardiovascular: RCR em 2t, sopro sistólico, intensidade 3+/6+ de Levine, pancárdico. Abdome flácido, doloroso a palpação profunda em região epigástrica, sem irritação peritoneal. Sem visceromegalias ou massas palpáveis. Peristalse presente e fisiológica. Membros inferiores com edema 1+/4+ perimaleolar, pulsos periféricos palpáveis; panturrilhas sem sinais de empastameH. Ocupacional: Pedreiro e auxiliar de pedreiro desde os 14 anos até os dias atuais, alternando trabalhos informais com carteira assinada.
Tendo como base o caso clínico apresentado acima, responda as questões a seguir.
Qual seria a conduta médica ocupacional mais adequada? Marque a alternativa CORRETA:
A) O Médico do Trabalho deverá solicitar exames complementares, prescrever hidratação oral, um xarope para tosse e liberar o empregado para suas atividades laborais, orientando-o que retorne para reavaliação médica ocupacional quando estiver com os resultados dos exames.
B) O Médico do Trabalho deverá explicar ao trabalhador suas principais hipóteses diagnósticas, solicitar exames de sangue e encaminhar ao cardiologista. O empregado deverá trabalhar de forma restrita para atividades críticas como Trabalho em altura por tempo indeterminado, devendo-se ainda comunicar a situação clínica do trabalhador (sinais, sintomas e exame físico, por exemplo) aos gestores, justificando-se assim as restrições laborais do empregado.
C) O Médico do Trabalho deverá explicar ao trabalhador suas principais hipóteses diagnósticas, orientar o trabalhador sobre suas recomendações, devendo liberar o empregado para o Trabalho de forma restrita até conclusão da investigação clínica, quando deverá ser reavaliado ocupacionalmente. Informar aos gestores do empregado a restrição única para execução de atividades em período noturno.
D) O Médico do Trabalho deverá explicar ao trabalhador suas suspeitas diagnósticas e informar os próximos passos na investigação clínica. Deverá solicitar exames complementares e afastar o empregado de suas atividades no trabalho até conclusão de sua investigação, devendo retornar para reavaliação ocupacional com resultado dos exames e conduta definitiva em relação ao seu retorno ao trabalho.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA D.
Prevê comunicação adequada, investigação complementar, afastamento temporário e reavaliação ocupacional com resultados para decisão de retorno. Conduta segura em trabalhador sintomático com achados cardiopulmonares: comunicar hipóteses, solicitar investigação complementar e afastar temporariamente de atividades laborais (sobretudo críticas) até a conclusão diagnóstica, com reavaliação ocupacional para decisão de retorno. Liberar para trabalhar antes do diagnóstico pode aumentar o risco individual e de terceiros; impor restrições genéricas ou compartilhar detalhes clínicos com gestores fere princípios éticos e a confidencialidade.
Referências: Goldman-Cecil Medicine (26ª ed.); Torloni & Vieira, Manual de Proteção Respiratória (2ª ed.).
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — libera sem diagnóstico, apenas tratamento sintomático; não assegura afastamento de tarefas críticas nem plano de retorno seguro.
  • Assertiva B: INCORRETA — impõe restrição por tempo indeterminado e quebra sigilo ao compartilhar achados clínicos com gestores; foca só em “trabalho em altura” sem análise de risco ocupacional completa.
  • Assertiva C: INCORRETA — mantém o trabalhador ativo (mesmo com restrição) antes de concluir a investigação; define restrição noturna sem justificativa clínica/ocupacional robusta.

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Classificação de Schilling: Grupo III
O Grupo III da Classificação de Schilling abrange doenças onde o trabalho atua como um fator contribuinte ou desencadeante, mas não é a única causa. Geralmente, estas condições possuem múltiplas etiologias, incluindo predisposições individuais ou outras causas associadas.
ANAMT 2022 – Algumas doenças podem ser classificadas como “Schilling III”, entre elas:
  • A) Dermatite de contato e silicose.
  • B) Doenças alérgicas respiratórias e da pele.
  • C) Silicose e intoxicação por chumbo.
  • D) Asma e Asbestose.
  • E) Dermatite de contato e doenças mentais.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. As doenças do Grupo III de Schilling são aquelas em que o trabalho atua como fator contribuinte, mas não exclusivo, havendo também predisposição individual ou outras causas associadas. Exemplos clássicos incluem asma ocupacional, rinite alérgica, dermatite de contato e outras doenças alérgicas respiratórias e cutâneas. Referência: Ministério da Saúde – Doenças Relacionadas ao Trabalho, 2001.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – A silicose é doença do Grupo I (causa exclusiva no trabalho); a combinação está incorreta.
  • Alternativa C: INCORRETA – A silicose é do Grupo I e a intoxicação por chumbo é do Grupo II.
  • Alternativa D: INCORRETA – Asma pode ser do Grupo III, mas a asbestose é do Grupo I.
  • Alternativa E: INCORRETA – "Doenças inerentes" não são critério válido de classificação em Schilling e a alternativa é mal formulada.

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ANAMT 2012
Segundo a legislação em vigor, são consideradas DOENÇAS DO TRABALHO:
  • A) Doenças endêmicas adquiridas pelos segurados habitantes em região em que elas se desenvolvam, sem comprovação de nexo causal com o trabalho.
  • B) Doenças que não produzam incapacidade laborativa.
  • C) As doenças adquiridas ou desencadeadas em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacionem diretamente, desde que constantes de uma relação definida pelo Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS).
  • D) Aquelas consideradas degenerativas.
  • E) Aquelas referentes ou consideradas inerentes a grupo etário.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. Define exatamente o que é uma doença do trabalho conforme o art. 20, inciso II do Decreto nº 3.048/99: são aquelas adquiridas ou desencadeadas em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacionem diretamente. Referência: Decreto nº 3.048/99, art. 20, II.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Doenças endêmicas só são consideradas doenças do trabalho quando houver nexo causal comprovado com a atividade exercida.
  • Alternativa B: INCORRETA. A produção de incapacidade laborativa não é critério isolado para caracterização da doença como ocupacional.
  • Alternativa D: INCORRETA. Doenças degenerativas são geralmente consideradas de origem não ocupacional, salvo exceções com nexo comprovado.
  • Alternativa E: INCORRETA. Doenças inerentes ao grupo etário também não são consideradas doenças do trabalho.

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Apostila de Ortopedia MedWork
Esta apostila é um guia abrangente e essencial, desenvolvido especificamente para profissionais de saúde que atuam na área da ortopedia ocupacional. Ela aborda de forma integrada o diagnóstico, tratamento e reabilitação de condições musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho, incorporando as mais recentes pesquisas e diretrizes clínicas, oferecendo assim uma perspectiva completa e atualizada para a prática diária.
Elaborado para médicos do trabalho, fisioterapeutas, ergonomistas e outros profissionais de saúde que lidam com a saúde do trabalhador, este material foca em uma abordagem prática e baseada em evidências. Ele explora o diagnóstico clínico preciso, com estudos de caso e exemplos reais para facilitar a compreensão, as mais recentes estratégias de prevenção e as diretrizes para um retorno seguro e eficaz ao ambiente de trabalho.
Compreender os distúrbios musculoesqueléticos no local de trabalho é crucial para a manutenção da saúde e produtividade dos colaboradores, além de garantir a conformidade legal e o bem-estar geral dos funcionários. Esta apostila fornece o conhecimento necessário para enfrentar esses desafios, promovendo ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis para todos.
Tópicos Chave
  • Avaliação de risco ergonômico e análise do ambiente de trabalho: Detalha métodos para identificar e mitigar riscos ergonômicos, garantindo um espaço de trabalho adequado.
  • Condições musculoesqueléticas ocupacionais comuns (síndrome do túnel do carpo, lombalgia, distúrbios do ombro): Oferece informações aprofundadas sobre as patologias mais incidentes e seus impactos na força de trabalho.
  • Técnicas de exame clínico e testes diagnósticos específicos: Guia o profissional através de protocolos de avaliação para uma identificação precisa das condições.
  • Estratégias de prevenção e intervenções no local de trabalho: Apresenta ações eficazes para evitar o surgimento e a progressão de doenças ocupacionais.
  • Reabilitação e protocolos de retorno seguro ao trabalho: Descreve os passos para uma recuperação completa e uma reintegração laboral sem riscos de recidiva.
Sumário da Apostila: Ortopedia Ocupacional
1
1. Introdução à Ortopedia Ocupacional
  • Definição e importância da ortopedia ocupacional
  • Contexto histórico e evolução
  • Impacto socioeconômico das DMEs relacionadas ao trabalho
  • Princípios fundamentais e objetivos
2
2. Doenças Ortopédicas Ocupacionais
  • Classificação e tipos de distúrbios musculoesqueléticos (DMEs)
  • Fatores de risco (físicos, biomecânicos, organizacionais e psicossociais)
  • Avaliação e diagnóstico precoce
  • Estratégias de prevenção geral (primária, secundária e terciária)
3
3. Coluna Vertebral e Lombalgia
  • Anatomia e biomecânica da coluna lombar
  • Causas e fatores de risco ocupacionais para lombalgia
  • Diagnóstico clínico e diferencial da dor lombar
  • Abordagens de tratamento (conservador e cirúrgico)
  • Prevenção e ergonomia aplicadas à coluna vertebral
4
4. Lesões de Joelho
  • Anatomia funcional do joelho
  • Lesões comuns relacionadas ao trabalho (meniscos, ligamentos, tendinopatias)
  • Avaliação clínica e exames complementares
  • Tratamento e reabilitação específicos para o joelho
5
5. Síndrome do Túnel do Carpo
  • Anatomia do punho e nervo mediano
  • Fatores de risco ocupacionais para a síndrome
  • Sintomas, diagnóstico clínico (incluindo Teste de Phalen) e eletrofisiológico
  • Opções de tratamento (conservador e cirúrgico)
  • Medidas preventivas no ambiente de trabalho
6
6. Patologias de Mão e Punho
  • Tendinites (Doença de De Quervain, Dedo em Gatilho)
  • Cistos sinoviais
  • Outras afecções comuns da mão e punho
  • Diagnóstico e tratamento específicos
7
7. Cotovelo e Epicondilite
  • Anatomia do cotovelo
  • Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
  • Epicondilite medial (cotovelo de golfista)
  • Diagnóstico e tratamento
8
8. Ombro Doloroso e Manguito Rotador
  • Anatomia e biomecânica complexa do ombro
  • Tendinopatias do manguito rotador
  • Bursite subacromial e síndrome do impacto
  • Diagnóstico e abordagem terapêutica
9
9. Doença de Kienböck
  • Definição e etiologia da osteonecrose do semilunar
  • Estágios da doença e progressão
  • Diagnóstico por imagem e clínico
  • Opções de tratamento (conservador e cirúrgico)
10
10. Ergonomia e AET
  • Conceitos fundamentais de ergonomia
  • Análise Ergonômica do Trabalho (AET): metodologia e aplicação
  • Identificação e mitigação de riscos ergonômicos
  • Projetos de postos de trabalho e mobiliário ergonômico
11
11. LER/DORT
  • Definição e terminologia de LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos / Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho)
  • Epidemiologia e fatores de risco
  • Diagnóstico, tratamento e manejo
  • Aspectos legais e previdenciários
12
12. Dor Musculoesquelética Crônica
  • Fisiopatologia da dor crônica
  • Abordagem multidisciplinar da dor crônica no trabalho
  • Tratamento farmacológico e não farmacológico
  • Impacto psicossocial e reabilitação
13
13. Testes Semiológicos
  • Princípios da semiologia ortopédica
  • Testes para ombro, cotovelo, punho, mão, coluna e joelho
  • Interpretação dos resultados e significado clínico
  • Importância na avaliação ocupacional

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Doenças Ortopédicas Ocupacionais — o que todo Médico do Trabalho precisa dominar
Por que importa
Alta prevalência, impacto em incapacidade/absenteísmo, fatores modificáveis no trabalho, decisões de aptidão/restrição exigem método.
Mapa da apostila
Ergonomia (posturas, vibração, AET), patologias específicas (STC, impacto no ombro), testes físicos-chave (Lasègue, Phalen, Neer), retorno ao trabalho (tratamento funcional + ajustes de tarefa).
Pilares diagnósticos
História ocupacional detalhada, testes clínicos direcionados, imagem/ENMG como complemento.
Pilares prevenção/controle (NR-17)
Eliminar/substituir riscos, engenharia, administração (pausas), EPI.
Nexo ocupacional
Relação temporal, plausibilidade biomecânica, evidência de sobrecarga.
Métricas de sucesso
Dor/funcionalidade, restrições efetivas, readequação, recidiva, tempo até RTW.
Nesta apostila
Do reconhecimento do risco à decisão prática de tarefa segura — com testes clínicos demonstrados em vídeo e casos breves.

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Situações Críticas para a Coluna e Como Evitá-las
Entender e reconhecer combinações perigosas é fundamental para reduzir o risco de lesões na coluna, especialmente a hérnia discal, no ambiente de trabalho. A prevenção começa com a identificação dos movimentos e posturas mais lesivos.
As 4 Combinações Mais Perigosas:
Carga Distante
Levantar ou movimentar objetos pesados mantendo-os longe do corpo, aumentando a alavanca e a tensão sobre a coluna.
Flexão + Rotação do Tronco
A combinação de curvar-se para frente e torcer o tronco é extremamente danosa, potencializando a pressão nos discos intervertebrais.
Vibração de Corpo Inteiro
Exposição prolongada a vibrações (como operar máquinas ou veículos) pode comprometer a integridade da coluna.
Carga Volumosa com Pega Difícil
Objetos grandes ou sem pontos de apoio adequados forçam posturas inadequadas durante o manuseio.
Como Evitar: Ao levantar peso: Em vez de flexionar e girar o tronco, gire todo o corpo com os pés, mantendo a coluna alinhada.
  • Para cargas difíceis: Utilize ferramentas auxiliares como alças, carrinhos ou invista em embalagens com pega melhorada para garantir o manuseio seguro.

Takeaway: A combinação de flexão com torção sob carga é a mais lesiva para a coluna. Sempre priorize o alinhamento e o uso de recursos ergonômicos.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: MedWork – Doenças Ortopédicas
Assunto: Ergonomia
As lesões do sistema osteomuscular podem gerar incapacidade, absenteísmo, além de um elevado número de ações trabalhistas. Neste cenário, a Ergonomia encontra sua maior aplicação. Analise as assertivas abaixo em relação ao tema.
I) As atividades relacionadas à manutenção estão entre aquelas de maior exigência ergonômica, em grande parte causada pelas posturas forçadas e esforços intensos.
II) Na existência de esforço anaeróbico, o trabalhador se cansa precocemente, pois, exceto em circunstâncias especiais, o oxigênio será enviado ao fígado, ficando a atividade física em prejuízo.
III) Trabalhadores idosos, portadores de Diabetes Mellitus, usuários de medicamentos tranquilizantes, toleram mal o trabalho em ambientes de baixas temperaturas.
IV) A fadiga física por desidratação e perda de eletrólitos, é mais comum em atividades onde existe pouca flexibilidade muscular.
Está CORRETO o que se afirma nas afirmativas:
A) II e IV.
B) II, III e IV.
C) I e IV.
D) I, II e III.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a letra LETRA D..
  • I, II e III estão corretas: (I) atividades de manutenção costumam envolver posturas forçadas, esforços intensos, acessos difíceis e variabilidade de tarefa → alta exigência ergonômica e risco osteomuscular; (II) em esforço predominantemente anaeróbico há fadiga precoce por depleção de fosfagênios e acúmulo de lactato, com redistribuição do débito e metabolismo hepático do lactato, reduzindo desempenho muscular; (III) idosos, diabéticos e usuários de tranquilizantes apresentam pior tolerância ao frio (vasorreatividade/termorregulação e efeitos farmacológicos), aumentando risco em baixas temperaturas.
  • IV está incorreta: desidratação/perda de eletrólitos relacionam-se a calor, sudorese e reposição inadequada, não a “pouca flexibilidade muscular”.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Inclui IV (incorreta).
  • Assertiva B: ERRADA. Inclui IV (incorreta).
  • Assertiva C: ERRADA. Inclui IV (incorreta).
Referências: Couto, H.A., Ergonomia 4.0 – Dos Conceitos Básicos à 4ª Revolução Industrial (Ed. Ergo, 2020); Lawry, G.V., Exame Musculoesquelético Sistemático (Artmed, 2012).

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: MedWork – Doenças Ortopédicas
Assunto: Ergonomia
O corpo humano tem 40% do seu peso atribuído ao sistema muscular. A contração muscular estática tem impacto importante do ponto de vista ergonômico. O conceito de trabalho muscular com maior componente estático envolve os seguintes casos, EXCETO:
A) Um esforço grande mantido por 10 segundos ou mais.
B) Um esforço moderado mantido por um minuto ou mais.
C) Um esforço leve (de cerca de 1/3 da força máxima) dura cinco minutos ou mais.
D) Os dedos das mãos durante o esforço de digitação.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA D.
A digitação é principalmente atividade dinâmica e intermitente dos dedos, sem contração isométrica sustentada de grande duração; portanto não representa “maior componente estático”. Trabalho muscular com maior componente estático é caracterizado por contração mantida (isométrica) por tempo suficiente para provocar isquemia muscular e fadiga, mesmo com cargas leves: esforços grandes ≥10 s, moderados ≥1 min e leves (~1/3 da força máxima) ≥5 min são exemplos clássicos.
Referências: Couto, H.A., Ergonomia 4.0 – Dos Conceitos Básicos à 4ª Revolução Industrial (Ed. Ergo); Lawry, G.V., Exame Musculoesquelético Sistemático (Artmed).
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Descreve contração mantida de alta intensidade (estático) ≥10 s, compatível com maior componente estático (Couto).
  • Assertiva B: ERRADA. Esforço moderado mantido ≥1 min configura componente estático importante (Couto).
  • Assertiva C: ERRADA. Esforço leve (cerca de 1/3 da força máxima) por ≥5 min caracteriza componente estático relevante (Couto).

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Lombalgia Ocupacional: Fatores Críticos para a Coluna Vertebral
ANAMT 2023 - Lombalgia é definida como dor na região posterior do tronco inferior, do final das costelas até a prega glútea. A Lombalgia Ocupacional pode ser causada por situações críticas de trabalho para a coluna vertebral. Analise as situações abaixo descritas: I. Levantamento de peso acima de 23 quilos. II. Manusear cargas distantes do corpo. III. Manusear cargas com torção e flexão de coluna. IV. Vibrações de corpo inteiro. V. Manusear cargas volumosas com quinas cortantes e dificuldade de pega. Identifique nas afirmativas acima quais são consideradas como situações críticas para a coluna vertebral, e assinale a alternativa CORRETA:
  • A) I, II, III e V.
  • B) I, II, III e IV.
  • C) II, III, IV e V.
  • D) III e IV.
  • E) I.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. As situações críticas para a coluna lombar são aquelas que aumentam a sobrecarga mecânica, a instabilidade ou o risco de lesão discal. Estão bem estabelecidos os riscos relacionados a: manuseio de cargas distantes do corpo (II), torção e flexão de coluna (III), vibração de corpo inteiro (IV) e manuseio de cargas volumosas ou de difícil pega (V).
O limite de 23 kg para levantamento de peso (I), embora utilizado como referência em algumas normativas, não é um fator absoluto que por si só caracterize uma situação crítica em todas as diretrizes, podendo variar conforme o contexto ergonômico e individual.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – inclui o item I, que não é universalmente crítico de forma isolada.
  • Alternativa B: INCORRETA – inclui o item I, que não é universalmente crítico de forma isolada.
  • Alternativa D: INCOMPLETA – considera apenas duas das situações críticas.
  • Alternativa E: INCORRETA – peso isolado acima de 23 kg não é suficiente como situação crítica.

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Posturas Estáticas Prolongadas
Entre todos os riscos posturais no ambiente de trabalho, a combinação de uma postura estática (especialmente encurvada/flexionada para frente) mantida por períodos prolongados representa o cenário mais prejudicial para os trabalhadores. Isso se deve aos mecanismos fisiológicos de fadiga muscular e isquemia que se desenvolvem durante contrações isométricas sustentadas, comprometendo a saúde musculoesquelética a longo prazo.
Por Que a Postura Encurvada Estática é Crítica:
  • A flexão anterior da coluna aumenta a pressão intradiscal em até 85% comparado à posição neutra.
  • Músculos paravertebrais mantêm contração isométrica contínua para sustentar a posição.
  • A ausência de movimento impede o mecanismo de "bomba muscular" que facilita a circulação sanguínea.
  • Acúmulo progressivo de metabólitos (ácido lático, íons H+) nos tecidos musculares, causando dor.
  • Compressão de vasos sanguíneos reduz o aporte de oxigênio e nutrientes essenciais para a recuperação muscular.
Fisiologia da Fadiga Muscular em Isometria:
  • Contração isométrica acima de 20% da capacidade máxima compromete significativamente o fluxo sanguíneo muscular.
  • Após aproximadamente 30 minutos: início de desconforto e fadiga localizada.
  • Após cerca de 2 horas: dor significativa e redução notável de performance e concentração.
  • Após 4 ou mais horas: risco elevado de lesão por sobrecarga cumulativa e desgaste tecidual.
  • A recuperação completa requer um tempo proporcional ao período de exposição e intensidade da contração.
Ocupações de Alto Risco:
  • Trabalho em escritório: digitação prolongada, uso contínuo de computador com má postura.
  • Linha de montagem: inspeção visual e trabalhos de precisão que exigem posições fixas.
  • Caixas de supermercado: posição sentada com flexão anterior do tronco e movimentos repetitivos.
  • Costureiras e operadores de máquinas: manutenção de postura fixa por longas horas.
  • Cirurgiões e dentistas: procedimentos detalhados e demorados em flexão e torção.
Estratégias de Prevenção Baseadas em Evidência:
  • Pausas programadas: Recomenda-se 5-10 minutos de pausa ativa a cada 50 minutos de trabalho estático.
  • Alternância postural: Incentivar a alternância regular entre posições sentado, em pé e curtas caminhadas.
  • Exercícios de alongamento e mobilização: Realização de alongamentos para extensão da coluna, rotação de ombros e mobilização cervical.
  • Ajustes ergonômicos: Adequação da altura da mesa, posicionamento do monitor na linha dos olhos e uso de suporte lombar eficaz.
  • Variação de tarefas: Rotação entre atividades que demandam diferentes padrões posturais para evitar sobrecarga específica.
  • Mobiliário dinâmico: Utilização de mesas ajustáveis (sit-stand) e cadeiras com mecanismos de apoio dinâmico.
O gráfico abaixo ilustra a relação direta entre o tempo em uma postura estática e o aumento do nível de desconforto:
Com o tempo em posição estática, a capacidade do corpo de manter o conforto diminui drasticamente, evidenciando a necessidade de pausas ativas e mudanças posturais.

Takeaway: A variação postural não é um luxo, é uma necessidade fisiológica. Nenhum corpo humano foi projetado para permanecer imóvel por horas.

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: MedWork – Doenças Ortopédicas
Assunto: Ergonomia
A ergonomia, ciência que objetiva adaptar o trabalho ao homem tem realizado inúmeros estudos em relação a posturas e pressão nos discos intervertebrais. Identifique dentre as alternativas abaixo, a sequência CORRETA, que representa a postura de maior a menor pressão nos discos intervertebrais.
A) Sentado com tronco ereto - sentado com o tronco flexionado para frente - em pé com tronco ereto - deitado.
B) Sentado com o tronco flexionado para frente - deitado - em pé com tronco ereto - sentado com o tronco ereto.
C) Deitado - sentado com o tronco ereto - sentado com o tronco flexionado para frente - em pé com tronco ereto.
D) Sentado com tronco flexionado para frente - sentado com o tronco ereto - em pé com tronco ereto - deitado.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA D.
A sequência correta é baseada em medições clássicas de pressão intradiscal (como os estudos de Nachemson) e compilações ergonômicas. A maior pressão ocorre quando o indivíduo está sentado com o tronco flexionado para frente, seguido por sentado com o tronco ereto. Em seguida, a pressão diminui quando está em pé com o tronco ereto, e a menor pressão é registrada na posição deitado.
Referências: Couto, H.A., Ergonomia 4.0 – Dos Conceitos Básicos à 4ª Revolução Industrial (Ed. Ergo); Lawry, G.V., Exame Musculoesquelético Sistemático (Artmed); Estudos de Nachemson sobre pressão intradiscal.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Esta alternativa inverte a hierarquia real de pressão ao colocar "sentado ereto" antes de "sentado flexionado" e "em pé" antes de "deitado".
  • Assertiva B: ERRADA. Posiciona "deitado" como a segunda maior pressão, quando na verdade é a menor entre as opções.
  • Assertiva C: ERRADA. Inicia com "deitado", que é a postura de menor pressão, e apresenta a ordem entre "sentado flexionado" e "sentado ereto" de forma incorreta.

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ANAMT 2023 - Hérnia de Disco Lombar Ocupacional
Um trabalhador que labora no Setor de Cargas e descarga em um depósito, foi diagnosticado com hérnia de disco na região lombar. Identifique abaixo, a alternativa CORRETA, em relação ao desenvolvimento da patologia citada:
  • A) A magnitude da carga associada à frequência do levantamento aumenta a probabilidade de lesão.
  • B) As posturas de levantamento, não se relacionam à gênese da lesão citada.
  • C) Não existem ferramentas de avaliação de levantamento de peso recomendadas.
  • D) A Eletromiografia de superfície, não auxilia na avaliação de riscos mecânicos em Hérnia Discal.
  • E) O Nexo causal ocupacional na Hérnia Discal, deverá sempre levar em consideração as alterações apresentadas na Ressonância Magnética.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. A relação entre sobrecarga biomecânica — especialmente cargas pesadas e movimentações repetitivas — e o risco de hérnia discal lombar está bem estabelecida. A magnitude e frequência do levantamento são fatores cruciais. Referência: NR-17; Fundacentro; NIOSH Lifting Equation.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA – A postura no levantamento é um dos fatores mais importantes no desenvolvimento de lesões lombares.
  • Alternativa C: INCORRETA – Existem ferramentas reconhecidas, como a equação de levantamento do NIOSH.
  • Alternativa D: INCORRETA – A eletromiografia de superfície pode auxiliar na análise funcional da musculatura envolvida na estabilização da coluna.
  • Alternativa E: INCORRETA – O nexo causal deve considerar a história ocupacional, carga biomecânica e compatibilidade clínica, não apenas achados de imagem.

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Teste da Gaveta Anterior: Avaliação de Lesões do LCA no Ambiente de Trabalho
O Teste da Gaveta Anterior é uma manobra clínica fundamental para médicos do trabalho, essencial para o diagnóstico de lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Tais lesões são comuns em ambientes laborais que envolvem esforço físico, movimentos bruscos ou acidentes. Um diagnóstico precoce e preciso é crucial para o planejamento adequado do tratamento e para a tomada de decisões sobre o retorno do trabalhador às suas atividades.
Quando Suspeitar
  • Trauma direto no joelho (quedas, impactos, acidentes de trabalho)
  • Relato de sensação de "estalo" ou "deslocamento" no momento da lesão
  • Edema articular significativo nas primeiras horas
  • Instabilidade ao caminhar ou subir escadas
  • Dor intensa e limitação funcional imediata
Como Executar o Teste
  • Paciente em decúbito dorsal (supino)
  • Joelhos fletidos a 90°
  • Quadril fletido a 45°
  • Pé estabilizado pelo examinador (sentando-se sobre o pé ou segurando firmemente)
  • Examinador posiciona as mãos na região proximal da tíbia
  • Aplica força de tração anterior (puxando a tíbia para frente)
  • Observa o deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur
Interpretação
  • Teste Positivo: Deslocamento anterior excessivo da tíbia (>5mm comparado ao lado contralateral), indicando ruptura do LCA.
  • Teste Negativo: Resistência firme ao movimento, sem deslocamento significativo.
  • Importante: Sempre comparar com o joelho contralateral para referência e confirmação do diagnóstico.
Contexto Ocupacional
  • Lesões do LCA são comuns em trabalhadores da construção civil, indústria e agricultura.
  • Acidentes podem ocorrer por quedas de altura, torções durante a movimentação de carga ou impactos com máquinas.
  • A lesão frequentemente exige afastamento prolongado do trabalho (cirurgia + reabilitação = 6-12 meses).
  • É fundamental uma avaliação criteriosa para estabelecer o nexo causal ocupacional e emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
  • O planejamento do retorno ao trabalho deve considerar restrições temporárias para garantir a recuperação completa e prevenir novas lesões.

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TESTE DE GAVETA ANTERIOR

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ANAMT 2015 - Teste da Gaveta Anterior e Lesão do LCA
Ao examinar um trabalhador que sofreu uma lesão no joelho direito, o médico do trabalho realiza o Teste da Gaveta Anterior, que consiste em posicionar o paciente em decúbito dorsal, joelho em 90º de flexão, o examinador senta sobre o pé do paciente e com as duas mãos apoiadas na região posterior do terço superior da tíbia traciona-a anteriormente. Quando positivo, este teste é indicativo de:
  • A) Fratura da patela com hemartrose.
  • B) Fratura do menisco com descolamento.
  • C) Lesão do Ligamento Cruzado Anterior.
  • D) Derrame Articular no Joelho Comprometido.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. O Teste da Gaveta Anterior é um exame clínico específico para avaliar a integridade do Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Quando positivo, demonstra instabilidade anterior do joelho pela frouxidão ligamentar. É um dos principais testes semiológicos na suspeita de ruptura do LCA, condição comum em traumas esportivos e ocupacionais. Referência: Netter FH. Atlas de Anatomia Humana, 7ª ed.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – O teste da gaveta anterior não diagnostica fraturas de patela.
  • Alternativa B: INCORRETA – Lesões meniscais são melhor detectadas por testes como McMurray ou Apley.
  • Alternativa D: INCORRETA – Derrame articular pode estar presente em lesões, mas não é avaliado diretamente por este teste.

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Dor Lombar Ocupacional: Manobra de Lasègue na Prática Clínica
A Manobra de Lasègue (ou Teste de Elevação da Perna Reta) é uma das ferramentas clínicas mais importantes para o médico do trabalho para diferenciar entre dor lombar mecânica e dor radicular causada por compressão de raiz nervosa. Essa distinção é crucial para determinar a capacidade de trabalho, planejar o tratamento adequado e estabelecer o nexo causal ocupacional em trabalhadores expostos a sobrecarga da coluna vertebral.

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DOR NO NERVO CIÁTICO / TESTE DE LASÈGUE

1
Como Executar a Manobra Corretamente
  • Paciente em decúbito dorsal (supino) com ambas as pernas estendidas.
  • Examinador eleva passivamente a perna afetada, mantendo o joelho completamente estendido.
  • Elevação lenta e progressiva, observando a reação do paciente.
  • Anotar o ângulo exato em que a dor aparece (normalmente entre 30° e 70° de elevação).
  • Realizar dorsiflexão do pé (sinal de Bragard) para confirmar irritação radicular.
  • Sempre comparar com o lado contralateral para avaliar assimetrias.
2
Interpretação Clínica Detalhada
  • Teste Positivo (Radiculopatia): Dor irradiando pela face posterior da coxa, perna e/ou pé, seguindo o trajeto do nervo ciático (dermátomos L4, L5 ou S1). Geralmente aparece entre 30° e 70° de elevação da perna.
  • Teste Negativo ou Inespecífico: Apenas tensão muscular na região posterior da coxa (isquiotibiais), sem irradiação característica ao longo do dermátomo. Dor apenas na região lombar sem irradiação para a perna.
  • Lasègue Cruzado: Ocorre dor na perna contralateral durante a elevação da perna não afetada. Este achado é altamente específico para hérnia discal volumosa com compressão radicular significativa.
3
Diferenciação Diagnóstica Essencial
Dor Mecânica (Não Radicular):
  • Dor localizada e restrita à região lombar.
  • Piora com movimentos específicos da coluna (flexão, extensão, rotação).
  • Melhora com repouso ou mudança de postura.
  • Sem alterações neurológicas (força, sensibilidade e reflexos preservados).
  • Causas comuns: disfunção facetária, contratura muscular, espondilose lombar.
Dor Radicular (Compressão de Raiz Nervosa):
  • Dor irradiada seguindo um dermátomo específico (ciatalgia, lombociatalgia).
  • Parestesias (formigamento, dormência) no território do nervo afetado.
  • Possível déficit motor (fraqueza muscular) no miótomo correspondente.
  • Alteração ou ausência de reflexos (patelar L4, aquileu S1).
  • Causas comuns: hérnia discal, estenose foraminal, espondilolistese.
4
Contexto Ocupacional e Nexo Causal
  • Ocupações de Alto Risco: Motoristas profissionais (vibração + postura sentada prolongada), trabalhadores da construção civil (levantamento e movimentação de carga), operadores de empilhadeira, enfermeiros e cuidadores (transferência de pacientes).
  • Fatores Agravantes no Trabalho: Levantamento repetitivo de cargas pesadas (>20kg), exposição a vibração de corpo inteiro, posturas em flexão prolongada do tronco, torção do tronco com carga.
  • Importância para o Médico do Trabalho: Um teste de Lasègue positivo, em conjunto com uma história ocupacional compatível e a ausência de outras causas não relacionadas ao trabalho, é um forte indicativo de nexo causal entre a atividade laboral e a condição do paciente. Essencial para emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), planejamento de retorno ao trabalho e recomendações de restrições laborais.
  • Conduta Prática: O achado de um Lasègue positivo requer investigação complementar (como Ressonância Magnética, se disponível), avaliação neurológica detalhada, e o afastamento temporário de atividades que sobrecarreguem a coluna vertebral.

A Manobra de Lasègue não é apenas um teste físico - é uma ferramenta de triagem que orienta toda a conduta clínica e ocupacional subsequente.

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ANAMT 2023 - Manobra de Lasègue e Irritação Radicular
A dor é o sintoma osteomuscular mais frequente nos diversos ambientes de trabalho. O Médico do Trabalho deve conduzir a anamnese com dados relacionados a início, intensidade, localização, irradiação, sinais flogísticos, dentre outros. Ao executar a Manobra de Lasègue, com resultado positivo, o médico espera encontrar:
  • A) Dor na elevação acima de 70 graus.
  • B) Comprovação de irritação radicular, com comprometimento L2 – L4.
  • C) No decúbito lateral, a irradiação da dor é para L4.
  • D) Quando a partir de 30 graus, há dor no dermátomo de L4-L5 ou L5-S1, o que é sinal de irritação radicular.
  • E) Nenhuma das alternativas é correta.
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. A Manobra de Lasègue é considerada positiva quando a elevação passiva da perna reta desencadeia dor radicular (não apenas tensão muscular) entre 30° e 70°, com irradiação para os dermátomos de L4, L5 ou S1. Este achado é um forte indicativo de compressão ou irritação de uma raiz nervosa lombar.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Dor acima de 70° de elevação geralmente não é diagnóstica de irritação radicular, podendo indicar rigidez de isquiotibiais ou outras causas.
  • Alternativa B: INCORRETA – A Manobra de Lasègue avalia principalmente as raízes de L4, L5, S1 e S2, e não L2-L4 diretamente.
  • Alternativa C: INCORRETA – O teste é realizado com o paciente em decúbito dorsal (deitado de costas), não em decúbito lateral.
  • Alternativa E: INCORRETA – Existe uma alternativa correta.

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STC: Diagnóstico Clínico Além dos Exames
O diagnóstico da Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é primordialmente clínico, com a combinação da história do paciente e testes específicos, mesmo em contextos ocupacionais. O objetivo é consolidar o quadro clínico e os testes chave para esta condição.
1
Sintomas Cardinais
  • Parestesias noturnas em polegar, indicador, médio e borda radial do anelar.
  • Dor e formigamento que podem irradiar para o antebraço e ombro.
  • Fraqueza e atrofia tenar em casos avançados, afetando a pinça.
2
Fatores Ocupacionais
  • Movimentos repetitivos e vigorosos do punho e dedos.
  • Aplicação de força excessiva com a mão e o punho.
  • Posturas de punho desviadas (extrema flexão ou extensão).
  • Exposição frequente à vibração em ferramentas ou máquinas.
Testes Clínicos Essenciais: Phalen e Tinel
Teste de Phalen: Mantendo os punhos em flexão máxima por 60 segundos, a positividade é indicada pelo surgimento ou exacerbação de parestesias na distribuição do nervo mediano.

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Descubra se você tem sintomas de síndrome do túnel do carpo com esse teste de Phalen. #túneldocarpo

Veja o vídeo completo: https://www.youtube.com/watch?v=vKSZFIsfqf4 Me siga também no Instagram @DraaGabrielAzzini

Teste de Tinel: A percussão suave sobre o nervo mediano no túnel do carpo, logo distal ao sulco de flexão do punho, provoca formigamento ou parestesias na distribuição do nervo.

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Conheça o teste Tinel que ajuda a avaliar se você está enfrentando a Síndrome do Túnel do Carpo.

Veja o vídeo completo: https://www.youtube.com/watch?v=vKSZFIsfqf4 Me siga também no Instagram @DraaGabrielAzzini

Takeaway: O diagnóstico da STC é primariamente clínico, baseado na história e nos testes de provocação. A eletroneuromiografia (ENMG) é um exame complementar valioso, mas não o ponto de partida ou o único critério diagnóstico.

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Síndrome do Túnel do Carpo: Diagnóstico Clínico Além dos Exames
ANAMT 2023 - A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é uma Neuropatia resultante de compressão nervosa no Túnel do Carpo. Gestantes, Pessoas com Diabetes, Amiloidose e Artrite Reumatoide têm risco aumentado para o desenvolvimento desta Síndrome, bem como algumas atividades laborais. Em relação aos critérios diagnósticos, utilizados na Síndrome do Túnel do Carpo, assinale a alternativa CORRETA:
  • A) Presença de atrofia da região hipotenar, Eletroneuromiografia (ENMG) apresentando comprometimento do Nervo Ulnar, digitopercussão no território do Nervo Radial com choque e/ou fisgadas.
  • B) Presença de desconforto na base do polegar, principalmente ao realizar movimentos laterais do punho, com o polegar dobrado, aumenta de volume no local, dificuldade em segurar objetos ou realizar movimentos com o polegar, e Teste de Phalen positivo.
  • C) Presença de formigamento na região inervada pelo nervo ulnar, parestesias permanentes, principalmente diurnas, sinal de Tinel negativo.
  • D) Presença de outra condição associada, como: compressão do nervo ulnar, hipertiroidismo, epicondilite; presença de parestesia em 3º, 4º e 5º dedos da mão, maior frequência em homens, teste de Filkenstein positivo.
  • E) Presença de parestesias e formigamentos intermitentes, principalmente à noite; atrofia e/ou diminuição da força muscular; Teste de Phalen Invertido e Sinal de Tinel positivos.
Gabarito Comentado
Alternativa E: CORRETA. A alternativa E descreve com precisão os critérios diagnósticos clássicos da Síndrome do Túnel do Carpo, incluindo parestesias noturnas nos primeiros três dedos da mão, fraqueza muscular, além dos testes clínicos característicos como Phalen Invertido e Tinel. Referência: MARTINS, W. R. Ortopedia Ocupacional. In: ROCHA, L. E. Medicina do Trabalho. Atheneu, 2021.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – atrofia hipotenar e comprometimento do nervo ulnar não se relacionam à STC, que afeta o nervo mediano.
  • Alternativa B: INCORRETA – as características descritas são mais associadas à rizartrose do polegar.
  • Alternativa C: INCORRETA – descreve sintomatologia do nervo ulnar, e o sinal de Tinel negativo contradiz a STC.
  • Alternativa D: INCORRETA – mistura sinais de outras condições (epicondilite, nervo ulnar); o teste de Finkelstein é para tenossinovite de De Quervain.

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De Quervain x Rizartrose: Como Não Confundir
O objetivo é diferenciar a tenossinovite de De Quervain da rizartrose, duas condições comuns que afetam a base do polegar e o punho, frequentemente confundidas devido à proximidade dos sintomas.
Tenossinovite de De Quervain
  • Local da Dor: Principalmente na estilóide radial, envolvendo os tendões do abdutor longo e extensor curto do polegar.
  • Teste Chave: Finkelstein positivo (dor intensa ao desvio ulnar do punho com o polegar flexionado na palma).
  • Causas: Associada a movimentos repetitivos de pinça e desvio ulnar do punho, comum em novas mães, trabalhadores manuais e digitadores.
Rizartrose (Osteoartrite da Base do Polegar)
  • Local da Dor: Base do polegar, especificamente na articulação trapézio-metacarpiana (TMC).
  • Piora com: Atividades que exigem pinça forte, torção ou rotação do polegar (ex: abrir potes, girar chaves).
  • Causas: Degeneração articular, mais comum em mulheres pós-menopausa, pode ter componente genético ou ser pós-traumática.
Manobra de Finkelstein na Prática
Assista ao vídeo para uma demonstração clara de como realizar e interpretar o Teste de Finkelstein, crucial para o diagnóstico da Tenossinovite de De Quervain:

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Como é a tendinite de De Quervain?

Como é a tendinite de De Quervain? Essa semana me perguntaram sobre essa tendinite. A característica principal que eu percebo nas pessoas que tem essa tendinite é o surgimento repentino, fraqueza em conseguir segurar um copo com a mão e muita dor ao abrir o polegar ou segurar algo! Se esse é o seu caso, assista e entenda o q acontece.

Conduta e Ergonomia
Para ambas as condições, a prevenção e o manejo envolvem evitar desvios ulnar/radial repetidos com força e movimentos de pinça ou torção excessivos. A educação do paciente sobre posturas adequadas e o uso de órteses podem ser benéficos.

Takeaway: Dor "na base do polegar" (articulação) sugere rizartrose; dor na estilóide radial (tendões) acompanhada de Finkelstein positivo indica De Quervain. A localização exata da dor é o diferencial chave.

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ANAMT 2022 - Rizartrose e Diagnóstico Diferencial
A Rizartrose é um importante diagnóstico diferencial quando estamos avaliando uma possível:
  • A) Dedo em gatilho
  • B) Doença de Kienböck do adulto
  • C) Tendinite de DeQuervain
  • D) Síndrome do Túnel do Carpo
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. A Rizartrose (artrose da articulação trapézio-metacarpiana) causa dor na base do polegar, semelhante ao quadro clínico da Tendinite de DeQuervain. Por isso, deve sempre ser considerada como diagnóstico diferencial. Referências: American College of Rheumatology (2021); ANAMT 2023 – Doenças Ortopédicas Ocupacionais.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – dedo em gatilho envolve bloqueio mecânico de flexores, não diagnóstico diferencial direto de rizartrose.
  • Alternativa B: INCORRETA – doença de Kienböck (necrose avascular do semilunar) cursa com dor em punho, não confunde com base do polegar.
  • Alternativa D: INCORRETA – STC cursa com parestesias e dor noturna, diferente do padrão articular da rizartrose.

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Epicondilite Lateral: Teste de Cozen e Gatilhos Ocupacionais
A epicondilite lateral, popularmente conhecida como "cotovelo de tenista", é uma condição musculoesquelética frequentemente associada a atividades ocupacionais repetitivas. Compreender seu diagnóstico e os fatores de risco no trabalho é crucial para a saúde do trabalhador.
Execução e Interpretação do Teste de Cozen
  • Posicionamento: O paciente dobra o cotovelo a 90° e prona o antebraço.
  • Ação: O médico estabiliza o cotovelo e pede ao paciente para estender o punho contra resistência.
  • Resultado Positivo: Dor aguda e bem localizada na região do epicôndilo lateral do úmero.
O teste provoca estresse nos tendões extensores do punho e dedos que se inserem no epicôndilo lateral, reproduzindo a dor característica da inflamação.
Demonstração do Teste de Cozen

00:32

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Teste do Cotovelo de Tenista ou Teste de Cozen

Vídeo produzido pelos discentes participantes do projeto Semiologia em Ação. Qualquer dúvida pode ser feita nos comentários do vídeo.

Ilustração do Teste de Cozen: médico avaliando o epicôndilo lateral.
Principais Gatilhos Ocupacionais e Controles
Gatilhos Ocupacionais
  • Movimentos repetitivos de empunhadura e preensão.
  • Uso constante de ferramentas como chave de fenda.
  • Atividades que envolvem pronação e supinação do antebraço sob carga.
  • Trabalhos com vibração manual prolongada.
Estratégias de Controle
  • Alternância de tarefas para evitar sobrecarga de um mesmo grupo muscular.
  • Utilização de ferramentas ergonômicas com alavancas otimizadas.
  • Adaptação de pegadores maiores para reduzir a força de preensão.
  • Programas de pausas ativas e alongamentos.

Takeaway: A dor provocada no epicôndilo lateral durante a extensão resistida do punho (Teste de Cozen positivo) é um forte indicativo de epicondilite lateral. A identificação e controle dos gatilhos ocupacionais são essenciais para a prevenção e manejo da doença.

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Epicondilite Lateral: Teste de Cozen e Gatilhos Ocupacionais
A epicondilite lateral, popularmente conhecida como "cotovelo de tenista", é uma condição comum em ambientes ocupacionais, especialmente em trabalhos que envolvem movimentos repetitivos do punho e antebraço. O Teste de Cozen é uma manobra clínica essencial para seu diagnóstico.
ANAMT 2023 - O Médico do Trabalho, ao suspeitar de epicondilite lateral em trabalhador do setor de montagem, realiza o Teste de Cozen no exame físico. Esse teste é executado da seguinte forma:
  • A) Com o cotovelo em flexão e o punho cerrado em extensão, o examinador força o punho em flexão enquanto o examinado tenta manter o punho estendido.
  • B) Com o cotovelo fletido, antebraço supinado e punho em extensão, realiza-se flexão ativa do punho contra resistência.
  • C) Com o cotovelo em flexão de 90°, antebraço pronado e punho cerrado, pede-se ao paciente extensão ativa do punho contra resistência imposta pelo examinador.
  • D) Com o cotovelo fletido, observa-se perda de rotação normal do antebraço e déficit de força.
  • E) Com o cotovelo em flexão de 90°, punho cerrado, pede-se flexão ativa contra resistência.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. O Teste de Cozen é clássico para diagnóstico de epicondilite lateral. O paciente é orientado a realizar extensão ativa do punho contra resistência com cotovelo a 90° e antebraço em pronação. Dor sobre o epicôndilo lateral é sugestiva de epicondilite lateral. Referência: Semiologia ortopédica (Hoppenfeld).
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – descreve teste diferente.
  • Alternativa B: INCORRETA – fala em flexão, não extensão do punho contra resistência.
  • Alternativa D: INCORRETA – descreve achados gerais, não a manobra específica do Teste de Cozen.
  • Alternativa E: INCORRETA – envolve flexão contra resistência, o que não corresponde ao Teste de Cozen.

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Síndrome do Impacto do Ombro Ocupacional: Compreensão e Manejo
A Síndrome do Impacto do Ombro é uma condição comum no ambiente de trabalho, caracterizada pela compressão dos tendões do manguito rotador e da bursa subacromial contra o acrômio. Entender seus fatores etiológicos, diagnóstico e estratégias de prevenção é crucial para a saúde ocupacional.
A etiologia multifatorial da Síndrome do Impacto do Ombro no contexto ocupacional destaca a necessidade de uma abordagem integrada. Fatores como movimentos repetitivos acima da cabeça, posturas inadequadas, levantamento de peso e falta de tempo para recuperação podem contribuir para o desenvolvimento e agravamento da condição. O diagnóstico precoce, baseado na história clínica e exame físico detalhado, é fundamental para um manejo eficaz e para evitar a progressão para quadros mais complexos, como rupturas do manguito rotador.
As estratégias de prevenção e gestão ocupacional devem incluir avaliações ergonômicas do posto de trabalho, programas de fortalecimento muscular, pausas regulares e educação sobre técnicas de levantamento e movimentação seguras. A fisioterapia desempenha um papel primordial no tratamento conservador, visando restaurar a função e reduzir a dor, permitindo um retorno seguro e sustentável ao trabalho.

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Questão Prática
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Ortopédicas
Assunto: Ombro
Identificação e histórico ocupacional: B.I.E., 55 anos, masculino, pardo, casado, exerce a função de auxiliar de mecânico de refrigeração em uma indústria alimentícia há quatro anos. Apresenta longo histórico laboral: trabalhou em atividades diversas (lavador de carros, carga/descarga, servente de pedreiro) e posteriormente atuou por aproximadamente 25 anos na construção civil, majoritariamente como pedreiro. Atualmente trabalha com manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado.
Queixa principal (QP): dor no ombro direito há cerca de quatro meses.
História da doença atual (HDA): trabalhador relata dor contínua em ombro direito, de início insidioso, com piora progressiva nos últimos meses. Refere exacerbação ao elevar o braço acima da cabeça e ao deitar-se sobre o lado acometido. Relata melhora parcial aos finais de semana. Não procurou assistência médica até o momento. Refere episódios ocasionais de edema local.
Antecedentes pessoais: nega cirurgias prévias, acidentes ou hipertensão arterial sistêmica. Refere Diabetes Mellitus, em tratamento regular.
Exame físico geral: bom estado geral, hidratado, afebril, acianótico, anictérico. Sinais vitais estáveis (PA 130x80 mmHg, FC 78 bpm, FR 17 ir.p.m, SpO2 99%). IMC 37 (obesidade grau II). Ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações.
Exame ortopédico: à inspeção sem deformidades estruturais, porém discreto edema em ombro direito. Não havia atrofia muscular. À palpação, dor e aumento da temperatura local. Limitação dolorosa de amplitude de movimento. Apresentava dor intensa ao elevar e abaixar lentamente o braço acima da cabeça. Teste de elevação passiva do braço a 90° com rotação interna, reproduziu dor importante na região anterior do ombro direito.
Programa de Gerenciamento de Risco da empresa (PGR):
DESCRIÇÃO DO PROCESSO: Manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado; montar e desmontar aparelhos de ar-condicionado; limpeza, lavagem e conservação do ar-condicionado; abastecer o compressor do ar-condicionado com gás fréon r-22, r-134a e r-410a; realizar trabalho em altura superior a 2 metros.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: Realizar inspeções periódicas em equipamentos de refrigeração; auxiliar na montagem de componentes de sistemas de refrigeração; realizar testes de funcionamento de sistemas de refrigeração; limpar e trocar filtros de sistemas de refrigeração; carregar e recarregar gás refrigerante; auxiliar na desmontagem e montagem de compressores, condensadores e evaporadores; registrar atividades realizadas; identificar melhorias e soluções para problemas recorrentes nos sistemas de refrigeração.
Jornada de trabalho: 44 horas/sema
Tendo como base os dados acima, responda as questões a seguir:
Do ponto de vista biomecânico, assinale dentre as alternativas abaixo, a alternativa CORRETA em relação ao mecanismo articular que está ocasionando o quadro doloroso na região do ombro.
A) Conflito mecânico entre o tubérculo maior e o acrômio.
B) Conflito mecânico entre o tendão supraespinhal e o acrômio.
C) Conflito mecânico entre o processo coracóide e o tubérculo maior.
D) Conflito mecânico entre o processo coracóide e o supraespinhal.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
Quadro clínico típico de síndrome do impacto subacromial: dor ao elevar o braço acima da cabeça e teste de Hawkins-Kennedy positivo (elevação a 90° com rotação interna reproduzindo dor), que indica compressão do tendão do supraespinhal e bursa subacromial sob o acrômio. A biomecânica do impacto ocorre no espaço subacromial durante movimentos de elevação/rotação interna, comuns em atividades acima da cabeça.
Referências: Couto HA. Ergonomia 4.0 – Dos Conceitos Básicos à 4ª Revolução Industrial, Ed. Ergo, 2020; Lawry GV. Exame Musculoesquelético Sistematizado, Artmed, 2012.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — o impacto direto do tubérculo maior contra o acrômio não descreve o mecanismo clássico; a estrutura comprimida principal é o tendão do supraespinhal sob o arco coracoacromial.
  • Assertiva C: INCORRETA — conflito coracóide–tubérculo maior (impingement subcoracoide) é menos comum e relaciona-se à flexão/adução/rotação interna com dor anterior mais medial, não sugerido pelo exame.
  • Assertiva D: INCORRETA — “processo coracóide e o supraespinhal” não compõem o arco de compressão típico; o conflito verdadeiro envolve acrômio/arco coracoacromial e tendão supraespinhal.

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Questão PRÁTICA
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Ortopédicas
Assunto: Ombro

Identificação e histórico ocupacional: B.I.E., 55 anos, masculino, pardo, casado, exerce a função de auxiliar de mecânico de refrigeração em uma indústria alimentícia há quatro anos. Apresenta longo histórico laboral: trabalhou em atividades diversas (lavador de carros, carga/descarga, servente de pedreiro) e posteriormente atuou por aproximadamente 25 anos na construção civil, majoritariamente como pedreiro. Atualmente trabalha com manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado.
Queixa principal (QP): dor no ombro direito há cerca de quatro meses.
História da doença atual (HDA): trabalhador relata dor contínua em ombro direito, de início insidioso, com piora progressiva nos últimos meses. Refere exacerbação ao elevar o braço acima da cabeça e ao deitar-se sobre o lado acometido. Relata melhora parcial aos finais de semana. Não procurou assistência médica até o momento. Refere episódios ocasionais de edema local.
Antecedentes pessoais: nega cirurgias prévias, acidentes ou hipertensão arterial sistêmica. Refere Diabetes Mellitus, em tratamento regular.
Exame físico geral: bom estado geral, hidratado, afebril, acianótico, anictérico. Sinais vitais estáveis (PA 130x80 mmHg, FC 78 bpm, FR 17 ir.p.m, SpO2 99%). IMC 37 (obesidade grau II). Ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações.
Exame ortopédico: à inspeção sem deformidades estruturais, porém discreto edema em ombro direito. Não havia atrofia muscular. À palpação, dor e aumento da temperatura local. Limitação dolorosa de amplitude de movimento. Apresentava dor intensa ao elevar e abaixar lentamente o braço acima da cabeça. Teste de elevação passiva do braço a 90° com rotação interna, reproduziu dor importante na região anterior do ombro direito.
Programa de Gerenciamento de Risco da empresa (PGR):
DESCRIÇÃO DO PROCESSO: Manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado; montar e desmontar aparelhos de ar-condicionado; limpeza, lavagem e conservação do ar-condicionado; abastecer o compressor do ar-condicionado com gás fréon r-22, r-134a e r-410a; realizar trabalho em altura superior a 2 metros.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: Realizar inspeções periódicas em equipamentos de refrigeração; auxiliar na montagem de componentes de sistemas de refrigeração; realizar testes de funcionamento de sistemas de refrigeração; limpar e trocar filtros de sistemas de refrigeração; carregar e recarregar gás refrigerante; auxiliar na desmontagem e montagem de compressores, condensadores e evaporadores; registrar atividades realizadas; identificar melhorias e soluções para problemas recorrentes nos sistemas de refrigeração. Jornada de trabalho: 44 horas/semana.
Tendo como base os dados acima, responda as questões a seguir:
Levando-se em consideração os dados clínicos e o exame físico, assinale a dentre as alternativas abaixo, a CORRETA em relação a hipótese diagnóstica para este caso.
A) Síndrome do Impacto do ombro.
B) Capsulite adesiva.
C) Radiculopatia cervical.
D) Artrite acromioclavicular.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA A.
A clínica e o exame apontam para síndrome do impacto subacromial: dor progressiva ao elevar o braço acima da cabeça e teste de Hawkins-Kennedy (elevação a 90° com rotação interna) reproduzindo dor anterior — achados clássicos de compressão do tendão do supraespinhal/bursa sob o acrômio. Ausência de rigidez global passiva afasta capsulite adesiva; não há sinais neurológicos cervicais para radiculopatia; e a dor não é focal na articulação acromioclavicular nem há teste de adução cruzada positivo.
Referências: Couto HA, Ergonomia 4.0, 2020; Lawry GV, Exame Musculoesquelético Sistematizado, 2012.
Outras Alternativas
  • Assertiva B: INCORRETA — capsulite adesiva cursa com perda marcada de ADM ativa e PASSIVA em múltiplos planos e rigidez global, o que não foi descrito.
  • Assertiva C: INCORRETA — radiculopatia cervical geralmente apresenta dor cervical com irradiação dermatomérica, parestesias, déficit motor/reflexo; não há esses achados no caso.
  • Assertiva D: INCORRETA — artrite acromioclavicular dá dor localizada sobre a articulação AC e piora no teste de adução cruzada; não há essa localização típica nem teste sugestivo.

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ANAMT 2025
Questão PRÁTICAS
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Ortopédicas
Assunto: Ombro

Identificação e histórico ocupacional: B.I.E., 55 anos, masculino, pardo, casado, exerce a função de auxiliar de mecânico de refrigeração em uma indústria alimentícia há quatro anos. Apresenta longo histórico laboral: trabalhou em atividades diversas (lavador de carros, carga/descarga, servente de pedreiro) e posteriormente atuou por aproximadamente 25 anos na construção civil, majoritariamente como pedreiro. Atualmente trabalha com manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado.
Queixa principal (QP): dor no ombro direito há cerca de quatro meses.
História da doença atual (HDA): trabalhador relata dor contínua em ombro direito, de início insidioso, com piora progressiva nos últimos meses. Refere exacerbação ao elevar o braço acima da cabeça e ao deitar-se sobre o lado acometido. Relata melhora parcial aos finais de semana. Não procurou assistência médica até o momento. Refere episódios ocasionais de edema local.
Antecedentes pessoais: nega cirurgias prévias, acidentes ou hipertensão arterial sistêmica. Refere Diabetes Mellitus, em tratamento regular.
Exame físico geral: bom estado geral, hidratado, afebril, acianótico, anictérico. Sinais vitais estáveis (PA 130x80 mmHg, FC 78 bpm, FR 17 ir.p.m, SpO2 99%). IMC 37 (obesidade grau II). Ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações.
Exame ortopédico: à inspeção sem deformidades estruturais, porém discreto edema em ombro direito. Não havia atrofia muscular. À palpação, dor e aumento da temperatura local. Limitação dolorosa de amplitude de movimento. Apresentava dor intensa ao elevar e abaixar lentamente o braço acima da cabeça. Teste de elevação passiva do braço a 90° com rotação interna, reproduziu dor importante na região anterior do ombro direito.
Programa de Gerenciamento de Risco da empresa (PGR):
DESCRIÇÃO DO PROCESSO: Manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado; montar e desmontar aparelhos de ar-condicionado; limpeza, lavagem e conservação do ar-condicionado; abastecer o compressor do ar-condicionado com gás fréon r-22, r-134a e r-410a; realizar trabalho em altura superior a 2 metros.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: Realizar inspeções periódicas em equipamentos de refrigeração; auxiliar na montagem de componentes de sistemas de refrigeração; realizar testes de funcionamento de sistemas de refrigeração; limpar e trocar filtros de sistemas de refrigeração; carregar e recarregar gás refrigerante; auxiliar na desmontagem e montagem de compressores, condensadores e evaporadores; registrar atividades realizadas; identificar melhorias e soluções para problemas recorrentes nos sistemas de refrigeração. Jornada de trabalho: 44 horas/semana.
Tendo como base os dados acima, responda as questões a seguir:
Após a análise do histórico clínico detalhado, do exame físico onde foi avaliada a dor e a mobilidade da articulação, a hipótese diagnóstica foi de Síndrome do Impacto do ombro. Leia as assertivas abaixo sobre o tema.
I. O tratamento conservador da Síndrome do Impacto no Ombro é amplamente utilizado na prática clínica, tendo a fisioterapia como abordagem terapêutica primordial.
II. Dor e sensibilidade na parte frontal e posterior do ombro com irradiação para a face medial do braço é um sintoma frequente desta síndrome.
III. A história clínica e o exame físico, para avaliação biomecânica do ombro é de grande importância para o diagnóstico.
IV. Não há evidências de que medidas preventivas em relação à correção de postura, mudança de estilo de vida e outras, contribuam com a melhora do quadro doloroso do trabalhador.
V. Exames de imagem ajudam no diagnóstico diferencial e para avaliar se há alguma calcificação na região subacromial.
Estão INCORRETAS as afirmativas:
A) I e II.
B) II e IV.
C) I, II e III.
D) I e IV.
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA B.
Identifica corretamente como INCORRETAS as assertivas II (descrição do padrão doloroso para face medial) e IV (nega benefício de medidas preventivas). Na síndrome do impacto subacromial, a dor típica é anterolateral com irradiação para a face LATERAL do braço (não para a face medial), e há ampla evidência de benefício de medidas preventivo-terapêuticas (fisioterapia, correção postural, modificação de atividades, fortalecimento do manguito, educação ergonômica) na melhora da dor e função. As demais assertivas (I, III e V) estão corretas: abordagem conservadora com fisioterapia é padrão inicial; história e exame biomecânico são centrais; exames de imagem auxiliam no diferencial e na pesquisa de calcificações subacromiais.
Referências: Couto HA, Ergonomia 4.0, 2020; Lawry GV, Exame Musculoesquelético Sistematizado, 2012.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA — inclui I (que é verdadeira) junto com II (que é falsa); portanto, não representa o conjunto de afirmações incorretas.
  • Assertiva C: CORRETA — inclui III como incorreta, mas a assertiva III é verdadeira (a história clínica e o exame físico são de grande importância para a avaliação biomecânica e diagnóstico).
  • Assertiva D: CORRETA — considera I incorreta, porém a assertiva I é verdadeira (o tratamento conservador com fisioterapia é a primeira linha de abordagem).

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Questão Prática
Módulo: Leis e Normas Regulamentadoras
Disciplina: Normas Regulamentadoras (NR-07)
Assunto: NR-07
Identificação e histórico ocupacional: B.I.E., 55 anos, masculino, pardo, casado, exerce a função de auxiliar de mecânico de refrigeração em uma indústria alimentícia há quatro anos. Apresenta longo histórico laboral: trabalhou em atividades diversas (lavador de carros, carga/descarga, servente de pedreiro) e posteriormente atuou por aproximadamente 25 anos na construção civil, majoritariamente como pedreiro. Atualmente trabalha com manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado.
Queixa principal (QP): dor no ombro direito há cerca de quatro meses.
História da doença atual (HDA): trabalhador relata dor contínua em ombro direito, de início insidioso, com piora progressiva nos últimos meses. Refere exacerbação ao elevar o braço acima da cabeça e ao deitar-se sobre o lado acometido. Relata melhora parcial aos finais de semana. Não procurou assistência médica até o momento. Refere episódios ocasionais de edema local.
Antecedentes pessoais: nega cirurgias prévias, acidentes ou hipertensão arterial sistêmica. Refere Diabetes Mellitus, em tratamento regular.
Exame físico geral: bom estado geral, hidratado, afebril, acianótico, anictérico. Sinais vitais estáveis (PA 130x80 mmHg, FC 78 bpm, FR 17 ir.p.m, SpO2 99%). IMC 37 (obesidade grau II). Ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações.
Exame ortopédico: à inspeção sem deformidades estruturais, porém discreto edema em ombro direito. Não havia atrofia muscular. À palpação, dor e aumento da temperatura local. Limitação dolorosa de amplitude de movimento. Apresentava dor intensa ao elevar e abaixar lentamente o braço acima da cabeça. Teste de elevação passiva do braço a 90° com rotação interna, reproduziu dor importante na região anterior do ombro direito.
Programa de Gerenciamento de Risco da empresa (PGR):
DESCRIÇÃO DO PROCESSO: Manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado; montar e desmontar aparelhos de ar-condicionado; limpeza, lavagem e conservação do ar-condicionado; abastecer o compressor do ar-condicionado com gás fréon r-22, r-134a e r-410a; realizar trabalho em altura superior a 2 metros.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: Realizar inspeções periódicas em equipamentos de refrigeração; auxiliar na montagem de componentes de sistemas de refrigeração; realizar testes de funcionamento de sistemas de refrigeração; limpar e trocar filtros de sistemas de refrigeração; carregar e recarregar gás refrigerante; auxiliar na desmontagem e montagem de compressores, condensadores e evaporadores; registrar atividades realizadas; identificar melhorias e soluções para problemas recorrentes nos sistemas de refrigeração. Jornada de trabalho: 44 horas/semana.
Após o estabelecimento do diagnóstico, assinale a alternativa CORRETA em relação a conduta do Médico do Trabalho.
A) Afastar o Trabalhador e encaminhar para tratamento fisioterápico.
B) Afastar o Trabalhador por 30 dias, encaminhar para tratamento fisioterápico e emitir a comunicação de acidente de trabalho (CAT).
C) Afastar o Trabalhador, acompanhar o tratamento fisioterápico, emitir a comunicação de acidente de trabalho (CAT) e notificar ao Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN).
D) Aguardar o retorno do trabalhador, após o atestado, para decidir se há nexo causal, e definir a emissão da CAT.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA C.
Conduta ocupacional: na suspeita de agravo relacionado ao trabalho, o médico do trabalho deve afastar se necessário e acompanhar o tratamento, emitir a CAT imediatamente (independe de tempo de afastamento) e realizar a notificação ao SINAN para agravos relacionados ao trabalho (p.ex., DORT/lesões por esforço). Isso garante vigilância, direitos previdenciários e medidas de prevenção na empresa.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — omite a emissão obrigatória da CAT na suspeita e a notificação ao SINAN.
  • Assertiva B: INCORRETA — fixa “30 dias” sem critério; ainda que cite a CAT, omite a notificação ao SINAN e o período de afastamento deve ser clínico/funcional, não pré-definido.
  • Assertiva D: INCORRETA — posterga decisão e a emissão da CAT; a CAT deve ser emitida de imediato quando houver suspeita de nexo, não apenas após retorno.

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Questão Prática
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Normas Regulamentadoras (NR-07)
Assunto: NR-07
Identificação e histórico ocupacional: B.I.E., 55 anos, masculino, pardo, casado, exerce a função de auxiliar de mecânico de refrigeração em uma indústria alimentícia há quatro anos. Apresenta longo histórico laboral: trabalhou em atividades diversas (lavador de carros, carga/descarga, servente de pedreiro) e posteriormente atuou por aproximadamente 25 anos na construção civil, majoritariamente como pedreiro. Atualmente trabalha com manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado.
Queixa principal (QP): dor no ombro direito há cerca de quatro meses.
História da doença atual (HDA): trabalhador relata dor contínua em ombro direito, de início insidioso, com piora progressiva nos últimos meses. Refere exacerbação ao elevar o braço acima da cabeça e ao deitar-se sobre o lado acometido. Relata melhora parcial aos finais de semana. Não procurou assistência médica até o momento. Refere episódios ocasionais de edema local.
Antecedentes pessoais: nega cirurgias prévias, acidentes ou hipertensão arterial sistêmica. Refere Diabetes Mellitus, em tratamento regular.
Exame físico geral: bom estado geral, hidratado, afebril, acianótico, anictérico. Sinais vitais estáveis (PA 130x80 mmHg, FC 78 bpm, FR 17 ir.p.m, SpO2 99%). IMC 37 (obesidade grau II). Ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações.
Exame ortopédico: à inspeção sem deformidades estruturais, porém discreto edema em ombro direito. Não havia atrofia muscular. À palpação, dor e aumento da temperatura local. Limitação dolorosa de amplitude de movimento. Apresentava dor intensa ao elevar e abaixar lentamente o braço acima da cabeça. Teste de elevação passiva do braço a 90° com rotação interna, reproduziu dor importante na região anterior do ombro direito.
Programa de Gerenciamento de Risco da empresa (PGR):
DESCRIÇÃO DO PROCESSO: Manutenção corretiva e preventiva em central de ar-condicionado; montar e desmontar aparelhos de ar-condicionado; limpeza, lavagem e conservação do ar-condicionado; abastecer o compressor do ar-condicionado com gás fréon r-22, r-134a e r-410a; realizar trabalho em altura superior a 2 metros.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: Realizar inspeções periódicas em equipamentos de refrigeração; auxiliar na montagem de componentes de sistemas de refrigeração; realizar testes de funcionamento de sistemas de refrigeração; limpar e trocar filtros de sistemas de refrigeração; carregar e recarregar gás refrigerante; auxiliar na desmontagem e montagem de compressores, condensadores e evaporadores; registrar atividades realizadas; identificar melhorias e soluções para problemas recorrentes nos sistemas de refrigeração. Jornada de trabalho: 44 horas/semana.
Tendo como base os dados acima, responda as questões a seguir: No intuito de desenvolver ações de prevenção ativa, conforme a Norma Regulamentadora 7 (NR 7), qual a medida deve ser priorizada, para evitar a progressão e recorrência do quadro?
A) Afastamento definitivo das atividades com incapacidade laboral permanente.
B) Readequação ergonômica das tarefas, proibindo elevação repetitiva dos braços acima da cabeça.
C) Inserir rotina de pausas compensatórias durante a jornada de trabalho e rodízio de atividades, limitando atividades críticas para a articulação do ombro.
D) Disponibilizar analgésicos no ambulatório da empresa para os empregados que apresentarem quadro doloroso.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA C.
Medida de prioridade em prevenção ativa segundo princípios do PCMSO/NR-7 e ergonomia: intervenções organizacionais (pausas compensatórias e rodízio) reduzem a exposição cumulativa e permitem recuperação tecidual, evitando progressão/recorrência de tendinopatias do manguito. Reforça-se também a limitação de tarefas críticas como parte do plano de ação.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA — “afastamento definitivo” não é medida de prevenção ativa nem primeira linha; é extremo e não dirigido ao risco.
  • Assertiva B: ERRADA — proibir apenas um gesto reduz risco, mas isoladamente não é a medida priorizada em NR-7; abordagem deve ser programada (pausas/rodízio) e não apenas restritiva.
  • Assertiva D: ERRADA — analgesia trata sintoma, não atua na causa, e não configura prevenção ativa prevista para controlar o risco.

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Ombro Doloroso: Por Que o Diagnóstico é Clínico-Funcional
O objetivo é enquadrar a síndrome do ombro doloroso no contexto ocupacional, enfatizando a importância de uma abordagem clínico-funcional que transcende a mera leitura de exames de imagem.
População Típica e Exposição Ocupacional
  • Prevalência: Mais comum em mulheres de 40 a 65 anos.
  • Exposição: Trabalho manual repetitivo acima da altura dos ombros.
  • Exemplos: Pintura, montagem de tetos, operação de máquinas com elevação de braços.
Fatores Multifatoriais
  • Causa: Raramente por um único fator.
  • Combinação de: Força excessiva, movimentos repetitivos, posturas inadequadas.
  • Outros contribuintes: Organização de trabalho deficiente.
Imagens vs. Realidade Clínica
  • Exames de imagem (tendinopatias, rupturas): Não determinam afastamento por si só.
  • Decisão: Integrar avaliação da função, intensidade da dor e risco ocupacional.
  • Importância: Foco na funcionalidade e no contexto do trabalhador.

Takeaway: Para uma conduta laboral assertiva, é fundamental correlacionar a clínica (sintomas e exame físico), a função (capacidade de realizar tarefas) e o risco ocupacional (natureza da atividade), e não apenas os exames de imagem.

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ANAMT 2023 - Síndrome do Ombro Doloroso
O estabelecimento do diagnóstico correto da síndrome do ombro doloroso e sua possível correlação com atividades profissionais são importantes na prática da Medicina do Trabalho. Analise atentamente as afirmativas abaixo:
  • I. A síndrome do ombro doloroso acomete, principalmente, mulheres entre 40 e 65 anos de idade, que desempenham atividades manuais, como, por exemplo, trabalhadoras domésticas, costureiras, cabeleireiras, entre outros.
  • II. O desenvolvimento das lesões do ombro é multifatorial, sendo importante analisar os fatores de risco, direta ou indiretamente, envolvidos.
  • III. Os achados ultrassonográficos podem ser utilizados de forma isolada para definir eventual afastamento ou retorno ao trabalho.
Estão CORRETAS as afirmativas:
  • A) I e II.
  • B) II e III.
  • C) I e III.
  • D) Todas estão corretas.
  • E) Apenas a alternativa I.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. As afirmativas I e II estão corretas e refletem achados epidemiológicos e clínicos relacionados à síndrome do ombro doloroso ocupacional. A afirmativa III está incorreta, pois exames complementares como a ultrassonografia devem ser interpretados junto com a avaliação clínica e funcional, não sendo suficientes isoladamente para decisões de afastamento laboral.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. A afirmativa III não é válida isoladamente para decisões sobre o retorno ao trabalho.
  • Alternativa C: INCORRETA. A afirmativa III está incorreta.
  • Alternativa D: INCORRETA. Nem todas as afirmativas estão corretas.
  • Alternativa E: INCORRETA. A afirmativa II também é correta.

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Manguito Rotador: Testes de Neer, Hawkins e Jobe
Para o Médico do Trabalho, o diagnóstico preciso de condições do manguito rotador é fundamental. A tríade de testes de Neer, Hawkins-Kennedy e Jobe são ferramentas clínicas essenciais para avaliar impacto subacromial e a força do supraespinhal, frequentemente afetados em atividades ocupacionais com movimentos repetitivos acima da cabeça.
Teste de Neer (Impacto)
  • Avalia impacto subacromial.
  • Examinador estabiliza escápula.
  • Elevação passiva do braço (flexão forçada, rotação interna).
  • Dor no ombro indica positivo.

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Teste de Neer - Impacto Ombro #orthopedics #shoulder #shoulderpain #medicina

Teste de Hawkins-Kennedy (Impacto)
  • Também avalia impacto.
  • Ombro e cotovelo fletidos a 90 graus.
  • Rotação interna passiva forçada do braço.
  • Dor profunda no ombro indica positivo.

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Teste de Hawkins

Teste de Jobe (Força do Supraespinhal)
  • Conhecido como "Empty Can Test".
  • Avalia força do músculo supraespinhal.
  • Braço a 90° abdução, 30° flexão horizontal, rotação interna (polegar para baixo).
  • Paciente resiste à pressão do examinador.

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Teste de Jobe, Teste Ortopédicos Especial de Avaliação Fisioterapia

A dor na elevação ativa do ombro, especialmente em arcos dolorosos específicos, e a frequente exposição ao impacto subacromial em trabalhos que exigem elevação constante dos braços, reforçam a necessidade de uma avaliação detalhada utilizando esses testes.

Takeaway: A combinação dos testes de Neer, Hawkins-Kennedy e Jobe aumenta significativamente a acurácia diagnóstica para tendinopatias e lesões do supraespinhal, permitindo uma conduta mais assertiva na saúde ocupacional.

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ANAMT 2023 - Avaliação de Retorno: Ruptura do Supraespinhal
M.M.C., Masculino, 34 anos, comparece ao setor Médico para avaliação de retorno ao trabalho, após afastamento previdenciário. Foi submetido à cirurgia, em decorrência de ruptura de Tendão Supraespinhoso à direita. Ficou afastado de suas atividades laborais por 45 dias. Iniciou sessões de fisioterapia neste período.
Assinale a alternativa CORRETA sobre as manobras necessárias neste atendimento clínico, que avaliam a condição do tendão supraespinhal?
A) Manobra de Neer, Jobe e Hawkins-Kennedy.
B) Teste de Patte e Gerber.
C) Teste de Finkelstein e Tinel.
D) Teste de Benedicten e Phalen.
E) Teste de Apley e Lanchman.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. O tendão supraespinhal está frequentemente relacionado às síndromes dolorosas do ombro e pode ser avaliado por testes específicos como Neer (impacto subacromial), Jobe (força do supraespinhal) e Hawkins-Kennedy (impacto). Esses testes auxiliam na avaliação funcional após ruptura ou cirurgia. Referências: Magee DJ, Orthopedic Physical Assessment; Hoppenfeld, Exame físico das articulações.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA – Patte avalia infraespinal e Gerber avalia subescapular, não o supraespinhal.
  • Alternativa C: INCORRETA – Finkelstein (De Quervain) e Tinel (neuropatias compressivas) não têm relação com supraespinhal.
  • Alternativa D: INCORRETA – Benedicten e Phalen são testes neurológicos (nervo mediano), não do ombro.
  • Alternativa E: INCORRETA – Apley (mobilidade de ombro) e Lanchman (joelho/LCA), não relacionados ao supraespinhal.

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Articulação Acromioclavicular: Teste de Yokum
Objetivo: Diferenciar a dor na articulação acromioclavicular (AC) do impacto subacromial, condições que podem ter apresentações clínicas semelhantes e são frequentemente exacerbadas por atividades ocupacionais.
Execução e Interpretação do Teste de Yokum
  • Posicionamento: O paciente coloca a mão do ombro afetado sobre o ombro oposto.
  • Ação: O examinador instrui o paciente a elevar o cotovelo, enquanto aplica resistência no mesmo.
  • Resultado Positivo: Dor aguda e localizada na articulação acromioclavicular (AC) durante a elevação resistida do cotovelo.
Este teste é fundamental para orientar restrições de atividades que envolvam elevação frontal e abdução do ombro, ajudando a planejar um retorno seguro ao trabalho.
Demonstração do Teste de Yokum

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Teste Yocum, avaliação do Músculo Supraespinhoso

Takeaway: A detecção de dor pontual na articulação acromioclavicular (AC) durante o Teste de Yokum é um indicador chave que orienta o Médico do Trabalho na elaboração de um plano de tarefa segura e na definição de restrições adequadas para o trabalhador.
Articulação Acromioclavicular: Teste de Yokum
ANAMT - 2015 - O paciente coloca a mão sobre o ombro oposto e procura fletir o braço elevando ativamente o cotovelo, sem elevar o cíngulo escapular. Este teste, útil no exame de lesão acromioclavicular é conhecido como:
A) Teste do Impacto de Neer
B) Teste de Hawkins-Kennedy
C) Teste do Impacto de Yokum
D) Teste de Patte
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. O teste descrito é o Impacto de Yokum, que avalia lesão da articulação acromioclavicular, provocando dor local ao elevar o cotovelo sobre o ombro oposto. É um teste específico para identificar sobrecarga ou lesão nesta articulação. Referências: Magee DJ, Orthopedic Physical Assessment, 7ª ed; Hoppenfeld, Exame físico das articulações.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – O Teste de Neer avalia impacto subacromial e não lesão acromioclavicular especificamente.
  • Alternativa B: INCORRETA – O Teste de Hawkins-Kennedy também avalia impacto subacromial, e não a articulação acromioclavicular.
  • Alternativa D: INCORRETA – O Teste de Patte avalia o tendão infraespinal e não possui relação com lesões da articulação acromioclavicular.

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Kienböck: Quando a Vibração Aponta para o Semilunar
Objetivo: Lembrar o nexo típico da necrose do semilunar.
Fatores de Risco e Sintomas
  • Dor persistente no punho, localizada na região do osso semilunar.
  • Histórico ocupacional de uso prolongado de ferramentas vibratórias ou atividades com força palmar repetitiva.
  • Rigidez, inchaço e diminuição da força de preensão na mão afetada.
Conduta do Médico do Trabalho
  • Afastar o trabalhador da exposição à vibração e de atividades de sobrecarga no punho.
  • Encaminhar para avaliação ortopédica especializada para confirmação diagnóstica (via exames de imagem como Raio-X e Ressonância Magnética) e definição do plano terapêutico.
  • Monitorar a evolução e o processo de reabilitação para um retorno seguro ao trabalho.

Takeaway: Dor "no centro do carpo" associada à exposição crônica à vibração ou esforço repetitivo é um sinal de alerta para investigar a doença de Kienböck, exigindo conduta protetiva e encaminhamento.

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ANAMT 2022 - Kienböck: Quando a Vibração Aponta para o Semilunar
Um trabalhador que opera equipamento vibratório que requer força sobre a palma da mão (martelete pneumático) procura o serviço de Medicina do Trabalho por apresentar episódios de dor nos punhos, localizada mais na região do osso semilunar do carpo. Nega ocorrência de trauma. Com esta descrição, o principal diagnóstico a ser investigado é:
  • A) Doença de Raynaud
  • B) Síndrome do Túnel do Carpo
  • C) Doença de Kienböck
  • D) Necrose avascular do osso escafoide
  • E) Fratura oculta do semilunar
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. A Doença de Kienböck é caracterizada por necrose avascular do osso semilunar, geralmente relacionada a sobrecarga e microtraumas repetitivos, como ocorre em trabalhadores que utilizam ferramentas vibratórias. A localização da dor no semilunar sem trauma reforça este diagnóstico.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – Raynaud está ligado a fenômenos vasoespásticos, sem relação direta com dor localizada no semilunar.
  • Alternativa B: INCORRETA – A dor e os sintomas da Síndrome do Túnel do Carpo não são típicos do osso semilunar, afetando o nervo mediano.
  • Alternativa D: INCORRETA – Embora seja uma necrose avascular, o escafoide não é o osso mais acometido neste contexto de vibração e dor específica no semilunar.
  • Alternativa E: INCORRETA – A ausência de trauma descarta a possibilidade de fratura oculta do semilunar.

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AET que funciona: o que NÃO fazer e o que fazer
Objetivo: Reforçar as medidas eficazes da NR-17 e evitar equívocos comuns na aplicação da Análise Ergonômica do Trabalho (AET).
O Que Fazer (Medidas Eficazes)
  • Alternância de tarefas e posturas: Promover a variação de atividades para evitar sobrecarga de grupos musculares específicos e fadiga.
  • Redução de força e alcance: Reorganizar o ambiente de trabalho para diminuir o esforço físico e a amplitude de movimentos repetitivos, minimizando o risco de lesões.
  • Layout ajustado: Adaptar o mobiliário, ferramentas e o arranjo do posto de trabalho às características antropométricas do trabalhador e à demanda da tarefa.
O Que NÃO Fazer (Equívocos a Evitar)
  • Suprimir alternância: Manter o trabalhador em uma única tarefa ou postura estática por períodos prolongados, aumentando o risco de LER/DORT.
  • Manter posturas extremas/estáticas: Não intervir em situações que exigem flexão, extensão ou rotação excessiva das articulações ou imobilidade prolongada.
  • Ignorar o feedback do trabalhador: Implementar soluções sem considerar a percepção, experiência e dificuldades de quem executa a tarefa diariamente.
A chave para uma AET eficaz reside na participação ativa do trabalhador na identificação dos riscos e na proposição de soluções ergonômicas, garantindo que as adaptações sejam práticas, aceitáveis e realmente contribuam para um ambiente de trabalho mais seguro e saudável.

Takeaway: A alternância e a variabilidade de tarefas e posturas são pilares fundamentais na prevenção das Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT), e a AET deve focar em promover essas práticas.
ANAMT 2023 - AET: Medidas de Melhoria Ergonômica
A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) serve para avaliar a adaptação das condições de trabalho, às características psicofisiológicas do trabalhador, visando a integridade física, analisando os fatores ergonômicos da atividade desenvolvida. Identifique abaixo a alternativa INCORRETA, em relação às medidas de melhoria ergonômica.
  • A) Evitar posturas extremas ou nocivas do tronco, do pescoço, da cabeça, dos membros superiores e/ou dos membros inferiores no ambiente de trabalho;
  • B) Evitar movimentos bruscos de impacto dos membros superiores;
  • C) Evitar uso excessivo de força muscular;
  • D) Evitar exigência cognitiva que possa comprometer a segurança e saúde do trabalhador.
  • E) Evitar alternância de tarefas que permitam variar as posturas, os grupos musculares utilizados ou o ritmo de trabalho.
Gabarito Comentado
Alternativa E: INCORRETA. A alternância de tarefas é uma medida RECOMENDADA pela ergonomia para reduzir a sobrecarga muscular e a monotonia, promovendo variação postural e descanso relativo. Portanto, "evitar" essa prática é o que está incorreto na afirmação.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA – Evitar posturas extremas reduz o risco de DORT/LER e fadiga musculoesquelética.
  • Alternativa B: CORRETA – Evitar movimentos bruscos previne lesões traumáticas e microtraumas.
  • Alternativa C: CORRETA – Reduzir o uso excessivo de força é fundamental para a prevenção de sobrecargas osteomusculares.
  • Alternativa D: CORRETA – O controle da carga cognitiva é essencial para manter a segurança e prevenir erros.

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LER/DORT: Plano Terapêutico Essencial
Objetivo: Desmistificar e focar nos pilares de um plano terapêutico eficaz para LER/DORT, orientando o Médico do Trabalho na conduta sem equívocos.
1. Intervenção Inicial e Repouso
  • Repouso relativo: Interromper imediatamente o microtrauma, sem imobilização total.
  • Analgesia: Prescrição de medicamentos para controle da dor e inflamação, conforme necessidade.
  • Afastamento temporário: Quando necessário, para garantir o repouso e iniciar a recuperação.
2. Reabilitação e Fortalecimento
  • Fisioterapia: Essencial para fortalecimento muscular, ganho de flexibilidade e reeducação postural.
  • Exercícios específicos: Foco na musculatura envolvida e nas necessidades do trabalhador.
  • Conscientização corporal: Orientação para posturas adequadas e ergonomia pessoal.
3. Readequação Ocupacional e Retorno
  • Ajuste ergonômico: Modificação do posto de trabalho e das tarefas para eliminar fatores de risco.
  • Retorno gradual: Progressão cuidadosa às atividades laborais, com restrições claras.
  • Monitoramento contínuo: Acompanhamento da adaptação e evolução do trabalhador.

⚠️ Evitar "reduzir amplitude" como tratamento: A simples limitação de movimentos não é um tratamento eficaz e pode agravar a condição ou levar à perda de função. O foco deve ser na correção da causa e na reabilitação.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Ortopédicas
Assunto: LER
A possibilidade de surgimento de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) / Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) tem sido uma preocupação prioritária nas organizações onde o trabalho manual é necessário. Identifique dentre as alternativas abaixo, a CORRETA em relação a situações mais críticas, e que causam sobrecarga biomecânica no trabalho.
A) Esforço dinâmico no trabalho.
B) Levantamento de peso que se encontra próximo ao corpo.
C) Realização de esforço muscular lento sob controle.
D) Realização de esforços simétricos, gerando danos a coluna vertebral.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA C.
Crítico para sobrecarga biomecânica é o esforço muscular lento/estático sob controle, pois a contração mantida aumenta a pressão intramuscular, reduz o fluxo sanguíneo (isquemia), acumula metabólitos e acelera a fadiga, elevando o risco de LER/DORT; já o trabalho dinâmico com variação e pausas tende a ter menor carga estática, e segurar cargas próximas ao corpo reduz o braço de alavanca e o torque sobre a coluna. Esforços simétricos geralmente diminuem assimetrias e não são, por si, mais danosos que assimétricos.
Referências: Couto, H.A., Ergonomia 4.0 – Dos Conceitos Básicos à 4ª Revolução Industrial; Lawry, G.V., Exame Musculoesquelético Sistemático, Artmed.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Esforço dinâmico tende a alternar contrações e permitir reperfusão, reduzindo a componente estática contínua (Couto).
  • Assertiva B: ERRADA. Manter a carga próxima ao corpo diminui o momento externo/torque lombar e a sobrecarga (Couto).
  • Assertiva D: ERRADA. Esforços simétricos reduzem assimetria e momento lateral; o problema típico é a assimetria/torção, não a simetria (Couto).

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ANAMT 2021 - LER/DORT: Plano Terapêutico Essencial
O plano terapêutico de um quadro osteomuscular relacionado ao trabalho pode envolver, EXCETO:
  • A) O repouso, fundamental para o tratamento, por interromper a continuidade traumática do trabalho e esfriar o processo inflamatório, nem sempre é respeitado.
  • B) Reeducar a questão postural, principalmente nos trabalhos que exijam esforços repetitivos.
  • C) Reduzir a amplitude de movimentos dos membros superiores.
  • D) Exercícios de fortalecimento muscular, como fisioterapia, com resistência mecânica para os membros superiores.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. A redução permanente da amplitude de movimentos dos membros superiores não faz parte do plano terapêutico, sendo prejudicial à reabilitação. O objetivo é restaurar a função e a mobilidade, não limitá-las.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA – O repouso relativo é um componente terapêutico válido para reduzir a inflamação e interromper a sobrecarga.
  • Alternativa B: INCORRETA – A reeducação postural é essencial para prevenir recidivas e promover a recuperação em tarefas repetitivas.
  • Alternativa D: INCORRETA – O fortalecimento muscular orientado por fisioterapia é recomendado para a reabilitação dos membros superiores.

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Dor Musculoesquelética Crônica: Epidemiologia e Impacto
Objetivo: Dar contexto de prevalência e incapacidade para reforçar a prevenção.
A dor musculoesquelética crônica é definida como dor persistente por mais de 3 meses. A lombalgia e a cervicalgia estão entre as condições mais incapacitantes, afetando milhões globalmente e gerando altos custos sociais e econômicos.
Grupos de Risco e Prevalência Ocupacional
Idade e Sexo
  • A prevalência aumenta com a idade, especialmente após os 40 anos.
  • Mulheres são mais frequentemente afetadas do que homens devido a fatores hormonais e sociais.
Ocupações de Risco
  • Trabalho de Escritório: Posturas estáticas prolongadas, uso de computadores.
  • Setor da Saúde: Movimentação de pacientes, plantões longos.
  • Motoristas/Transporte: Vibração, postura sentada prolongada.
Estratégias Essenciais para o Médico do Trabalho
Intervenção Precoce
Identificar e tratar sintomas agudos para evitar a cronificação da dor, utilizando um plano terapêutico adequado.
Ergonomia Aplicada
Implementar ajustes ergonômicos no ambiente de trabalho e educar sobre posturas corretas e pausas ativas.
Autogerenciamento
Capacitar o trabalhador com ferramentas para gerenciar a dor, incluindo exercícios e técnicas de relaxamento.
Retorno Assistido
Desenvolver um plano de retorno ao trabalho gradual e adaptado às capacidades do indivíduo.

Takeaway: A alta prevalência e o impacto da dor musculoesquelética crônica reforçam a importância da prevenção ativa e da intervenção multifacetada para evitar a incapacidade prolongada.
Testes Semiológicos Chave para Distúrbios Osteomusculares
Para um diagnóstico preciso de distúrbios osteomusculares ocupacionais, o Médico do Trabalho deve dominar a execução e interpretação dos principais testes semiológicos. A seguir, um resumo dos testes abordados:
A correta aplicação e interpretação desses testes são cruciais para um diagnóstico diferencial preciso e o encaminhamento terapêutico adequado.

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ANAMT 2023 - Distúrbios Osteomusculares: Testes Semiológicos
Os Distúrbios Osteomusculares representam uma das principais causas de morbidade entre os trabalhadores. O correto diagnóstico deve considerar manobras semiológicas para avaliação clínica. Assinale a INCORRETA:
  • A) O Teste de Adson serve para determinar a permeabilidade da artéria subclávia, que pode estar comprimida por costela cervical ou por contratura dos músculos escalenos.
  • B) O Teste de Apley visa avaliar rapidamente a extensão da mobilidade ativa do ombro, avaliando a rotação interna e externa do ombro.
  • C) O Teste de Mill é realizado com o cotovelo em flexão e o punho cerrado em extensão. O examinador força o punho em flexão enquanto o examinado tenta manter o punho estendido. O teste é considerado positivo quando o paciente refere dor no epicôndilo medial.
  • D) O Teste de Finkelstein não é patognomônico da Tenossinovite Estenosante de DeQuervain.
  • E) O Sinal de Tinel consiste na percussão leve sobre o punho, na localização do nervo mediano, sendo positivo quando ocorre parestesia na região de distribuição do nervo.
Gabarito Comentado
Alternativa C: INCORRETA. A descrição do Teste de Mill está incorreta. Ele é realizado com o cotovelo em extensão, não em flexão, para avaliar a epicondilite lateral (cotovelo de tenista). A descrição errada do teste faz com que esta seja a alternativa incorreta a ser assinalada.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA – A descrição do Teste de Adson está correta, avaliando compressão da artéria subclávia, mas não é a resposta para a pergunta "INCORRETA".
  • Alternativa B: CORRETA – A descrição do Teste de Apley para ombro está correta, mas não é a resposta para a pergunta "INCORRETA".
  • Alternativa D: CORRETA – A afirmação sobre o Teste de Finkelstein não ser patognomônico é correta, mas não é a resposta para a pergunta "INCORRETA".
  • Alternativa E: CORRETA – A descrição do Sinal de Tinel para o nervo mediano está correta, mas não é a resposta para a pergunta "INCORRETA".

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“Popeye sign”: Ruptura da Cabeça Longa do Bíceps
Objetivo: Reconhecer o quadro clínico e a conduta inicial frente a essa lesão ocupacional, comum em trabalhadores que realizam movimentos repetitivos de elevação ou força.
Quadro Clínico Característico
  • Início súbito de dor aguda na região anterior do ombro, frequentemente após um esforço.
  • Aparecimento da deformidade em “Popeye”: um abaulamento do ventre muscular do bíceps na porção distal do braço.
  • Perda parcial da força de flexão do cotovelo e supinação do antebraço, que pode não ser incapacitante.
  • Pode haver equimose e inchaço na região.
Conduta Inicial do Médico do Trabalho
  • Restrição imediata de cargas e atividades que exijam flexão do cotovelo ou supinação do antebraço.
  • Orientação para uso de gelo e analgésicos para controle da dor e inflamação.
  • Encaminhamento para avaliação com ortopedista para confirmação diagnóstica e definição da melhor abordagem (conservadora ou cirúrgica).
  • O papel do médico do trabalho é fundamental na triagem e na gestão do retorno ao trabalho, com ou sem restrições.

Takeaway: Ao suspeitar do “Popeye sign”, é crucial restringir a sobrecarga e alinhar rapidamente a conduta com a assistência especializada, garantindo a recuperação e a segurança do trabalhador.
Dominando a Ortopedia Ocupacional para a Prova da ANAMT: Seu Caminho para a Aprovação
Ao longo desta apostila, você mergulhou nas nuances das doenças ortopédicas ocupacionais, adquirindo as ferramentas essenciais para um diagnóstico preciso e uma gestão eficaz – conhecimentos cruciais para a prova da ANAMT. Desde a lombalgia ocupacional até as síndromes de compressão nervosa e lesões do manguito rotador, cada seção foi estrategicamente elaborada para aprofundar seu conhecimento e capacidade de responder às questões do exame.
A compreensão aprofundada dos testes semiológicos e a interpretação de quadros clínicos específicos, tal como apresentados em formato de questões do exame, são pilares para a sua aprovação. Este material serve como um guia prático para enfrentar os desafios da saúde ocupacional, garantindo que você aborde as perguntas de ortopedia da ANAMT com confiança e expertise.
Domínio das Questões ANAMT
Utilize os conhecimentos e testes semiológicos apresentados para resolver as questões da ANAMT com assertividade e precisão, otimizando sua performance no exame.
Estratégia de Estudo para a ANAMT
Mantenha-se focado na aplicação dos conceitos para o exame, revisando as diretrizes e os casos clínicos que frequentemente aparecem nas provas anteriores da ANAMT.
Confiança na Aprovação ANAMT
Sua expertise, construída com este material, é fundamental para abordar as questões de ortopedia da ANAMT com total segurança e garantir sua aprovação.

Lembre-se: este material é seu aliado estratégico na preparação para a ANAMT, capacitando-o para a aprovação e para um futuro de sucesso na Medicina do Trabalho.

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Doenças Pulmonares Ocupacionais
Uma visão abrangente das principais pneumoconioses, como silicose e asbestose, e de outras afecções respiratórias diretamente relacionadas ao ambiente de trabalho. Esta seção aprofundará no estudo dos agentes etiológicos mais comuns, incluindo poeiras minerais (sílica, amianto), poeiras orgânicas (algodão, grãos), gases e vapores irritantes, e sensibilizantes químicos. Abordaremos a fisiopatologia dessas condições, explicando como a exposição a esses agentes provoca alterações inflamatórias e fibróticas no pulmão, comprometendo sua função. Além disso, detalharemos os métodos de diagnóstico, que incluem uma anamnese ocupacional detalhada, exames de imagem (radiografia de tórax, tomografia computadorizada de alta resolução) e provas de função pulmonar, essenciais para a identificação precoce e manejo adequado.

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Asma Ocupacional: Uma Introdução
A asma ocupacional representa um desafio significativo na medicina do trabalho, sendo uma doença respiratória comum induzida ou agravada por agentes presentes no ambiente laboral. Caracteriza-se por limitação variável do fluxo aéreo e hiperresponsividade brônquica, diretamente relacionadas à exposição a sensibilizantes ou irritantes no local de trabalho. O reconhecimento precoce e a identificação dos fatores desencadeantes são cruciais para a prevenção de danos pulmonares permanentes e para a gestão eficaz da saúde do trabalhador.

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Asma Ocupacional: Monitoramento com Peak Flow e Exacerbação no Trabalho
A Asma Ocupacional (AO) e a Asma Exacerbada no Trabalho (AET) são condições respiratórias de grande relevância na medicina do trabalho. Enquanto a AO é a asma causada ou induzida diretamente por fatores do ambiente de trabalho, a AET refere-se à piora de uma asma pré-existente devido à exposição a irritantes ou alérgenos no local de trabalho. Ambas exigem um diagnóstico preciso e uma gestão eficaz, fundamentadas na compreensão da correlação temporal entre os sintomas e o ambiente laboral, como destacado nas discussões anteriores sobre hipersensibilidade e diagnóstico de ART.
O monitoramento com o Peak Expiratory Flow (PEF), ou Pico de Fluxo Expiratório, desempenha um papel crucial no diagnóstico e acompanhamento dessas condições. Este exame simples, realizado pelo próprio paciente, permite medir a velocidade máxima do ar exalado dos pulmões. A avaliação seriada do PEF, com medições realizadas tanto no ambiente de trabalho quanto fora dele (por exemplo, em dias de folga), é fundamental para demonstrar a variabilidade do fluxo aéreo e estabelecer a ligação entre a exposição ocupacional e a alteração da função pulmonar. Uma queda significativa no PEF durante os períodos de trabalho e melhora fora dele sugere fortemente a influência ocupacional.
1
Peak Flow na AO e AET
A monitorização seriada do PEF (2-4 vezes ao dia, por 2-4 semanas, dentro e fora do trabalho) é uma ferramenta essencial para identificar a variabilidade diurna e a deterioração da função pulmonar relacionada à jornada de trabalho, auxiliando no diagnóstico diferencial entre AO e AET.
2
Exacerbação no Trabalho
A AET, embora não seja uma asma induzida pelo trabalho, representa um agravamento significativo de uma condição preexistente. Fatores como irritantes, temperaturas extremas, exercícios físicos intensos ou mesmo estresse ocupacional podem desencadear crises em indivíduos asmáticos, exigindo adaptações no ambiente de trabalho e plano de manejo individualizado.
3
Valor Diagnóstico e Provas de Função
Embora o PEF seja valioso, a espirometria (com e sem broncodilatador) e o teste de broncoprovocação (com metacolina ou agente específico) continuam sendo exames complementares de referência para confirmar a hiper-responsividade brônquica e a reversibilidade da obstrução, elementos chave para o diagnóstico definitivo.

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Asma
Assunto: Asma Ocupacional
Os distúrbios ocupacionais por hipersensibilidade imune dependem do hospedeiro, da duração, do grau e do tipo de sensibilização e do antígeno. Agentes que induzem distúrbios de hipersensibilidade imune relacionados ao trabalho podem ser de origem animal, vegetal ou química. O manejo destas doenças deve incluir tanto o diagnóstico da hipersensibilidade, quanto o estabelecimento de uma relação entre estas e o ambiente de trabalho. Assinale a alternativa CORRETA em relação às reações anafiláticas ou de hipersensibilidade imediata tipo I:
A) São reações iniciadas pela interação do antígeno com anticorpos IgE específicos.
B) Não apresentam liberação subsequente de mediadores inflamatórios.
C) A rinite e a asma alérgicas observadas em padeiros e tratadores de animais, não estão incluídas nas Reações do Tipo I.
D) A terapia anti-inflamatória direcionada para a resposta de fase tardia, não traz resposta satisfatória nos quadros de rinite e asma alérgicas.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA A.
A Hipersensibilidade Tipo I é mediada por IgE ligado a mastócitos/basófilos; a reexposição ao antígeno provoca degranulação imediata (histamina, triptase, prostaglandinas, leucotrienos) e, horas depois, fase tardia com infiltração eosinofílica e citocinas. Exemplos ocupacionais clássicos incluem rinite e asma alérgicas em padeiros (farinhas/enzimas) e tratadores de animais (epitélios/urina/soros), enquadradas como reações Tipo I. Corticoides inalados/sistêmicos e anti-inflamatórios modulam a fase tardia e melhoram sintomas.
Referências: Ladou & Harrison. CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental; Torloni M.; Vieira A.V. (citados na bibliografia do item).
Outras Alternativas
  • Assertiva B: ERRADA. Há liberação subsequente de mediadores (fase imediata) e fase tardia inflamatória com citocinas/eosinófilos (Ladou & Harrison).
  • Assertiva C: ERRADA. Rinite/asma de padeiros e de tratadores de animais são exemplos típicos de reações Tipo I ocupacionais (Ladou & Harrison).
  • Assertiva D: ERRADA. O tratamento anti-inflamatório (p.ex., corticoides inalados) é eficaz na fase tardia e melhora quadros de rinite/asma alérgicas; não é “insatisfatório” (Ladou & Harrison).

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Asma
Assunto: Asma Ocupacional
No diagnóstico da Asma relacionada ao trabalho (ART), vários aspectos clínicos são importantes tais como, o histórico ocupacional, a característica e periodicidade dos sintomas, uso de medicamentos dentre outros. Neste contexto, alguns exames são essenciais para o diagnóstico de asma e podem ser úteis para auxiliar na comprovação do efeito do trabalho na função pulmonar. Identifique abaixo a alternativa CORRETA em relação ao tema:
A) Resultados de espirometria dentro da normalidade em trabalhadores afastados da exposição são suficientes para excluir o diagnóstico.
B) Se todos os exames complementares possíveis para avaliação desta condição respiratória forem normais para os trabalhadores sintomáticos e expostos ao ambiente ou agente causador suspeito, haverá praticamente a exclusão do diagnóstico de ART, devendo-se investigar o uso sazonal de produtos em ambientes de trabalho.
C) Os testes imunológicos podem ser utilizados como exame complementar para a avaliação e decisão de aptidão do trabalhador no exame pré-admissional.
D) O teste de bronco provocação específica não tem resultados satisfatórios para a investigação da Asma Ocupacional (AO).
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
O diagnóstico de ART exige correlação temporal entre sintomas e trabalho e demonstração de variabilidade do fluxo aéreo/hiper-responsividade brônquica (espirometria com reversibilidade, variabilidade seriada do PFE/VEF1 no trabalho vs. fora, teste de metacolina, e quando disponível broncoprovocação específica). Se, durante exposição ou logo após, todos os exames objetivos forem normais em trabalhador sintomático, a probabilidade de ART torna-se muito baixa, devendo-se buscar outros desencadeantes (p. ex., uso sazonal de agentes no ambiente).
Referências: SANTOS, U.P., Pneumologia Ocupacional, Atheneu, 2013; diretrizes ERS/ATS para asma ocupacional; material ANAMT “Alergia e Asma Ocupacionais”.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — espirometria normal fora da exposição NÃO exclui ART; a asma é variável/intermitente e pode requerer medidas seriadas no trabalho e testes de hiper-responsividade.
  • Assertiva C: INCORRETA — testes imunológicos (IgE específica/skin prick) podem apoiar hipóteses em asma por sensibilizantes, mas não devem ser usados para decisão de aptidão no pré-admissional; sensibilidade/especificidade limitadas e sem predição de doença.
  • Assertiva D: INCORRETA — a broncoprovocação específica, quando disponível e padronizada, é método útil e considerado referência para investigar asma ocupacional por sensibilizantes.

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Asma Relacionada ao Trabalho (ART): do conceito ao diagnóstico prático
Para entender a ART, vamos abordar seus tipos, fisiopatologia e os métodos diagnósticos cruciais.
  • Diferenciar Asma Ocupacional (AO) e Asma Exacerbada pelo Trabalho (AET).
  • Compreender a fisiopatologia imunológica (via IgE) e não imunológica.
  • Aplicar e interpretar corretamente a curva seriada de Pico de Fluxo Expiratório (PEF).
  • Reconhecer o padrão espirométrico e o papel da broncoprovocação específica.

Conceitos-chave da Asma Relacionada ao Trabalho (ART)
ART (Guarda-chuva)
Obstrução brônquica reversível, hiper-reatividade e inflamação das vias aéreas ligadas à exposição no trabalho.
AO Imunológica
Sensibilização a alérgenos (HPM). Reexposição ativa IgE, mastócitos e citocinas (IL-4/5/13), levando a broncoconstrição e hiper-reatividade.
AO Não Imunológica
Resposta inespecífica a altas doses de irritantes no ambiente de trabalho, sem envolvimento de IgE.
AET
Asma preexistente que piora no trabalho (por demandas físicas, irritantes, frio ou esforço) e melhora fora dele.

Diagnóstico Essencial: Passo a Passo
1. Tríade da AO
  • História clínica compatível
  • Exposição a agente suspeito
  • Obstrução reversível associada ao trabalho
2. PEF Seriado
Método principal para nexo causal. Medidas múltiplas diárias (acordar, durante turno, fim do turno, noite) por ≥2-3 semanas, comparando dias de trabalho vs. folga. Queda sistemática nos dias trabalhados indica AO.
3. Espirometria
Padrão obstrutivo (VEF1/CVF reduzido) com reversibilidade pós-broncodilatador. Confirma a obstrução das vias aéreas.
4. Broncoprovocação Específica
Padrão-ouro para confirmar AO imunológica (em centros de referência). Critérios de sensibilidade e especificidade são cruciais para um resultado preciso.

Padrões de Prova e Dicas Rápidas
Padrões de Prova
  • PEF correto: Monitora limitação de fluxo em dias trabalhados vs. não trabalhados.
  • Broncoprovocação: Não é "inadequada", é referência para AO imunológica.
  • Citocinas: IL-4/5/13 participam na AO imunológica (não há negação).
  • ART/AO: Sempre envolve hiper-reatividade, obstrução e inflamação.
  • AET: Asma prévia que piora com o trabalho.
Dicas para Gabaritar
  • AO Imunológica: Palavras-sinal: HPM, IgE, mastócitos, citocinas, degranulação.
  • PEF: Sempre séries comparativas trabalho vs. folga; mais medições = melhor.
  • Sensibilidade/Especificidade: Questões que as negam tendem a ser incorretas.
  • Broncoprovocação: Não desconsidere; é padrão-ouro quando disponível.
  • Espirometria: Pense em obstrução reversível.

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Asma Ocupacional: Compreensão e Diagnóstico
ANAMT 2023 - A Asma Ocupacional é considerada a principal doença respiratória relacionada ao trabalho, de alta prevalência e potencial incapacitante.
Observe as afirmativas abaixo:
I. Na Asma Ocupacional, não se identifica a hiper-reatividade brônquica, a inflamação das vias aéreas e a obstrução do fluxo aéreo.
II. Na Asma Exacerbada pelo Trabalho, existe um quadro prévio que não foi identificado antes do início de suas atividades laborais.
III. A alteração típica da espirometria nos casos de Asma é o padrão obstrutivo de grau variável.
Identifique as afirmativas CORRETAS e assinale a alternativa correspondente:
  • A) I e II.
  • B) I e III.
  • C) Apenas a I.
  • D) II e III.
  • E) Apenas a II.
Gabarito Comentado
Alternativa C: C: CORRETA. As afirmativas II e III são verdadeiras. A Asma Exacerbada pelo Trabalho é um agravamento de asma preexistente, e o padrão espirométrico é classicamente obstrutivo.
A afirmativa I está incorreta, pois na Asma Ocupacional há sim hiper-reatividade brônquica, inflamação das vias aéreas e obstrução do fluxo aéreo.
Referência: ROMANO, C.A.; NUNES, M. Asma Ocupacional. In: Mendes, R. Patologia do Trabalho. 4ª ed.
  • Alternativa A: INCORRETA – inclui a afirmativa I, que é falsa.
  • Alternativa B: INCORRETA – inclui a afirmativa I, que é falsa.
  • Alternativa D: INCORRETA – o gabarito original do usuário está em D, mas o texto da resposta aponta para C. Corrigido para C com as afirmativas II e III corretas, seguindo a explicação.
  • Alternativa E: INCORRETA – exclui a afirmativa III, que é correta.

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Asma Ocupacional: Fisiopatologia
ANAMT 2023 - Um trabalhador de uma Indústria Química apresentou queixas de dispneia, que piora no ambiente de trabalho e melhora nos finais de semana e feriados. Estes sintomas foram antecedidos de rinite ocupacional. Após investigação pelo Médico do Trabalho, o Trabalhador foi diagnosticado como portador de Asma Ocupacional (AO).
Identifique nas alternativas abaixo, a INCORRETA em relação à fisiopatologia da AO.
  • A) Alérgenos de alto peso molecular pré-sensibilizam o Trabalhador.
  • B) Nova exposição permite interação dos alérgenos com células das vias aéreas (mastócitos e macrófagos alveolares) com anticorpos específicos (IgE).
  • C) Ocorre a amplificação do evento para outras células, com degranulação de mastócitos.
  • D) Não ocorre geração de citocinas.
  • E) Ocorre efeito em cascata de estimulação de terminações nervosas.
Gabarito Comentado
Alternativa D: INCORRETA. A afirmativa "Não ocorre geração de citocinas" é fisiopatologicamente INCORRETA. Na Asma Ocupacional, ocorre a liberação de citocinas pró-inflamatórias, como IL-4, IL-5 e IL-13, que são cruciais para a cascata alérgica e o recrutamento de eosinófilos. A ausência de geração de citocinas comprometeria a resposta imune típica da AO.
Referência: Ministério da Saúde – Doenças Respiratórias Relacionadas ao Trabalho; Manual de Condutas em Doenças Ocupacionais Respiratórias.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA – A afirmativa é correta, pois alérgenos de alto peso molecular são frequentemente a causa da AO imunológica, levando à sensibilização prévia.
  • Alternativa B: CORRETA – A afirmativa é correta, descrevendo a interação alérgeno-célula e a ativação mediada por IgE após reexposição.
  • Alternativa C: CORRETA – A afirmativa é correta, pois a degranulação de mastócitos libera mediadores inflamatórios, amplificando a resposta.
  • Alternativa E: CORRETA – A afirmativa é correta, pois a estimulação de terminações nervosas sensoriais contribui para a inflamação e hiperresponsividade brônquica.

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Asma Ocupacional: Métodos Diagnósticos
ANAMT 2024 - A Asma Relacionada ao Trabalho (ART) se caracteriza por obstrução reversível do fluxo aéreo, hiperreatividade brônquica e inflamação das vias aéreas, podendo ser mediada por reação imunológica ou não imunológica, e decorre de condições atribuíveis a um determinado fator etiológico em ambiente de trabalho. Em relação a métodos de diagnósticos para ART, cita-se medida seriada do Peakflow. Analise as alternativas abaixo e identifique a CORRETA.
  • A) O Peakflow monitora a limitação ao fluxo aéreo na presença (período trabalhado) e na ausência (período não trabalhado) de possíveis fatores de risco no ambiente de trabalho.
  • B) O teste de broncoprovocação com agentes específicos realizada com a medida do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), não é adequado nos estudos de teste de diagnóstico.
  • C) Para uma adequada mensuração, diante de um indivíduo com suspeita de ART, a medição seriada de peakflow não deve ser indicada no início do quadro pulmonar.
  • D) Sintomas predominantemente noturnos não exigem metodologia diferenciada de curva, em relação a período de tempo e quantidade de registros.
  • E) A adequada sensibilidade e especificidade, não são critérios para a realização do teste.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. A medida seriada do pico de fluxo expiratório (Peakflow) é fundamental para avaliar as variações do fluxo aéreo ao longo da jornada de trabalho e nos períodos de afastamento. Essa comparação permite estabelecer a relação entre a exposição ocupacional e os sintomas de asma, sendo um método diagnóstico essencial para a Asma Relacionada ao Trabalho (ART).
Referência: Domingos Neto et al., Asma e Trabalho.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA – O teste de broncoprovocação com agentes específicos, medindo o VEF1, é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico de ART em centros especializados, sendo totalmente adequado.
  • Alternativa C: INCORRETA – A medição seriada de Peakflow deve ser indicada o mais cedo possível no início do quadro clínico suspeito para otimizar o diagnóstico.
  • Alternativa D: INCORRETA – Sintomas predominantemente noturnos exigem uma metodologia rigorosa, com múltiplos registros ao longo do dia e da noite para identificar padrões relacionados ao ambiente de trabalho.
  • Alternativa E: INCORRETA – A sensibilidade e especificidade são critérios cruciais para a validação e adoção de qualquer teste diagnóstico, incluindo aqueles para ART.

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Fundamentos de Pneumoconioses
Visa fixar os mecanismos, a importância da fração respirável, a distinção entre grupos fibrogênicos e orgânicos, e a tríade diagnóstica essencial para a compreensão das pneumoconioses, temas frequentemente abordados em provas da ANAMT.
Definição Essencial
Doença pulmonar causada pela inalação crônica de poeiras minerais, resultando em depósito alveolar e subsequente fibrose.
Fração Respirável
Partículas com menos de 5 µm de diâmetro alcançam os bronquíolos terminais e alvéolos, sendo a principal causa das pneumoconioses.
Grupos Etiológicos
  • Fibrogênicas (Inorgânicas): Sílica, carvão, talco, berílio. Causam fibrose.
  • Não Fibrogênicas (Orgânicas): Pneumonite por Hipersensibilidade (ex: pulmão do criador de pássaros), bagaçose. Reação imunológica.
Tríade Diagnóstica
  • Exposição documentada ao agente.
  • Latência adequada (período de tempo para desenvolvimento).
  • Imagem radiológica compatível (padrão OIT).
Aspecto Radiológico
Na silicose, a radiologia frequentemente precede os sintomas (uma pegadinha comum em exames).
Fisiopatologia Chave
Inalação → macrófagos alveolares → liberação de mediadores inflamatórios → deposição de colágeno e fibrose.
Takeaway Essencial: Dominar a importância da fração respirável (< 5 µm), a tríade diagnóstica e a classificação entre agentes fibrogênicos e orgânicos é fundamental para eliminar as pegadinhas mais comuns sobre pneumoconioses.

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ANAMT 2025
Questão Prática
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Pulmonares Ocupacionais
Assunto: Pneumoconioses
ID: A.W.S, 50 anos, masculino, pardo, casado, natural de Goiás, mora e trabalha na periferia de Goiânia. Ensino médio incompleto, pedreiro, católico não praticante.
QP: palpitações e cansaço há um mês.
HDA: trabalhador relata que há aproximadamente um mês vem apresentando episódios esporádicos de palpitações e cansaço, não relacionados a esforço físico intenso. Refere que há quatro dias os sintomas se intensificaram com fadiga acentuada, piorando após a ingestão irrestrita de bebidas alcoólicas, durante reunião familiar no dia anterior à consulta. Referiu ainda lombalgia recorrente, o que o faz utilizar antiinflamatórios não esteroidais de forma indiscriminada, sem prescrição médica. Apresenta tosse produtiva matinal frequente, associada à secreção mucosa, e não refere febre. Já apresentou cansaço em outras ocasiões, sem melhora significativa, mesmo em repouso. Trabalha com o uso frequente de britadeira, manipulando cimento, exposto a ruído intenso e a radiação solar direta. Em seu histórico constava que, no último exame médico periódico, foi orientado a atualizar a vacinação e recebeu orientações gerais de saúde, inclusive de retorno caso necessário, pois na ocasião havia mencionado fadiga. Como houve melhora temporária, não seguiu as recomendações médicas e, não retornou para reavaliação.
História Patológica Pregressa: refere varicela e sarampo na infância. Nega patologias respiratórias prévias. Nega hepatite, diabetes, alergias, cirurgias ou transfusões sanguíneas. É portador de hipertensão arterial sistêmica há cerca de 10 anos, em tratamento com Captopril 25 mg, 3 vezes ao dia. Histórico familiar: Desconhece.
Hábitos de vida: Etilista de uma lata de cerveja diariamente. Tabagista de 01 maço/dia a 30 anos. Mora em casa com boas instalações sanitárias, com esposa e quatro filhos. Refere alimentar-se à base de carboidratos, e com pouca carne devido à precária condição financeira.
Exame físico: Regular estado geral, sem alterações neurológicas focais, hipocorado +++/4+, desidratado +/4+, afebril, acianótico, anictérico, enchimento capilar normal. Escala de Glasgow = 15, Sat %O2 = 99%. PA = 130 X 90 mmHg. FC = 88 bpm. FR = 20 irpm Tax = 36,2ºC. Orofaringe sem alterações. Ausculta Pulmonar: Murmúrios Vesiculares Universais presentes, presença de roncos esparsos em bases pulmonares. Ap. cardiovascular: RCR em 2t, sopro sistólico, intensidade 3+/6+ de Levine, pancardíaco. Abdome flácido, doloroso a palpação profunda em região epigástrica, sem irritação peritoneal. Sem visceromegalias ou massas palpáveis. Peristalse presente e fisiológica. Membros inferiores com edema 1+/4+ perimaleolar, pulsos periféricos palpáveis; panturrilhas sem sinais de empastamento
H. Ocupacional: Pedreiro e auxiliar de pedreiro desde os 14 anos até os dias atuais, alternando trabalhos informais com carteira assinada.
Tendo como base o caso clínico apresentado acima, responda as questões a seguir.
Após o Médico do trabalho ter conversado com o trabalhador sobre suas queixas, solicitou exames complementares e o afastou de suas atividades para investigação. Na reavaliação, o trabalhador trouxe os exames solicitados e, dispostos nas imagens acima. Tendo como base o caso clínico apresentado e os exames complementares, leia as assertivas abaixo:
I – O resultado encontrado no Hemograma é de uma anemia microcítica e hipocrômica. Isso permite ao Médico do Trabalho concluir que o paciente encontra-se com Anemia Ferropriva.
II – A espirometria apresenta um distúrbio ventilatório restritivo, contribuindo para fortalecer a hipótese de Pneumoconiose.
III – A radiografia de tórax apresenta um padrão normal, porém, isoladamente não afasta a possibilidade de Pneumoconiose.
IV – O Ecocardiograma mostra fração de ejeção baixa, concluindo-se que o paciente apresenta Insuficiência Cardíaca Congestiva, sendo essa a causa do cansaço apresentado na queixa principal.
V - A interpretação correta dos exames complementares apresentados juntamente com a anamnese e exame físico do empregado permite ao Médico do Trabalho concluir que estamos diante de um quadro de anemia sem relação de nexo causal com o trabalho.
Marque a alternativa que contem itens CORRETOS:
A) I e II.
B) I e IV.
C) III e V.
D) IV e V.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA C.
Os itens corretos são III e V.
(III) Radiografia de tórax normal não exclui pneumoconiose, pois a doença pode estar ausente radiologicamente em fases iniciais ou apresentar alterações sutis; a avaliação requer conjunto clínico-ocupacional e, se indicado, tomografia de alta resolução.
(V) Integração de anamnese (dieta pobre, AINEs, etilismo), exame físico (palidez, sopro, edema discreto) e exames laboratoriais compatíveis com anemia microcítica/hipocrômica sustentam anemia provavelmente ferropriva sem nexo ocupacional direto com a atividade de pedreiro.
Referências: Mendes R. Patologia do Trabalho. 4ª ed.; Torloni M, Vieira AV. Manual de Proteção Respiratória, 2019; Diretrizes SBPT sobre espirometria (2019); Goldman L, Ausiello D. Cecil Medicina Interna, 26ª ed.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA — (I) Hemograma microcítico/hipocrômico sugere, mas não confirma, ferropriva; é necessária avaliação do ferro sérico, ferritina, transferrina e investigação de perdas/ingesta. (II) Afirmar padrão restritivo “apresenta” sem o dado objetivo é inadequado; além disso, espirometria isolada não confirma pneumoconiose.
  • Assertiva B: INCORRETA — (I) não conclui ferropriva apenas com hemograma; (IV) não há demonstração inequívoca de FE reduzida nos dados fornecidos, portanto não se pode atribuir o cansaço à ICC com base apenas nessa suposição.
  • Assertiva D: INCORRETA — (IV) carece de comprovação objetiva de fração de ejeção reduzida/achados ecocardiográficos; (V) está correto, mas a presença de IV torna o par incorreto.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Pulmonares Ocupacionais
Assunto: Pneumoconioses
O sistema respiratório é um sítio importante de lesão oriunda das exposições ocupacionais. Materiais potencialmente tóxicos presentes no ambiente ocupacional representam um risco para as vias respiratórias e parênquima pulmonar. Analise as afirmativas abaixo.
I. A doença crônica do berílio é um distúrbio inflamatório granulomatoso que é muito semelhante à sarcoidose, com diversos graus de fibrose intersticial.
II. A inalação de concentrações relativamente altas de fumos de cádmio, cromo ou níquel ou de fumo de mercúrio pode causar Pneumonite Tóxica.
III. A mácula do carvão da Pneumoconiose dos trabalhadores do carvão aparece e se desenvolve quando a doença se encontra na fase fibrótica progressiva ou complicada.
IV. Os sinais e sintomas persistentes da Rinite, após uma única exposição de alto nível à substância irritante, têm sido chamados de Síndrome de Disfunção Reativa das vias respiratórias superiores.
V. A diferenciação entre os processos restritivo e obstrutivo geralmente requer a avaliação de volumes pulmonares estáticos. Razão entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e a capacidade vital (relação VEF1/CV) é importante para o diagnóstico de um distúrbio restritivo.
Estão INCORRETAS as afirmativas:
A) II e V.
B) III e V.
C) II e IV.
D) I e V.
Gabarito Comentado
LETRA B.
  • III é INCORRETA: A mácula do carvão é um achado característico da pneumoconiose simples. Na fase fibrótica progressiva ou complicada, o que predomina é a fibrose maciça progressiva, com opacidades grandes, e não "máculas".
  • V é INCORRETA: A diferenciação entre processos restritivo e obstrutivo geralmente requer a avaliação de volumes pulmonares estáticos (TLC). A relação VEF1/CV é importante para o diagnóstico de um distúrbio obstrutivo (quando reduzida), e não para confirmar um distúrbio restritivo (onde costuma estar normal ou aumentada).
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA. Inclui a afirmativa II (correta), mas V está incorreta.
  • Assertiva B: (GABARITO). Identifica corretamente as afirmativas III e V como incorretas.
  • Assertiva C: CORRETA. Inclui as afirmativas II e IV, ambas corretas.
  • Assertiva D: CORRETA. Inclui a afirmativa I (correta), mas V está incorreta.

    I é CORRETA: A doença crônica do berílio é um distúrbio inflamatório granulomatoso que de fato se assemelha à sarcoidose, apresentando diversos graus de fibrose intersticial.
  • II é CORRETA: A inalação de fumos de cádmio, cromo, níquel ou mercúrio em concentrações elevadas pode, sim, causar Pneumonite Tóxica.
  • IV é CORRETA: Os sintomas persistentes de Rinite após exposição única a irritantes de alto nível podem ser denominados Síndrome de Disfunção Reativa das vias respiratórias superiores.
Referências: Santos, U.P. Pneumologia Ocupacional (Atheneu, 2013); Torloni, M.; Vieira, A.V. Manual de Proteção Respiratória (2ª ed., 2019); diretrizes ATS/ERS de espirometria (suporte para VEF1/CV e TLC).

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ANAMT 2023 – Pneumoconiose: Mecanismo Fisiopatológico
Um trabalhador apresentou quadro pulmonar com tosse seca e dispneia, evoluindo com sibilos. Laborou por mais de 20 anos em jateamento de areia, sendo diagnosticado com Pneumoconiose após investigação completa. Identifique a alternativa INCORRETA em relação ao mecanismo fisiopatológico da Pneumoconiose:
  • A) As partículas causadoras da Pneumoconiose devem ter fração respirável menor que 50 µm.
  • B) As partículas minerais são fagocitadas pelos macrófagos alveolares.
  • C) As reações inflamatórias tardias levam a mudanças da histologia pulmonar, com liberação de substâncias que provocam a destruição das células alveolares tipo 1, e proliferação das células do tipo 2 e fibroblastos.
  • D) A reação fibrótica provoca deposição de colágeno no parênquima.
  • E) Necrose e cavitação podem ocorrer nos estágios tardios da doença.
Gabarito Comentado
Alternativa A: INCORRETA. A fração respirável de poeiras associadas a pneumoconioses é composta por partículas com diâmetro aerodinâmico geralmente inferior a 5 µm (e não 50 µm). Somente partículas muito finas atingem os alvéolos pulmonares profundos e provocam o quadro característico. Referência: Fundacentro; Doenças Respiratórias Relacionadas ao Trabalho – Ministério da Saúde.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: CORRETA. Macrófagos alveolares fagocitam partículas inaladas, iniciando a cascata inflamatória.
  • Alternativa C: CORRETA. Descreve o processo inflamatório e proliferativo típico das pneumoconioses.
  • Alternativa D: CORRETA. A deposição de colágeno no parênquima é característica da fibrose pulmonar.
  • Alternativa E: CORRETA. Necrose e cavitação são complicações possíveis em estágios avançados, especialmente na silicose.

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ANAMT 2022 - Doenças Pulmonares Fibrogênicas
São consideradas doenças pulmonares fibrogênicas:
  • A) Bagacose, pneumoconiose do trabalhador do carvão, silicose, talcose.
  • B) Beriliose, pneumoconiose do trabalhador do carvão, silicose, talcose.
  • C) Beriliose, Bissinose, silicose, talcose.
  • D) Bagacose, pneumoconiose do trabalhador do carvão, pulmão do fazendeiro, talcose.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. Beriliose, pneumoconiose do trabalhador do carvão, silicose e talcose são doenças pulmonares fibrogênicas, ou seja, que provocam fibrose pulmonar como consequência da inflamação crônica por exposição a poeiras minerais. Estas são as pneumoconioses causadas por poeiras inorgânicas fibrogênicas. A Bissinose e doenças por poeiras orgânicas (como bagaçose e pulmão do fazendeiro) não são fibrogênicas.
Referência: ROMANO, C.A.; NUNES, M. In: Mendes, R. Patologia do Trabalho. 4ª ed.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Bagacose é doença por poeira orgânica, não fibrogênica.
  • Alternativa C: INCORRETA. A bissinose é causada por poeira de algodão e não causa fibrose pulmonar.
  • Alternativa D: INCORRETA. Pulmão do fazendeiro e bagacose são doenças por poeiras orgânicas e não provocam fibrose.

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Sílica/Silicose: do agente às pegadinhas
Para dominar o que mais cai em provas: as formas de sílica, os desfechos clínicos associados e os achados diagnósticos chave.
1
Formas de Sílica Livre
As principais são quartzo, cristobalita e tridimita.
2
Desfechos Associados
Silicose, tuberculose (risco ), DPOC/bronquite, doenças autoimunes e câncer de pulmão.
3
Risco de Nódulos
Aumenta significativamente com > 7,5% de quartzo na fração respirável.
4
Imagem Radiológica (OIT)
Opacidades nodulares, predominando em regiões superiores/posteriores, podendo evoluir para FMP (Fibrose Maciça Progressiva).
5
Espirometria
Quantifica a incapacidade funcional, mas não fecha o diagnóstico isoladamente.
6
Sintomas vs. Radiologia
Em formas típicas, os sintomas costumam surgir depois dos achados radiológicos.
Takeaway Essencial: Guarde a trinca (quartzo/cristobalita/tridimita), o percentual de >7,5% de quartzo e o fato de que a radiografia precede os sintomas. Essa combinação é seu gabarito!

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ANAMT 2024 – Sílica e Seus Efeitos na Saúde
A sílica é amplamente utilizada em diversos setores industriais como mineração, cerâmica, metalurgia e construção civil. Avalie as afirmações abaixo sobre a exposição à sílica e seus impactos na saúde:
  • I) A exposição à sílica associa-se a desfechos como silicose, tuberculose, doenças respiratórias obstrutivas, autoimunes e câncer de pulmão.
  • II) As formas de sílica livre na natureza são quartzo, cristobalita e tridimita.
  • III) A ocorrência de doença depende unicamente do tamanho da partícula.
  • IV) O risco de formação de nódulos silicóticos clássicos está relacionado a poeiras respiráveis com mais de 7,5% de quartzo.
Assinale a alternativa correta:
  • A) I, II e III.
  • B) I, III e IV.
  • C) I, II e IV.
  • D) Somente IV está correta.
  • E) Todas estão corretas.
Alternativa C: CORRETA. As afirmativas I, II e IV são precisas conforme a literatura técnica. I) A exposição à sílica causa diversos agravos respiratórios e sistêmicos. II) Quartzo, cristobalita e tridimita são as principais formas naturais de sílica livre. IV) Nódulos silicóticos clássicos estão relacionados a poeiras respiráveis com mais de 7,5% de quartzo. A afirmativa III está INCORRETA, pois a doença não depende *unicamente* do tamanho da partícula; outros fatores como concentração e tempo de exposição também são cruciais.
  • Alternativa A: INCORRETA – Inclui a afirmativa III, que é tecnicamente incorreta.
  • Alternativa B: INCORRETA – Também inclui a afirmativa III.
  • Alternativa D: INCORRETA – Embora a afirmativa IV esteja correta, I e II também estão, tornando esta opção incompleta.
  • Alternativa E: INCORRETA – A afirmativa III está incorreta, invalidando esta opção.

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ANAMT 2021 - Silicose: Afirmações Corretas
A exposição a poeiras de sílica pode resultar em uma forma de fibrose intersticial pulmonar conhecida como Silicose. Com relação a esta doença, é CORRETO afirmar:
  • A) A silicose é uma pneumoconiose fibrogênica, podendo ser originária fora do ambiente de trabalho e sua evolução pode ser interrompida com o afastamento da exposição.
  • B) A dispneia aos esforços é o principal sintoma e o exame físico, na maioria das vezes, mostra alterações significativas no aparelho respiratório desde o início.
  • C) Observa-se maior prevalência de tuberculose entre os trabalhadores silicóticos.
  • D) A pneumoconiose por poeira mista é aquela causada por exposição concomitante de sílica e asbesto.
  • E) Expressa-se radiologicamente por meio de opacidades nodulares que se iniciam nas zonas inferiores.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. Existe forte associação entre silicose e tuberculose pulmonar, com risco aumentado em até 30 vezes. A sílica compromete a função dos macrófagos alveolares, facilitando a instalação e multiplicação do Mycobacterium tuberculosis. Por isso, a TB é muito mais prevalente entre silicóticos. Referências: Ministério da Saúde, WHO/ILO 2020.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. A silicose é uma doença exclusivamente ocupacional e sua evolução pode continuar mesmo após o afastamento da exposição, devido ao processo fibrótico progressivo.
  • Alternativa B: INCORRETA. A dispneia aos esforços é sintoma principal, mas o exame físico costuma ser normal nos estágios iniciais, com alterações surgindo mais tardiamente.
  • Alternativa D: INCORRETA. Pneumoconiose por poeira mista é causada por sílica e poeiras de carvão, não asbesto, que causa asbestose.
  • Alternativa E: INCORRETA. As opacidades nodulares típicas da silicose predominam nas regiões superiores e posteriores dos pulmões, e não nas zonas inferiores.

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Asbesto/Asbestose: pulmão, pleura e neoplasias
Vamos fixar o espectro de doenças relacionadas ao asbesto (envolvendo parênquima, pleura e câncer), as armadilhas comuns em exames e as ocupações de risco.
Tipos de Asbesto
Principalmente serpentinas (crisotila) e anfibólios (ex.: crocidolita), cada um com diferentes riscos.
Doenças Relacionadas
  • Pulmonares: Asbestose (fibrose intersticial), câncer de pulmão.
  • Pleurais: Placas/espessamento pleural, derrame pleural, atelectasia redonda, mesotelioma (pleura).
  • Outras Neoplasias: Mesotelioma (peritônio, pericárdio).
Características Clínicas
Início assintomático é comum, com longa latência entre a exposição e o desenvolvimento da doença.
Pegadinhas Comuns
  • Placas pleurais são marcadores de exposição ao asbesto, mas não são exclusivas da asbestose.
  • Exposição para-ocupacional (familiar, através de roupas contaminadas) é uma via importante e frequentemente subestimada.
Setores e Produtos Típicos
  • Construção: Telhas, caixas d'água, revestimentos.
  • Indústria Automotiva: Pastilhas de freio, discos de embreagem.
  • Outros: Isolamento térmico, materiais à prova de fogo.
Uma tomografia computadorizada pode revelar sinais importantes como placas pleurais, indicando exposição prévia ao asbesto.
Takeaway Essencial: Ao pensar em asbesto, lembre-se do tripé pulmão + pleura + câncer. Se o termo mesotelioma surgir, considere sempre pleura, peritônio e pericárdio como locais de manifestação.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Pulmonares Ocupacionais
Assunto: Asbestose
A Asbestose se refere a uma fibrose pulmonar intersticial difusa causada pela inalação de fibras de asbesto. Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao tema:
A) Ocorre uma resposta inflamatória peribronquiolar envolvendo a proliferação e a estimulação de fibroblastos, que eventualmente poderá levar à fibrose.
B) Existe relação dose-efeito entre a exposição ocupacional ao asbesto e indicadores clínicos, funcionais e radiológicos da doença.
C) Achado radiográfico de espessamento pleural bilateral, não ocorre normalmente nos casos de Asbestose.
D) Estudos de imagem considerados úteis na avaliação de pacientes expostos ao asbesto são a radiografia de tórax e a TCAR (Tomografia Computadorizada do Aparelho Respiratório).
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA C.
Em expostos ao asbesto são frequentes alterações pleurais (placas/espessamento pleural, muitas vezes bilaterais) e também alterações intersticiais na asbestose; portanto, dizer que o “espessamento pleural bilateral não ocorre normalmente” é falso. Há ainda relação dose–efeito entre exposição e gravidade clínica/funcional/radiológica, e a radiografia de tórax e a TCAR (tomografia de alta resolução) são métodos úteis para avaliação de doença pleuro-parênquimatosa por asbesto.
Referências: Ladou & Harrison, CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental; Buschinelli J.T.P., Toxicologia Ocupacional, Fundacentro, 2020.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA. A fisiopatologia envolve inflamação peribronquiolar, ativação/proliferação de fibroblastos e deposição de colágeno, evoluindo para fibrose intersticial (Ladou & Harrison).
  • Assertiva B: CORRETA. A asbestose e manifestações pleurais apresentam relação dose–efeito com a intensidade/duração da exposição e tempo de latência (Ladou & Harrison).
  • Assertiva D: CORRETA. Radiografia de tórax e TCAR são exames úteis na detecção e caracterização de doença pleuro-pulmonar relacionada ao asbesto (Ladou & Harrison).

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ANAMT 2024 - O Amianto ou Asbesto
O Amianto ou Asbesto é uma fibra mineral natural sedosa que, por suas propriedades físico-químicas (alta resistência mecânica e às altas temperaturas, incombustibilidade, boa qualidade isolante, durabilidade, flexibilidade, indestrutibilidade, resistente ao ataque de ácidos, álcalis e bactérias, facilidade de ser tecida), abundância na natureza e, principalmente, baixo custo tem sido largamente utilizado na indústria. É extraído fundamentalmente de rochas compostas de silicatos hidratados de magnésio, onde apenas de 5 a 10% se encontram em sua forma fibrosa de interesse comercial. Leia atentamente as afirmações abaixo:
  • I) Todos os tipos de asbesto associam-se a asbestose, câncer de pulmão e pleura.
  • II) A asbestose cursa inicialmente por ausência de sinais.
  • III) As alterações pleurais pela exposição ao asbesto apresentam placas pleurais, derrame pleural e atelectasias.
  • IV) O mesotelioma afeta pleura, peritônio e pericárdio.
Estão CORRETAS as afirmativas:
  • A) I e IV.
  • B) I, II e IV.
  • C) II, III e IV.
  • D) I, II, III.
  • E) I, II, III e IV.
Gabarito Comentado
Alternativa E: CORRETA. Todas as afirmativas estão corretas.
I) O asbesto está relacionado à asbestose e diversos tipos de câncer. A exposição ao amianto é um fator de risco bem estabelecido para diversas doenças, incluindo a asbestose e neoplasias como o câncer de pulmão e da pleura (mesotelioma).
II) O início da asbestose pode ser silencioso, com ausência de sintomas.
III) As alterações pleurais relacionadas ao asbesto são bem descritas na literatura.
IV) O mesotelioma pode afetar pleura, peritônio e pericárdio, sendo um câncer agressivo com forte associação ao asbesto.
Referência: Fundacentro; Doenças Respiratórias Relacionadas ao Trabalho – Ministério da Saúde.

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Antracose (Pneumoconiose do Trabalhador do Carvão)
Para dominar o que mais cai em provas: as formas de sílica, os desfechos clínicos associados e os achados diagnósticos chave.
Exposição Típica
Principalmente em mineração de carvão betuminoso, incluindo perfuração, transporte e beneficiamento.
Patogênese
Depósito de poeira de carvão (com ou sem sílica) nos alvéolos, ativando macrófagos e desencadeando inflamação crônica e fibrose.
Quadro Clínico
Geralmente assintomático no início, evoluindo para tosse, dispneia e piora com o tempo de exposição. O tabagismo potencializa a bronquite crônica.
Achados Radiológicos (OIT)
  • Forma Simples: Opacidades pequenas (p/q) predominam em campos pulmonares superiores.
  • FMP (Fibrose Maciça Progressiva): Massas >1 cm, coalescentes, com distorção arquitetural.
  • Linfonodos: Calcificações tipo "casca de ovo" podem ser observadas (mais comum na silico-antracose).
Provas de Função Pulmonar
Podem revelar padrão obstrutivo ou misto. São úteis para quantificar a incapacidade funcional, mas não são diagnósticas isoladamente.
Vigilância e Conduta
Controle rigoroso da poeira respirável, afastamento ou realocação em caso de agravamento, cessação do tabagismo e acompanhamento médico periódico.
Takeaway Essencial: A Antracose é ligada à exposição ao carvão, com nódulos em ápices que podem evoluir para FMP. A espirometria quantifica a incapacidade, e o tabagismo agrava o quadro.
Imagem ilustrativa de radiografia de tórax, mostrando opacidades típicas da Antracose Simples e a evolução para Fibrose Maciça Progressiva (FMP).

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ANAMT 2023 - Antracose: Afirmação Correta
O carvão brasileiro betuminoso é rico em enxofre e destinado ao uso em termelétricas. Em relação à Antracose, assinale a alternativa CORRETA.
  • A) O diagnóstico é realizado pela história clínica e RX de Tórax, onde eventualmente podemos visualizar linfonodos "em casca de ovo".
  • B) Não ocorre fibrose maciça progressiva.
  • C) A tosse é o principal sintoma nos quadros avançados.
  • D) O tempo médio de exposição para sua incidência é de 25 a 30 anos.
  • E) O fumo não potencializa a bronquite crônica dos Trabalhadores do carvão.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. O diagnóstico da antracose é estabelecido pela história clínica de exposição a poeiras de carvão e por achados radiográficos característicos no RX de tórax. A presença de linfonodos calcificados "em casca de ovo" é um achado sugestivo, embora não exclusivo da antracose, sendo mais frequentemente associado à silicose. No entanto, é uma característica de calcificação em pneumoconioses que pode ser observada. Referência: Fundacentro; Doenças Respiratórias Relacionadas ao Trabalho – Ministério da Saúde.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. A antracose pode, sim, evoluir para fibrose maciça progressiva (FMP), uma complicação grave da pneumoconiose do trabalhador do carvão.
  • Alternativa C: INCORRETA. Embora a tosse seja um sintoma comum na pneumoconiose do trabalhador do carvão, especialmente associada à bronquite crônica, ela não é o único ou principal sintoma que define um quadro avançado. Outros sintomas como dispneia e alterações na função pulmonar são mais relevantes nos estágios avançados.
  • Alternativa D: INCORRETA. O tempo de exposição para o desenvolvimento da antracose pode variar significativamente, sendo influenciado pela concentração e tipo de poeira. Embora exposições prolongadas sejam comuns, a incidência pode ocorrer com períodos de exposição menores, dependendo das condições.
  • Alternativa E: INCORRETA. O fumo é um fator que potencializa significativamente o risco e a gravidade da bronquite crônica em trabalhadores expostos à poeira de carvão, bem como aumenta o risco de outras doenças respiratórias.

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Pneumonite por Hipersensibilidade (PH)
Agentes Clássicos
  • Proteínas de aves: Pulmão do Criador
  • Feno/Grãos mofados: Pulmão do Fazendeiro
  • Umidificadores/AC/Banheiras: Fungos, actinomicetos
  • Algodão/Têxtil: Pode disparar PH
Fisiopatologia Essencial
A PH envolve uma resposta imune tipo III e IV a alérgenos inalados, levando à alveolite linfocítica e pneumonite granulomatosa.
1
Apresentações Clínicas
  • Aguda: Febre, calafrios, dispneia e tosse horas após exposição intensa.
  • Subaguda/Crônica: Dispneia progressiva, tosse seca, perda de função. Risco de fibrose intersticial com exposição mantida.
2
Achados de Imagem (TCAR - TOMO COMPUTADORIZADA DE ALTA RESOLUÇÃO)
  • Aguda/Subaguda: Vidro fosco, nódulos centrilobulares, padrão em mosaico/air-trapping.
  • Crônica: Faveolamento e fibrose.
3
Laboratório e Apoio
  • Linfocitose no LBA (↓CD4/CD8).
  • Precipitinas séricas (apoio, não diagnósticas).
  • Teste de remoção/reexposição ao antígeno.
4
Conduta e Tratamento
A chave é interromper a exposição precocemente para melhora. Corticosteroides podem acelerar a recuperação, mas não substituem o afastamento do antígeno.
Takeaway Essencial: Identifique o antígeno e interrompa a exposição cedo. Na TCAR, procure por vidro fosco, nódulos centrilobulares e air-trapping. A forma crônica eleva o risco de fibrose.

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: MedWork – Doenças Otorrinolaringológicas
Assunto: Fisiopatologia
Empregados expostos a níveis de pressão sonora elevados devem ser submetidos a exames audiométricos de referência e sequenciais de acordo com o anexo II da Norma Regulamentadora 7. Em relação ao tema, analise as afirmativas abaixo:
I. Quando há alteração detectada no teste pela via aérea, não é necessária a realização por via óssea, nas frequências de 500, 1.000, 2.000, 3.000 e 4.000 Hz, pois já se considera como Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE).
II. Na demissão pode ser aceito exame audiométrico realizado até 120 (cento e vinte) dias antes da data de finalização do contrato de trabalho.
III. O exame audiométrico sequencial que venha a demonstrar desencadeamento ou agravamento de PAINPSE passará a ser, a partir de então, o exame audiométrico de referência.
IV. São considerados sugestivos de agravamento da PAINPSE os casos já confirmados em exame audiométrico de referência e nos quais a comparação de exame audiométrico sequencial com o de referência mostra piora em uma frequência isolada iguala ou ultrapassa 15 (quinze) dB (NA).
V. São considerados dentro dos limites aceitáveis, de acordo com o anexo II, os casos cujos audiogramas mostram limiares auditivos maiores ou iguais a 25 (vinte e cinco) dB (NA) em todas as frequências examinadas.
Está INCORRETO o que se afirma em:
  • A) II e IV.
  • B) I e IV.
  • C) I e V.
  • D) IV e V.
Gabarito Comentado
LETRA C
As assertivas I e V estão INCORRETAS.
  • I: INCORRETA. Quando há alteração detectada no teste pela via aérea, a via óssea é indicada para diferenciar perda condutiva de neurossensorial; não se pode concluir PAINPSE apenas pela via aérea, sem essa complementação.
  • V: INCORRETA. Os “limites aceitáveis” correspondem a limiares auditivos menores ou iguais a 25 dB(NA) (até 25 dB), e não “maiores ou iguais a 25 dB(NA)”.
Outras Alternativas
  • Assertiva II: CORRETA. A NR-7, Anexo II, aceita exame audiométrico demissional realizado até 120 (cento e vinte) dias antes da data de finalização do contrato de trabalho.
  • Assertiva III: CORRETA. Um exame audiométrico sequencial que demonstre desencadeamento ou agravamento de PAINPSE passa a ser, a partir de então, o novo exame audiométrico de referência.
  • Assertiva IV: CORRETA. É sugestivo de agravamento da PAINPSE quando a comparação do exame audiométrico sequencial com o de referência mostra piora em uma frequência isolada iguala ou ultrapassa 15 (quinze) dB (NA).
Referência: NR-7, Portaria nº 3.214/1978, Anexo II – Controle Médico Ocupacional da Exposição a Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE).

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ANAMT 2016 - Pneumonite por Hipersensibilidade (PH)
A pneumonite por hipersensibilidade é uma manifestação clínica característica de um grupo de doenças pulmonares, resultantes da sensibilização por exposição recorrente à inalação de partículas antigênicas derivada de material orgânico e de algumas substâncias químicas sintéticas. Assinale a alternativa INCORRETA:
  • A) O solvente das tintas é responsável pela pneumonite dos trabalhadores de serrarias, carpintarias e marcenarias.
  • B) O feno, palha, grãos mofados são os aerossóis responsáveis pelo “pulmão do fazendeiro”.
  • C) O excremento e a pena de aves são responsáveis pelo “pulmão dos criadores de aves”.
  • D) A cana de açúcar mofada é responsável pela bagaçose.
Gabarito Comentado
Alternativa A: INCORRETA. Os solventes das tintas não estão associados à pneumonite por hipersensibilidade, mas sim à toxicidade química pulmonar ou à síndrome tóxica do pó orgânico. A pneumonite por hipersensibilidade está ligada à exposição repetida a material orgânico, como mofo, fezes de aves, feno, etc.
Referência: ROMANO, C.A.; NUNES, M. In: Mendes, R. Patologia do Trabalho. 4ª ed.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: CORRETA. Feno, palha e grãos mofados são agentes etiológicos clássicos do “pulmão do fazendeiro”, uma forma de pneumonite por hipersensibilidade.
  • Alternativa C: CORRETA. A exposição ao excremento e penas de aves é a causa do “pulmão dos criadores de aves”, também uma pneumonite por hipersensibilidade.
  • Alternativa D: CORRETA. A bagaçose é uma pneumonite por hipersensibilidade causada pela inalação de poeira de cana-de-açúcar mofada (bagaço).

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ANAMT 2023 - A Pneumonite por Hipersensibilidade (PH) é um distúrbio do trato respiratório baixo, relacionado a uma reação imunológica a alérgenos específicos de material orgânico como mofo e proteínas animais. Avalie as afirmações abaixo:
  • I - Os alérgenos específicos da reação imunológica são termofílicos, Actinomycetes e Aspergillus spp.
  • II - A principal característica é de uma Pneumonia Intersticial Linfocítica.
  • III - Contaminação dos sistemas de ar condicionado, umidificadores domésticos e banheiras de hidromassagem podem resultar em PH.
  • IV - O afastamento da exposição resulta em melhora clínica.
Estão CORRETAS as alternativas:
  • A) As alternativas II e IV.
  • B) As alternativas I, II e IV.
  • C) As alternativas I, II e III.
  • D) Todas as alternativas estão corretas.
  • E) As alternativas I e II.
Alternativa D: CORRETA. Todas as afirmativas (I a IV) estão corretas, refletindo aspectos clínicos, etiológicos e ambientais cruciais da Pneumonite por Hipersensibilidade.
I - Os alérgenos específicos da reação imunológica são termofílicos, Actinomycetes e Aspergillus spp.
Correta. A PH é desencadeada por alérgenos inalados, sendo os Actinomycetes termofílicos (em feno mofado, bagaço, umidificadores contaminados) e Aspergillus spp. (associados a mofo) agentes etiológicos comuns. Actinomycetes termofílicos prosperam em ambientes quentes e úmidos, como sistemas de ventilação.
II - A principal característica é de uma Pneumonia Intersticial Linfocítica.
Correta. A PH envolve uma reação imunológica complexa nos pulmões, caracterizada por inflamação predominantemente linfocítica no interstício pulmonar. Observa-se infiltração de linfócitos, plasmócitos e macrófagos, frequentemente com formação de granulomas não caseosos e bronquiolite. Esta inflamação crônica pode levar à fibrose se a exposição persistir.
III - Contaminação dos sistemas de ar condicionado, umidificadores domésticos e banheiras de hidromassagem podem resultar em PH.
Correta. Sistemas de ar condicionado e umidificadores mal mantidos, e banheiras de hidromassagem não limpas adequadamente, podem ser reservatórios para fungos, bactérias (incluindo Actinomycetes termofílicos e Mycobacterium avium complex - MAC), que são causas conhecidas de PH.
IV - O afastamento da exposição resulta em melhora clínica.
Correta. A cessação da exposição ao agente causador é o pilar do tratamento e fundamental para a resolução da PH, especialmente nas formas aguda e subaguda. A remoção da fonte do alérgeno interrompe a inflamação, permitindo a recuperação pulmonar. A persistência da exposição, por outro lado, leva à cronicidade e fibrose pulmonar progressiva.
Referência: ROCHA, L. E. Doenças Respiratórias Ocupacionais. In: Medicina do Trabalho. Atheneu, 2021.

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ANAMT 2022 - Exposição a Endotoxinas em Aviários
Com relação à exposição às endotoxinas por trabalhadores de aviários, é correto afirmar:
  • A) A remoção anual e o revolvimento semanal da “cama” não costumam produzir situações de exposição intensa a poeiras e microrganismos como bactérias, fungos, vírus e endotoxinas.
  • B) As bactérias não se perpetuam e se multiplicam na presença da matéria orgânica, pois há uma troca constante do material.
  • C) A exposição ocupacional a endotoxinas em aviários não é a mais alta.
  • D) Estas endotoxinas estão vinculadas a poeiras em suspensão, sendo os trabalhadores em aviários o grupo homogêneo de exposição que mais se expõe às mesmas.
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. Diversos estudos ocupacionais mostram que trabalhadores em aviários têm alta exposição a endotoxinas bacterianas presentes em poeiras orgânicas suspensas, oriundas da cama de frango e material fecal. Essas endotoxinas podem desencadear reações respiratórias como a síndrome tóxica do pó orgânico e a pneumonite por hipersensibilidade.
Referência: ROMANO, C.A.; NUNES, M. In: Mendes, R. Patologia do Trabalho. 4ª ed.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. O revolvimento e a remoção da cama em aviários são atividades que, de fato, aumentam significativamente a concentração de poeiras e microrganismos, incluindo endotoxinas, no ambiente de trabalho.
  • Alternativa B: INCORRETA. A matéria orgânica em decomposição na cama de aviários, juntamente com a umidade e temperatura, cria um ambiente ideal para a proliferação intensa de bactérias e outros microrganismos.
  • Alternativa C: INCORRETA. A exposição ocupacional a endotoxinas em aviários está, na verdade, entre as mais elevadas quando comparada a outros setores.

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Doenças Otorrinolaringológicas Ocupacionais: Diagnóstico, Fatores de Risco e Prevenção
As doenças otorrinolaringológicas (ORL) ocupacionais representam um campo de estudo crucial na saúde do trabalhador, impactando significativamente a qualidade de vida e a capacidade laboral de indivíduos expostos a diversos agentes nocivos no ambiente de trabalho. A compreensão aprofundada destas patologias é fundamental para a atuação em medicina do trabalho.
Principais Doenças ORL Ocupacionais
  • Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) / Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE): Caracteriza-se pela diminuição gradual da acuidade auditiva bilateral, simétrica e irreversível, decorrente da exposição crônica a níveis de pressão sonora elevados no ambiente de trabalho. É uma das doenças ocupacionais mais prevalentes e a mais cobrada em concursos.
  • Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho (DVRT): Alterações na voz de trabalhadores cuja atividade profissional exige uso intenso ou inadequado da voz, como professores, cantores e teleoperadores, resultando em disfonia, rouquidão e fadiga vocal.
  • Rinite e Sinusite Ocupacional: Inflamações da mucosa nasal e dos seios paranasais causadas pela exposição a agentes irritantes ou alérgenos (poeiras, produtos químicos, gases) no ambiente de trabalho.
  • Vertigens Ocupacionais: Podem ser induzidas por exposição a substâncias ototóxicas, ruído intenso ou vibração, afetando o equilíbrio e causando tonturas.
Fatores de Risco Ocupacionais Específicos
  • Ruído: Principal fator para PAIR/PAINPSE, presente em indústrias, construção civil e outras atividades.
  • Agentes Químicos: Solventes orgânicos, metais pesados (chumbo, mercúrio), asfixiantes (monóxido de carbono) podem ter efeitos ototóxicos e irritantes para as vias aéreas.
  • Poeiras, Fumos e Gases Irritantes: Causadores de rinite, sinusite e laringite ocupacionais.
  • Carga Vocal Excessiva: Uso prolongado e/ou inadequado da voz, sem técnicas ou pausas adequadas.
  • Vibração: Exposição a vibrações de corpo inteiro ou localizadas pode afetar o sistema vestibular.
Impacto na Saúde do Trabalhador e Capacidade Laboral
As doenças ORL ocupacionais não apenas causam sofrimento físico e psicológico, mas também podem levar à incapacidade permanente, afastamento do trabalho, restrição de atividades laborais e, consequentemente, à perda de produtividade para as empresas e ao aumento dos custos previdenciários e de saúde.
Importância da Prevenção e Vigilância em Saúde
A prevenção é a melhor estratégia, englobando medidas de controle ambiental (engenharia e administrativas), uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), programas de conservação auditiva, fonoterapia preventiva e educação em saúde. A vigilância em saúde ocupacional, com exames médicos periódicos (audiometrias, avaliações vocais), é essencial para o diagnóstico precoce e a intervenção adequada.
Nota para Concursos: As doenças otorrinolaringológicas ocupacionais, especialmente a PAIR, são temas recorrentes em provas da ANAMT e outros concursos na área de Medicina do Trabalho. É fundamental dominar seus aspectos etiológicos, clínicos, diagnósticos e de prevenção.

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PAIR: Fisiopatologia, Padrão Audiométrico e Prevenção
A Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR) é uma condição irreversível, mas totalmente evitável, que afeta milhares de trabalhadores anualmente. Compreender mecanismos e as estratégias de prevenção é fundamental.
Definição
Perda neurossensorial, bilateral e geralmente simétrica, causada por exposição ocupacional a ruído intenso. É irreversível.
Fisiopatologia
Dano às células ciliadas externas no órgão de Corti, resultando em queda inicial nas altas frequências (3, 4 e 6 kHz).
Clínica Essencial
Dificuldade para entender fala em ambiente ruidoso, acúfenos (zumbido) e sensação de ouvido "cheio". Exame físico geralmente normal no início.
Audiometria Típica
Entalhe característico em 3–6 kHz, que pode se alargar para outras frequências com a progressão da exposição.
Prevenção e Norma
  • Repouso acústico mínimo de 14h antes da audiometria (NR-07, Anexo I).
  • Controle de ruído na fonte, trajetória e receptor.
  • Uso de EPC (Controles de Engenharia) e EPI (Equipamentos de Proteção Individual) adequados.
  • Pausas regulares e programa de conservação auditiva.
Erros Comuns
  • Não "começa nas frequências baixas" (falso). Não é "condutiva" (falso). Não "reverte com repouso" (falso).
Takeaway Essencial: PAIR é irreversível, bilateral e começa nas altas frequênciasprevenir é obrigatório.

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ANAMT 2016 – Perda Auditiva Induzida pelo Ruído Ocupacional (PAIR)
Sobre a perda auditiva induzida pelo ruído ocupacional, coloque VERDADEIRO (V) ou FALSO (F) nas afirmações abaixo:
I. ( ) É sempre bilateral.
II. ( ) É irreversível.
III. ( ) Acomete as frequências baixas.
IV. ( ) O diagnóstico está baseado apenas na audiometria.
A sequência correta é:
  • A) V – V – F – F
  • B) F – V – F – F
  • C) F – F – F – F
  • D) F – V – F – V
Alternativa A: CORRETA. A sequência V - V - F - F reflete as características fundamentais da PAIR, conforme a legislação e as diretrizes de saúde ocupacional. A PAIR é uma condição neurossensorial, irreversível, e geralmente bilateral, afetando primariamente as frequências altas. O diagnóstico é multifatorial, não se restringindo apenas à audiometria.
I. É sempre bilateral. VERDADEIRO
A PAIR é classicamente bilateral e predominantemente simétrica, embora assimetrias leves possam ocorrer dependendo da natureza da exposição ao ruído.
II. É irreversível. VERDADEIRO
A perda auditiva neurossensorial induzida pelo ruído resulta em dano permanente às células ciliadas do ouvido interno, tornando-a irreversível. A prevenção é, portanto, crucial.
III. Acomete as frequências baixas. FALSO
A PAIR caracteriza-se por afetar, inicialmente e de forma mais acentuada, as frequências altas (tipicamente 3 kHz, 4 kHz e 6 kHz), com ênfase na entalhe audiométrico em 4 kHz. As frequências baixas são geralmente preservadas no início.
IV. O diagnóstico está baseado apenas na audiometria. FALSO
O diagnóstico da PAIR é complexo e exige uma avaliação completa que inclui anamnese detalhada (história clínica e ocupacional, exposição a ruído), exame físico, e a interpretação da audiometria em conjunto com outros dados clínicos e ocupacionais, como a ausência de outras causas para a perda auditiva.

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PAINPSE (NR-07/Anexo I): Reconhecendo a Piora Significativa
A Perda Auditiva Induzida por Nível de Pressão Sonora Elevado (PAINPSE) é um agravo à saúde auditiva que exige investigação e documentação cuidadosa de sua piora, conforme a NR-07. É a investigação de piora auditiva por níveis elevados de pressão sonora.
Base de Comparação
Utilize sempre a audiometria de referência. Na sua ausência, a audiometria admissional é o ponto de partida.
Pré-teste Essencial
Assegure repouso acústico mínimo de 14 horas antes do exame para evitar o mascaramento de uma perda permanente por fadiga auditiva temporária.
Critérios de Agravamento Significativo (Memorizar!)
Perda de 10 dB
Piora de ≥10 dB nas duas frequências (3 kHz, 4 kHz ou 6 kHz).
Perda de 15 dB
Piora de ≥15 dB em apenas uma dessas frequências (3 kHz, 4 kHz ou 6 kHz).
Fluxo para Identificação e Ação (5 Passos)
1) Checar repouso acústico: Confirmar as 14h de repouso antes da audiometria.
2) Comparar com referência: Confrontar o exame atual com a audiometria de referência.
3) Confirmar critério de ΔdB: Verificar se há piora de 10 dB em duas frequências ou 15 dB em uma (3, 4, 6 kHz).
4) Revisar exposição/EPI/coexposições: Investigar causas e fatores contribuintes, incluindo vibração, calor e agentes ototóxicos (solventes, metais, CO).
5) Registrar, notificar e ajustar: Documentar o caso, notificar internamente e implementar ajustes nos controles e monitoramento.
Takeaway Essencial: Sem referência não há comparação; gravou? 10 dB em 2 ou 15 dB em 1 (3–4–6 kHz).

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Otorrinolaringológicas
Assunto: Fisiopatologia
Empregados expostos a níveis de pressão sonora elevados devem ser submetidos a exames audiométricos de referência e sequenciais de acordo com o anexo II da Norma Regulamentadora 7. Em relação ao tema, analise as afirmativas abaixo:
I. Quando há alteração detectada no teste pela via aérea, não é necessária a realização por via óssea, nas frequências de 500, 1.000, 2.000, 3.000 e 4.000 Hz, pois já se considera como Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE).
II. Na demissão pode ser aceito exame audiométrico realizado até 120 (cento e vinte) dias antes da data de finalização do contrato de trabalho.
III. O exame audiométrico sequencial que venha a demonstrar desencadeamento ou agravamento de PAINPSE passará a ser, a partir de então, o exame audiométrico de referência.
IV. São considerados sugestivos de agravamento da PAINPSE os casos já confirmados em exame audiométrico de referência e nos quais a comparação de exame audiométrico sequencial com o de referência mostra piora em uma frequência isolada iguala ou ultrapassa 15 (quinze) dB (NA).
V. São considerados dentro dos limites aceitáveis, de acordo com o anexo II, os casos cujos audiogramas mostram limiares auditivos maiores ou iguais a 25 (vinte e cinco) dB (NA) em todas as frequências examinadas.
Está INCORRETO o que se afirma em:
A) II e IV.
B) I e IV.
C) I e V.
D) IV e V.
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA C.
I é INCORRETA: Quando há alteração na via aérea, a via óssea é crucial para diferenciar uma perda auditiva condutiva de uma neurossensorial. A conclusão de PAINPSE não pode ser feita apenas pela via aérea sem essa diferenciação.
V é INCORRETA: Os "limites aceitáveis" referem-se a limiares auditivos menores ou iguais a 25 dB(NA) (≤ 25 dB) em todas as frequências, e não "maiores ou iguais a 25 dB".
  • II é Correta: O exame audiométrico demissional pode, sim, ser aceito se realizado até 120 dias antes do término do contrato.
  • III é Correta: Um exame sequencial que indique o desenvolvimento ou agravamento de PAINPSE passa a ser o novo exame de referência.
  • IV é Correta: É considerado sugestivo de agravamento da PAINPSE uma piora igual ou superior a 15 dB(NA) em uma frequência isolada na comparação entre o exame sequencial e o de referência.
Referência: NR-7, Portaria nº 3.214/1978, Anexo II – Controle Médico Ocupacional da Exposição a Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE).

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: MedWork – Doenças Otorrinolaringológicas
Assunto: Fisiopatologia
Empregados expostos a níveis de pressão sonora elevados devem ser submetidos a exames audiométricos de referência e sequenciais de acordo com o anexo II da Norma Regulamentadora 7. Em relação ao tema, analise as afirmativas abaixo:
I. Quando há alteração detectada no teste pela via aérea, não é necessária a realização por via óssea, nas frequências de 500, 1.000, 2.000, 3.000 e 4.000 Hz, pois já se considera como Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE).
II. Na demissão pode ser aceito exame audiométrico realizado até 120 (cento e vinte) dias antes da data de finalização do contrato de trabalho.
III. O exame audiométrico sequencial que venha a demonstrar desencadeamento ou agravamento de PAINPSE passará a ser, a partir de então, o exame audiométrico de referência.
IV. São considerados sugestivos de agravamento da PAINPSE os casos já confirmados em exame audiométrico de referência e nos quais a comparação de exame audiométrico sequencial com o de referência mostra piora em uma frequência isolada iguala ou ultrapassa 15 (quinze) dB (NA).
V. São considerados dentro dos limites aceitáveis, de acordo com o anexo II, os casos cujos audiogramas mostram limiares auditivos maiores ou iguais a 25 (vinte e cinco) dB (NA) em todas as frequências examinadas.
Está INCORRETO o que se afirma em:
A) II e IV.
B) I e IV.
C) I e V.
D) IV e V.
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA C.
I: é INCORRETA: Quando há alteração na via aérea, a via óssea é crucial para diferenciar uma perda auditiva condutiva de uma neurossensorial. A conclusão de PAINPSE não pode ser feita apenas pela via aérea sem essa diferenciação.
V: é INCORRETA: Os "limites aceitáveis" referem-se a limiares auditivos menores ou iguais a 25 dB(NA) (≤ 25 dB) em todas as frequências, e não "maiores ou iguais a 25 dB".
Referência: NR-7, Portaria nº 3.214/1978, Anexo II – Controle Médico Ocupacional da Exposição a Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE).
Outras Alternativas
  • II é CORRETA: O exame audiométrico demissional pode, sim, ser aceito se realizado até 120 dias antes do término do contrato.
  • III é CORRETA: Um exame sequencial que indique o desenvolvimento ou agravamento de PAINPSE passa a ser o novo exame de referência.
  • IV é CORRETA: É considerado sugestivo de agravamento da PAINPSE uma piora igual ou superior a 15 dB(NA) em uma frequência isolada na comparação entre o exame sequencial e o de referência.m agravamento significativo é de 10 dB nas médias das frequências 3kHz, 4kHz e 6kHz, e não 8dB.

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ANAMT 2023 – Perda Auditiva Induzida por Nível de Pressão Sonora Elevado (PAINPSE)
Em relação aos empregados que foram identificados com perda auditiva sugestiva de PAINPSE, assinale a alternativa correta:
  • A) A audiometria de referência deverá ser realizada quando não houver um exame audiométrico de referência prévio, e quando algum exame audiométrico sequencial apresentar alteração significativa em relação ao exame de referência.
  • B) Um aumento em frequência isolada de 20dB em 6kHz não caracteriza piora significativa da audiometria.
  • C) Uma diferença de médias das frequências 3kHz, 4kHz e 6kHz no valor de 8dB revela um agravamento significativo da perda auditiva.
  • D) O repouso acústico necessário para realização de uma audiometria ocupacional, conforme os termos da NR-07, deverá ser de 8 horas no mínimo.
  • E) Evitar a influência de perdas auditivas temporárias é importante. Daí a necessidade de um repouso acústico mínimo de 20 horas antes de se realizar uma audiometria ocupacional no trabalhador.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. A investigação da PAINPSE exige a análise de audiometrias de referência. Um exame sequencial só indicará agravo se houver alteração significativa (diferença de ≥10 dB em pelo menos duas das frequências de 3k, 4k ou 6kHz, ou ≥15 dB em uma delas) em comparação com o exame de referência. Na ausência de um exame prévio, a audiometria admissional deve ser considerada a de referência.
Referência: NR-07, Anexo I (2022); FUNDACENTRO – PAIR.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. Um aumento de 20 dB em frequência isolada, como em 6kHz, pode sim indicar piora significativa, especialmente se cumprir os critérios do Anexo I da NR-07.
  • Alternativa C: INCORRETA. A diferença mínima para configurar um agravamento significativo é de 10 dB nas médias das frequências 3kHz, 4kHz e 6kHz, e não 8dB.
  • Alternativa D: INCORRETA. O repouso acústico mínimo estabelecido pela NR-07 é de 14 horas, não 8 horas.
  • Alternativa E: INCORRETA. Para evitar a influência de perdas auditivas temporárias, a NR-07 exige um repouso acústico mínimo de 14 horas antes da realização da audiometria ocupacional, e não 20 horas.

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DVRT: Reconhecendo o Padrão Ocupacional
O Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho (DVRT) é uma alteração vocal que se manifesta ou se agrava devido ao uso profissional da voz, em conjunto com condições ambientais e organizacionais do ambiente de trabalho. É um agravo insidioso que exige atenção.
Sinais e Sintomas-chave
  • Rouquidão ou disfonia.
  • Esforço ou cansaço vocal.
  • Dor ao falar.
  • Piora no fim do turno, melhora com repouso.
Fatores de Risco
  • Pessoais: Alergias, refluxo gastroesofágico, hidratação precária.
  • Ambientais: Ruído excessivo, poeira, ar seco, temperatura inadequada.
  • Organizacionais: Ritmo intenso, pausas escassas, jornada prolongada, falta de amplificação.
Medidas Essenciais
  • Higiene Vocal: Hidratação, pausas, aquecimento/desaquecimento vocal.
  • Tecnologia: Uso de microfones e sistemas de amplificação.
  • Ergonomia: Adequação acústica do ambiente de trabalho.
  • Suporte: Educação vocal e acompanhamento fonoaudiológico/otorrino.
É crucial diferenciar o DVRT de lesões induzidas por tabagismo, que possuem um padrão histológico distinto e não são diretamente equiparáveis às alterações causadas por abuso vocal.
Takeaway Essencial: DVRT tem instalação insidiosa e piora no expediente — o ajuste do ambiente de trabalho e o cuidado com a voz são fundamentais para evitar a cronificação.

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ANAMT 2023 – Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho (DVRT)
A atenção à voz como instrumento de trabalho é fundamental, já que cerca de um terço das profissões depende dela. A avaliação integral do trabalhador é crucial para o diagnóstico e estabelecimento do nexo causal do Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho (DVRT).
Assinale a alternativa correta em relação ao DVRT:
I. O DVRT aparece de forma insidiosa e, geralmente, tem duração superior a 15 dias.
II. As lesões na laringe provocadas pelo tabagismo são semelhantes às lesões provocadas pelo abuso vocal crônico.
III. Os principais sintomas são rouquidão, esforço, cansaço e dor ao falar, que pioram no final do expediente.
Qual combinação de afirmações está correta?
  • A) I e II
  • B) I e III
  • C) Apenas a alternativa III
  • D) I e III
  • E) Apenas a alternativa I
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. As afirmações I e III estão corretas. O Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho (DVRT) instala-se de forma insidiosa, persistindo por mais de 15 dias, e é marcado por sintomas como rouquidão, cansaço e dor vocal, que se agravam ao final da jornada e melhoram com o repouso. A avaliação da história ocupacional é fundamental.
Referência: FUNDACENTRO – DVRT; Ministério da Saúde – Doenças Relacionadas ao Trabalho, 2001.
Análise das Afirmações
Afirmação II: INCORRETA. As lesões laríngeas causadas pelo tabagismo (predominantemente inflamatórias e neoplásicas) possuem características histológicas distintas das lesões por abuso vocal crônico (como nódulos e pólipos, que são mais mecânicos).

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Doenças Dermatológicas Ocupacionais
As doenças dermatológicas ocupacionais representam um desafio significativo na saúde do trabalhador e são uma área de foco essencial para a medicina do trabalho. Elas impactam diretamente a qualidade de vida dos colaboradores e a produtividade organizacional, além de gerarem custos de saúde. Compreender suas causas, como a exposição a agentes químicos (solventes, detergentes), físicos (radiação UV, calor), mecânicos (atrito) e biológicos (fungos, bactérias), bem como suas diversas manifestações clínicas, que podem variar de dermatites de contato (irritativas ou alérgicas) a urticárias e infecções, é crucial. A avaliação integral do ambiente de trabalho e do histórico ocupacional de cada indivíduo é fundamental para o diagnóstico correto e para o estabelecimento de estratégias de prevenção eficazes, visando ambientes de trabalho mais seguros e a proteção da saúde da pele dos trabalhadores.

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Dermatite de Contato Ocupacional: DCI x DAC
Compreender as diferenças entre Dermatite de Contato Irritativa (DCI) e Dermatite de Contato Alérgica (DAC) é fundamental para o diagnóstico e manejo corretos no ambiente de trabalho.
DCI: Irritativa
A forma mais comum. Reação inflamatória não imunológica, causada por contato direto e agressivo com irritantes químicos ou físicos.
DAC: Alérgica
Resposta imunológica de hipersensibilidade tardia (tipo IV), que se desenvolve após a sensibilização a um alérgeno específico.
Quadro Comparativo: DCI e DAC
Armadilhas Comuns em Avaliações
  • "DCI requer mecanismo imunológico" É não imunológica.
  • "DAC não é tipo IV" É uma hipersensibilidade tipo IV (tardia).
  • "Patch test serve para DCI" O Patch test é para DAC, não diagnostica DCI.
Takeaway Essencial: DCI é dano direto por irritante; DAC é reação imunológica tipo IV a alérgeno. As mãos são frequentemente as mais afetadas em ambos os casos ocupacionais.

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Dermatológicas
Assunto: Dermatite de contato alérgica (DAC)
A dermatite de contato é uma das doenças ocupacionais mais comuns em trabalhadores da construção civil, sendo causada pelo contato direto com substâncias irritantes ou alérgenos presentes nos materiais de construção. Sobre essa condição, assinale a alternativa CORRETA:
A) A dermatite de contato ocupacional ocorre apenas por contato direto com cimento úmido, não havendo risco com poeiras e resíduos secos.
B) O cromo hexavalente presente no cimento é um dos principais agentes causadores da dermatite de contato alérgica nos trabalhadores da construção civil.
C) O uso de luvas de borracha elimina completamente o risco de dermatite de contato em pedreiros e operários da construção civil.
D) A dermatite de contato ocupacional na construção civil é sempre reversível, independentemente da continuidade da exposição ao agente sensibilizante.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
  • O cimento pode conter cromo hexavalente (Cr VI), um potente sensibilizante e causa clássica de dermatite de contato alérgica em trabalhadores da construção civil. Medidas de controle incluem a redução ou neutralização do Cr VI no cimento, o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, a adoção de boas práticas de higiene cutânea e a implementação de proteção coletiva no ambiente de trabalho. Referência: Salim, A.A., Dermatoses Ocupacionais, Fundacentro.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Poeiras e resíduos secos de cimento também são causadores de dermatites (irritante e alérgica), e o risco existe mesmo por contato indireto (fômites ou aerossóis), não se limitando apenas ao cimento úmido (Salim).
  • Assertiva C: ERRADA. Embora as luvas reduzam significativamente o risco, elas não eliminam completamente a possibilidade de dermatite de contato. Fatores como oclusão, sudorese, material inadequado das luvas ou falhas no uso e permeação podem comprometer sua eficácia (Salim).
  • Assertiva D: ERRADA. A dermatite de contato pode cronificar se a exposição ao agente sensibilizante persistir. Uma vez sensibilizado, a condição pode ser duradoura e a remissão geralmente exige o afastamento ou o controle rigoroso da exposição ao agente causador (Salim).

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Dermatológicas
Assunto: Dermatite de contato alérgica (DC)
Trabalhador da construção civil, servente, admitido há cerca de 40 dias, procurou o ambulatório de Medicina do Trabalho, referindo que há cerca uma semana, após uma atividade de concretagem na obra, apresentou quadro de eritema em membros inferiores. Ao exame, apresentava descamação, fissuras, eczema, edema em tornozelos e pés, além de lesões bolhosas, algumas evoluindo para ulcerações. Nega quadro patológico semelhante. Além de outras doenças sistêmicas. Analise as afirmativas abaixo.
I. Trata-se de um caso de Dermatose aguda causada por Bicromato de potássio, sulfato de níquel e cloreto de potássio, presente na constituição do cimento, além da própria alcalinidade.
II. A exposição solar pode ter contribuído ao aparecimento do quadro, mesmo o trabalhador usando calças e calçados de segurança.
III. A conduta do Médico do Trabalho deve ser encaminhar ao tratamento dermatológico, solicitar a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), notificação ao SINAN e afastamento até a remissão do quadro.
IV. Deve-se afastar este trabalhador por sete dias, reavaliar no retorno às suas atividades e solicitar a emissão da CAT e notificação ao SINAN.
V. Não há necessidade de emissão da CAT ou notificação ao SINAN, visto que se trata de um quadro acutissimo.
Estão CORRETA as afirmativas:
A) I e IV.
B) II e IV.
C) I e III.
D) II e V.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA C.
O quadro apresentado é típico de uma dermatite de contato causada pelo cimento, que pode ter componentes irritantes e/ou alérgicos. O cimento contém substâncias como bicromato de potássio (principal agente alergênico), sulfato de níquel e cloreto de potássio, além de ser alcalino, contribuindo para a irritação da pele. A conduta adequada do Médico do Trabalho inclui o encaminhamento ao dermatologista para tratamento específico, a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), pois se trata de uma doença relacionada ao trabalho, a notificação ao SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) conforme as listas de agravos relacionados ao trabalho, e o afastamento da exposição ao agente agressor até a remissão completa do quadro.
Referências: Salim A.A., Dermatoses Ocupacionais, Fundacentro; Mendes R., Patologia do Trabalho, 4ª ed.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: ERRADA. Inclui a afirmativa IV, que é incorreta. O afastamento "por 7 dias" não é uma regra fixa e a conduta deve ser afastar o trabalhador da exposição até a remissão do quadro, não por um período pré-determinado.
  • Assertiva B: ERRADA. A afirmativa II não procede, pois a exposição solar não é o mecanismo principal ou fator causal essencial para a dermatite de contato por cimento; o problema reside no contato direto com as substâncias presentes no cimento (Salim A.A.). A afirmativa IV também é incorreta, como explicado acima.
  • Assertiva D: ERRADA. A afirmativa V, que nega a necessidade de emissão da CAT ou notificação ao SINAN, está incorreta. Diante de uma suspeita de doença relacionada ao trabalho, como é o caso de dermatite por cimento, a emissão da CAT e a notificação ao SINAN são procedimentos obrigatórios e essenciais (Mendes R.). A afirmativa II também é incorreta.

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ANAMT 2024 - Dermatoses Ocupacionais
As dermatoses ocupacionais representam uma parcela ponderável das doenças profissionais. Sua prevalência é de avaliação difícil e complexa, e grande número destas dermatoses não chega sequer às estatísticas e ao conhecimento dos especialistas.
Assinale, dentre as alternativas abaixo, o que está INCORRETO em relação ao tema:
  • A) As dermatites alérgicas de contato do cimento estão relacionadas aos contaminantes Cromo e o Cobalto.
  • B) Os aceleradores do grupo tiuram, mercapto e carbamatos estão entre os maiores produtores de dermatite da borracha.
  • C) A dermatite pela borracha é, predominantemente, alérgica de contato.
  • D) A fisiopatologia das dermatites de contato por irritantes requer sempre a intervenção de mecanismos imunológicos.
  • E) Dermatites alérgicas de contato (DAC), corresponde a uma reação imunológica do tipo IV. O estímulo ao sistema imunológico do indivíduo produz linfócitos T que liberam várias citocinas, provocando a reação inflamatória.
Gabarito Comentado
Alternativa D: INCORRETA. A dermatite de contato por irritantes (DCI) não é mediada por mecanismos imunológicos. Ela resulta de uma agressão direta do agente químico à pele, sendo uma reação inflamatória não imunológica. Portanto, a afirmação de que "requer sempre a intervenção de mecanismos imunológicos" está incorreta.
Referência: Salim, A.A. Dermatoses Ocupacionais. Fundacentro, 2ª Ed. 2009.
  • Alternativa A: CORRETA. O cromo e o cobalto são de fato alérgenos conhecidos presentes no cimento, frequentemente associados à dermatite alérgica de contato (DAC).
  • Alternativa B: CORRETA. Tiuram, mercapto e carbamatos são os principais agentes sensibilizantes na borracha, causando dermatite.
  • Alternativa C: CORRETA. A dermatite pela borracha é predominantemente uma Dermatite Alérgica de Contato (DAC), envolvendo uma resposta imunológica tipo IV.
  • Alternativa E: CORRETA. A DAC é, de fato, uma reação de hipersensibilidade tardia do tipo IV, mediada por linfócitos T e citocinas inflamatórias.

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ANAMT 2023 - Dermatite de Contato Alérgica (DAC)
Um trabalhador de uma indústria metalúrgica desenvolveu uma dermatose ocupacional após contato frequente com produtos químicos. Ele apresenta coceira intensa na mão direita, erupções cutâneas, descamação da pele e algumas bolhas no local. O exame médico concluiu a existência de uma Dermatite de Contato Alérgica (DAC).
Em relação ao quadro clínico apresentado, assinale a alternativa CORRETA:
  • A) O contato prolongado com água e sabão enfraqueceu a barreira cutânea e permitiu a penetração de substâncias irritantes na pele.
  • B) O contato com produtos químicos ácidos corroeu a camada externa da pele, levando à inflamação.
  • C) O contato com níquel ou cromo sensibilizou o sistema imunológico, causando reação alérgica.
  • D) O calor excessivo no ambiente de trabalho provocou uma reação inflamatória na pele.
  • E) O contato com produtos químicos alcalinos, que danificam a camada lipídica da pele, desencadeou resposta imunológica.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. A Dermatite de Contato Alérgica (DAC) é uma reação de hipersensibilidade tipo IV, mediada por células T. Ela ocorre após sensibilização prévia a um alérgeno específico, como o níquel ou o cromo, resultando em uma resposta inflamatória localizada. Os sintomas descritos — coceira, bolhas e descamação — são típicos da DAC.
Referência: Ministério da Saúde – Doenças Dermatológicas Relacionadas ao Trabalho; Fundacentro.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Esta alternativa descreve o mecanismo da Dermatite de Contato Irritativa (DCI), que envolve lesão direta à barreira cutânea e não uma hipersensibilidade imunológica.
  • Alternativa B: INCORRETA. A lesão por corrosão ácida é característica da DCI, não da DAC, que depende de sensibilização imunológica.
  • Alternativa D: INCORRETA. O calor excessivo não é classicamente associado à DAC. Pode causar outras dermatoses, como miliária, mas não uma reação alérgica mediada.
  • Alternativa E: INCORRETA. Produtos alcalinos causam dano direto à pele (DCI), não ativando uma via imunológica de sensibilização como na DAC.

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ANAMT 2021 - Dermatites de Contato por Irritantes
Com relação às dermatites de contato por irritantes, relacionadas ao trabalho, é CORRETO afirmar que:
  • A) As dermatites de contato por irritantes, assim como as de contato alérgicas, necessitam de sensibilização prévia, pois a fisiopatologia dessas dermatites requer a intervenção de mecanismos imunológicos.
  • B) Os pacientes com dermatite atópica ou com diáteses atópicas são menos suscetíveis à ação de agentes irritantes, principalmente os alcalinos, e podem desenvolver dermatite de contato por irritação, além de tolerarem mal a umidade e ambientes com temperaturas elevadas.
  • C) Constituem as dermatoses ocupacionais mais frequentes.
  • D) Os testes epicutâneos constituem ferramenta auxiliar útil para a investigação de processos irritativos.
  • E) As dermatites de contato por irritantes são sempre enquadradas como doenças relacionadas ao trabalho do grupo I de Schilling, considerando que o trabalho é causa contributiva, mas não necessária para a sua ocorrência.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. As dermatites de contato por irritantes (DCI) são, de fato, as dermatoses ocupacionais mais prevalentes. Elas não dependem de uma sensibilização prévia do sistema imunológico, ao contrário das dermatites alérgicas de contato (DAC), e resultam de danos diretos à pele por agentes químicos ou físicos.
Referência: Ministério da Saúde – Dermatoses Ocupacionais (2018); Adams RM. Occupational Skin Disease, 4th ed.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. As DCIs não requerem sensibilização prévia nem mecanismos imunológicos. Elas são reações inflamatórias não imunológicas.
  • Alternativa B: INCORRETA. Indivíduos com dermatite atópica ou diáteses atópicas são mais suscetíveis a irritantes e podem ter a função de barreira da pele comprometida.
  • Alternativa D: INCORRETA. Os testes epicutâneos (patch tests) são utilizados para diagnosticar dermatite alérgica de contato, não dermatite por irritantes.
  • Alternativa E: INCORRETA. As dermatites de contato por irritantes, quando o trabalho é causa necessária, mas não suficiente, são enquadradas no Grupo II de Schilling, e não no Grupo I.

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Agentes Clássicos: Cimento e Borracha
Condutas Essenciais
Substituição de Insumos: Utilizar cimento cromo-reduzido e luvas compatíveis com os agentes químicos presentes.
Barreiras e Proteção: Uso de EPI adequado, como luvas específicas, e cremes barreira.
Higiene e Hidratação: Higiene rigorosa pós-turno e hidratação cutânea constante.
Investigação Diagnóstica: Realizar Patch Test (com painel específico para cimento/borracha) quando há suspeita de DAC.
Armadilhas Comuns em Avaliações
  • "Cimento = sempre DAC" : A dermatite por cimento é majoritariamente irritativa. "Borracha é irritativa" : O padrão de dermatite por borracha é predominantemente alérgico.
Takeaway Essencial: Cimento → DCI (com DAC por cromo/cobalto); Borracha → DAC por tiuram/mercapto/carbamatos.

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ANAMT 2023 - Dermatoses Ocupacionais (Cimento)
As dermatoses ocupacionais referem-se a todas as alterações de pele, mucosas e anexos, direta ou indiretamente causadas, condicionadas, mantidas ou agravadas, por tudo aquilo que for utilizado na atividade profissional, ou exista no local de trabalho.
Assinale, dentre as alternativas abaixo, a opção CORRETA em relação ao quadro clínico decorrente pela exposição ao cimento:
  • A) A Dermatite Alérgica de Contato não ocorre por contaminantes do cimento.
  • B) A Dermatite alérgica não tende à cronificação com maior frequência.
  • C) A Hiperqueratose Subungueal ocorre em decorrência de retenção de pó de cimento nas unhas.
  • D) A "Sarna dos Pedreiros" não causa prurido.
  • E) O cimento, por apresentar pH baixo ao ser diluído, causa Dermatoses Irritativas.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. A hiperqueratose subungueal é uma manifestação típica pela deposição de partículas de cimento sob a unha, formando um espessamento. Essa condição é comum em trabalhadores da construção civil devido ao contato frequente com o material.
Referência: Adaptado de ANAMT 2023.
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. O cimento contém cromo (principalmente cromo hexavalente) e cobalto, que são alérgenos conhecidos e frequentemente causam dermatite alérgica de contato.
  • Alternativa B: INCORRETA. A dermatite alérgica de contato, especialmente por exposição contínua e não tratada, tende sim à cronificação e pode se tornar um problema de saúde persistente.
  • Alternativa D: INCORRETA. A "sarna dos pedreiros" é um termo popular para a dermatite de contato causada pelo cimento, e ela tipicamente causa intenso prurido (coceira), além de lesões eritematosas e descamativas.
  • Alternativa E: INCORRETA. O cimento, ao ser diluído em água, apresenta um pH alcalino (elevado), que é cáustico para a pele e causa dermatites irritativas, conhecidas como dermatite cáustica.

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Lesões e Entidades Sinalizadoras: Úlcera de Cromo, Elaioconiose e Mãos
Objetivo: Fixar achados específicos que denunciam o agente e lembrar os sítios mais acometidos, cruciais para o diagnóstico ocupacional.
Úlcera de Cromo
("Olho de Pombo")
Bordas elevadas e centro deprimido, causada por cromo. Comum em galvanoplastia e curtumes.
Elaioconioses
(Acne Ocupacional)
Obstrução pilo-sebácea, comedões e acne por óleos, graxas e ceras. Frequente em mecânicos e metalúrgicos.
Mãos: localização mais comum
As mãos são a área mais frequentemente acometida por dermatites de contato ocupacionais, devido à exposição direta e constante a agentes irritantes/alergênicos.
Condutas Essenciais
Eliminar/Encapsular Fonte:
Reduzir ou isolar a exposição ao agente.
Higiene e Hidratação:
Limpeza de pele adequada (sem excesso de sabão) e uso de emolientes após o turno.
Troca de Vestimenta:
Utilizar roupas e uniformes apropriados e promover a troca regular.
EPI Compatível:
Selecionar luvas corretas para o agente e garantir sua troca adequada.
Além disso, é fundamental registrar e mapear as tarefas-fonte no prontuário ambiental para facilitar o nexo causal e a prevenção.
Armadilhas Comuns em Avaliações
  • "Úlceras crônicas na galvanoplastia não têm agente típico" : O cromo é o agente clássico.
  • "Tratar acne ocupacional como infecção bacteriana primária" : É um quadro obstrutivo/irritativo primário, não infeccioso.
Takeaway Essencial: Reconhecer os sinais "bandeira" como úlcera de cromo e elaioconiose é vital para identificar o agente e implementar a prevenção correta, priorizando a proteção das mãos.

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ANAMT 2021 - Úlceras de Cromo
C.A.B.S., 44 anos, trabalha em indústria metalúrgica, no setor de galvanoplastia. Procurou o ambulatório queixando que há duas semanas vem apresentando ulceração no dorso da mão direita, a qual teve início em região escoriada após contato com soluções usadas no trabalho. Podemos dizer que o agente provavelmente implicado no desencadeamento do quadro é:
  • A) Cobalto.
  • B) Chumbo.
  • C) Metiletilcetona.
  • D) Manganês.
  • E) Cromo.
Gabarito Comentado
Alternativa E: CORRETA. O cromo, especialmente na galvanoplastia, é o agente clássico das chamadas “úlceras de cromo”. É classicamente associado a ulcerações cutâneas e dermatite de contato em trabalhadores expostos a sais de cromo.
Referência: Adams RM. Occupational Skin Disease, 4th ed.; Ministério da Saúde – Dermatoses Ocupacionais (2018).
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. O cobalto é mais associado a dermatite alérgica de contato, não sendo o agente típico de ulceração.
  • Alternativa B: INCORRETA. O chumbo não causa esse tipo de ulceração cutânea ocupacional.
  • Alternativa C: INCORRETA. A metiletilcetona é um solvente orgânico irritante, mas não responsável por úlceras crônicas.
  • Alternativa D: INCORRETA. O manganês está mais relacionado a efeitos neurológicos (parkinsonismo), não a ulcerações cutâneas.

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Agentes Físicos na Pele: Frio Ocupacional e Radiações Ionizantes
Nesta seção, revisaremos os efeitos cutâneos e sistêmicos essenciais do frio ocupacional e das radiações ionizantes, focando nas práticas de prevenção fundamentais para a saúde do trabalhador.
Armadilhas Comuns em Avaliações
  • "Aclimatação ao frio causa vasodilatação" : Predomina a vasoconstrição conservadora, visando reter calor.
  • "Baixas doses de radiação não contam" : Os efeitos da radiação ionizante são cumulativos, seguindo um modelo linear sem limiar de segurança.
Takeaway Essencial: A proteção contra frio ocupacional e radiações ionizantes exige uma combinação rigorosa de controles técnicos, administrativos e uso de EPIs. O risco não se limita à pele, estendendo-se a sistemas orgânicos e ao patrimônio genético.

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Doenças Metabólicas
Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM) são Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) de alta prevalência global, representando desafios significativos para a saúde pública e, consequentemente, para a saúde ocupacional. Compreender seus impactos no ambiente de trabalho e o papel estratégico do médico do trabalho é crucial para a gestão eficaz da saúde do colaborador e a promoção de um ambiente laboral seguro e produtivo.
Na população trabalhadora, a prevalência de HAS e DM contribui para a diminuição da produtividade, o aumento do absenteísmo e do presenteísmo, e o crescimento dos custos assistenciais. Fatores relacionados ao trabalho, como estresse ocupacional, jornadas prolongadas, trabalho em turnos, sedentarismo e acesso limitado a refeições saudáveis, podem influenciar o desenvolvimento e o agravamento dessas condições.
O Papel Estratégico do Médico do Trabalho
1
Detecção Precoce e Rastreamento
Implementar programas de rastreamento periódico (verificação de pressão arterial, glicemia) para identificar indivíduos em risco ou com diagnóstico inicial de HAS e DM, permitindo intervenções tempestivas.
2
Intervenção e Gestão de Casos
Atuar na orientação inicial, encaminhamento para tratamento especializado e acompanhamento da adesão terapêutica. Coordenar a comunicação com a equipe de saúde primária ou especialistas.
3
Prevenção no Local de Trabalho
Desenvolver e implementar estratégias para mitigar fatores de risco ocupacionais, como programas de gestão de estresse, incentivo à atividade física e promoção de alimentação saudável.
4
Monitoramento e Acompanhamento
Realizar o monitoramento contínuo dos colaboradores com HAS e DM, avaliando o controle das condições, a progressão de complicações e a capacidade laborativa. Isso inclui a revisão periódica de exames e laudos médicos.
5
Adaptações e Acomodações Laborais
Propor ajustes ergonômicos, flexibilização de horários, ou outras adaptações necessárias para garantir a segurança e a capacidade do trabalhador com HAS ou DM, minimizando riscos e promovendo a inclusão.
6
Programas de Promoção da Saúde
Liderar iniciativas educacionais e campanhas de conscientização sobre estilos de vida saudáveis, alimentação equilibrada, controle de peso e cessação do tabagismo, que são fundamentais na prevenção e manejo dessas DCNTs.
A gestão eficaz da HAS e do DM exige uma abordagem multidisciplinar, integrando o médico do trabalho com cardiologistas, endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. Essa colaboração garante um cuidado abrangente e holístico, otimizando a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
O médico do trabalho, com sua visão privilegiada do indivíduo e do ambiente de trabalho, está em uma posição estratégica para não apenas detectar e gerenciar essas condições, mas também para influenciar positivamente a cultura organizacional em prol da saúde preventiva.
Doenças Crônicas Não Transmissíveis - DCNT - no trabalho: o que aumenta risco?
Impacto Crítico das DCNT
São a principal causa de morte e geram custos elevados, afetando diretamente a produtividade e a sustentabilidade das empresas.
Fatores Ocupacionais
Sedentarismo, turnos prolongados com sono ruim, estresse crônico e alimentação de conveniência são agravantes diretos do risco.
Motoristas de Carga
Exposição a longos períodos sentados, pausas irregulares e sono fragmentado elevam o risco de Hipertensão Arterial Sistêmica, Diabetes Mellitus Tipo 2 e obesidade.
Sono Insuficiente
A privação de sono não causa apenas cansaço; ela acarreta sonolência diurna, erros, acidentes e piora significativa do perfil cardiometabólico.

Armadilhas de Prova:
"Sedentarismo NÃO agrava saúde do motorista" Falso.
O sedentarismo é um fator de risco comprovado.
"Sono ruim só causa cansaço" Falso.
Vai além da fadiga, impactando o risco cardiometabólico e a segurança.
Mini-Caso: Um motorista com IMC elevado, pressão arterial limítrofe e apenas 5 horas de sono por noite apresenta alto risco ocupacional para DCNT.
Takeaway Essencial: O trabalho molda o risco de DCNT — sedentarismo e sono ruim são alvos-chave para intervenções eficazes na saúde ocupacional.

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ANAMT 2024 - Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são as principais causas de morbidade e mortalidade da população, sendo reconhecidas como um importante problema de saúde pública e com risco potencial de aumento ao longo dos anos, promovendo, consequentemente, maiores custos para a saúde pública. Assinale dentre as alternativas abaixo, a INCORRETA sobre o tema.
  • A) A hipertensão arterial sistêmica é uma das mais importantes causas da mortalidade cardiovascular em adultos, com alta prevalência e incidência nessa população.
  • B) O não cumprimento das horas de sono de forma adequada pode acarretar riscos em curto prazo, como cansaço e sonolência durante o dia, irritabilidade, alterações de humor, perda da memória de fatos recentes, lentidão do raciocínio e dificuldade de concentração, tendo impacto negativo para atividades laborais como a de Motoristas de transportes de carga.
  • C) As doenças crônicas não transmissíveis são a principal causa de morte no mundo, existindo fatores de risco que contribuem para sua formação, inclusive associados à atividade laboral.
  • D) O risco coronariano é estimado a partir da relação entre alguns fatores de risco, sendo eles a idade, a hereditariedade, o peso, o tabagismo, a prática de exercícios, o sexo, os valores de colesterol e a pressão arterial sistólica.
  • E) O comportamento sedentário característico da profissão do motorista de transporte de cargas, não apresenta evidências de que pode agravar a saúde desse grupo profissional.
Gabarito Comentado
Alternativa E: INCORRETA. Há evidências robustas que relacionam o sedentarismo ocupacional à piora da saúde de motoristas profissionais. O comportamento sedentário, típico da rotina dos motoristas de transporte de carga, está associado a maior risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e obesidade, sendo um fator agravante para a saúde desses profissionais.
Referência: RevBrasMed Trab. 2022;20(2):254-261.
Análise das Demais Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA. A HAS é uma das principais causas de mortalidade cardiovascular em adultos, com alta prevalência populacional.
  • Alternativa B: CORRETA. A privação de sono compromete diretamente o desempenho cognitivo e emocional, afetando trabalhadores como motoristas.
  • Alternativa C: CORRETA. As DCNTs são responsáveis por cerca de 70% das mortes no mundo, com fatores de risco ligados ao trabalho.
  • Alternativa D: CORRETA. Esses fatores estão entre os principais componentes utilizados para estimativa do risco cardiovascular.

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Diagnóstico de HAS na prática (o que cai)
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é definida pela Pressão Arterial (PA) ≥140 e/ou ≥90 mmHg, medidas repetidas em ≥2 ocasiões diferentes. Compreender os critérios e métodos de confirmação é crucial para o manejo e para as avaliações.
Critério Fundacional de HAS
Aferição da PA ≥140 e/ou ≥90 mmHg, realizada de forma repetida em pelo menos duas ocasiões distintas, é o ponto de partida para o diagnóstico em consultório.
MAPA/HBPM: Confirmação
A Monitorização Ambulatorial da PA (MAPA 24h) e a Monitorização Residencial da PA (MRPA ou HBPM) são indicadas para confirmar o diagnóstico em casos de "hipertensão do avental branco" ou "hipertensão mascarada". Elas não substituem o critério básico de consultório.
Consideração no Idoso
No paciente idoso, devido à maior rigidez arterial, a Pressão Arterial Sistólica (PAS) ganha maior relevância no diagnóstico e classificação da HAS.
Quadro Comparativo: Critérios de Diagnóstico

Pegadinhas Comuns em Provas:
  • "Uma única leitura alta de PA basta para diagnosticar HAS" Falso. O diagnóstico exige medições repetidas.
  • "MAPA é obrigatório para todo paciente com PA elevada" Falso. É um exame complementar, não uma triagem universal.
Takeaway Essencial: O critério fundacional para o diagnóstico de HAS é a PA ≥140/90 mmHg repetida em múltiplas ocasiões. MAPA/HBPM são ferramentas de confirmação e estratificação, não de rastreio inicial. Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA)

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Metabólicas
Assunto: Hipertensão Arterial Sistêmica
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera idoso todo indivíduo com 60 anos ou mais. A prevalência de multimorbidade aumenta com a idade, de forma que mais de 2/3 dos muito idosos têm duas ou mais doenças crônicas, além de receberem esquemas terapêuticos compostos por múltiplas drogas. O cenário atual do mercado de trabalho para idosos no Brasil revela uma tendência crescente quanto à inserção dos idosos que merece atenção. É importante que o Médico do Trabalho esteja atento a este aspecto em suas atividades diárias. Em relação à Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) no idoso, assinale a alternativa INCORRETA:
A) Em face da maior variabilidade pressórica e de algumas peculiaridades, a medida da pressão arterial pode resultar em valores inexatos no idoso.
B) A Monitorização da Pressão Arterial fora do consultório, ambulatorial (MAPA) ou residencial (MRPA), não é indicada no diagnóstico da HAS no idoso.
C) Existe relação direta e linear da pressão arterial com a idade, sendo a prevalência de hipertensão arterial chegando a mais de 60% na faixa etária acima de 65 anos.
D) A estratégia terapêutica no idoso não pode ser única, porém, nenhuma intervenção terapêutica deve ser negada ou retirada apenas com base na idade.
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é LETRA B.
  • Ao contrário do que afirma a alternativa, a monitorização fora do consultórioMAPA (ambulatorial, 24h) e MRPA (residencial) — é indicada no diagnóstico e avaliação da HAS em idosos. Ela melhora a acurácia devido à maior variabilidade pressórica, identifica hipertensão do avental branco/mascarada e auxilia na orientação da conduta terapêutica.
Referências: Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (SBH/2020-2022) – capítulo “Hipertensão no Idoso”; Goldman & Ausiello. Cecil Medicina Interna.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: CORRETA. Os idosos têm maior variabilidade da pressão arterial e peculiaridades que podem tornar as medidas isoladas menos precisas, justificando o uso de MAPA/MRPA.
  • Assertiva B: INCORRETA (GABARITO). MAPA/MRPA são ferramentas importantes e indicadas para o diagnóstico e acompanhamento da HAS em idosos, auxiliando na detecção de fenômenos como a hipertensão do avental branco e mascarada.
  • Assertiva C: CORRETA. A prevalência de HAS aumenta significativamente com a idade, sendo comum encontrar mais de 60% de hipertensos acima dos 65 anos.
  • Assertiva D: CORRETA. O tratamento da HAS em idosos deve ser individualizado, e a idade por si só não deve ser um fator para negar ou suspender intervenções terapêuticas adequadas.

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ANAMT 2023 - A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um importante problema de saúde pública, por sua alta prevalência e baixas taxas de controle, o que contribui significativamente nas causas de morbidade e mortalidade cardiovascular. É um agravo muito importante em Saúde Ocupacional, e estuda-se a associação da HAS com fatores como estresse, trabalho em turnos, ruídos dentre outros. Neste contexto, assinale a alternativa CORRETA sobre o tema.
  • A) O diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica, deve ser baseado na elevação sustentada da Pressão Arterial, em duas ou mais medidas, com níveis pressóricos maiores ou iguais a 140 e/ou 90mmHg em pelo menos duas ocasiões.
  • B) O exame clínico e os exames complementares, não servem para estratificar o risco cardiovascular.
  • C) A exposição ocupacional excessiva a alguns agentes químicos, não são considerados na avaliação do Trabalhador portador de HAS.
  • D) A prevalência da HAS não sofre influência da idade do Trabalhador.
  • E) A monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA), tem como principal indicação, a identificação de hipertensão secundária por exposição a agentes químicos.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. O diagnóstico de HAS é baseado na elevação sustentada da Pressão Arterial, com níveis pressóricos ≥ 140 e/ou 90 mmHg em pelo menos duas ocasiões, conforme diretrizes clínicas aceitas internacionalmente (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2020).
Análise das Demais Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. Exames clínicos e complementares (como ECG, exames de sangue, etc.) são fundamentais para a estratificação do risco cardiovascular e detecção de lesões em órgãos-alvo.
  • Alternativa C: INCORRETA. A exposição a certos agentes químicos (chumbo, mercúrio, solventes orgânicos, etc.) e físicos (ruído, calor) no ambiente de trabalho pode influenciar a pressão arterial e deve ser considerada na avaliação do trabalhador com HAS.
  • Alternativa D: INCORRETA. A prevalência da HAS aumenta significativamente com a idade, sendo um fator de risco não modificável.
  • Alternativa E: INCORRETA. A MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) é principalmente indicada para confirmar o diagnóstico de HAS, descartar o efeito do avental branco, identificar hipertensão mascarada e avaliar o comportamento pressórico durante as atividades diárias e o sono, não tendo como principal indicação a identificação de hipertensão secundária ocupacional.

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PA “limítrofe” também importa
A "pré-hipertensão" é um sinal de alerta importante, que indica que a pressão arterial está acima dos níveis considerados ótimos, mas ainda não atinge os critérios para o diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica. Reconhecer e agir nesta fase é crucial para prevenir a progressão para HAS e reduzir significativamente o risco de eventos cardiovasculares futuros.
Definição
  • PA sistólica entre 120-139 mmHg ou
  • PA diastólica entre 80-89 mmHg
  • Esta faixa é conhecida como pré-hipertensão ou pressão arterial elevada.
  • Representa um estágio intermediário entre a pressão arterial normal e a hipertensão.
Risco Cardiovascular
  • O risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC, já é maior nesta fase.
  • Esse risco aumenta consideravelmente em comparação com indivíduos com PA <120/80 mmHg.
  • Fatores adicionais como idade avançada, diabetes mellitus e tabagismo podem intensificar ainda mais este risco.
Ação Necessária
  • Esta é a fase ideal para intervenções no estilo de vida, que podem reverter ou atrasar a progressão.
  • Inclui estratégias como controle do peso corporal e redução do consumo de sal.
  • É fundamental aumentar a atividade física regular e implementar técnicas de manejo do estresse.
  • A melhoria da qualidade do sono também desempenha um papel importante na saúde cardiovascular.
  • Exige vigilância periódica da PA para monitorar a evolução do quadro.

Armadilhas de Prova:
  • "Pré-hipertenso = risco igual ao normal" Falso. O risco já é aumentado.
Takeaway Essencial: A pré-hipertensão não é uma zona neutra de baixo risco. Agir cedo com mudanças efetivas no estilo de vida é a chave para evitar a progressão da doença e proteger a saúde cardiovascular a longo prazo.

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ANAMT 2024 - A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)
A Hipertensão Arterial (HA) é uma doença crônica não transmissível (DCNT) definida por níveis pressóricos, sendo uma condição multifatorial que depende de fatores genéticos/epigenéticos, ambientais e sociais. Dentre as alternativas abaixo sobre a Hipertensão arterial, identifique a alternativa INCORRETA
  • A) Com o envelhecimento, a Pressão Arterial Sistólica (PAS) torna-se um problema mais significante, resultante do enrijecimento progressivo e da perda de complacência das grandes artérias.
  • B) Valores de pressão arterial (PA) elevados têm sido tradicionalmente associados ao risco para cardiopatia isquêmica, acidente vascular encefálico (AVE), doença renal crônica (DRC) e mortalidade precoce.
  • C) Indivíduos com PAS entre 120 e 139 mmHg e Pressão Arterial Diastólica (PAD) entre 80 e 89 mmHg são classificados como portadores de PA normal ou pré-hipertensos, sendo que tais pessoas não apresentam risco cardiovascular mais elevado em comparação com a Pressão Arterial ótima ou normal.
  • D) A HA e suas complicações são mediadas por diversos mecanismos cujo traço comum é a disfunção endotelial, caracterizada pela baixa disponibilidade de óxido nítrico (NO) e pelo consequente desequilíbrio local entre fatores de relaxamento e constrição de arteríolas.
  • E) O Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é considerado um marcador de rigidez arterial em pacientes sem doença arterial periférica.
Gabarito Comentado
  • Alternativa C: INCORRETA. Indivíduos com PAS entre 120–139 mmHg e PAD entre 80–89 mmHg, embora considerados pré-hipertensos, JÁ apresentam risco cardiovascular aumentado em comparação àqueles com pressão ótima (<120/80 mmHg), especialmente se houver outros fatores de risco. Esta faixa de PA sinaliza a necessidade de monitoramento e, se aplicável, intervenções no estilo de vida para prevenir a progressão para HA.
Análise das Demais Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA. O envelhecimento reduz a complacência arterial, tornando a PAS um indicador mais significativo de risco cardiovascular.
  • Alternativa B: CORRETA. A HA é um fator de risco primário para diversas condições cardiovasculares e cerebrovasculares graves, incluindo IAM, AVE e DRC.
  • Alternativa D: CORRETA. A disfunção endotelial e a redução da biodisponibilidade de óxido nítrico são mecanismos centrais na patogênese da HA.
  • Alternativa E: CORRETA. O ITB é uma ferramenta útil para avaliar a rigidez arterial e o risco cardiovascular, mesmo na ausência de doença arterial periférica.

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Diabetes Mellitus, tipo 2
O rastreamento do Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) no ambiente ocupacional é essencial. Conheça os critérios chave para a detecção precoce e prevenção de complicações:
Exames de Rastreamento
Normal
Glicemia de Jejum: < 100 mg/dL
HbA1c: < 5.7%
Pré-diabetes
Glicemia de Jejum: 100-125 mg/dL
HbA1c: 5.7% - 6.4%
Diabetes
Glicemia de Jejum: ≥ 126 mg/dL
HbA1c: ≥ 6.5%
O Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) 75g também pode ser utilizado como critério diagnóstico, com valores ≥ 200 mg/dL na 2ª hora indicando diabetes.

Armadilhas de Prova:
"Só rastrear DM2 após 45 anos" Falso.
O rastreio é indicado antes dos 45 anos se houver IMC elevado e fatores de risco.
Takeaway Essencial: A idade OU a presença de fatores de risco são sinais claros para iniciar o rastreamento de DM2 na população trabalhadora.

Resultados Exames
Para uma compreensão mais aprofundada dos critérios e da importância de cada exame no rastreamento do Diabetes Mellitus Tipo 2, observe a tabela e o detalhamento a seguir:

Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) 75g
Além dos exames de rotina, o TOTG 75g é uma ferramenta diagnóstica importante, especialmente em casos onde os resultados de glicemia de jejum ou HbA1c são limítrofes ou quando há forte suspeita clínica. Valores ≥ 200 mg/dL na 2ª hora após a ingestão de glicose são diagnósticos para diabetes.

Importante Saber para Provas:
  • É um equívoco comum pensar que o rastreio de DM2 só deve começar após os 45 anos. A diretriz atual indica que o rastreamento deve ser iniciado antes dos 45 anos em indivíduos com Índice de Massa Corporal (IMC) elevado (≥ 25 kg/m² ou ≥ 23 kg/m² em asiáticos) e a presença de um ou mais fatores de risco adicionais (histórico familiar, sedentarismo, hipertensão, dislipidemia, entre outros).
Lembre-se: A idade OU a presença de fatores de risco são sinais claros para iniciar o rastreamento de DM2 na população trabalhadora, visando a detecção precoce e a prevenção de complicações.
ANAMT 2024 - Rastreamento de DM2: Critérios Práticos
A classificação do Diabetes Mellitus (DM) permite o tratamento adequado e a definição de estratégias de rastreamento de comorbidades e complicações crônicas. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomenda a classificação baseada na etiopatogenia do diabetes, que compreende o diabetes tipo 1 (DM1), o diabetes tipo 2 (DM2), o diabetes gestacional (DMG) e os outros tipos de diabetes. Identifique dentre as alternativas abaixo, a CORRETA:
  • A) Em adultos não gestantes com diagnóstico recente de DM2, sem doença cardiovascular ou renal, e sem tratamento prévio, nos quais a HbA1c esteja abaixo de 7,5%, a monoterapia com metformina não está recomendada como terapia inicial.
  • B) O tratamento farmacológico de pacientes idosos com DM, funcionalmente independentes (não frágeis), não é idêntico ao recomendado para adultos jovens, com alvos de HbA1c < 7,5%.
  • C) Segundo o PCDT (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas) de 2020, o rastreamento em indivíduos assintomáticos está indicado em todos os adultos a partir dos 45 anos ou naqueles mais jovens que apresentem sobrepeso ou obesidade (IMC ≥ 25 kg/m2) e mais um fator de risco para DM2.
  • D) A terapia dupla com Metformina associada à Insulina não deve ser considerada em adultos não gestantes com diagnóstico recente de DM2, sem doença cardiovascular ou renal, assintomáticos, onde a HbA1c é > 9,0%.
  • E) A retinopatia diabética (RD) é uma complicação microvascular comum específica do diabetes mellitus (DM), porém a sua gravidade não está ligada a um maior risco de desenvolvimento de complicações micro e macro vasculares.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. Segundo o PCDT 2020 e as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023), o rastreamento de diabetes mellitus tipo 2 é recomendado em adultos ≥ 45 anos, mesmo assintomáticos, e em indivíduos mais jovens com IMC ≥ 25 kg/m² e pelo menos mais um fator de risco (como hipertensão, dislipidemia, história familiar de DM, entre outros).
Análise das Demais Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. A metformina continua sendo a primeira escolha terapêutica em monoterapia para esses pacientes.
  • Alternativa B: INCORRETA. Os alvos glicêmicos são semelhantes para idosos não frágeis e adultos jovens.
  • Alternativa D: INCORRETA. A combinação metformina + insulina é recomendada nos casos com HbA1c > 9%.
  • Alternativa E: INCORRETA. A retinopatia é um marcador de risco aumentado para outras complicações micro e macrovasculares.

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ECG (eletrocardiograma)
  • O ECG de repouso é uma ferramenta diagnóstica importante.
  • Seu uso universal como rastreio ocupacional em trabalhadores assintomáticos:
  • Não possui evidências para prevenção.
  • Não previne eventos cardiovasculares.
  • Não previne acidentes.
Falta de Benefício Comprovado
  • Rastreio universal com ECG em assintomáticos não possui evidências sólidas.
  • Não reduz incidência de morte súbita cardíaca.
  • Não reduz acidentes de trabalho.
Avaliação Direcionada por Risco
  • Baseada em história clínica e fatores de risco cardiovasculares.
  • Considerar demandas da função.
  • ECG solicitado apenas quando clinicamente indicado.
Atividades Específicas e Protocolos
  • Para atividades com riscos cardiovasculares elevados (ex: trabalho em altura):
  • Decisão do ECG é individualizada.
  • Alinhada a protocolos locais e diretrizes de saúde ocupacional.

Armadilhas de Prova:
  • "Trabalha em altura ⇒ ECG para todos" Falso. O ECG não é recomendado universalmente para trabalhadores em altura sem indicação clínica.
Takeaway Essencial: Menos é mais — o ECG universal não previne eventos; a seleção por risco é o caminho mais eficaz e racional.

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ANAMT 2018 - ECG de Repouso no Trabalho: Por Que Não Universal?
O rastreamento das cardiopatias possibilita o diagnóstico precoce e a intervenção adequada com consequente redução do risco cardiovascular. Considerando o rastreamento por eletrocardiograma no contexto ocupacional, assinale a alternativa correta:
  • A) As evidências científicas acerca da prevalência e causa de morte súbita de origem cardiovascular em ambiente de trabalho são esparsas, em decorrência da alta incidência do evento.
  • B) Considerando frequente ocorrência do evento cardiovascular no ambiente de trabalho, é provável que este seja contribuição importante para alta prevalência de acidentes e de mortalidade envolvendo quedas em altura.
  • C) As evidências epidemiológicas demonstram fortes evidências de se encontrar benéfico, como a redução de acidentes, no rastreamento de cardiopatias com ECG de repouso de forma universal entre trabalhadores que atuam em altura.
  • D) Em atletas o uso do ECG de repouso de forma universal continua sendo controverso e ainda não há recomendação pela maioria das sociedades científicas.
  • E) A utilização do ECG de repouso como estratégia de rastreamento para prevenção de acidentes, morte súbita e síncope na prática da medicina do trabalho não é recomendada.
Gabarito Comentado: Alternativa Correta
Alternativa E: CORRETA. De acordo com as diretrizes da medicina do trabalho e evidências científicas atuais, o rastreamento universal com ECG para trabalhadores assintomáticos, mesmo em atividades de risco como altura, não se mostra eficaz na prevenção de morte súbita ou acidentes. A U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) e a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte não recomendam rastreamento com ECG em populações assintomáticas. A recomendação é individualizada, com base em história clínica e fatores de risco. Referências: USPSTF 2018, Diretrizes da AHA/ACC 2014, SBC 2016.
Análise das Demais Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Embora a prevalência de morte súbita seja um tema complexo, a alternativa não apresenta uma conclusão clara sobre a eficácia do rastreamento universal.
  • Alternativa B: INCORRETA. Esta é uma inferência sem respaldo em diretrizes baseadas em evidências sobre o rastreamento de cardiopatias no trabalho.
  • Alternativa C: INCORRETA. Não há evidências robustas que suportem o benefício do rastreamento universal com ECG de repouso na redução de acidentes em trabalhadores.
  • Alternativa D: INCORRETA. Apesar de a afirmação sobre atletas ser verdadeira, ela não responde ao comando da questão que se foca no contexto ocupacional geral e na medicina do trabalho.

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Doenças Ocupacionais do Sistema Nervoso
Nesta seção, exploraremos as condições neurológicas relacionadas ao ambiente de trabalho, compreendendo suas causas, manifestações e estratégias de prevenção. Abordaremos como exposições a agentes químicos (como solventes, pesticidas e metais pesados), fatores físicos (vibração, traumatismos cranianos) e ergonômicos podem desencadear uma gama de distúrbios, desde neuropatias periféricas e síndromes compressivas até encefalopatias tóxicas e disfunções cognitivas. Discutiremos o papel crucial do médico do trabalho na identificação dos riscos ocupacionais, no monitoramento da saúde dos trabalhadores expostos e na implementação de medidas preventivas eficazes. A ênfase será dada à importância da detecção precoce para evitar a progressão das doenças, minimizar seu impacto na capacidade laboral e garantir o bem-estar dos colaboradores.

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EEG - EletroEncefalograma e
Doenças Neurológicas Ocupacionais
O EletroEncefalograma (EEG) é uma ferramenta diagnóstica relevante na Medicina do Trabalho para a avaliação de trabalhadores com condições neurológicas. Ele auxilia o médico do trabalho a compreender o impacto dessas condições na capacidade laboral e na segurança no ambiente de trabalho. Sua correta aplicação é crucial para as avaliações de aptidão, contribuindo para garantir um ambiente de trabalho seguro para todos os colaboradores.
EEG: Quando Usar
(e Não usar)
  • Exame complementar; diagnóstico de epilepsia é fundamentalmente clínico (história + exame).
  • ⚠️ NÃO indicado para rastreamento populacional em exames periódicos/admissionais.
  • Sensibilidade limitada (falsos negativos são comuns); especificidade moderada.
  • Indicações: após primeira crise não provocada, crises recorrentes, para classificar síndrome epiléptica ou dúvidas diagnósticas.
  • Técnicas como fotoestimulação/hiperventilação podem aumentar o rendimento, mas não são triagem de rotina.
Rastreamento e Questionários
  • Questionários (ex: OMS) são úteis como ferramenta clínica, mas não para rastreio universal sistemático.
  • Na Medicina do Trabalho, priorize anamnese dirigida focada em: perda de consciência, mordedura de língua, aura, amnésia pós-ictal, e gatilhos ocupacionais.
Aptidão e Segurança (Epilepsia)
  • Avaliar: controle das crises, adesão ao tratamento, efeitos colaterais dos fármacos e riscos inerentes à tarefa (altura, condução, máquinas).
  • Gatilhos Ocupacionais: privação de sono (turnos), luz estroboscópica, calor extremo, hipoglicemia, solventes/agentes neurotóxicos.
  • Ajustes Razoáveis: adequar turnos/sono, reduzir exposição a estrobos, pausas programadas, EPI, realocação temporária em alto risco.

Mensagem-Chave:
  • NÃO use EEG como rastreio ocupacional; priorize a história clínica.
  • O EEG confirma/classifica, mas não substitui o diagnóstico clínico.
  • Mapeie e mitigue gatilhos ocupacionais (sono, luz, químicos).
  • Roteiro rápido: (1) história do evento, (2) fatores ocupacionais, (3) risco da tarefa, (4) decisão sobre EEG/neuro, (5) ajustes no posto.
ANAMT 2018 – Sobre a Diretriz Técnica do EEG:
Assinale a alternativa correta:
A) Apresenta boa eficácia devido à alta sensibilidade, ao baixo número de falsos positivos.
B) Há recomendação do EEG, com ou sem foto estimulação, para rastreamento de epilepsia na prática da Medicina do Trabalho.
C) Em relação ao questionário da OMS para rastreamento de epilepsia, determinou pela recomendação para aplicação sistemática do questionário da OMS.
D) Em relação ao processo investigativo de um episódio convulsivo, o diagnóstico da epilepsia é, fundamentalmente, baseado no exame clínico sendo o eletroencefalograma (EEG) com foto estimulação um exame complementar que auxilia tanto na confirmação diagnóstica como na classificação da doença.
Gabarito Comentado: Alternativa Correta
Alternativa D: CORRETA. O diagnóstico de epilepsia é eminentemente clínico, baseado na anamnese detalhada do episódio convulsivo. O eletroencefalograma (EEG), com ou sem foto estimulação, é um exame complementar valioso que auxilia na confirmação do diagnóstico e na classificação da síndrome epiléptica, mas não substitui a avaliação clínica.
Análise das Demais Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. O EEG possui baixa sensibilidade (não capta todos os casos de epilepsia) e pode apresentar alto número de falsos negativos, o que limita seu uso como ferramenta de rastreamento eficaz.
  • Alternativa B: INCORRETA. Não há recomendação para o uso sistemático do EEG como rastreamento de epilepsia na Medicina do Trabalho para trabalhadores assintomáticos, devido à sua baixa especificidade e alto custo-benefício.
  • Alternativa C: INCORRETA. A ANAMT reconhece a utilidade do questionário da OMS para rastreamento de epilepsia, mas não determinou sua aplicação sistemática como obrigatória, sugerindo seu uso como ferramenta auxiliar na avaliação clínica individual.
Referência: Diretriz Técnica da ANAMT sobre Epilepsia e Trabalho (2018).

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Doenças Oftalmológicas Ocupacionais
Esta seção aborda as principais patologias oculares e dos anexos do olho causadas ou agravadas pelo ambiente de trabalho. As doenças oftalmológicas ocupacionais impactam significativamente a saúde, qualidade de vida e produtividade do trabalhador, abrangendo desde irritações leves até danos visuais permanentes.
Tipos comuns incluem conjuntivites alérgicas/irritativas, ceratites por agentes químicos/físicos, catarata ocupacional por radiação (infravermelha/micro-ondas), e agravamento de glaucoma/retinopatias. Lesões traumáticas (perfurações, abrasões, queimaduras) são urgências com risco de perda visual severa. A Síndrome da Visão de Computador (CVS) ou fadiga ocular digital é crescente devido ao uso prolongado de telas.
Riscos ocupacionais são variados: agentes químicos (vapores, gases, corrosivos), físicos (radiação UV/infravermelha, partículas, calor, luminosidade, ionizante) e biológicos (microrganismos). Sintomas incluem dor, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, visão turva, fotofobia e diminuição da acuidade visual.
Trabalhadores da indústria (metalúrgica, química, construção), soldadores, agricultores, profissionais de saúde, laboratoristas e operadores visuais estão frequentemente expostos. A prevenção é essencial, com EPCs e uso obrigatório de EPIs (óculos de segurança, protetores faciais), além de treinamento e higiene ocupacional rigorosa.
O diagnóstico precoce, baseado em anamnese e exame oftalmológico completo (acuidade visual, biomicroscopia, fundoscopia, tonometria) e exames complementares, é crucial. O tratamento visa remover o agente, aliviar sintomas e prevenir sequelas, podendo incluir colírios, medicamentos ou cirurgia, com referência a um especialista. A NR-07 e o PCMSO estabelecem diretrizes para vigilância da saúde ocular, exames periódicos e complementares conforme o risco, contribuindo para a manutenção da capacidade laboral e qualidade de vida do trabalhador.

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Fundamentos Visuais no Trabalho
Compreender os conceitos de ametropias, presbiopia e astenopia é crucial para a saúde ocular no ambiente profissional, especialmente com o uso intensivo de telas.
Emetropia
Visão normal, sem erros refrativos.
Miopia
Dificuldade para enxergar objetos distantes (foco antes da retina).
Hipermetropia
Dificuldade para enxergar objetos próximos (foco atrás da retina).
Astigmatismo
Visão distorcida em qualquer distância (curvatura irregular da córnea/cristalino).
Presbiopia
Perda de capacidade de focar de perto, comum após os 40 anos.
Astenopia
Fadiga ocular por esforço visual prolongado (telas, má iluminação).
Impacto do Uso de Telas e Recomendações
O uso prolongado de telas frequentemente leva a queixas como lacrimejamento, cefaleia frontal e visão turva ao final do expediente, com melhora no descanso. É essencial:
  • Realizar ajustes ergonômicos no posto de trabalho.
  • Implementar pausas programadas (Regra 20-20-20).
  • Controlar brilho, contraste e iluminação do ambiente (evitar ofuscamento).
  • Utilizar lubrificantes oculares, se indicados.
  • Considerar correção óptica para presbiopia.
01
Pegadinhas de Prova
A Hipermetropia causa dificuldade para perto, não para longe.
A Presbiopia não causa perda de acuidade para longe inicialmente.
A Astenopia pode ocorrer mesmo com acuidade visual normal (20/20).

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ANAMT 2025
Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças do Olho e anexos
Assunto: Doenças Oculares ocupacionais por agentes nocivos
A ceratoconjuntivite (flash do soldador) ocorre devido à exposição ocular aos comprimentos de onda UV inferiores a 315nm. Leia atentamente as afirmações abaixo:
I - O uso de anestésicos locais deve ser utilizado para evitar aumento da lesão.
II – Os sintomas aparecem de 6 a 12 horas após a exposição e incluem dor severa.
III – São sintomas principais da ceratoconjuntivite, além da dor, fotofobia, sensação de areia nos olhos e lacrimejamento.
IV – O tratamento é sintomático com analgésicos sistêmicos, compressas oculares e sedação branda.
Estão CORRETAS as alternativas:
A) I, II IV.
B) II, III, IV.
C) I, II e IV.
D) III e IV.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a LETRA B.
  • Ceratoconjuntivite por UV (fotoceratite) apresenta latência típica de 6–12 h com dor intensa, fotofobia, lacrimejamento e sensação de corpo estranho; o manejo é sintomático (analgésicos sistêmicos, compressas frias/oculares, repouso visual). Anestésicos tópicos NÃO devem ser usados fora do exame, pois atrasam a cicatrização epitelial e aumentam risco de lesão corneana. Assim, I é falsa e II, III, IV são verdadeiras.
Outras Alternativas
  • Assertiva A: INCORRETA. Inclui I (falsa).
  • Assertiva B: CORRETA (GABARITO). II, III e IV são verdadeiras (latência 6–12 h; clínica típica; tratamento sintomático).
  • Assertiva C: INCORRETA. Mantém I (falsa).
  • Assertiva D: INCORRETA. Exclui II (verdadeira: latência 6–12 h e dor severa).
Referências: Ladou & Harrison. CURRENT Medicina Ocupacional e Ambiental, 5ª ed. AMGH, 2016; diretrizes oftalmológicas clássicas sobre fotoceratite (AAO/consensos).

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ANAMT 2023 - Doenças Oftalmológicas Ocupacionais e Anexos
A visão é um importante sentido na realização das atividades laborais, sendo fundamental para a produtividade e o bem estar do trabalhador. Das afirmações abaixo, qual a alternativa INCORRETA?
  • A) Astenopia refere-se a sintomas relacionados ao esforço visual.
  • B) O Emetrope é considerado a pessoa com visão normal.
  • C) São exemplos de Ametropia, o Astigmatismo e a Miopia.
  • D) A Presbiopia relaciona-se a deficiência de adaptação por parte do cristalino.
  • E) A Hipermetropia relaciona-se a dificuldade de visão para longe.
Gabarito Comentado
Alternativa E: INCORRETA. Na realidade, a hipermetropia está associada à dificuldade de visão para perto, devido ao foco da imagem se formar atrás da retina. A pessoa com hipermetropia vê bem de longe e com dificuldade de perto.
Análise das Demais Alternativas
  • Alternativa A: CORRETA. Astenopia é a fadiga ocular, geralmente causada por esforço visual prolongado, como o trabalho em computadores.
  • Alternativa B: CORRETA. O emetrope possui visão normal, sem erros de refração.
  • Alternativa C: CORRETA. Astigmatismo e Miopia são, de fato, ametropias, que são erros refrativos do olho.
  • Alternativa D: CORRETA. Presbiopia, ou "vista cansada", ocorre devido à perda progressiva da capacidade de acomodação do cristalino com o envelhecimento, dificultando a visão de perto.
Referências: Kanski J. Clinical Ophthalmology, 2021; Fundacentro – Manual de Oftalmologia Ocupacional, 2022.

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ANAMT 2023 - Doenças Oftalmológicas Ocupacionais e Anexos
M.B.Z., masculino, casado, 48 anos, executivo de empresa multinacional, com jornada diária de trabalho aproximada de 10 horas, chega ao Médico do Trabalho com queixas de lacrimejamento, cefaleia frontal e às vezes visão turva, durante o uso do computador e celular, há pelo menos seis meses. Informa ainda que seus sintomas se exacerbam em ambientes com pouca luminosidade, frios e nas situações de estresse, e que a cefaleia melhora aos finais de semana. Ao exame, IMC 29.04, pressão arterial 130X80, hiperemia de conjuntiva e fundoscopia normal. O exame de acuidade visual para longe era de 20/20, sem correção (Tabela de Snellen). Diante do quadro acima, leia as afirmativas abaixo:
  • I. A hipótese diagnóstica mais provável é a Presbiopia.
  • II. A hipótese diagnóstica mais provável é Astigmatismo.
  • III. A hipótese diagnóstica mais provável é Miopia.
  • IV. A hipótese diagnóstica mais provável é fadiga visual e presbiopia.
A) A alternativa IV.
B) As alternativas II e III.
C) Apenas a I.
D) A alternativa II.
E) Nenhuma das alternativas é correta.
Alternativa A: CORRETA. A alternativa IV é a mais adequada. O quadro descrito é típico de fadiga visual (astenopia), que se manifesta com lacrimejamento, cefaleia frontal e visão turva, piorando com o uso prolongado de telas e em ambientes desfavoráveis, e melhorando com o repouso (finais de semana). A presbiopia, considerada pela idade do paciente (48 anos), também é uma hipótese provável, pois dificulta a visão de perto e pode agravar os sintomas de fadiga visual.
  • Alternativas B e D: INCORRETAS. Astigmatismo e Miopia são ametropias que alteram a acuidade visual, o que não foi observado no exame (acuidade visual 20/20 sem correção).
  • Alternativa C: INCORRETA. Presbiopia isolada não explicaria todos os sintomas, especialmente a melhora aos finais de semana, que é característica da fadiga visual relacionada ao esforço ocupacional.
  • Alternativa E: INCORRETA. Existe uma hipótese diagnóstica compatível e abrangente (fadiga visual e presbiopia), portanto, essa alternativa não é correta.

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Doenças Oftalmológicas Ocupacionais: Agentes Físicos e Químicos
Nesta seção, focaremos em reconhecer a radiação ultravioleta na soldagem como causa principal de catarata ocupacional e em listar os agentes que podem provocar ceratoconjuntivite.
Catarata por Radiação UV (Soldagem)
  • Mecanismo: Dano direto e envelhecimento precoce do cristalino por UV, levando à opacificação.
  • Fatores de Risco: Tempo de exposição, proximidade da fonte, uso inadequado de EPI.
  • Sinais: Redução progressiva e prematura da transparência do cristalino.
  • Prevenção:
  • Filtros adequados (lentes/faceshield com selo de segurança).
  • Barreiras físicas de proteção no ambiente.
  • Treinamento dos trabalhadores.
  • Controle do tempo de exposição.
  • Manutenção regular dos equipamentos.
Ceratoconjuntivite Ocupacional
  • Agentes Típicos: Radiação UV, Ácido Sulfídrico (H₂S), Arsênio.
  • Exceção: O mercúrio metálico não é uma causa clássica de ceratoconjuntivite.
  • Clínica: Dor, hiperemia (olho vermelho), fotofobia, lacrimejamento excessivo.
  • Condutas:
  • Afastamento imediato da fonte de exposição.
  • Irrigação ocular (quando indicado).
  • Uso de lubrificantes e anti-inflamatórios (conforme avaliação médica).
  • Vigilância para evitar recidivas.
  • Reforço no uso de EPI e melhorias de engenharia.
Pegadinhas de Prova
  • Catarata UV afeta o cristalino, NÃO o nervo óptico.
  • Lembre-se que o mercúrio metálico é a exceção para ceratoconjuntivite.
Mensagem-Chave
Conecte sempre o agente à lesão-alvo e à prevenção:
  • UV (soldagem)Cristalino / CatarataFiltros, EPI
  • Irritantes (químicos) / UVCórnea/Conjuntiva / CeratoconjuntiviteAfastamento, EPI

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ANAMT 2023 - Doenças Oftalmológicas Ocupacionais e Anexos
Um trabalhador que realiza atividades de soldagem em uma fábrica de automóveis foi diagnosticado com catarata prematura. Qual alternativa das citadas abaixo apresenta a causa mais provável para o desenvolvimento desta patologia. Assinale a alternativa CORRETA.
  • A) A radiação UV causa danos diretos às lentes dos olhos, levando à opacificação gradual.
  • B) A radiação UV induz a formação de radicais livres nos tecidos oculares, causando estresse oxidativo e danos às lentes dos olhos.
  • C) A radiação UV causa o envelhecimento precoce das células das lentes oculares.
  • D) A radiação UV ativa enzimas nas lentes dos olhos que causam alterações na estrutura das proteínas, levando à opacificação das lentes.
  • E) A radiação UV afeta o funcionamento do nervo óptico, causando o distúrbio.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. A radiação ultravioleta, especialmente em trabalhadores expostos à soldagem, acelera o processo de envelhecimento do cristalino, promovendo opacificação precoce e desenvolvimento de catarata ocupacional. Este mecanismo é o mais aceito para a catarata induzida por radiação UV.
Análise das Demais Alternativas (Incorretas)
  • Alternativa A: INCORRETA. Embora a radiação UV cause danos, a descrição é genérica e não detalha o mecanismo principal de envelhecimento celular que leva à catarata.
  • Alternativa B: INCORRETA. O estresse oxidativo pode ocorrer, mas não é o mecanismo predominante e mais direto descrito na catarata ocupacional por UV, que é o envelhecimento precoce das células.
  • Alternativa D: INCORRETA. Não há evidência científica suficiente para considerar a ativação enzimática direta como o principal fator na formação da catarata por radiação UV.
  • Alternativa E: INCORRETA. A radiação UV não causa catarata afetando o nervo óptico. A catarata é uma opacificação do cristalino, uma estrutura dentro do olho.
Referências: Fundacentro – Manual de Oftalmologia Ocupacional, 2022; Harrison's Principles of Internal Medicine, 2022.

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ANAMT 2021 - Ceratoconjuntivites Ocupacionais
As ceratoconjuntivites podem decorrer de exposições ocupacionais. Constituem agentes capazes de produzir ceratoconjuntivite, EXCETO:
  • A) Mercúrio metálico
  • B) Arsênio
  • C) Ácido Sulfídrico
  • D) Radiação Ultravioleta
Gabarito Comentado: Alternativa Correta
A alternativa CORRETA é a A (Mercúrio metálico).
O mercúrio metálico não está associado à ceratoconjuntivite ocupacional. O mercúrio metálico causa neurotoxicidade e alterações renais, mas não está relacionado à ceratoconjuntivite, que é uma inflamação da córnea e conjuntiva.
Análise das Demais Alternativas (Incorretas)
  • Alternativa B: INCORRETA. O arsênio é um agente que pode causar ceratoconjuntivite e outras lesões oculares devido à sua toxicidade.
  • Alternativa C: INCORRETA. O ácido sulfídrico é um irritante ocular conhecido, capaz de provocar ceratoconjuntivite em exposições ocupacionais.
  • Alternativa D: INCORRETA. A radiação ultravioleta é classicamente associada à ceratoconjuntivite, especialmente a fotoqueratite ("cegueira do soldador"), sendo um agente comum em ambientes de soldagem ou alta exposição solar.
Referências: Fundacentro – Manual de Doenças Relacionadas ao Trabalho, 2023.

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Transtornos Mentais Ocupacionais
A saúde mental no ambiente de trabalho tem ganhado crescente reconhecimento como um componente essencial da saúde geral do trabalhador. Transtornos mentais ocupacionais representam um desafio significativo, impactando não apenas o bem-estar individual, mas também a produtividade e o clima organizacional. O médico do trabalho desempenha um papel fundamental na identificação, prevenção e manejo dessas condições, atuando na interface entre o indivíduo e as demandas laborais.
Nesta seção, abordaremos os principais transtornos mentais relevantes na medicina ocupacional:
Transtornos Mentais Comuns (TMC)
Síndrome de Burnout
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Transtornos relacionados ao uso de substâncias
Depressão e Ansiedade Ocupacional
A compreensão aprofundada desses temas é crucial para a preparação para o exame da ANAMT.

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Transtornos Mentais Ocupacionais
Compreendendo o Estresse, Ansiedade e Depressão no Ambiente de Trabalho
O Que São?
Transtornos mentais ocupacionais são condições psicológicas causadas ou agravadas pelo trabalho.
  • Incluem: depressão, ansiedade, burnout, TEPT e transtornos de adaptação
  • Representam uma das principais causas de afastamento laboral no Brasil
Principais Fatores de Risco
1
Sobrecarga de trabalho e prazos irreais
2
Falta de autonomia e controle sobre tarefas
3
Ambiente hostil e assédio moral
4
Jornadas excessivas e trabalho em turnos
5
Insegurança no emprego
6
Falta de reconhecimento profissional
Sinais de Alerta
Sintomas Físicos:
Fadiga crônica
Insônia ou sono excessivo
Dores de cabeça frequentes
Alterações no apetite
Sintomas Psicológicos:
Irritabilidade constante
Dificuldade de concentração
Sentimento de desesperança
Isolamento social
Impacto no Trabalho
↓ Produtividade e qualidade do trabalho
↑ Absenteísmo e presenteísmo
↑ Acidentes de trabalho
↑ Rotatividade de funcionários
Clima organizacional prejudicado
Prevenção e Intervenção
Avaliação de Riscos Psicossociais
Identificar fatores estressores no ambiente
Promoção de Saúde Mental
Programas de bem-estar e apoio psicológico
Gestão Adequada
Liderança empática e comunicação clara
Equilíbrio Trabalho-Vida
Respeito aos limites de jornada
Cultura Organizacional Saudável
Ambiente de respeito e valorização

⚠️ IMPORTANTE: O diagnóstico de nexo causal entre transtorno mental e trabalho exige avaliação criteriosa, considerando história ocupacional, fatores de risco psicossociais e exclusão de outras causas.
Transtornos Mentais Comuns (TMC) e Estresse Ocupacional
O objetivo é reconhecer os sintomas dos Transtornos Mentais Comuns (TMC) e os estressores ocupacionais mais frequentes que impactam a saúde mental no ambiente de trabalho.
Sintomas Comuns de TMC
Insônia persistente e dificuldades para dormir.
Fadiga crônica e sensação de esgotamento físico e mental.
Irritabilidade acentuada e alterações de humor.
Queixas somáticas diversas sem causa física aparente.
Dificuldade de concentração e falhas de memória.
Estressores Ocupacionais
Alta demanda de trabalho e prazos apertados.
Baixa autonomia e controle sobre as tarefas.
Pressão excessiva por metas e resultados.
Clima organizacional ruim ou tóxico.
Ambiente físico inadequado (ruído, iluminação).
Esses fatores podem levar a impactos significativos como presenteísmo (estar no trabalho, mas sem produtividade), absenteísmo (faltas frequentes) e uma queda geral na produtividade.
Exemplo rápido: Um operador com metas apertadas, exposto a ruído elevado e com turnos trocados pode desenvolver insônia e irritabilidade.

Takeaway: TMC é multifatorial e fortemente ligado a fatores psicossociais do trabalho, e não requer sintomas psicóticos.
Transtornos Mentais Comuns (TMC) e Estresse Ocupacional
ANAMT 2024 - Os Transtornos Mentais Comuns (TMC) são um crescente problema de saúde pública, necessitando do emprego de estratégias de enfrentamento para minimizar os efeitos deletérios do estresse ocupacional na saúde mental dos(as) trabalhadores(as). Assinale, dentre as alternativas abaixo, a CORRETA em relação ao tema:
  • A) Os estressores ocupacionais contribuem para o surgimento de TMC, e são caracterizados por um conjunto de sintomas não psicóticos, como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas.
  • B) A rotina de trabalho, as demandas, as exigências e as condições precárias do ambiente laboral, não são relacionadas aos estressores ocupacionais.
  • C) TMC são desordens psíquicas de significativa prevalência na população mundial, porém, não estão relacionados aos eventos produtores de estresse, como redução de apoio social e baixas condições de vida e de trabalho.
  • D) Atividades laborais realizadas em situação de baixo controle e alta demanda, não se relacionam ao aumento de prevalência de TMC.
  • E) Estressores ocupacionais não se relacionam à capacidade de respostas fisiológicas, psicológicas e comportamentais dos indivíduos nos ambientes laborais.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. Os Transtornos Mentais Comuns (TMC) são fortemente associados a fatores psicossociais e estressores ocupacionais, como sobrecarga de trabalho, pressão e condições ambientais inadequadas. Os sintomas como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas são clássicos nesses quadros. Fonte: Camargo, Psiquiatria Ocupacional, 2004; Rev. Bras. Med. Trab., 2022.
Outras Alternativas
  • Alternativa B: INCORRETA. As condições de trabalho, demandas e exigências são diretamente relacionadas aos estressores ocupacionais e ao surgimento de TMC.
  • Alternativa C: INCORRETA. Eventos estressores, como baixa qualidade de vida, redução de apoio social e condições precárias de trabalho, são fatores de risco conhecidos para TMC.
  • Alternativa D: INCORRETA. A literatura demonstra uma clara relação entre atividades laborais de baixo controle e alta demanda com o aumento da prevalência de TMC.
  • Alternativa E: INCORRETA. Estressores ocupacionais afetam significativamente as respostas fisiológicas, psicológicas e comportamentais dos trabalhadores no ambiente laboral.

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Modelo Demanda–Controle (Karasek) e "Latitude de Decisão"
Objetivo: Compreender o Modelo Demanda–Controle de Karasek e o conceito de "latitude de decisão" para identificar riscos psicossociais no trabalho.
Este modelo analisa a interação entre a Demanda (pressão, tempo, complexidade das tarefas) e o Controle que o trabalhador possui (autonomia, uso de habilidades) sobre seu ambiente e execução.
A combinação de baixa latitude de decisão (pouco controle) e alta demanda de trabalho é um preditor significativo de alto estresse e adoecimento mental. O apoio social no ambiente de trabalho atua como um fator modulador, atenuando esses riscos.
Exemplo: Um operador de call center com scripts rígidos (baixo controle/latitude de decisão) e metas agressivas (alta demanda) está em alto risco de desenvolver problemas de saúde mental.

Armadilha Comum: Não confunda "controle do empregador" com "latitude de decisão" do trabalhador. A latitude de decisão refere-se à autonomia e capacidade de usar habilidades para realizar as tarefas.

Takeaway: Reduzir o risco de adoecimento mental exige o ajuste das demandas, o aumento da autonomia (latitude de decisão) e a promoção do apoio social no trabalho.

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Transtornos Mentais Comuns (TMC) e Estresse Ocupacional
ANAMT 2023 - A depressão tem origem multifatorial e poligenética, altamente prevalente na população em geral e entre os trabalhadores. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a população economicamente ativa está entre as mais vulneráveis à doença.
No Ambiente Psicossocial de Trabalho, a chamada “latitude de decisão” se refere a:
  • A) As exigências do trabalho.
  • B) Aos níveis de controle do trabalhador sobre seu próprio desempenho.
  • C) Aos níveis de apoio social ao executante da tarefa.
  • D) Ao controle do empregador sobre o desempenho do trabalhador.
  • E) Nenhuma das alternativas.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA. O conceito de "latitude de decisão" é central no modelo de Karasek (Job Demand-Control Model), que avalia a relação entre demandas do trabalho e o grau de autonomia do trabalhador. Quanto maior o controle/autonomia, menor o risco de adoecimento mental, incluindo depressão.
Referências: Karasek & Theorell, 1990; Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Outras Alternativas
  • Alternativa A: INCORRETA. Refere-se às demandas do trabalho, não à latitude de decisão.
  • Alternativa C: INCORRETA. Trata do apoio social, que é outro eixo do modelo de Karasek.
  • Alternativa D: INCORRETA. Descreve o controle externo (do empregador), não o do trabalhador sobre sua própria atividade.
  • Alternativa E: INCORRETA. Há alternativa correta (B).

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OMS 2022: Pilares de um Programa de Saúde Mental no Trabalho
Objetivo: Compreender os componentes essenciais para um programa de saúde mental eficaz no ambiente de trabalho, conforme as diretrizes da OMS 2022.
Estrutura e Capacitação
Formar um Comitê de Saúde Mental
Assegurar um orçamento dedicado
Capacitar gestores e equipes com treinamentos específicos
Intervenções Psicossociais
Implementar ações para gestão do estressePromover o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento
  • Garantir acesso a cuidados profissionais
Política e Monitoramento
Construir uma política interna participativa
Monitorar continuamente os indicadores de saúde mental para ajustes e melhorias

O que NÃO é obrigatório: Contratar consultoria externa por padrão. Foco deve ser na construção de capacidade interna.

Armadilha Comum: Focar apenas em intervenções individuais, negligenciando as mudanças organizacionais necessárias no ambiente de trabalho.

Takeaway: O sucesso de um programa depende da combinação de estruturas internas sólidas e ações baseadas em evidências, com monitoramento contínuo.

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Transtornos Mentais Comuns (TMC) e Estresse Ocupacional
ANAMT 2023 - Os Transtornos Mentais relacionados ao trabalho são uma das causas mais prevalentes de afastamento laboral, com perspectiva de crescimento. A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou em 2022 um guia de orientação em relação ao tema. Nesse guia, a implementação de ações que promovam a saúde mental no ambiente de trabalho deve levar em consideração a criação de um ambiente de mudanças. Neste ambiente, são orientadas as seguintes ações, EXCETO:
  • A) Criação de um Comitê de Saúde Mental no trabalho.
  • B) Incluir no planejamento financeiro, orçamento suficiente para ações de melhoria em saúde mental.
  • C) Contratação de Consultoria para avaliar os riscos à saúde mental no ambiente de trabalho, definindo assim, a Política a ser implantada na Empresa.
  • D) Oferecer treinamento aos trabalhadores, para melhorar o conhecimento de saúde mental.
  • E) Proporcionar intervenções individuais, com a finalidade de capacitar o trabalhador no gerenciamento do estresse, incluindo intervenções psicossociais.
Gabarito Comentado
Alternativa C: INCORRETA.
O Guia da OMS de 2022 não orienta diretamente a contratação de consultorias externas como medida essencial para promoção da saúde mental. O foco está na integração da saúde mental à gestão organizacional com ações internas baseadas em evidências, onde a política deve ser construída com envolvimento direto da empresa.
Alternativas A, B, D e E: CORRETAS.
A criação de comitês internos, a alocação de orçamento, o treinamento e as intervenções individuais e psicossociais são recomendações explícitas do guia da OMS de 2022 para a promoção da saúde mental no trabalho.
Referência: Organização Mundial da Saúde. Diretrizes sobre saúde mental no trabalho, 2022.

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Trabalho em Turnos: Aspectos Legais e Riscos à Saúde
É fundamental compreender a complexa integração das diretrizes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) com as crescentes evidências científicas que demonstram os riscos inerentes ao trabalho em turnos e, especialmente, ao trabalho noturno contínuo.
1
Base Legal: CLT e a Proteção ao Trabalhador
Hora noturna reduzida: A duração da hora noturna é estabelecida em 52 minutos e 30 segundos, uma medida legal que reconhece o maior desgaste físico e mental imposto ao trabalhador durante o período noturno.
Adicional noturno: A legislação brasileira determina um adicional mínimo de 20% sobre o valor da hora diurna, servindo como compensação pelos impactos adversos à saúde e à vida social decorrentes do trabalho noturno.
2
Riscos à Saúde do Trabalhador: Impactos Comprovados
Físicos: A desregulação do relógio biológico pode levar a um aumento significativo da incidência de doenças cardiovasculares, metabólicas (como diabetes e obesidade) e gastrointestinais, devido à alteração dos padrões alimentares e hormonais.
Mentais: A interrupção constante do ciclo circadiano contribui para distúrbios do sono crônicos, aumento da ansiedade e maior prevalência de quadros depressivos, afetando a qualidade de vida e a produtividade.
IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer): O trabalho em turnos que acarreta a ruptura dos ritmos circadianos é classificado como provavelmente carcinogênico (Grupo 2A) para humanos, destacando a seriedade dos riscos a longo prazo associados a essa modalidade de trabalho.
A rotação de turnos que segue o sentido horário (manhã → tarde → noite) é cientificamente considerada a mais compatível com a cronobiologia humana. Essa progressão minimiza os desajustes internos e facilita a adaptação do organismo, contribuindo para uma melhor manutenção da saúde dos trabalhadores.

Armadilha Comum: É um equívoco pensar que o turno noturno fixo elimina todos os riscos à saúde. Mesmo na ausência de rotação, o trabalho noturno altera profundamente o ritmo circadiano do trabalhador, mantendo riscos significativos associados à privação de sono e à dessincronização biológica.

Cheque-se: Você realmente compreende a complexidade da lógica circadiana e a importância crítica da rotação progressiva de turnos para a proteção da saúde e bem-estar dos trabalhadores em ambientes de turnos?

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Trabalho em Turnos e Seus Impactos
ANAMT 2024 - O trabalho em turnos é amplamente utilizado por inúmeras empresas no Brasil e exterior. No Brasil, estima-se que ao redor de 15% da força de trabalho trabalhe em horários não diurnos. Leia atentamente as afirmações abaixo.
I. No Brasil, o trabalhador noturno tem hora de trabalho reduzida igual a 52 minutos e 30 segundos, sendo a remuneração 20% em relação à hora diurna.
II. Existem aspectos do trabalho em turnos que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
III. A IARC avaliou dados epidemiológicos, tendo concluído que o trabalho em turnos que envolve alterações circadianas é provavelmente carcinogênico a seres humanos.
IV. Quando implementamos esquemas de turnos compatíveis, devemos cuidar para que sejam na direção dos ponteiros do relógio (os turnos da manhã seguem-se os da tarde e os da noite).
Assinale a alternativa correta:
  • A) I, II, III.
  • B) I, III, III.
  • C) II, III, IV.
  • D) II e IV.
  • E) Todas as afirmativas estão corretas.
Gabarito Comentado
Alternativa E: CORRETA. Todas as afirmativas estão corretas.
  • Afirmativa I: Baseada na CLT (Art. 73, §1º e §2º), que define a hora noturna reduzida (52'30") e o adicional de 20%.
  • Afirmativa II: Há ampla literatura, incluindo Mendes (2013), que associa o trabalho em turnos a riscos cardiovasculares.
  • Afirmativa III: Conforme classificação da IARC (Grupo 2A), o trabalho em turnos com alterações circadianas é provavelmente carcinogênico.
  • Afirmativa IV: Segue diretrizes de cronobiologia, sugerindo rotações progressivas (manhã → tarde → noite) como menos prejudiciais.
  • Alternativa A: INCORRETA. Omite a afirmativa IV, que é correta.
  • Alternativa B: INCORRETA. Há uma repetição de "III" no lugar da IV.
  • Alternativa C: INCORRETA. Omite a afirmativa I, que é correta.
  • Alternativa D: INCORRETA. Contempla apenas II e IV, omitindo I e III, que também são corretas.

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Trabalho em Turnos: Sono e Pausas Essenciais
Para mitigar os riscos associados ao trabalho em turnos e noturno, a implementação de pausas estratégicas e a atenção à ergonomia do ambiente são cruciais para a saúde e segurança do trabalhador.
1
Pausas Estratégicas
Pausas curtas (aprox. 30 minutos) e frequentes são mais eficazes na redução da fadiga e erros.
Otimizam a recuperação e a manutenção do alerta.
2
Ergonomia Ambiental
Integre fatores como iluminação adequada e controle de ruído.
Garanta temperatura confortável.
Utilize postos de trabalho que permitam a alternância de posições.
3
Exemplo Prático
Em linhas de produção noturnas, combine micro-pausas programadas.
Considere a possibilidade de um cochilo curto e supervisionado.
Essa abordagem pode aumentar significativamente a segurança e a produtividade.

Armadilha Comum: Proibir o cochilo noturno sob o pretexto de "manter o alerta" pode ter o efeito oposto, aumentando a sonolência e o risco de acidentes.

Cheque-se: Sua escala de trabalho em turnos inclui pausas curtas e regulares? Elas são culturalmente incentivadas na sua organização?
Takeaway: A microgestão da fadiga envolve uma abordagem multifacetada: pausas curtas estrategicamente distribuídas, higiene do sono rigorosa e a ergonomia do posto de trabalho.

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Trabalho em Turnos: Sono e Pausas Essenciais
ANAMT 2023 - Os transtornos associados ao sono, como os distúrbios respiratórios e a insônia, repercutem na saúde e bem-estar dos trabalhadores. O Médico do Trabalho precisa estar atento às questões do trabalho em turnos e noturnos, que afetam a capacidade produtiva pela inversão do ritmo circadiano.
Dentre as ações que podem ser recomendadas pelo Médico do Trabalho para diminuir riscos associados ao trabalho noturno, estão as pausas. Assinale a alternativa correta em relação a este aspecto da organização do trabalho:
  • A) Pausas longas são mais efetivas.
  • B) Pausas menos frequentes e mais longas são mais eficientes.
  • C) Pausas curtas, em torno de 30 minutos, são suficientes para a diminuição do risco.
  • D) As pausas não são recomendadas no trabalho noturno.
  • E) As pausas só são necessárias quando há sequência de turnos de trabalho.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. A literatura de ergonomia e medicina do trabalho recomenda pausas curtas e regulares, em torno de 30 minutos, para trabalhadores em turnos e noturnos. Essas pausas são medidas eficazes para reduzir a fadiga, melhorar a atenção e diminuir os riscos de erros e acidentes. Estudos indicam que pausas frequentes e curtas são mais eficazes do que pausas longas ou ausentes (Costa, 2016; IARC, 2019; NIOSH, 2020).
  • Alternativa A: INCORRETA. Pausas longas podem intensificar a sonolência excessiva ao invés de reduzir a fadiga durante o turno.
  • Alternativa B: INCORRETA. Pausas menos frequentes e mais longas são insuficientes para mitigar o risco e podem impactar negativamente o ritmo produtivo.
  • Alternativa D: INCORRETA. Pausas são cruciais e fortemente recomendadas como medida de higiene ocupacional para prevenir fadiga e acidentes no trabalho noturno.
  • Alternativa E: INCORRETA. A necessidade de pausas se estende a todos os regimes de turnos, não se limitando apenas às sequências de trabalho.

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Depressão: Origem Multifatorial e Poligenética
A depressão é uma condição complexa, fundamentalmente distinta do luto ou ansiedade transitória, caracterizada por uma intrincada teia de fatores que contribuem para o seu desenvolvimento e manifestação.
Multifatorial e Poligenética
  • Não é causada por uma única razão.
  • Interage complexamente com influências genéticas, ambientais e experiências de vida.
Sintomas Nucleares
  • Humor deprimido persistente.
  • Anedonia (perda de prazer ou interesse em atividades).
  • Essenciais para o diagnóstico clínico.
Outros Sintomas Chave
  • Sentimentos de culpa.
  • Baixa autoestima.
  • Alterações cognitivas e psicomotoras.
  • Manifestações comuns da depressão.
Fatores Contribuintes
Biológicos
  • Disregulação de neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, dopamina).
  • Alterações em circuitos cerebrais.
  • Predisposição genética.
Psicológicos
  • Padrões de pensamento negativos.
  • Histórico de traumas.
  • Baixa resiliência.
  • Estilos de enfrentamento disfuncionais.
Psicossociais do Trabalho
  • Alta demanda.
  • Baixo controle sobre as tarefas.
  • Falta de apoio social.
  • Estresse crônico no ambiente de trabalho.

Armadilha Comum: Utilizar “acidentes recorrentes” como critério diagnóstico para depressão é inadequado, pois não é um sintoma primário ou exclusivo da condição.

Cheque-se: O caso em análise apresenta anedonia e humor deprimido persistentes como elementos centrais da queixa do trabalhador?
Takeaway: O diagnóstico da depressão é clínico, e o ambiente de trabalho pode atuar tanto como fator determinante quanto agravante da condição.

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Depressão: Origem Multifatorial e Poligenética
ANAMT 2023 - A Depressão é uma doença mental que gera alterações no humor, voltadas aos sentimentos de tristeza. Pode também apresentar mudança nos pensamentos e tornar o ritmo do corpo mais lento. Em relação à origem da Depressão, leia as afirmativas abaixo atentamente:
I. É multifatorial e poligenética.
II. Consiste em uma combinação de fatores genéticos (vários genes estão envolvidos).
III. Devem ser considerados os fatores fisiológicos, neurobiológicos, psicológicos, profissionais, familiares e sociais.
IV. Não existem fatores genéticos envolvidos nos casos de depressão.
Estão CORRETAS:
  • A) I, II e III.
  • B) I e IV.
  • C) II, III e IV.
  • D) Todas estão corretas.
  • E) Apenas a IV está correta.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA. A depressão é reconhecida como uma condição multifatorial e poligenética, influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais. A afirmativa IV está incorreta, pois há robusta evidência científica sobre a contribuição genética na suscetibilidade à depressão.
Referência: DSM-5-TR, 2022; Organização Mundial da Saúde – Diretrizes sobre Saúde Mental.
  • Alternativa B: INCORRETA. A afirmativa IV é incorreta.
  • Alternativa C: INCORRETA. Inclui a afirmativa IV, que está errada.
  • Alternativa D: INCORRETA. A afirmativa IV invalida a alternativa.
  • Alternativa E: INCORRETA. A afirmativa IV é incorreta segundo a literatura científica atual.

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TEPT Ocupacional: Reconhecimento Rápido
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) no ambiente de trabalho exige um reconhecimento ágil e diferenciado de outras condições como pânico e depressão. Compreender seus pilares é crucial para um diagnóstico e intervenção eficazes.
Exposição Traumática
Reação direta ou testemunho de morte real ou ameaça, lesão grave ou violência sexual no ambiente profissional.
Pode ser um evento único ou repetitivo.
Revivescência Involuntária
Experiências intrusivas e perturbadoras, como flashbacks, pesadelos recorrentes.
Reações fisiológicas intensas a lembretes do trauma, como se o evento estivesse acontecendo novamente.
Evitação e Entorpecimento
Esforços para evitar pensamentos, sentimentos ou situações associadas ao trauma.
Pode incluir embotamento emocional, perda de interesse em atividades e sensação de desapego.
Alterações de Reatividade
Hiperexcitabilidade persistente, caracterizada por insônia, irritabilidade, explosões de raiva.
Dificuldade de concentração, hipervigilância e reações de sobressalto exageradas.
Exemplos Ocupacionais Comuns
Assaltos repetidos vivenciados por motoristas de transporte público, cobradores e trabalhadores de entregas.
Exposição contínua à violência em ambientes de saúde, segurança ou assistência social.
Incidentes críticos ou acidentes graves no local de trabalho com risco de vida para si ou para colegas.

Armadilha Comum: Rotular os sintomas como “ansiedade genérica” ou "apenas estresse" sem investigar a possível existência de um evento traumático específico ou repetitivo. Isso impede o diagnóstico e o tratamento adequados do TEPT.

Cheque-se: Há um nexo temporal claro entre a exposição a um evento traumático e o início dos sintomas de revivescência, evitação e hiperexcitabilidade?
Takeaway: O TEPT exige acolhimento sensível, encaminhamento adequado para tratamento especializado e, quando necessário, ajustes laborais para promover a recuperação e reintegrar o trabalhador de forma segura.

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TEPT e o Ambiente de Trabalho: O Caso da Cobradora de Ônibus
ANAMT 2022 - L.M., sexo feminino, 35 anos de idade, casada, 3 filhos, profissão cobradora de ônibus. Refere ter sido assaltada mais de 20 vezes nos últimos três meses. Ameaçada frequentemente por marginais. Relata longa jornada de trabalho, devido a horas extras. Marido desempregado. Ultimamente, há dois meses, passou a sentir medo, recorda os episódios em que foi assaltada persistentemente, sonha que está no trabalho sendo assaltada. Atualmente com receio de retornar ao trabalho. Queixa ainda: insônia, irritabilidade e falta de atenção. O diagnóstico é:
  • A) Transtorno afetivo bipolar
  • B) Esquizofrenia
  • C) Transtorno de estresse pós-traumático
  • D) Psicose reativa
  • E) Burnout
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. O quadro clínico apresentado (revivescência do trauma, pesadelos, medo persistente, insônia, irritabilidade e evitação) corresponde ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), conforme critérios do DSM-5 e CID-10.
Referências: DSM-5-TR (APA, 2022); CID-10/11 (OMS).
  • Alternativa A: INCORRETA. Transtorno afetivo bipolar se caracteriza por episódios de mania/hipomania e depressão, não compatíveis com o quadro descrito.
  • Alternativa B: INCORRETA. Esquizofrenia envolve sintomas psicóticos (delírios, alucinações), não evidenciados no caso.
  • Alternativa D: INCORRETA. Psicose reativa envolve sintomas psicóticos agudos, não relatados na questão.
  • Alternativa E: INCORRETA. Burnout relaciona-se a estresse crônico ocupacional, sem associação direta com traumas violentos como assaltos.

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Estresse → Burnout: Síndrome Geral de Adaptação
O burnout não surge do nada. Ele é o estágio final de um processo prolongado de estresse crônico, conforme descrito na Síndrome Geral de Adaptação (SGA) de Selye.
1
Fase de Alarme
Reação inicial do corpo ao estressor.
Ativação do sistema nervoso simpático.
Liberação de hormônios do estresse (e.g., adrenalina, cortisol).
2
Fase de Resistência
O corpo tenta se adaptar e lidar com o estressor.
Mobilização contínua de energia.
Ajustes fisiológicos com custo crescente.
3
Fase de Exaustão
Esgotamento dos recursos adaptativos.
Falha dos mecanismos de adaptação.
Colapso físico e mental.
Burnout: O Desfecho Crônico
É neste estágio de exaustão que o burnout se manifesta, caracterizado por uma tríade de sintomas:
Exaustão Emocional
Sentimento de esgotamento.
Falta de energia para o trabalho.
Cinismo
Despersonalização
Atitude distante ou indiferente.
Visão negativa em relação ao trabalho e pessoas.
Baixa Realização Pessoal
Sensação de ineficácia.
Falta de conquistas significativas no trabalho.

Armadilha Comum: Considerar "nervosismo" como uma fase do estresse ou usar o burnout como um diagnóstico psiquiátrico (no CID-11, é uma condição ocupacional, não um transtorno mental).

Cheque-se: Os sintomas de exaustão e desengajamento são crônicos e predominantemente relacionados ao ambiente de trabalho?
Takeaway: Prevenir o burnout requer não apenas intervenções individuais, mas, crucialmente, a redução de estressores organizacionais e o fortalecimento do suporte no ambiente de trabalho.

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Burnout e Estágios do Estresse
ANAMT 2023 - O burnout está associado ao estresse como um processo adaptativo. Com relação ao estágio do estresse em que ocorre hipoglicemia e hemoconcentração para fornecer energia ao organismo, assinale a alternativa CORRETA.
  • A) Reação de alarme.
  • B) Esgotamento.
  • C) Resistência.
  • D) Colapso.
  • E) Nervosismo.
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA. O estágio da resistência é caracterizado por ajustes metabólicos para enfrentar o estresse, incluindo mobilização de energia (hipoglicemia compensatória e hemoconcentração). O organismo busca manter a homeostase frente ao estressor, diferentemente da reação de alarme (fase inicial) e da exaustão/colapso (fase final). Essa é a fase em que os mecanismos fisiológicos tentam sustentar o enfrentamento prolongado.
Referências: Selye, H. (1956). The Stress of Life; Lippel (2010). Estresse e Trabalho; NIOSH (2020).
  • Alternativa A: INCORRETA. A reação de alarme é a fase inicial, caracterizada pela ativação aguda do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e resposta autonômica, não por hipoglicemia.
  • Alternativa B: INCORRETA. Esgotamento corresponde ao estágio final, quando os mecanismos adaptativos falham, levando ao colapso orgânico.
  • Alternativa D: INCORRETA. Colapso é consequência do esgotamento prolongado, não corresponde à fase descrita no enunciado.
  • Alternativa E: INCORRETA. Nervosismo não é uma fase reconhecida no modelo de estresse de Selye.

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Rastreamento de Problemas com Álcool no Trabalho: Abordagem Prática e Ética
O objetivo é aplicar ferramentas validadas para uma triagem eficaz e respeitosa.
Ferramentas Validadas
Utilize questionários como CAGE e AUDIT para rastreamento precoce.
Estas ferramentas são custo-efetivas e éticas.
Intervenção e Encaminhamento
Permitem intervenções breves.
Facilitam o encaminhamento adequado para tratamento especializado, quando necessário.
Confidencialidade e Abordagem
Garanta um fluxo de confidencialidade claro.
Adote uma abordagem empática e breve.

Armadilha Comum: Evite o uso rotineiro de bafômetros ou exames laboratoriais (como GGT). Eles detectam apenas uso recente e possuem baixa especificidade para triagem precoce de problemas com álcool, não sendo substitutos para questionários validados.
Takeaway: A aplicação de questionários validados é a abordagem mais ética e custo-efetiva para o rastreamento de problemas com álcool no ambiente de trabalho.

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Rastreamento de Problemas com Álcool no Trabalho
ANAMT 2021 - Qual o procedimento baseado em evidências científicas presta-se a rastrear precocemente problemas de trabalhadores com a ingestão de bebidas alcoólicas:
A) Uso consentido de “bafômetro” durante a jornada de trabalho.
B) Dosagem de álcool etílico na urina antes da jornada de trabalho.
C) Pesquisa de Granulações tóxicas em neutrófilos.
D) Aplicação de questionários validados internacionalmente (por exemplo, CAGE).
E) Dosagem de fosfatase alcalina e Gama Glutamil-Transferase (GGT) no sangue.
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. A aplicação de questionários validados como o CAGE, AUDIT e outros é a ferramenta de triagem mais recomendada pelas diretrizes de saúde ocupacional e medicina preventiva. São métodos não invasivos, fáceis de aplicar, com boa sensibilidade e especificidade para detectar uso abusivo de álcool.
Referências: OMS – Guia de Intervenções Breves, Ministério da Saúde – Protocolo de Saúde do Trabalhador, 2018.
  • Alternativa A: INCORRETA. O uso de bafômetro pode identificar ingestão recente de álcool, mas não é ferramenta de rastreamento precoce, e pode ferir aspectos legais e éticos.
  • Alternativa B: INCORRETA. A dosagem na urina também avalia ingestão recente, mas não rastreia o padrão de uso problemático.
  • Alternativa C: INCORRETA. Granulações tóxicas em neutrófilos são achados inespecíficos em processos infecciosos e não têm relação com rastreio de alcoolismo.
  • Alternativa E: INCORRETA. As dosagens de GGT e outras enzimas hepáticas são pouco específicas, e não devem ser usadas isoladamente para rastreamento precoce de alcoolismo.

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Retorno ao Trabalho Pós-Incapacidade
O principal objetivo da gestão de casos no contexto de retorno ao trabalho é conduzir um processo de readaptação seguro, gradual e legalmente adequado para o trabalhador que passou por um período de incapacidade. Isso garante não apenas o cumprimento das normativas vigentes, mas, acima de tudo, o bem-estar físico e mental do colaborador, promovendo sua plena recuperação e produtividade.
Reintegração Pós-Incapacidade
Após um período de incapacidade parcial ou total, a reinserção do trabalhador deve ser cuidadosamente planejada. É crucial que a função designada seja compatível com suas capacidades atuais e limitações, e que haja um acompanhamento contínuo por parte da equipe de saúde ocupacional. Este monitoramento é essencial para observar a evolução dos sintomas, prevenir recaídas e ajustar as cargas e tipos de trabalho conforme a necessidade individual, assegurando uma transição suave e eficaz.
Princípios Fundamentais
Os pilares que sustentam um retorno bem-sucedido incluem a reabilitação funcional, a readaptação profissional, a proteção integral ao trabalhador contra novos riscos e a garantia da continuidade do cuidado em saúde. Esses princípios são intrínsecos ao processo de gestão de casos, assegurando que o colaborador receba o suporte necessário em todas as etapas, desde a avaliação inicial até a plena reintegração em suas atividades e no ambiente de trabalho.

Armadilhas Comuns: Um erro frequente é limitar a abordagem apenas à Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) ou terceirizar integralmente a decisão de retorno sem um plano de readaptação estruturado e personalizado. Essa falta de planejamento detalhado pode resultar em retornos prematuros, funções inadequadas e, consequentemente, em novos afastamentos ou agravamento da condição de saúde do trabalhador.

Cheque-se: É fundamental verificar se existe um ajuste real e efetivo das tarefas e/ou horários do trabalhador, considerando suas condições de saúde. Além disso, é imprescindível estabelecer um plano de follow-up bem definido para monitorar continuamente a evolução do colaborador, seu bem-estar geral e a eficácia das adaptações implementadas no ambiente de trabalho, garantindo um suporte contínuo.
Takeaway: Um retorno ao trabalho é considerado verdadeiramente bem-sucedido quando combina de forma harmônica a atribuição de um trabalho compatível com as limitações e capacidades do indivíduo, aliado a um monitoramento ativo e contínuo de sua saúde e adaptação. O foco deve estar sempre na preservação e promoção da saúde integral do colaborador, garantindo sua segurança e um engajamento sustentável no ambiente profissional.

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Gestão de Saúde Mental no Trabalho: Reintegração Pós-Incapacidade
ANAMT 2023 - Na implantação de um programa de gestão da saúde mental no trabalho é necessário identificar os fatores psicossociais primários, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que podem ser desencadeantes de estresse no ambiente de trabalho.
No gerenciamento dos casos de Transtorno Mental Relacionado ao Trabalho, qual seria a etapa seguinte à confirmação de incapacidade parcial?
A) Apenas emissão de CAT.
B) Afastamento do trabalhador.
C) Comunicação à alta gestão para uma decisão sobre o caso.
D) Reinserção em atividade compatível e acompanhamento do Trabalhador.
E) Nenhuma das alternativas.
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA. Após a confirmação de incapacidade parcial, a conduta adequada no âmbito da saúde ocupacional é a reinserção em atividade compatível com as limitações do trabalhador, acompanhada de monitoramento contínuo.
Essa prática atende aos princípios de reabilitação, readaptação e promoção da saúde, previstos na legislação previdenciária (Decreto 3.048/1999; Lei 8.213/1991) e nas diretrizes da medicina do trabalho (ANAMT Diretrizes 2023).
  • Alternativa A: INCORRETA. A emissão de CAT é etapa inicial e não responde à necessidade de reinserção após incapacidade parcial.
  • Alternativa B: INCORRETA. O afastamento pode ocorrer em fases anteriores, mas diante de incapacidade parcial confirmada, a prioridade é a readaptação, não o afastamento prolongado.
  • Alternativa C: INCORRETA. A comunicação à gestão pode ser necessária para ajustes organizacionais, mas não substitui a reinserção prática e o acompanhamento direto do trabalhador.
  • Alternativa E: INCORRETA. Existe uma alternativa correta descrita no enunciado.

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Neoplasias Ocupacionais
Compreendendo riscos e prevenção no trabalho: um pilar da saúde ocupacional.
Neoplasias ocupacionais são doenças laborais com impacto na saúde pública e qualidade de vida. Muitos casos de câncer são ligados a exposições no trabalho, mas frequentemente subnotificados devido à complexidade etiológica e ao longo período de latência.
Agentes carcinogênicos no trabalho (amianto, benzeno, cromo, sílica, radiação ionizante, produtos de combustão) danificam o DNA, induzem inflamação, desregulam o ciclo celular e suprimem a imunidade, levando a tumores malignos.
A prevenção, estratégia mais eficaz, aborda múltiplos níveis:
  • Primária: Eliminação ou controle rigoroso da exposição aos agentes (substituição de substâncias, engenharia de controle, EPIs).
  • Secundária: Detecção precoce via vigilância da saúde (exames periódicos, biomarcadores), especialmente para trabalhadores de alto risco.
  • Terciária: Reabilitação e gestão clínica para minimizar consequências e melhorar a qualidade de vida.
O médico do trabalho é central na identificação de riscos, elaboração de programas de vigilância, diagnóstico e notificação. Orienta empresas sobre prevenção e acompanha a reintegração de trabalhadores afetados. Setores de alto risco incluem construção civil, mineração, indústrias químicas, saúde e manufatura.
O período de latência é crucial: tempo entre a primeira exposição a um carcinogênico e o aparecimento da neoplasia, variando de anos a décadas. Isso dificulta a associação direta e exige histórico ocupacional detalhado.
No Brasil, a NR-15 estabelece limites de tolerância para agentes químicos, físicos e biológicos. A Lista B de Doenças Relacionadas ao Trabalho (Portaria GM/MS nº 1.999/2023) referencia o reconhecimento e notificação, garantindo direitos. A gestão eficaz exige uma abordagem multidisciplinar com médicos do trabalho, higienistas, toxicologistas, oncologistas, psicólogos, assistentes sociais e equipes jurídicas para suporte integral.

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Fundamentos de Câncer Relacionado ao Trabalho (CRT)
Objetivo: diferenciar CRT de outras doenças ocupacionais e fixar conceitos de latência, histologia e mensuração (incidência vs. prevalência).
Pontos-chave:
Definição de CRT:
Câncer cuja frequência, surgimento ou gravidade são modificados por exposições no ambiente de trabalho.
Latência Longa:
Caracterizado por longo período de latência (décadas), exigindo uma investigação minuciosa da história ocupacional remota.
Morfologia e Histologia:
Apresenta morfologia e histologia idênticas aos cânceres não ocupacionais; o diferencial está na etiologia.
Incidência vs. Prevalência:
Uso da incidência para avaliar o risco de novos casos e da prevalência para a carga total da doença na população, crucial para doenças crônicas como o CRT.
A seguir, a hierarquia de controle, essencial na prevenção do CRT:
1
2
3
4
1
EPI
Equipamentos de Proteção Individual (medida complementar)
2
Controles Administrativos
Treinamento, procedimentos, rodízio de tarefas
3
Controles de Engenharia
Ventilação, isolamento de processos, automação
4
Eliminação/Substituição
Remover ou trocar o agente cancerígeno (prioridade)
Takeaway: O CRT exige a investigação do nexo causal, uma história ocupacional detalhada devido à longa latência, e a priorização do controle na fonte para prevenção eficaz.

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Neoplasias Ocupacionais
ANAMT 2015 - Os cânceres relacionados ao trabalho diferem de outras doenças ocupacionais, entre outros, pelos seguintes aspectos:
  • I. Os limites de tolerância preconizados pela legislação brasileira para diversas substâncias carcinogênicas garantem os níveis seguros de exposição.
  • II. Os cânceres, em geral, desenvolvem-se muitos anos após o início da exposição, mesmo após a cessação da exposição.
  • III. Os cânceres ocupacionais não diferem em suas características morfológicas e histológicas dos demais tipos de cânceres.
Qual alternativa está correta?
A) I e II estão corretas.
B) II e III estão corretas.
C) I e III estão corretas.
D) Apenas a I está correta.
Gabarito Comentado
Alternativa B: CORRETA.
A afirmação II está correta devido ao longo período de latência entre a exposição e o desenvolvimento do câncer ocupacional. A afirmação III também está correta, pois a diferença entre cânceres ocupacionais e não ocupacionais é etiológica (causa da exposição laboral), e não morfológica ou histológica.
  • Alternativas A, C e D INCORRETAS.
    I (INCORRETA) : Não existe nível seguro absoluto de exposição a agentes carcinogênicos; mesmo pequenas doses podem induzir mutações e o desenvolvimento de câncer.

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Classificações e Nexo Causal
Compreender o uso de classificações internacionais (IARC) e nacionais (LINACH) é fundamental para avaliar a causalidade e priorizar a vigilância de neoplasias ocupacionais.
IARC Grupo 1 (carcinogênicos confirmados):
Substâncias com evidência suficiente de carcinogenicidade em humanos, como asbesto, benzeno, arsênio e cromo.
A IARC também utiliza uma classificação por categorias de risco para agentes carcinogênicos:
  • Grupo A1 (Carcinogênicos Confirmados para Humanos): Agentes para os quais há evidência suficiente de carcinogenicidade em humanos.
  • Grupo A2 (Prováveis Carcinogênicos para Humanos): Agentes para os quais há evidência limitada de carcinogenicidade em humanos e evidência suficiente em animais de laboratório.
  • Grupo A3 (Possíveis Carcinogênicos para Humanos): Agentes para os quais há evidência limitada de carcinogenicidade em humanos e/ou evidência sugestiva em animais de laboratório.
  • Grupo A4 (Provavelmente Não Carcinogênicos para Humanos): Agentes para os quais há evidência de ausência de carcinogenicidade em humanos e animais, ou evidência limitada em animais com dados inadequados em humanos.
  • Grupo A5 (Não Classificáveis quanto à Carcinogenicidade em Humanos): Agentes para os quais as evidências são inadequadas para classificá-los em qualquer outro grupo.
LINACH no Brasil:
Lista Nacional de Agentes Carcinogênicos para Humanos, crucial para políticas de saúde pública e vigilância em ambientes de trabalho.
Raciocínio de Nexo:
Envolve a análise de exposição plausível, agente carcinogênico capaz, tempo/dose/latência adequados, quadro clínico compatível e exclusão de outras causas.
Vigilância Integrada:
A combinação de higiene ocupacional e vigilância médica permite uma avaliação robusta da relação dose-resposta e a implementação de medidas preventivas eficazes.
Exemplo de Agentes Carcinogênicos e Cânceres Associados:
Takeaway: A avaliação do nexo causal em neoplasias ocupacionais deve sempre ser ancorada em classificações oficiais e na trajetória detalhada de exposição do trabalhador.

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Questão Prática
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Neoplasias
Assunto: Agentes Cancerígenos
Você foi contratado como Médico do Trabalho em um curtume de couro de animais. Durante seu atendimento, recebeu um trabalhador para realização de exame médico ocupacional - periódico. Identificação: J. P. S, 58 anos, masculino. Função: Estriador de Couro.
Durante o atendimento, trabalhador relatou que estava apresentando tosse e falta de ar progressiva, há pelo menos dois anos. A tosse era persistente e não produtiva, havia dispneia progressiva aos esforços, perda de peso não intencional (em torno de 8 kg nos últimos 6 meses) e dor torácica inespecífica.
Hábitos de Vida investigados: Nega tabagismo, nega etilismo. Não realizava atividade física. Alimentação rica em carboidratos e fibras, porém pobre em proteínas.
Histórico Patológico Pregresso (HPP): Nega cirurgias prévias; relata ter tido varicela na infância e COVID-19 em 2020.
Histórico Psicossocial: Mora com esposa e dois filhos do sexo masculino em casa de tijolos. Em horários de lazer assiste televisão e vai à igreja católica.
História Ocupacional Pregressa: Dos 20 aos 28 anos trabalhou de maneira informal como vendedor ambulante de pipoca na praça da igreja.
História Ocupacional e Exposição a Agentes de Risco na Empresa Atual: J.P.S. trabalha há 30 anos no curtume. A empresa é de médio porte. Ele labora diretamente na etapa de estriamento de couro. Durante sua jornada profissional, está exposto a diversos agentes químicos, físicos e ergonômicos, a saber: Cromo Hexavalente (Cr), Solventes Orgânicos (Tolueno, Tricloroetileno, Hexano, Acetona), Corantes com Metais Pesados (Anilinas e Azocorantes), corantes que liberam benzdina, Poeira de Couro, Ruído Ocupacional (> 90 dB), Posturas Inadequadas e Movimentos Repetitivos de Membros Superiores.
Tendo como base o caso descrito acima, responda a questão a seguir.
Tendo como base os dados clínicos e os exames realizados, responda a questão abaixo. A Norma Regulamentadora 1 (NR-01), orienta a elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com o Inventário de Riscos. Tendo como base os riscos citados na história ocupacional, identifique a alternativa que associa de forma CORRETA, os carcinógenos que poderiam justificar a doença apresentada pelo Trabalhador.
A) Cromo hexavalente, Tolueno e Xileno.
B) Cloreto de metileno, ácido fórmico e acetona.
C) Xileno, Acetato de Etila e Ácido Clorídrico.
D) Xileno, Tolueno e Ácido Acético.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA. é a LETRA A .
A) CORRETA — Cr VI é carcinógeno clássico em ambientes de curtume (cromagem do couro) e integra listas de agentes com evidência suficiente de carcinogenicidade. No contexto do PGR/Inventário de Riscos (NR-01), a combinação proposta contempla agentes relevantes citados na história ocupacional.
Referências: NR-01 (PGR/Inventário), NR-15/Anexo de agentes químicos; IARC Monographs; Mendes – Patologia do Trabalho.
Outras Alternativas
  • Assertiva B: INCORRETA — Cloreto de metileno, ácido fórmico e acetona não são os principais carcinógenos esperados no cenário descrito para curtume; ácido fórmico e acetona têm baixa evidência de carcinogenicidade e usualmente são considerados irritantes/solventes.
  • Assertiva C: INCORRETA — Xileno, acetato de etila e HCl não justificam de forma adequada a etiologia carcinogênica do caso; HCl é corrosivo/irritante, sem evidência robusta de carcinogenicidade ocupacional.
  • Assertiva D: INCORRETA — Tolueno e xileno são solventes neuro/irritantes e não constituem o principal elo carcinogênico isolado no processo; falta o agente crítico de maior evidência (Cr VI) citado na história de curtume.

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Neoplasias Ocupacionais
ANAMT 2012 — Com relação às neoplasias e aos agentes cancerígenos presentes no ambiente de trabalho, considere a alternativa que melhor representa as seguintes associações:

I. Mesotelioma de pleura
II. Angiossarcoma do fígado
III. Neoplasia das cavidades nasais
IV. Neoplasia do pulmão
Agentes:
A) Cloreto de vinila
B) Compostos de cromo
C) Poeira de madeira (ex.: carvalho/mogno)
D) Asbesto (amianto)
Assinale a alternativa correta:
A) I–A; II–B; III–C; IV–D
B) I–D; II–A; III–B; IV–C
C) I–D; II–A; III–C; IV–B
D) I–D; II–C; III–B; IV–A
E) I–A; II–C; III–B; IV–D
Gabarito Comentado
Alternativa C: CORRETA.
A alternativa C associa corretamente cada neoplasia ao seu agente ocupacional:
  • I. Mesotelioma de pleura Asbesto (amianto): Nexo clássico, com fibras alcançando a pleura e gerando inflamação crônica. Longa latência (20–50 anos).
  • II. Angiossarcoma do fígado Cloreto de vinila (VCM): Tumor raro, fortemente associado ao monômero cloreto de vinila (IARC Grupo 1). Latência de 10–40 anos.
  • III. Neoplasia das cavidades nasais Poeira de madeira: Forte associação com poeiras de madeiras duras (IARC Grupo 1), devido à deposição e inflamação crônica.
  • IV. Neoplasia do pulmão Compostos de cromo: Exposição a cromo hexavalente eleva o risco de câncer de pulmão (IARC Grupo 1), devido a danos no DNA.

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Neoplasias Ocupacionais
ANAMT 2015 - Um trabalhador que está habitualmente exposto a Cloreto de Vinila apresenta dor abdominal, massa palpável no quadrante superior direito, sensibilidade dolorosa no hipocôndrio direito, perda ponderal e ascite. Indique qual a principal hipótese diagnóstica:
A) Hepatite B
B) Intoxicação hepática
C) Carcinoma Primário Hepatocelular
D) Angiossarcoma do Fígado
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA.
A exposição ocupacional ao cloreto de vinila está fortemente associada ao desenvolvimento de angiossarcoma hepático, um tumor raro e altamente agressivo. Este diagnóstico é o mais provável no contexto clínico apresentado, com os sintomas específicos de dor abdominal, massa palpável, perda ponderal e ascite.
  • Alternativa A: INCORRETA. A hepatite B é uma causa infecciosa de câncer hepático, mas não possui relação direta com a exposição ao cloreto de vinila.
  • Alternativa B: INCORRETA. Intoxicação hepática pode ser causada por diversas substâncias, mas não explica o tumor maligno especificamente associado ao cloreto de vinila.
  • Alternativa C: INCORRETA. O carcinoma hepatocelular é comum em doenças hepáticas crônicas (como hepatite ou cirrose), mas não é o tipo de tumor ocupacional clássico resultante da exposição ao cloreto de vinila.

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Neoplasias Ocupacionais
ANAMT 2024 - Sabemos que os cânceres são, em sua maioria, de etiologia multifatorial, decorrentes de associação de fatores tanto genéticos como não genéticos. Por fatores não genéticos, entende-se os fatores ambientais, responsáveis pela grande maioria dos cânceres. Leia atentamente os enunciados a seguir:
  • I - A vigilância de populações de alto risco é efetiva com qualquer teste de rastreamento, independentemente da sensibilidade e facilidade de execução.
  • II - Os dados de vigilância médica, combinados com coleta de dados de higiene ocupacional, têm pouca utilidade em estudos epidemiológicos futuros e no conhecimento das relações dose-resposta.
  • III - Na análise de causa-efeito de um câncer de um trabalhador, devemos levar em conta se o agente a que está exposto o trabalhador é capaz de provocar o tipo de câncer, sustentada por uma classificação de carcinogenicidade da IARC.
  • IV - Considera-se substâncias carcinógenas com alta necessidade de vigilância: cloreto de vinila, óxido de etileno, formaldeído e benzidina.
Na prática clínica do Médico do Trabalho, podemos dizer que são afirmações VERDADEIRAS:
A) I e IV.
B) II e III.
C) II, III e IV.
D) I, II e IV.
E) III e IV.
Gabarito Comentado
ALTERNATIVA E: CORRETA. A afirmativa III está de acordo com o raciocínio clínico e pericial de nexo causal baseado na exposição e na classificação da IARC. A afirmativa IV é correta quanto à listagem de substâncias reconhecidamente cancerígenas segundo o Grupo 1 da IARC e LINACH.
Referências: LADOU, 2016; LINACH – Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos.
  • ALTERNATIVAS A, B, C e D: INCORRETAS.
    I: INCORRETA: A vigilância deve considerar a sensibilidade e especificidade dos testes, não qualquer teste.
  • II: INCORRETA: Os dados de vigilância médica e higiene ocupacional são fundamentais para estudos epidemiológicos e relações dose-resposta.

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Leucemia Ocupacional: Benzeno, Radiações e Radônio
Objetivo: Consolidar fatores e cenários mais relevantes da leucemia ocupacional.
Benzeno (Grupo 1)
Principal agente associado à toxicidade na medula óssea, levando a aplasia/hipoplasia e diversos tipos de leucemias, com destaque para a Leucemia Mieloide Aguda (LMA).
Radiações Ionizantes e Radônio
Exposição significativa a esses agentes aumenta o risco de desenvolvimento de leucemias, como observado em ambientes médicos e de mineração.
Setores de Risco Elevado
Indústrias de petróleo/química, postos de combustíveis, siderurgia/coque, agricultura (pesticidas), e radiologia/mineração com radônio são prioritários para vigilância.
Latência e Monitoramento
A leucemia ocupacional apresenta uma longa janela de latência. O monitoramento biológico e ambiental contínuo é essencial para a prevenção e detecção precoce.
A compreensão do mecanismo do agente ao desfecho é crucial:
Takeaway: A investigação de leucemia ocupacional exige um olhar atento para o benzeno, radiações e radônio, bem como para atividades com exposição crônica.

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Questão Teórica
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Neoplasias
Assunto: Leucemia Ocupacional
As leucemias são doenças caracterizadas pela transformação neoplásica dos leucócitos. Elas podem ser classificadas em leucemias mielóides, linfóides ou de linhagem mista, a depender do tipo celular que sofreu a transformação maligna inicial, e em agudas e crônicas. Identifique dentre as alternativas abaixo, a INCORRETA.
A) Grande parte dos pacientes portadores de leucemia crônica são assintomáticos por ocasião do diagnóstico.
B) A exposição ao benzeno e formaldeído foram associadas a Leucemia Linfóide Aguda.
C) A Leucemia Linfocítica Crônica é a leucemia mais frequente no mundo ocidental.
D) A Leucemia Linfocítica Crônica ocorre mais em jovens.
Gabarito Comentado
A alternativa INCORRETA é a LETRA B.
Evidência ocupacional clássica relaciona benzeno sobretudo a leucemia mieloide aguda (LMA) e síndromes mielodisplásicas; associação consistente com LLA é fraca/inconclusiva. Para formaldeído, a classificação IARC é Grupo 1 (câncer de nasofaringe e “leucemia” com maior suporte para mieloide), não havendo base robusta para LLA.
Outras Alternativas
  • ALTERNATIVA A: CORRETA. Leucemias crônicas, especialmente LLC, frequentemente são assintomáticas ao diagnóstico (achado de hemograma).
  • ALTERNATIVA C: CORRETA LLC é a leucemia mais frequente no Ocidente em adultos.
  • ALTERNATIVA D: CORRETA. As demais assertivas alinham-se ao padrão epidemiológico: leucemias crônicas (p.ex., LLC) acometem tipicamente idosos, e o gabarito considera a assertiva (d) conforme o enunciado.
Referências: Mendes R. Patologia do Trabalho – O Essencial, o Novo e a Prática, 4ª ed.; Buschinelli JTP. Toxicologia Ocupacional, Fundacentro, 2020; IARC Monographs – Benzeno (Grupo 1) e Formaldeído (Grupo 1).

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Neoplasias Ocupacionais
ANAMT 2023 - O Câncer é a segunda causa de morte no Brasil e um grave problema de saúde pública. Em relação à Leucemia Ocupacional, é INCORRETO afirmar:
  • A) A porcentagem dos casos atribuídos a fatores ocupacionais varia de 0,8 a 10,9%.
  • B) Uma variedade de fatores de risco tem sido sugerida, das quais se destacam a exposição a radiações ionizantes e ao benzeno.
  • C) Estudos de revisão têm identificado que a exposição materna a pesticidas e outros produtos químicos pode predispor a ocorrência de leucemias nos filhos.
  • D) A exposição ao Radônio não se relaciona às leucemias.
  • E) A agricultura é um dos setores prioritários para a vigilância.
Gabarito Comentado
Alternativa D: INCORRETA (GABARITO).
A afirmativa D é INCORRETA porque a exposição ao Radônio está, de fato, associada ao aumento do risco de leucemias. Portanto, é a alternativa a ser assinalada.
  • Alternativa A: CORRETA. A literatura aponta que a variação de casos de leucemia atribuídos a exposições ocupacionais pode ser de 0,8% a 10,9%, tornando esta afirmação correta.
  • Alternativa B: CORRETA. Radiações ionizantes e benzeno são reconhecidos como importantes fatores de risco para leucemias ocupacionais, validando a afirmação.
  • Alternativa C: CORRETA. Estudos de revisão realmente sugerem uma relação entre a exposição materna a certos produtos químicos e o risco de leucemia em filhos, o que torna esta afirmação verdadeira.
  • Alternativa E: CORRETA. O setor agrícola é considerado prioritário para vigilância devido ao uso frequente de agrotóxicos e solventes, o que a torna uma afirmação correta.

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Câncer de Pele Ocupacional (Não Melanoma) e Soldagem
Objetivo: Revisar os riscos da radiação ultravioleta (UV) e as características do câncer de pele não melanoma (CPNM) no ambiente de trabalho.
CPNM: Frequência e Cura
O câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente no Brasil, apresentando alta taxa de cura quando diagnosticado e tratado precocemente. O Carcinoma Basocelular (CBC) é a variante mais comum.
Fatores Ocupacionais
A exposição à radiação UV solar afeta trabalhadores ao ar livre, enquanto a radiação UV do arco de solda representa um risco significativo para soldadores. Ambos são agentes carcinogênicos ocupacionais.
Populações de Risco
Indivíduos com pele clara, histórico de exposição cumulativa à UV e aqueles que utilizam proteção inadequada são os mais suscetíveis ao desenvolvimento de CPNM ocupacional.
Medidas de Prevenção
A prevenção inclui barreiras físicas, uso regular de protetor solar, óculos de proteção e face shields para soldagem, além da reorganização da jornada de trabalho para evitar picos de exposição à UV.
Takeaway: A radiação UV é o agente crítico para o câncer de pele ocupacional. Medidas preventivas simples e eficazes podem alterar significativamente o desfecho.

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Neoplasias Ocupacionais
ANAMT 2023 - O Câncer de pele é a neoplasia de maior incidência no mundo. No Brasil corresponde a 27% dos tumores malignos. Estabelecer a relação do Câncer cutâneo com o trabalho é difícil, visto que seu período de latência é longo. Leia as assertivas abaixo e assinale as corretas em relação ao Câncer de pele Não Melanoma:
  • I. É o mais frequente no Brasil, e corresponde a cerca de 30% dos tumores malignos registrados.
  • II. É comum em crianças e negros.
  • III. Apresenta alto percentual de cura quando tratado em sua fase inicial.
  • IV. O tipo Basocelular (CBC), é responsável por grande parte dos cânceres Não Melanoma.
A) I e II.
B) I e IV.
C) Apenas a alternativa II.
D) I, III e IV.
E) Apenas a alternativa IV.
Gabarito Comentado
Alternativa D: CORRETA.
O câncer de pele não melanoma é, de fato, o mais frequente no Brasil (I), apresenta alta taxa de cura quando tratado precocemente (III), e o Carcinoma Basocelular (CBC) representa a maior parte dos casos (IV).
  • Alternativa A: INCORRETA. A afirmativa II está errada, pois o câncer de pele não melanoma é mais frequente em adultos e em pessoas de pele clara, não em crianças e negros.
  • Alternativa B: INCORRETA. Apesar de I e IV estarem corretas, a alternativa não contempla a III, que também é verdadeira.
  • Alternativa C: INCORRETA. A afirmativa II é incorreta.
  • Alternativa E: INCORRETA. A afirmativa IV é verdadeira, mas não é a única correta.

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Amianto (Asbesto)
Objetivo: Traduzir o princípio preventivo para agentes carcinogênicos Classe 1, como o amianto.
EPIs (Equipamentos de Proteção Individual)
A última barreira de proteção na hierarquia de controle, os EPIs reduzem a exposição direta ao amianto, mas não eliminam o risco completamente da fonte. Seu uso, que inclui respiradores de alta eficiência (P3 ou N100) com vedação adequada e vestimentas protetoras descartáveis, deve ser sempre o último recurso, aplicado somente após esgotadas as medidas de controle de engenharia e administrativas, e acompanhado de treinamento rigoroso para uso, manutenção e descarte.
Medidas Complementares
  • Contenção e Umedecimento: Essenciais para evitar a dispersão de fibras de amianto no ar durante a manipulação, através do uso de barreiras físicas e agentes umectantes que fixam as fibras.
  • Ventilação Adequada: Fundamental para renovar o ar e reduzir a concentração de partículas suspensas no ambiente de trabalho, preferencialmente com sistemas de exaustão localizada e filtragem HEPA antes da descarga.
  • Rotinas de Manutenção Seguras: Implementação de protocolos rigorosos para minimizar a liberação de fibras durante reparos, incluindo a desativação controlada e o encapsulamento temporário de materiais.
  • Gestão de Resíduos Específicos: Descarte seguro e conforme a legislação, com acondicionamento em embalagens seladas e identificadas, para evitar contaminação secundária do ambiente e da comunidade.
  • Vigilância Médica Periódica: Monitoramento contínuo da saúde dos trabalhadores expostos, com exames específicos para detecção precoce de doenças relacionadas ao amianto, como radiografias de tórax e testes de função pulmonar.
  • Treinamento e Capacitação: Garantir que todos os trabalhadores estejam cientes dos riscos, reconheçam materiais com amianto, e dominem as práticas de segurança e os procedimentos de emergência.
Substituição e Eliminação
A remoção total e a substituição do amianto por materiais alternativos mais seguros e menos tóxicos é, sem dúvida, a forma mais eficaz e definitiva de proteger a saúde dos trabalhadores a longo prazo. Dada a classificação do amianto como um carcinogênico do Grupo 1 (confirmadamente causador de mesotelioma, câncer de pulmão, laringe e ovário), sua eliminação completa torna-se crucial e prioritária. Esta abordagem proativa não só protege os trabalhadores atualmente expostos, mas também elimina o risco para futuras gerações, garantindo um ambiente de trabalho e de vida inerentemente mais seguro e livre de contaminantes.
Takeaway: Para carcinogênicos confirmados como o amianto, a substituição é a regra de ouro na hierarquia de controle, sendo a medida mais impactante e definitiva na prevenção de doenças ocupacionais.

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Neoplasias Ocupacionais
ANAMT 2012 - O amianto é tido como cancerígeno humano comprovado. Do ponto de vista preventivo, em sua empresa, você:
  • A) Recomendaria substituir todo o amianto empregado nas instalações, por material não cancerígeno.
  • B) Executaria o controle radiológico sem se incomodar com questões de engenharia.
  • C) Interditaria qualquer trabalho de manutenção em instalações que contivessem amianto.
  • D) Recomendaria medidas preventivas visando a exposição zero em todas as atividades que pudessem expor os trabalhadores ao amianto.
  • E) Faria controle médico dos trabalhadores em geral, através de radiografia do tórax.
Gabarito Comentado
Alternativa A: CORRETA.
A substituição do amianto por material não cancerígeno é a principal medida preventiva e está de acordo com o princípio da eliminação do risco na hierarquia de controle.
  • Alternativa B: INCORRETA. Não basta monitorar por exames, é necessário eliminar a fonte do risco.
  • Alternativa C: INCORRETA. A simples interdição não resolve o problema na origem, apenas suspende a atividade.
  • Alternativa D: INCORRETA. Medidas preventivas gerais são válidas, mas a principal ação é a eliminação/substituição do agente.
  • Alternativa E: INCORRETA. O controle médico é importante, mas é medida secundária, não elimina o risco.

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Doenças Hematopoiéticas
Esta seção aborda as principais patologias que afetam o sangue e os órgãos hematopoiéticos, com foco nos aspectos ocupacionais e seus impactos na saúde do trabalhador. Sua relevância na vigilância da saúde ocupacional é inegável, dada a sensibilidade do sistema hematopoiético a diversos agentes ambientais. Serão explorados desde os fundamentos da hematopoiese até as doenças específicas, seus diagnósticos, tratamentos e, principalmente, as relações com o ambiente de trabalho. Exposições a agentes químicos como benzeno, metais pesados, pesticidas e a radiações ionizantes no local de trabalho podem causar ou agravar discrasias sanguíneas. Uma compreensão aprofundada é crucial para a prática da Medicina do Trabalho, garantindo a prevenção e o manejo adequado dessas condições em contextos ocupacionais. Nesse contexto, o médico do trabalho desempenha um papel fundamental na identificação precoce através de exames periódicos e na implementação de protocolos de rastreamento conforme as diretrizes regulatórias vigentes. A gestão eficaz dessas condições não só protege a saúde do trabalhador, mas também impacta diretamente sua capacidade produtiva e qualidade de vida.

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Doenças Hematopoiéticas no Contexto Ocupacional: Fatores Críticos
As doenças hematopoiéticas, que afetam a produção e função das células sanguíneas, podem ter uma forte relação com o ambiente de trabalho. A exposição a diversos agentes físicos, químicos e biológicos, bem como condições laborais específicas, pode desencadear ou agravar quadros como a anemia, leucopenias e outras discrasias sanguíneas.
O caso clínico anterior, que apresentou um trabalhador da construção civil com anemia ferropriva, ilustra como fatores ocupacionais e hábitos de vida podem convergir para um desfecho de saúde desfavorável. A compreensão desses múltiplos fatores é crucial para o diagnóstico e manejo na Medicina do Trabalho.
Exposição a Agentes Químicos
Certos produtos químicos, como benzeno e alguns solventes orgânicos (presentes em colas, tintas), podem ser tóxicos para a medula óssea, resultando em anemias aplásticas ou leucemias. Metais pesados, como o chumbo, também afetam a síntese de hemoglobina.
Deficiências Nutricionais Induzidas
Trabalhos que demandam grande esforço físico, como o de pedreiro, aumentam o gasto energético e a necessidade de nutrientes. Dietas inadequadas, frequentemente associadas a condições socioeconômicas, podem levar a carências de ferro e vitaminas B12/folato, essenciais para a eritropoiese.
Hábitos de Vida Nocivos
O tabagismo e o etilismo, comuns em algumas categorias profissionais, são fatores de risco significativos. O álcool pode interferir na absorção de nutrientes e na função hepática, enquanto o tabaco afeta a oxigenação e pode agravar quadros de base.
Microtraumas e Perdas Crônicas
Em ambientes de trabalho com risco de microtraumas repetitivos ou contato com substâncias irritantes, pode haver perdas sanguíneas mínimas mas crônicas (ex: trato gastrointestinal, sistema urinário) que, ao longo do tempo, contribuem para o desenvolvimento de anemia.
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QUESTÃO PRÁTICA
Módulo: Patologia Ocupacional
Disciplina: Doenças Hematopoiéticas
Assunto: Anemia Ferropriva
ID: A.W.S, 50 anos, masculino, pardo, casado, natural de Goiás, mora e trabalha na periferia de Goiânia. Ensino médio incompleto, pedreiro, católico não praticante.
QP: palpitações e cansaço há um mês.
HDA: trabalhador relata que há aproximadamente um mês vem apresentando episódios esporádicos de palpitações e cansaço, não relacionados a esforço físico intenso. Refere que há quatro dias os sintomas se intensificaram com fadiga acentuada, piorando após a ingestão irrestrita de bebidas alcoólicas, durante reunião familiar no dia anterior à consulta. Referiu ainda lombalgia recorrente, o que o faz utilizar anti-inflamatórios não esteroidais de forma indiscriminada, sem prescrição médica. Apresenta tosse produtiva matinal frequente, associada à secreção mucosa, e não refere febre. Já apresentou cansaço em outras ocasiões, sem melhora significativa, mesmo em repouso. Trabalha com o uso frequente de britadeira, manipulando cimento, exposto a ruído intenso e a radiação solar direta. Em seu histórico constava que, no último exame médico periódico, foi orientado a atualizar a vacinação e recebeu orientações gerais de saúde, inclusive de retorno caso necessário, pois na ocasião havia mencionado fadiga. Como houve melhora temporária, não seguiu as recomendações médicas e, não retornou para reavaliação.
História Patológica Pregressa: refere varicela e sarampo na infância. Nega patologias respiratórias prévias. Nega hepatite, diabetes, alergias, cirurgias ou transfusões sanguíneas. É portador de hipertensão arterial sistêmica há cerca de 10 anos, em tratamento com Captopril 25 mg, 3 vezes ao dia.
Histórico familiar: Desconhece.
Hábitos de vida: Etilista de uma lata de cerveja diariamente. Tabagista de 01 maço/dia a 30 anos. Mora em casa com boas instalações sanitárias, com esposa e quatro filhos. Refere alimentar-se à base de carboidratos, e com pouca carne devido à precária condição financeira.
Exame físico: Regular estado geral, sem alterações neurológicas focais, hipocorado +++/4+, desidratado +/4+, afebril, acianótico, anictérico, enchimento capilar normal. Escala de Glasgow = 15, Sat %O2 = 99%. PA = 130 X 90 mmHg. FC = 88 bpm. FR = 20 irpm Tax = 36,2ºC. Orofaringe sem alterações. Ausculta Pulmonar: Murmúrios Vesiculares Universais presentes, presença de roncos esparsos em bases pulmonares. Ap. cardiovascular: RCR em 2t, sopro sistólico, intensidade 3+/6+ de Levine, pancardíaco. Abdome flácido, doloroso a palpação profunda em região epigástrica, sem irritação peritoneal. Sem visceromegalias ou massas palpáveis. Peristalse presente e fisiológica. Membros inferiores com edema 1+/4+ perimaleolar, pulsos periféricos palpáveis; panturrilhas sem sinais de empastamento.
H. Ocupacional: Pedreiro e auxiliar de pedreiro desde os 14 anos até os dias atuais, alternando trabalhos informais com carteira assinada.
Tendo como base o caso clínico apresentado acima, responda as questões a seguir.
Após a realização e apresentação dos exames complementares ao Médico do Trabalho, o empregado referiu persistência dos sintomas, porém sem agravamento. Considerando a evolução clínica e os achados laboratoriais, assinale dentre as alternativas abaixo, a CORRETA, em relação à conduta terapêutica mais adequada para o diagnóstico principal.
A) Instituir tratamento sintomático para dispneia associado à oxigenoterapia e adequação alimentar: priorizar alimentos ricos em ferro heme (carnes vermelhas magras, fígado, aves e peixes) e ferro não heme (feijões, lentilhas, grão-de-bico, espinafre, couve), associando fontes de vitamina C (laranja, acerola, kiwi, tomate) para potencializar a absorção.
B) Orientar cessação do tabagismo visando à redução do risco de progressão para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e evitar inibidores da absorção de ferro junto às refeições principais, como café, chá-preto, chá-mate e refrigerantes à base de cola.
C) Implementar pausas programadas durante a jornada de trabalho e indicar fisioterapia motora e fracionar refeições para garantir aporte nutricional constante, reduzindo longos períodos de jejum e controle de perdas crônicas: orientar o prejuízo do uso indiscriminado de anti-inflamatórios.
D) Prescrever suplemento de ferro injetável e via oral; reavaliar mensalmente em consulta médica até alta ambulatorial, com realização periódica de exames para monitoramento terapêutico e avaliação e adequação alimentar: priorizar alimentos ricos em ferro, além de diminuir o uso de AINE.
Gabarito Comentado
A alternativa CORRETA é a letra LETRA D.
Contempla reposição de ferro (oral/parenteral), seguimento mensal com exames e medidas dietéticas/evitar AINE, alinhado às recomendações para anemia ferropriva. O quadro clínico-laboratorial é compatível com anemia ferropriva; a terapia de escolha é reposição de ferro (preferencialmente via oral; parenteral quando indicado), com seguimento periódico e ajuste dietético para aumentar oferta e absorção de ferro, além de reduzir fatores que perpetuam a perda (ex.: uso indiscriminado de AINE).
Referências: Mendes, Patologia do Trabalho (4ª ed.); Goldman & Ausiello, Cecil Medicina Interna (26ª ed.).
Outras Alternativas
  • ALTERNATIVA INCORRETA: inclui medidas sintomáticas/dietéticas úteis, mas omite a conduta essencial para anemia ferropriva: reposição de ferro e plano de monitorização terapêutica.
  • ALTERNATIVA B: INCORRETA: cessar tabagismo é benéfico em geral, porém não trata a causa principal (deficiência de ferro); evitar inibidores de absorção é complementar, mas isoladamente é insuficiente para o tratamento primário.
  • ALTERNATIVA C: INCORRETA pausas/fisioterapia e fracionamento podem melhorar bem-estar e nutrição, porém não corrigem o déficit de ferro de forma direta e prioritária; orientação sobre AINE é apenas coadjuvante.

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Sobre a Autora
Médica do Trabalho, aprovada na prova de Título de Especialista da ANAMT. É referência na área de Saúde Ocupacional no estado de Goiás.
Pós-graduada em Medicina do Trabalho pela Polis, atua como médica do trabalho do SESI-GO e coordena programas de saúde, segurança e promoção da qualidade de vida em grandes organizações.
Idealizadora e professora responsável pelo MedWork, curso preparatório premium para a prova de Título de Especialista em Medicina do Trabalho da ANAMT, dedica-se a transformar a experiência de aprendizado em uma jornada estruturada, didática e eficiente.
Aliando vivência prática, profundidade acadêmica e didática diferenciada, Dra. Ludmilla tem ajudado centenas de médicos a alcançarem aprovação, conciliando rigor técnico com clareza e acessibilidade.
Na MedWork, sua missão é clara: formar especialistas altamente preparados, capazes de atuar com excelência, ética e protagonismo na Medicina do Trabalho.
Dra. Ludmilla da Silva Batista Lazzarini
CRM-GO 23364 | RQE 19435

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